A Winter's Tale

5 O Urso e o Dragão


O terrível dragão de escamas escarlates aterrissa no terraço do Hall dos Elementos, todos aqueles presentes em Winterhold se sentiram assustados, não só os que já estavam no topo da torre, mas todos escutaram o grito do dragão e sentiram o chão tremer quando o mesmo aterrissou.

–Lingrah tiid nid koraav (a quanto tempo não te vejo) Dovahhkiin, qual é a ocasião especial pela qual você me chamou aqui? – diz Odahviing com sua voz intimidadora.

– Lingrah tiid ko sod (a muito tempo de fato) Odahviing, você está maior do que eu me lembrava – diz Sarkhan tentando cortar a tensão de todos que estavam assistindo.

Todos de Winterhold subiram até o topo da torre do Hall dos Elementos para presenciar a aparição de um dragão, principalmente Frigga e Keleth, pois nunca tinham visto um dragão antes na vida.

Sussurros foram ficando mais altos a medida que os segundos iam passando, até que Nyria, uma maga Altmer que frequentava o colégio desde antes de Sarkhan virar Arquimago se pronunciou.

– Mate-o Arquimago! Mate-o agora! Aproveite que ele está parado, você é o Dovahkiin, cumpra o seu dever! – diz Nyria desesperada.

Ao escutar tais palavras o majestoso dragão encara a Altmer, que quase surta ao ver que estava no olhar da grande fera alada.

–Nahlot Joor(Silencio mortal)!, Se o Dovahkiin me deseja morto, Dilon, Basta ele pedir que tirarei minha vida com prazer, Kirnd. Mu los zeymah, nós somos irmãos. – Conclui Odahviing.

– Irmãos?!?! – diz Faralda – Arquimago, que absurdo esse dragão está dizendo?! Vai deixa-lo vivo mesmo?!

Sarkhan não sabia o que dizer, a verdade é, ele estava traindo Skyrim mantendo dragões vivos, os mesmos dragões que os atacaram um dia, mas Sarkhan também sabia que assim como Paarthurnax, Odahviing havia superado sua natureza maligna e se torando um ótimo aliado.

O que começou como sussurros havia se tornado uma multidão reclamando, não se dava mais para entender o que cada um falava, todos desesperados falando ao mesmo tempo, e com medo de se aproximar de Sarkhan.

– NAHLOT! (silencio) – diz Sarkhan em forma de Shout, que ecoa pelo colégio, reverberando cada coluna de pedra, silenciando todos ali presentes. – Odahviing é meu aliado e amigo tanto quanto vocês, graças a ele eu consegui derrotar Alduin, graças a ele, eu conseguir salvar a sua terra! Vocês devem suas vidas a ele tanto quanto devem a mim, e eu não tolerarei insultos!.

Ninguém mais falou uma palavra, o clima pesado se apoderou do colégio, todos começaram a duvidar de Sarkhan e de que lado ele estava, para a mente de um mortal normal se aliar a um dragão era um ato de traição a seu povo, seu país, afinal, os dragões quase trouxeram o apocalipse para Skyrim.

Depois de quase um minuto de silencio, um dos magos mais fieis a Sarkhan se pronunciou.

– J’zargo quer saber o que devemos fazer em sua ausência Arquimago? – diz o Khajiit se aproximando de Sarkhan.

– Vocês deverão defender esse colégio – diz Sarkhan.

– Não somos muitos e você sabe, se vierem com um batalhão grande não teremos chance. – diz Faralda também se aproximando.

– Eu sei, por isso eu deixarei esses dois aqui – diz Sarkhan ao conjurar dois Lordes Dremora, Valkar e Zhira.

– Nos chamou lorde Sarkhan – diz os dois Dremoras simultaneamente com suas vozes duplas ao se ajoelharem perante o Nord.

– Sim, vocês irão proteger o colégio, quero vocês dois na entrada la de baixo, em Winterhold, montarão guarda e protegerão cada cidadão da cidade.

Nesse momento Keleth não acreditou, quanta magicka Sarkhan tinha? Era isso que vinha em sua cabeça. Em sua ultima batalha contra o Troll das neves, ele havia invocado um atronach de gelo, duas espadas magicas e um machado, e mesmo usando seu poder Highborn mal conseguia ficar de pé de tão exausto, mas Sarkhan havia invocado dois Lordes Dremora, a invocação conhecida de maior nível, e não tinha uma gota de suor no rosto, foi então que Keleth finalmente viu o abismo de diferença entre os seus poderes e do famoso Arquimago de Winterhold.

– Senhor e nós o que faremos? – diz Keleth se manifestando – Lokh ainda está desacordado.

– Ele irá acordar logo tenho fé disso, quando ele acordar, deixe-o a par de toda a situação e peça que ele ajude nas defesas de Winterhold, precisamos do talento dele para destruição – explica Sarkhan – assim como o seu talento para conjuração e o talento da jovem Nord para ilusão.

Foram alguns minutos organizando Winterhold para a sua partida, Sarkhan não sabia o que iria acontecer, e também possuía um receio de que não iria voltar.

Tudo arrumado, mas antes de partir, Sarkhan solicitou um favor de Enthir, um bosmer que era mago em Winterhold, famoso por “importar” ingredientes raros e de "difícil acesso”. Ao se aproximar do Bosmer o nord disse.

– Entregue isso para Karliah, preciso de um favor dela, mas preciso desse favor para ontem – diz Sarkhan olhando sério para Enthir.

– Pode deixar senhor, estarei indo vê-la imediatamente após a sua partida — diz Enthir.

– Quando a segurança de Winterhold estiver garantida, envie J’zargo e seu esquadrão para o local que Karliah informar, precisaremos agir pelas costas do inimigo dessa vez — diz Sarkhan

– O que o esquadrão de J’zargo vai fazer?

– Basta ler o bilhete, não está lacrado – conclui Sarkhan.

Sarkhan então se despediu de seus companheiros com um simples gesto, acenando para todos, subiu nas costas do dragão e então deu seu comando.

– Vuun los Dragonsreach Odahviing, nel, mu drehni lost tiid wah saan (O destino é Dragonsreach Odahviing, rápido, não temos tempo a perder) – diz Sarkhan.

– Tiik au til, zu'u uld kos zunel fein hi dahmaan ol eyvir (é melhor de segurar, eu posso estar mais rápido do que você lembra também). – responde o dragão levantando voo e indo velozmente para o Oeste.

Horas se passaram e as carruagens chegavam em Whiterun. Ulfric Stormcloak foi o primeiro a chegar, pois queria ver como ficaram os preparativos para o terraço de Dragonsreach.

– Muito bom Vignar, preparativos dignos da realeza de Skyrim – diz Ulfric – mas um detalhe, coloque o pedestal de Talos no centro da mesa.

– Sim Majestade, pedirei para que os guardas movam-no imediatamente – responde o Jarl de Whiterun.

O Tempo foi passando e todas as carruagens chegaram, todos os Jarls de Skyrim estavam ali, o palácio de Whiterun estava sob a maior segurança possível, todos os Companions foram escalados para a proteção dos Jarls, havia segurança em cada esquina de cada rua do Hold, assim como em cada porta do palácio.

Os Jarls chegaram no terraço de Dragonsreach e sentaram em seus lugares, os magos de suas respectivas cortes ficavam em pé ao seu lado enquanto os seguranças mantinham uma distancia, exceto por Galmar, que ficou ao lado direito de Ulfric, que sentara na cabeceira da mesa, enquanto Wuunferth ficou do lado esquerdo.

O Vinho estava sendo servido, a comida foi posta a mesa, para quem não sabia do que se tratava, aparentava apenas um banquete real onde o Rei e os Jarls confraternizavam, exceto pelo clima pesado que preenchia o ressinto.

Todos comeram, beberam e então, Ulfric Stormcloak se levantou e finalmente se pronunciou a respeito do motivo de todos estarem ali.

– Meus irmãos e irmãs, Filhos e Filhas de Skyrim, os chamei aqui com um imenso aperto no coração – diz Ulfric – foi descoberto que Skyrim está sendo alvo de espionagem do império e dos thalmor. Acredito que todos aqui já esperavam por isso, assim como eu, mas infelizmente é uma situação que não conseguiremos combater com a força, e sim com medidas adequadas.

Todos os Jarls ficaram calados apenas esperando o pronunciamento de Ulfric.

– Os elfos tramam contra a nossa liberdade – diz Ulfric – O império os seguem por medo e fraqueza, mas nós os enfrentamos e fomos bem sucedidos! E agora precisamos manter o nosso direito! Precisamos manter a nossa terra, nossa liberdade!

Ao ouvir as palavras “os elfos tramam”, Sybille, Brelyna, Cacelmo e Wylandriah que eram magos elfos se sentiram angustiados mas foram controlados por seus respectivos Jarls para que não fizessem ou falassem nenhuma besteira.

– É por isso que eu e meus nobres assistentes encontramos a solução mais adequada para lidar com esses... espiões, a partir de hoje, todo Dunmer, Altmer e Bosmer será levado para um local especialmente construído para ser interrogado! – conclui Ulfric

Ao concluir suas palavras o silencio foi quebrado, os Jarls se sentiram ultrajados pela medida drástica de Ulfric Stormcloak, mas antes que pudessem fazer alguma coisa, Ulfric se manifesta novamente dando uma ordem.

– Pelo meu poder como Grande Rei de Skyrim, eu ordeno que todos os Elfos desta sala sejam detidos e enviados para o interrogatório, não me interessa se são magos da corte dos Holds de Skyrim, não tolerarei informantes, todos os Altmer Bosmer e Dunmer terão que ser interrogados! Guardas! – encerra Ulfric.

Os guardas de Dragonsreach, assim como os Companions não tinham escolha a não ser obedecer, Ulfric tinha o poder para ordenar tamanha barbaridade, e mesmo sendo totalmente contra, o juramento que cada um fez para o seu rei jamais poderia ser quebrado.

Sybille Cacelmo e Wylandriah foram imediatamente detidos, Brelyna usou sua magia de Invisibilidade e conseguiu escapar dos guardas do terraço e foi correndo para a saída de Dragonsreach. Ulfric jamais duvidou que haveria uma tentativa de fuga, então ordenou que os soldados Stormcloaks barrassem todas as portas, não tinha saída, Ulfric havia ganhado.

– Isso é um ultraje! – diz Elisif – como ousa trair o povo que confiou Skyrim em suas mãos?

– Trair?! Como ousa falar comigo nesse tom? Eu estou fazendo isso por nossa segurança, Skyrim será livre do medo de uma invasão! – diz Ulfric

– A que custo? Trocar o medo de uma invasão pelo medo de um tirano? – diz Korir.

– Muito cuidado com a sua língua Jarl de Winterhold, ou então eu mandarei destruir o que sobrou da sua mísera cidade! – Diz Ulfric ameaçando Korir — Eu já ordenei aos soldados Stormcloak que detenham todos os elfos de Skyrim, uma tropa de Stormcloaks já está entrando em cada uma dos Holds de Skyrim, Jarl Elisif, talvez demore um pouco para que minhas tropas cheguem a Hjaalmarch, mas eles já estão a caminho, SKYRIM SERÁ LIVRE!

Ao terminar seu pequeno discurso, a reunião dos Jarls é interrompida por um barulho estrondoso, que em seguida arremessa o enorme portão de madeira do terraço quase que encima dos Jarls.

– Sim Ulfric Stormcloak, Skyrim será livre... de você e de sua tirania – diz Sarkhan ao entrar pelo portão principal com muito ódio em seus olhos.

– Ah, o salvador! O Dovahkiin, aquele que eliminou Alduin o devorador de mundos, achei que não se interessasse pela politica de Skyrim, não foi por isso que você a abandonou e viveu recluso naquele colégio? – pergunta Ulfric encarando Sarkhan.

– Não abandonei, eu confiei Skyrim em suas mãos, tive a esperança de que estava fazendo o certo, apesar de sempre achar que acabaria assim – diz Sarkhan.

– Não vou debater com você Dovahkiin, considero você como um irmão, apenas peço que compreenda a gravidade da situação dos espiões em Skyrim – diz Ulfric.

– Sim eu entendo, realmente é alarmante, mas nada justifica o que você esta fazendo, os fins não justificam os meios Ulfric, do que adianta você torturar pessoas para tentar salvar seu povo? Acha que isso é certo? Então você concorda com o que fizeram com você? HEIN, informante dos Thalmor – conclui Sarkhan jogando o dossiê de Ulfric Stormcloak encima da mesa.

– Senhor Ulfric, do que ele está falando? – pergunta Galmar.

Todos os Jarls encararam o Rei, Ulfric Stormcloak um informante Thalmor? Como isso é possível? Ulfric sempre foi o primeiro a iniciar uma luta quando haviam Thalmors envolvidos, o que significa esse registro em forma de diário que o Dovahkiin jogou encima da mesa? Era esse o pensamento que invadiu a mente de todos ali presentes.

– Onde conseguiu isto? – a expressão de Ulfric muda de chacota para totalmente sério no momento em que ouve as palavras da boca de Sarkhan.

– Encontrei anos atrás, na embaixada dos Thalmor, quando invadi aquele lugar, eu sempre quis tirar a verdade de você Urso de Eastmarch, mas nunca achei o momento apropriado, até agora.

– Então você acha que eu traí Skyrim só por que os elfos escreveram em um pedaço de papel? Precisa de provas mais legítimas de uma traição nobre Dovahkiin, como por exemplo, se aliar aos dragões e permitir que eles permaneçam vivos em Skyrim – conclui Ulfric.

– ... – Sarkhan ficou sem palavras, como Ulfric sabia? Houve uma reviravolta, todos os Jarls de repente viraram seus olhos para Sarkhan assustados, como o Dovahkiin se aliou aos dragões? Se for verdade, é ainda pior do que se aliar aos Thalmor!

– Ahh como eu descobri? – pergunta Ulfric – simples, seus antigos aliados os Blades são meus aliados agora, bastou eu falar as palavras “vou destruir os Thalmor” que eles vieram e se uniram a mim, não preciso dizer que eles revelaram informações preciosas a seu respeito, como o fato de você não estar junto deles por que escolheu proteger um dragão a se unir a eles.

– ... – Sarkhan ainda estava sem palavras, os Blades, Tolfdir e os Greybeard eram os únicos a saber sobre os dragões, mas para o alivio do Dovahkiin, apenas os Greybeard sabiam aonde os dragões se escondiam.

– É uma questão de tempo até acharmos os dragões remanescentes de Skyrim e elimina-los, pois agora que Alduin morreu, não tem como os dragões voltarem a vida não é mesmo? – conclui Ulfric Stormcloak se virando de costas pro Dovahkiin.

– No fundo fico aliviado que todos tenham descoberto, manter meus amigos em segredo estava me matando – diz Sarkhan com um pequeno sorriso no rosto. – mas essas criaturas são mais nobres do que você jamais será, Ulfric, eles me ajudaram a derrotar a maior calamidade de tamriel do ultimo milênio enquanto você se preocupou apenas com a sua guerra e a sua coroa, eles cometeram atrocidades no passado não há como negar, mas eles superaram sua maldade e se tornaram bons amigos, já você nobre Rei, fez o caminho inverso não é mesmo?!

Ulfric fica furioso ao ouvir tais palavras de Sarkhan, vira em sua direção e usa seu poder.

– FUS RO DAH – Ulfric solta seu shout, seu thu’um destrói a mesa e joga tudo pros ares e vai em direção a Sarkhan que simplesmente rebate.

– FUS – Sarkhan parou o Thu’um completo de Ulfric com apenas a primeira palavra do poder, Fus. – Então esse foi o famoso Thu’um de Ulfric Stormcloak que destruiu o antigo Grande Rei Torygg?

– Moleque arrogante! Você pagará caro pelo que fez aqui, eu Ulfric Stormcloak o considero um traidor! E como todo traidor deverá ser executado!

– Não há ninguém aqui poderoso o bastante pra me capturar para uma futura execução rei Ulfric, você sabe disso – diz Sarkhan – aqui somos só você e eu que temos poder.

– Sua arrogância ainda será a sua ruina! Você pode ser o mais poderoso de Skyrim, mas não é mais poderoso QUE Skyrim tenha certeza disso – conclui Ulfric pegando o seu machado que fica pendurado na sua cintura.

O silencio toma conta de dragonsreach enquanto os guarda-costas protegem seus respectivos Jarls, que são impedidos de sair do terraço em virtude dos Stormcloaks que bloquearam a porta arrombada pelo Thu’um de Sarkhan.

– É impressionante você ter conhecimento do caminho da voz (Way of the Voice) também é impressionante você quase ter se tornado um Greybeard, é realmente um destino honrável para qualquer nord, mas não pense nem por um segundo que o seu Thu’um se compara ao meu Rei Stormcloak — diz Sarkhan encarando Ulfric – de qualquer forma eu fico feliz de que você tenha feito o primeiro movimento, agora eu terei um motivo para fazer o que planejei fazer ao pisar aqui.

– O que? – diz Ulfric espantado – não me diga que...

– Ulfric Stormcloak, tendo os nove divinos como testemunha, eu te desafio para um duelo, que o vencedor se banhe na glória da vitória enquanto o perdedor será enviado para Sovngarde! – Diz Sarkhan – pelas regras da tradição de Skyrim, uma vez que você tenha atacado não poderá recusar não é mesmo? Mostre-me se o seu poder é realmente grandioso como contam as histórias, e vamos finalmente descobrir quem é mais poderoso o Urso ou o Dragão!

Notas finais
"o Urso" que se refere é pelo fato de o Pai de Ulfric ter sido apelidado como o Urso de Eastmarch, apelido que foi adaptado para Ulfric pelo Sarkhan "o Dragão" é pelo fato ja conhecido de o Sarkhan ter sangue de dragão nas veias.