Em qualquer outro lugar, seria normal acordar de madrugada ou coisa assim, mas Ginger sabia que tinha algo ali naquela casa, desde que entrou lá estava com aquela sensação de estar sendo observada. Quando estava quase dormindo algo a despertou, um estranho ruido vindo da janela, ela pensou que era apenas o vento ou que não tinha fechado a janela direito, estava com preguiça de ir ver oque era, mas depois de uns 10 minutos ficou mais alto e ela estava ficando irritada, quando finalmente resolve levantar, percebe como o quarto dela está inteiramente frio. Se aproxima da janela meia sonolenta, e olha para o lado de fora, não ha nada além das arvores horripilantes sendo sopradas pelo vento.

Fecha a janela e quando se vira, se depara com aquela cena. Uma menina, mais ou menos da idade dela, em pé no canto mais escuro do quarto, olhando para baixo, estava escorrendo um estranho liquido de seus olhos, um liquido avermelhado e espeço. Era sangue, ela estava chorando sangue.

Ginger simplesmente fica paralisada, não sabe se corre, se fica, se grita. Tenta analisar a situação e respira fundo.

– Quem é vo-você? — Gagueja.

A menina não responde, não diz nada.. Então começa a levantar a cabeça lentamente e seus olhos são negros por inteiro como a escuridão, sua pele branca, seus cabelos loiros e compridos, uma expressão de medo e desespero, assim como Ginger. As duas estavam tão assustadas que não dava pra saber quem estava assustando quem. Mas o medo da menina não era de Ginger, o medo que ela sentia estava perdido dentro dela assim como sua alma na terra.

– me ajuda! — sussurra.

– Como posso ajudar? — Responde Ginger.

– Socorro! — A menina diz em um tom alto.

Ginger faz aquela cara que todos nós fazemos quando não sabemos lidar com a situação, franze as sobrançelha e tenta se aproximar.

– SOCORROOOOOOO! — A menina grita.

Ginger fica imóvel e logo em seguida seus pais entram no quarto, Ginger se vira para porta e quando se vira novamente para o canto em que a menina estava, estava vazio.

– O que aconteceu filha? — Perguntou sua mãe.

– Uma menina, ela estava ali, eu juro, ela estava ali. Ela gritou por ajuda, ela estava ali — Diz Ginger apontando para a direção onde a menina estava.

– Ginger, você já tem 16 anos, não acha que está grande demais para este tipo de coisa? — Seu pai diz bravo pensando que era algum tipo de brincadeira ou algo assim.

– Mas eu juro pai! Eu não estava sonhando nem nada! — Ginger responde, ainda assustada.

Seus pais apenas saem do quarto e Ginger volta para sua cama, ficou la a madrugada toda, analisando tudo, tentando acreditar que foi apenas sonho ou algo de sua mente se perguntou mil vezes "Porque conseguiram escuta-la, mas não conseguiram vê-la?" sem sucesso em uma resposta, o tempo passa até que ela cai no sono.

Quando amanheceu e todos foram para a mesa tomar café, ninguem comentou sobre isso, Ginger estava começando a crer que era apenas imaginação.

Até que viu alguém passando pela janela da cozinha indo para os fundos da casa, acho estranho mas naquela cidade não existiam cercas ou muros, e atras da casa havia uma pequena floresta. Ginger vai até a janela e da uma olhada do lado de fora.

– Paaai, o que essa gente toda esta fazendo aqui? É alguma reunião de vizinhança? — Ela pergunta normalmente.

Seu pai acha estranho.

– Uma reunião no quintal da nossa casa? — Se levanta e vai até a janela — Ginger ja chega de brincadeiras né!!! Não tem graça. Você já é uma adolescente então haja como uma.

– O que foi? Não estou fazendo nada. — Ginger responde assustada.

– Ahhhh não? NÃO HA NINGUEM LÁ FORA. — Grita seu pai.

Ginger olha novamente, continua vendo, em torno de 15 pessoas, mas dessa vez estavam todos olhando na direção dela.

Ela se sente apavorada, olha fixamente para todos e percebe que seus olhos estão por inteiro negros, como o da menina da noite passada. Eles começam a se aproximar da janela e quando ela menos espera estão todos a encarando, observando ela, como uma legião, ela fica imóvel.

Sua mãe se aproxima dela e pergunta:

– Querida, você está bem? Ficou pálida. — Entao olha para fora. — Eu não vejo nada, mas acredito em você se estiver vendo realmente alguma coisa!

Ginger olha para sua mãe, olha para fora, observa bem o rosto de cada um, enquanto eles continuam a encara-la. Então suas faces vão se deformando como se algo estivesse desfigurando eles. Ela fica traumatizada, agarra sua mãe com tanta força que ambas mal conseguem respirar.

– Eu não sei oque esta havendo, mas seja lá o que for, esta deixando nossa filha apavorada.– Sussura a mãe de Ginger para seu pai.