A Voz da Solidão

1 Capítulo 1 - Gostar, apaixonar e amar.


Notas iniciais
Olá!
Espero que gostem da história, afinal, a fiz com muito carinho. Escrevi essa história ao perceber que vivenciei uma grande desilusão amorosa. Portanto, talvez tenha um pouco de drama.
Enfim, desculpe qualquer erro e uma boa leitura!

"Olá, pequena rosa" disse a menina, sentando-se ao lado da roseira que se encontrava escondida entre as árvores do parque da esquina "como já lhe disse em outros dos meus passeios, não sei o que é amar. Vejo-me presa, mas ao mesmo tempo, tão leve. Diga-me, estou enlouquecendo?".

A garota parecia esperar uma resposta. Iria a pequena rosa responder-lhe? Atraindo olhares curiosos ou desdenhosos, a menina ia até a roseira todos os finais de semana, contar para sua amiga Rosa sobre as desavenças que encontrara quando percebera que gostar, apaixonar e amar são coisas diferentes.

"Acho que estou à beira da insanidade. Diga-me, rosa, é isso que acontece quando nos perdemos nos olhos de alguém? A senhora deve saber muito mais que eu" dizia ela, sem se importar com os olhares curiosos e desdenhosos que recebia "suas irmãs são levadas por mãos de homens apaixonados, exato? O que a senhora viu no olhar desses homens? Eles gostavam, apaixonavam, ou amavam? Eles ao menos sabiam que essas três palavras tinham diferença?".

No mesmo dia, um pouco antes da amiga das rosas chegar, uma mulher passara acompanhada de um homem. Os dois olhavam-se e diziam "amo-te!" inúmeras vezes. Mas estavam errados. Aquilo não era amor, e sim paixão.

"Cheguei a uma conclusão, pequena rosa. A senhora me escuta todas as semanas, é a única capaz de ouvir a voz de minha solidão. Deve saber — e muito bem — sobre minha teoria do amor" e ela sabia mesmo.

A teoria mais genial e verdadeira que já ouvira "O amor, se não recíproco, é inútil" continuou a menina, passando a mão nas dobras de seu vestido "mas minha teoria está errada".

Uma mulher amava um homem. Casou-se com o mesmo e passou a detestá-lo, a ponto de exigir divórcio. Isso era realmente amor? Se não, como resolvera unir-se com o homem? Não vira seus defeitos? Para ela, os defeitos dele eram realmente meros defeitos?

"Meu amor não é recíproco, dona rosa. Mas sinto no fundo da alma que o mesmo não é inútil".

"Não é inútil".

"Deixe claro para mim, dona rosa: o que é o amor?".

No final de semana seguinte, a garota voltou. Sentou-se novamente ao lado da roseira e disse, sem disfarçar o orgulho: "Descobri o que é o amor".

E o que é o amor, pequena garota que sofre cedo demais por algo tão injusto?

"Eu gosto do meu gato, dona rosa. Mas não consigo parar de notar seus defeitos, como o miado desafinado e os pelos mal penteados. Chego, então, à conclusão de que gostar é reparar nos pequenos ou poucos defeitos. Este verbo traz consigo muitas incertezas. É como ver uma abelha e, embora a ache bela, lembrar que ela pode ferroar-lhe. Gostar é o risco do desconhecido".

Nesse exato momento, uma abelha pousara na rosa na qual a menina tanto conversava. Inquieta com o fato de o inseto atrapalhar seu relato, ela a assoprou.

"Apaixonar-se é ficar cego. É um pouco mais do que gostar, pois agora não há mais insegurança. Agora só há engano. É quando trata a pessoa como uma superior, quando a coloca acima de si próprio. Quando acredita que ela é melhor que tudo e todas. Em minha opinião, dona rosa, é o pior dos momentos. Você se torna imbecil sem perceber, e machuca todos à sua volta".

"E agora, dona rosa, vem o tal do amor. Esse verbo que venho tentando descobrir o significado há tempos".

O que é o amor?

"Amar alguém é resistir a todas as desavenças, crises, contradições, ciúmes. É não ter vergonha de admitir o quanto o mundo melhorou quando a pessoa se fez notável. É não esconder o sorriso" continue, menina. E assim se fez "Amar alguém é desejar esquecer, mas não conseguir. O amor não é algo que se promete ou obriga. É algo do coração, aquilo que não pode ser apontado com o dedo".

Lágrimas.

A garota pôs-se a chorar.

"Amar é deixar a pessoa partir e, ainda assim, fazer de tudo para a mesma ficar" continuou, com a voz embargada "É sofrer calado ao ver que este amor já não é mais seu. Amar é ser repetitivo, tanto nas lágrimas correntes como nas palavras recorrentes. É desistir, é cair, é perder todas as forças, mas ainda assim insistir".

Enxugou as lágrimas com o dorso das mãos e finalizou o pensamento, dizendo: "Mas, no final, percebo que nada disso importa. Afinal, os sentimentos são como o mar: seduzem e depois podem afogar".

No final de semana seguinte, uma grande chuva não permitiu que a garota saísse de casa. Porém, fez-se teimosa. Voltou à roseira na madrugada de segunda-feira, para ver sua amiga rosa.

Ao chegar lá, não a viu. Rosa havia partido. Agora, quem ouviria a doce voz de sua solidão?

Ele mesmo:

Aquele tal de silêncio.

Notas finais
Então, o que acharam?
Muito dramática? Hauhuah.
Espero do fundo do meu coração que tenham gostado. Comentem aí as suas opiniões, mandem-me críticas construtivas (ou não).
Obrigada por lerem!
Beijinhos,
LiSan24.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!