A Volta de Gwen Stacy
2 Eles Precisam de Mim
Notas iniciais
Certo, os que me conhecem sabem que eu nunca me tatuaria, por alguns motivos, o primeiro deles é que a minha Tia May me mataria, e o segundo, é que eu não aguentaria a dor, sei lá, devo ter medo de agulhas ou algo parecido, mas enfim, esqueçam esse lance da tatuagem.
Meu uniforme se encontra dentro da máquina de lavar, nesse exato momento, estou na lavanderia municipal, e pra variar os preços subiram. Quatro dólares pra lavar minhas roupas. Sinto falta da época onde as necessidades básicas eram quase de graça. Ninguém suspeita, o lugar está quase vazio, apenas cinco pessoas, atrás de mim, uma velha senhora tentando aprender a usar um celular, ela me pede ajuda, eu explico os botões e pronto, ela está falando com a filha a respeito das roupas de grife que “merecem um tratamento especial”, em algns instantes, ela já vai esquecer como o celular funciona outra vez. A minha esquerda, um jovem casal abraçado, me trás péssimas lembranças, mas quem pode culpa-los, seriam eles tão inseparáveis a ponto de irem juntos lavar as roupas? Bom, é como dizem os votos, até que a morte os separe... Tomara que demore para que eles vivenciem isso. A minha direita, um homem de terno, olhando para seu relógio de pulso de cinco em cinco segundos, sem dúvida está atrasado, ou sem muita paciência pra lavar roupas, e na minha frente, um simples---
– Peter? – Olho para a minha esquerda, e Meu Deus, como não a reconheci, era a Betty, ao lado de seu namorado.
– Nossa, Betty, como não te reconheci, aquele é seu namorado? – Tenho certeza que esse foi o pior “Oi” que ela já ouviu.
– Noivo, iremos nos casar na primavera do ano que vem.
– Que ótimo, te desejo tudo de bom.
– Obrigado Pete, e eu... Fiquei sabendo da Gwen, eu sinto muito.
– Ah, obrigado, mas... Já faz tanto tempo, temos que seguir em frente, não é mesmo? – O Que foi que acabei de dizer?????
– Bom, está certo. Eu não te vi mais no Clarim, parou de tirar fotos?
– Não, estou mandando todas por e-mail, mas agora que o Homem Aranha sumiu, cobrir eventos, festas e a temporada das gaivotas não é lá algo muito lucrativo, tanto pro Jameson, quanto pra mim.
– Acha que um dia ele vai voltar? – Ela parece mais preocupada do que o normal.
Eu olho pro meu uniforme, dentro da máquina, sujando as minhas meias, e naquele momento, eu percebi o quanto ele fez falta, quantas vezes eu quase morri? Quantas vezes eu fui surrado, espancado, ameaçado, feito refém. Mas o importante, não sou eu, e sim, o resto, as pessoas de Nova Iorque que querem se sentir seguras ao voltar do trabalho de noite, e não sou eu que as salvo, somente o fato de elas saberem que o Homem aranha está de vigia, isso torna tudo mais harmonioso, eu respiro fundo e digo:
– Tenho certeza que vai.
As reflexões que tive com Betty na lavanderia, é, isso foi engraçado. Bom enfim, me ajudaram muito, agora tenho certeza que não posso mais voltar atrás, essa cidade precisa do Homem Aranha.
Infelizmente, o uniforme ficou na secadora tempo demais, e encolheu, ou eu só engordei mesmo, vai saber, as panquecas da tia May são irresistíveis. E mesmo com os possíveis quilos a mais, embora eu prefira acreditar que uniforme encolheu, eu consigo vesti-lo novamente, e nossa, que sensação incrível, eu me sinto ótimo, me sinto... Espetacular.
Melhor eu trancar a porta antes que a tia May entre aqui de surpresa, eu já cansei de usar a desculpa do "Estou nu" mas o que fazer, não é? Meu armário está uma bagunça, mas depois de alguns minutos fuçando entre cabos, fotos e fitas de video games antigos, eu encontro, meu rádio, do qual consegui transformá-lo pra captar a frequência da polícia. E... ótimo, ainda funciona, mesmo com tanta poeira, e... Está ligado.
– ...Odas as unidades, assalto a banco na 5° avenida com a Brodway, os suspeitos são considerados armados e perigosos, fizeram reféns. Vão rápido.
Meu dia de sorte, o cabeça de teia está voltando.
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