A Volta dos invocadores.

8 Capítulo 8: o pacto


Depois de dois dias descansarmos não poderíamos fazer outra coisa senão continuar nossa rota até Shurima, porém ir num Hummer pelo deserto não seria nada oportuno. Ankai foi então para os mercados e conseguiu então três camelos, já digo de início não são iguais aos que vemos no zoológico da minha terra, estes eram bem maiores e também pareciam ser mais fortes, com três corcovas podendo acomodar mais do que uma pessoa e também possuía um chifre em sua cabeça.

com muita dificuldade montamos eu e Jack em um dos camelos e Vi com ankai em outro, nosso trajeto estava muito tranquilo, eu via algumas vezes a areia se mexendo de maneira estranha, tomei como se fosse uma miragem e continuei focando a frente no nosso destino.

–Pra onde vamos exatamente agora?-Eu disse pra Vi.

–Garen me falou sobre dois pontos que podem corresponder a sua busca, o mais provável é o que estamos indo, reze para que não precisemos ir para o segundo.-Vi disse.

–E qual seria do destino?-Jack falou.

–O palácio de Azir.-Ela falou.

O mais impressionante é que ela falava de entrar em uma nação como se fossemos a padaria ou fazer um passeio a um parque.

–Papai não vai ficar nada feliz com a notícia.-Ankai disse revirando os olhos.

Eu não precisava ser nenhum gênio pra entender agora o que se passava, ela era filha de Sivir com Azir mas... se fosse uma princesa ou algo do gênero porque vivia no deserto e não no castelo? Ela teria sido criada bem melhor lá do que numa caixa de areia gigante. Ainda iria descobrir isso, poderia não ser agora mas iria descobrir.

Depois de um tempo resolvemos parar para descansar, estava no fim da tarde e não estávamos nem na metade do trajeto até Shurima, descemos dos gigantes camelos e formamos então nossas barracas improvisadas, fizemos uma fogueira e ficamos conversando.

Desde a noite que beijei Ankai ela não me olhou mais do modo agressivo ou amedrontado que tinha, ficava apenas me encarando quando eu não via, ficava com poucas palavras e desviando o olhar quando a encarava. Pelo menos uma pessoa irritante não iria mais me ameaçar com facas mais.

–Marck...-Ela disse corando um pouco.- Podemos falar a sós?

Eu então olhei pros lados, Jack deu uma cotovelada de leve em mim e falou:

–Vai nessa tigrão.-Disse ele com um sorriso travesso.

Vi deu um sorriso debochado também mas eu não liguei, o que quer que ela iria falar não iria me abalar. Me levantei e a segui até uma duna mais afastada das nossas barracas, estava muito frio graças ao clima desértico, o dia pode ser muito quente mas ainda prefiro esse às noites geladas. Ela se aproximou então de mim e disse:

–E-eu queria me desculpar... por ter te ameaçado.-Ela disse.

Eu não pude conter minha surpresa, uma princesa me pedindo desculpa? Ela então ergueu uma sobrancelha mas depois de ter me acalmado disse:

–Me ameaçar com uma faca não foi legal, mas eu posso perdoar isso sim, ainda mais que foi fácil te parar.

–Eu não estava nem em esforçando!-Ela disse corando.

–Ah claro, tudo bem ser imobilizada por mim mas inventar desculpas é muito feio-Eu disse debochando.

Ela então se zangou e me encarou de início depois se acalmando.

–Eu só queria me desculpar, e dizer que... aquele beijo, o que aquilo significou pra você?-Ela dizia corando mais ainda.

–Eu queria que me deixasse em paz.-Eu disse frio.- Você parecia carente e precisando de alguma coisa pra se acalmar, achei que aquilo fosse fazer você sair dali, e deu certo.

Ela então olha pra baixo e diz:

–Você é um idiota mesmo.

Enquanto ela se retira eu a chamo denovo.

–Ei!

Ela se vira.

–Eu não falei que não gostei.-Digo piscando pra ela sorrindo.

Ela se vira tentando esconder um sorriso e volta pro acampamento. Eu pelo contrário me sento na areia e observo o horizonte desértico, seria eu maluco por ver beleza tão grande naquilo?

De repente um redemoinho verde surgiu na minha frente, e dele saiu quem eu menos imaginava que pudesse aparecer, era Thresh. Assustado eu olho pra ele, que observava Ankai saindo e depois olhou para mim rindo.

–Então moleque, acho que a guria ta caidinha em você hein?-Ele diz me observando com seus olhos brilhantes verdes.

–O que você ta fazendo aqui?-Eu digo.

–Na verdade eu não estou aqui, eu estou dentro de você, quando quis me selecionar se tornou meu hospedeiro ou algo do gênero, bem legal não? Ta me lembrando uma vez que um dos espectros possuiu a noiva de um navegante, o cara ficou louquinho!

A risada dele depois dessa terrível lembrança fez parecer que estava falando de algo tão normal, isso me assustava.

–O que você quer?-Eu perguntei mais uma vez.

–O que eu quero? O que nós queremos? Queremos sobreviver não é? Você sai desse mundo, eu saio do seu corpo, todo mundo consegue ficar feliz.-Ele diz sério.-Mas infelizmente isso não poderá acontecer se não nos ajudarmos, notou que esse seu amiguinho não vai te treinar o suficiente pra lutar com um imperador por exemplo, quanto a mim? Se aceitar fazer o que eu irei te pedir me dará a liberdade de te mostrar coisas nunca antes vistas.

–E o que seria isso?-Eu disse.curioso.

–Vamos fazer um pacto, você continuará a mesma pessoa, mas na hora de lutar eu assumo o controle unindo nossas consciências, vai ser um bom modo de você sobreviver a essa não? Tendo alguém que tem séculos de experiência.

O que ele disse fez sentido, eu não consegui fazer nada sozinho, precisava de força, acho que não tinha como não aceitar isso. Mas e se ele me dominasse por completo? O que seria de mim? A única coisa que eu poderia fazer era contar com a sorte era aceitar.

–Aceito, porém apenas se una a mim na hora que minha vida estiver em jogo.-Eu disse sério.

–Certo moleque, agora vamos selar logo isso, e se quiser posso fazer uma demonstração do meu poder.

–E como faria isso?-Eu disse.

Ele então aponta pra um ciclone de areia gigante, o ciclone tinha dentro dele alguma criatura, um homem crocodilo de mais de dez metros, este era Renekton. Estava vindo pra nós e poderia acabar com a gente em um só ataque se estivesse com sua habilidade de crescimento ativada.

Thresh me oferece sua mão e eu a pego, então eu caí.

Só me lembro de ter acordado no colo de Vi enquanto esta observava a aproximação de Renekton, Jack estava com sua lança e Ankai segurava tonfas douradas com detalhes em verde escuro.

Eu me levantei agora sério, eu cansei.

Cansei disso tudo, eu cansei de ter medo, de ter que ser fraco em meio a todos eles, agora eu tinha como lutar. E eu lutaria até meu último urro de dor.

Fui até a frente do acampamento acompanhado de Jack e ele disse espantado em me ver daquele jeito.

–O que você tá fazendo?-Ele me perguntou.

Eu então me virei sorrindo, uma energia verde fantasmagórica me cobria e então disse pra ele.

–Vou pegar umas botas de couro de crocodilo.

Vi então falou do meu lado.

–Guarda um pouco dele pra mim também-Disse preparando suas manoplas.

Então algo se iluminou em mim, chamas verdes me cobriram e quando se apagaram revelaram o que aconteceu, eu usava agora uma jaqueta de couro longa e botas que me faziam sentir mais leve que o normal, minhas manoplas verdes me ajudavam a segurar as correntes melhor, eu usava agora uma máscara em formato do campeão que fizera o pacto comigo, um crânio negro adornado por três correntes.

–Vamos nessa.