A Winter's Tale
16 Praias Brancas
A pequena fragata que circulava o Dama das Neves se perde no meio da escuridão do mar, a oeste de Cyrodiil. Volkan, o representante da Aldmeri Dominion na capital imperial não demonstrava preocupação, na cabeça dele, era apenas um pequeno grupo de camponeses imundos que queriam escapar das garras dos elfos.
– Senhor, não iremos persegui-los? – pergunta um dos Justiciars presentes no convés do grande galeão
– Não há necessidade, e não teria como, temos que trocar as velas – Diz Volkan indicando o mastro principal do navio com a vela queimada. – No final não perdemos muito, se não me engano era a antiga capitã deste navio que fugiu naquele bote, o que quer dizer que esse navio agora é oficialmente Thalmor, aproveitem e coloquem uma vela da Aldmeri, não quero ancorar em Summerset usando esses trapos, e limpem o convés!
– Mas senhor – indaga um mago Thalmor ali presente – e os demais sobreviventes? E os outros passageiros?
– Não há sobreviventes – conclui Volkan lançando um olhar macabro sobre sua tripulação.
O resto da noite foi um massacre no convés do dama das neves, mulheres, homens, crianças, todos foram brutalmente exterminados e jogados ao mar para servir de alimentos para as criaturas carnívoras subaquáticas que ali viviam.
Cerca de seis dias vagando pela imensidão azul a oeste de Tamriel, Ulrich finalmente sente frio, e ao olhar para o horizonte consegue ver uma fina porem perceptível cortina branca, era neve! Eles estavam se aproximando de Skyrim!
–Acordem acordem – diz Ulrich agitado acordando suas companheiras de viagem – olhem! olhem! É neve! – conclui soltando uma risada satisfeita.
– Aiai Ulrich, você realmente parece um turista – diz Liabel após bocejar e coçar os olhos – não acredito que você se impressiona tão fácil!
– Vocês ratos Imperiais estão com sorte! – diz Sibby – o inverno ainda no começo, o clima ainda está agradável.
– Agradável? – indaga Liabel – eu estou morrendo de frio! Sinto como se meus ossos fossem partir! – conclui espirrando.
– Hah! – Sibby solta uma gargalhada exagerada – vocês imperiais, acostumados com seu clima quentinho, se preparem! Já estamos nas aguas gélidas de Skyrim, a terra aonde apenas os fortes sobrevivem! – Conclui a Nord com uma expressão de orgulho no rosto, olhando para o horizonte.
Algumas horas se passam, e eles finalmente enxergaram uma luz, a luz do Farol de Solitude, eles haviam concluído a viajem, com algumas perdas no caminho, mas o que importa é que pelo menos um sacerdote de Moth estava ali, e os Elders Scrolls também.
E que primeira vista eles tiveram, após uma parede de pedra e uma margem rochosa, sua primeira visão do norte gélido de Tamriel não poderia ser mais majestosa, uma enorme montanha que carregava uma cidade murada indescritivelmente linda, era tão perfeita a obra que parecia que a própria montanha havia sido criada pelas mãos dos homens que construíram a cidade, eles haviam chegado a antiga capital de Skyrim, o hold de Solitude.
Sibby preparou para atracar a pequena fragata, amarrou as cordas no porto, próximo da grande cidade, e então depois de todos os preparativos prontos, o trio finalmente pisou em solo firme.
– Alto! – diz um guarda usando as típicas túnicas de Solitude – o seu barco não estava registrado para chegar – diz o guarda – poderiam vir comigo?
– Claro – Diz Sibby respondendo pelo trio.
– Mas capitã, não podemos perder tempo com isso – sussurra Liabel baixinho para que o guarda não ouvisse, ao mesmo momento que segue seus passos.
– Aqui não é Cyrodiil, os guardas daqui não pegam leve, muito menos depois do extermínio da Irmandade Negra (Dark Brotherhood).
O guarda os leva até um estabelecimento no próprio porto, eles entram no que parece ser um pequeno quartel, aonde um homem sem capacete, com armadura similar ao dos demais guardas, mas uma insígnia no peito e uma capa longa e vermelha estava sentado atrás da mesa, tomando sua caneca de hidromel (Mead) e comendo pequenos aperitivos de carne bovina.
– Ah, clandestinos no meu porto! – exclama o comandante – a que devo a honra desta invasão?
– Senhor, meu nome é Sibby Bearhart, sou filha do Thane de Solitude, Thorm Bearhart – Diz Sibby se apresentando formalmente para o comandante da guarda – Sinto muito se criei problemas com a minha pequena fragata, gostaria da sua permissão para me retirar e entrar em minha cidade natal.
– Ahn, Thane Bearhart não é? Se eu não me engano o seu pai deve estar no castelo agora não é mesmo? – diz o comandante a encarando – não se importaria se enviássemos um guarda para traze-lo aqui com o intuito de conferir sua identidade não é?
– Sem problemas, ficarei esperando aqui mesmo – diz Sibby se aproximando de uma das paredes do estabelecimento e sentando em uma das poucas cadeiras de madeira que ali estavam, enquanto um guarda saia na busca de seu suposto pai.
– E vocês dois? A jovem Nord eu compreendo, e sua identidade está sendo investigada, mas vocês dois não são daqui.. – diz o Comandante.
– Não senhor – diz Ulrich dando um passo a frente – eu sou Ulrich, um dos Ex comandantes do exercito imperial, e tenho assuntos a tratar com o Rei de Skyrim, e esta é Liabel, uma sacerdotisa de Moth que me acompanhou nessa árdua jornada.
Sibby então arregala os olhos e fica encarando Ulrich, ela imaginou que ele não fosse um camponês comum, ele lutava muito bem para ser um, mas um ex comandante das forças imperiais? Que veio com o intuito de falar com o Rei? Se isso for verdade, se aproximar de Ulrich seria a jogada certa a se fazer, para ganhar pontos com o novo Rei, o lendário Dovahkiin.
– Esses estrangeiros estão cada vez mais abusados! – grita o comandante Maro se levantando de sua confortável cadeira – eles vem aqui, na nossa cidade, e esfregam na nossa cara que tem assuntos a tratar com o Rei? O REI? – Maro começa a perder a calma e logo respira fundo – não sei como funciona lá de onde vocês são, mas aqui o Rei não conversa com clandestinos – conclui.
Um barulho de porta abrindo ecoa pela sala poucos momentos depois, o guarda havia trazido consigo um homem alto, grisalho porem charmoso, com uma longa barba, um porte feroz, o que indicava que um dia já havia sido um guerreiro ou algo do tipo, vestindo longas vestes nobres azuis, com peles brancas ao redor da gola e nos punhos das mangas.
– Ah, bem na hora, obrigado por nos iluminar com sua presença, ilustre Thane Thorm Bearhart – diz o Comandante Maro se curvando para o homem – essa jovem aqui, que acabou de chegar em um pequeno barco de pesca clandestino, afirma ser sua fil... – e é interrompido pelo próprio homem.
– SIBBY! – diz o homem nobre – você esta aqui? Onde está o seu navio? – diz o Thane ignorando totalmente o comandante, que não aparentou nem um pouco feliz com isso.
– Pai! – diz a jovem nord se levantando e abraçando-o – Aconteceram varias coisas! Eu estava apenas me explicando para o Comandante do porto para que eu pudesse ser liberada, desculpe se eu atrapalhei seus afazeres no Palácio Azul.
– Nah, imagina, ser Nobre significa trabalhar pouco, e ganhar muito, e desde que o novo Rei foi coroado, a Jarl Elisif parece estar tão contente e satisfeita que quase não temos trabalho nenhum, toda a cidade está comemorando há dias o novo Rei.
– Ahn com licença – Diz o Comandante Maro se intrometendo na conversa – eu sei que vocês podem ter essa pequena reunião familiar em outro lugar, eu tenho que registrar esses dois prisioneiros e levar toda a carga do barco clandestino como prova, então, por favor, se retirem.
– Prisioneiros? – exclama Liabel – Mas nós não....
– Isso mesmo – diz Maro interrompendo a sacerdotisa – vocês não tem família, registros, ou documentos que comprovem sua historia, até onde eu sei vocês podem ser uma dupla de loucos que vieram se refugiar em nosso amado país.
– Pai ! – diz Sibby puxando seu pai para próximo dela e cochichando em seu ouvido, Maro apenas observou, enquanto registrava o nome dos outros dois como prisioneiros de Solitude.
– Com licença, senhor Comandante – diz o ilustre Thane – aparentemente esses dois clandestinos são responsabilidade de minha casa, uma vez que eles pagaram para o navio de minha família traze-los até aqui em segurança – explica coçando sua longa barba grisalha – minha filha assumiu essa responsabilidade, e como pai dela irei assumi-la também, esses dois estão sob a custodia de minha casa, sob minha guarda, até que sejam devidamente registrados em Solitude.
– Mas, mas.. – diz o Comandante Maro sem conseguir concluir uma sentença sequer.
– Acredito que você não vai querer se explicar para Jarl Elisif, caso você tente passar por cima da palavra de um Thane da cidade, não é mesmo? – conclui o Thane Bearhart.
– Muito bem, leve-os – diz Comandante totalmente irritado – mas eu ficarei de olho!
O trio então volta para a fragata para pegar os pertences, e o Thane ajuda chamando uma pequena carroça para carrega-los, o céu estava nublado, o inverno estava no começo, alguns guardas já estavam usando capas mais longas para se proteger do frio, enquanto outros ainda não haviam trocado de uniforme.
Ulrich pela primeira vez parou para observar o povo de Skyrim, enquanto carregava seus pertences, a maioria eram fazendeiros, pacatos e trabalhando em comunidade, o mundo do Norte era simplório, os problemas do império parecem ser tão distantes visto dali, quase como se não existissem.
Ao caminharem em direção ao portão de entrada de Solitude, Liabel fica abismada, apesar de a arquitetura do norte ser bem mais simples se comparada com a cidade imperial, tudo parecia tão perfeito, cada detalhe, cada pedra, parecia que contava milênios de historia, e diferente da torre branco-dourada, que ao olhar Liabel se enchia de angustia ao se lembrar de tudo que acontecera, mas ao olhar para a torre azul do palácio de Solitude, ela sentia uma leveza indescritível, quase como se todos os seus problemas tivessem ficado para traz.
A caminhada até o Palácio Azul é agradável, por sorte a família Bearhart era proprietária de uma enorme casa, quase na porta do palácio, aonde as maiores residências de Solitude se situavam, e lá entraram.
–Boa noite meu senhor – se aproxima uma jovem loira, com longos cabelos dourados trançados, um gibão de peles , um escudo redondo nas costas e um machado pendurado na cintura, seus olhos eram verdes brilhantes, e ela possuía uma distinta pintura azulada em seu rosto, quase como se fossem três arranhões sobre seu olho esquerdo.
– Bom dia Ingunn, estes são meus convidados, por favor, cuide bem deles e os auxilie no que precisarem, eles tem uma missão importante aqui no norte – conclui Thorm olhando para os dois estrangeiros.
Liabel apenas observava a casa, olhando a mobília, a arquitetura, aparentemente ela era muito chegada a examinar detalhes de construções, ela se encantou com os pratos e talheres de prata perfeitamente organizados sobre a mesa de madeira no centro da casa. Já Ulrich não conseguia tirar os olhos da jovem guerreira de rosto pintado e cabelos dourados que veio recebê-lo.
– Homens... – sussurra Sibby subindo para tomar um banho enquanto os seus dois companheiros de viagem se acostumavam com sua nova moradia.
– Senhor Ulrich – diz a guerreira se curvando – meu nome é Ingunn e eu sou a guarda particular da família Bearhart e do Thane, por favor, respeite as regras do mestre desta residência e não teremos problemas.
– Ah! Sim! Meu nome é Ulrich – se curvando de volta – espero não causar nenhum mal-entendido ou problema para vocês.
Liabel estava ausente a tudo isso, ela já estava vagando pela casa como uma alma penada observando cada pedra, cada canto e cada fresta da construção.
A dupla de imperiais então tomou seu banho, tiraram as roupas de viagem e vestiram trajes comuns de Skyrim, e logo depois que se alimentaram da boa comida do norte, se aventuraram pela cidade para descobrir mais sobre o Rei e o Norte.
Incrivelmente, todas as pessoas com quem conversaram aparentavam ser totalmente a favores de Sarkhan, era algo incrível, um homem que foi capaz de fazer lavagem cerebral em todo um país, ou de algum jeito conseguiu 100% de aprovação do povo, nem mesmo o Imperador tinha isso dentro da própria cidade Imperial!
Eles descobriram mais sobre Sarkhan, descobriram que ele falava o idioma dos dragões, que havia treinado com um dragão na montanha mais alta de Tamriel, e que agora ele os montava em combate.
Descobriram que Sarkhan subiu a coroa destruindo o antigo Rei de Skyrim, Ulfrich Stormcloak, que ficou com a coroa pouco menos de 6 anos, e que ironicamente Ulfric conseguiu a coroa do mesmo jeito, derrotando o ex marido da Jarl Elisif, o Rei Torygg.
Eles nunca haviam ouvido falar desse tal Ulfric Stormcloak, muito menos dessa tradição nórdica do combate pela coroa, eles em poucas horas haviam sido sobrecarregados de informações, e com receito de acabar ficando loucos, decidiram descansar em uma taverna local, aonde escutaram pela primeira vez em suas vidas “The Dragonborn Comes!”
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