A Volta ao mundo
9 Os perigos que cercam a Amazônia
Notas iniciais
Desde o encontro com os monges lá em Salvador, nós partimos em uma viagem direto ao estado do Amazonas, a viagem é longa, são mais de 2 mil quilômetros percorrido de carro, passamos 3 dias na estrada, enfrentamos pedágios, trânsitos ruins, estradas esburacadas e até abordagem da policia levamos e claro mais uma vez sendo salvos pela inteligência de criar perfeitos documentos da Maiara; gastei quase 200 reais de gasolina, fora a alimentações e os banhos, foi cansativo mesmo de carro, passamos também por várias cidades que nem lembro o nome de todas, mas cruzamos 3 estados diferentes, Goiás, Mato Grosso e Rondônia e enfim chegamos ao estado do Amazonas só que tinha um problema, não tem mais rodovia, agora se quiséssemos seguir o caminho teria que colocar um carro em uma balsa pra seguir o Rio Amazonas, então eu, Tony e Maiara ficamos lá parados e pensando sobre o que iriamos fazer sobre isso.
—Juan: E então o que faremos agora? Botar o carro na balsa da mais trabalho sem falar os custos.
—Maiara: Temos 2 opções, a primeira é a mais segura a se fazer, que é pagar o transporte de barco daqui a Manaus, sairá mais caro com o carro, além de ser aproximadamente uma semana de viagem...
—Tony: Uma semana? Vou nada, já passei 3 dias dirigindo isso sem nem se divertir, não vou ficar mais uma semana em um barco que não tem nada de divertido.
—Juan: E eu não vou gastar mais dinheiro do que já gastei, na verdade talvez o dinheiro nem dê pra viagem, já gastei tanto.
—Maiara: Bem, temos a segunda opção então que é cruzar o rio em uma canoa até a outra margem e irmos andando a pé, pela localização que o monge Abigail deixou com o Tony, a tribo indígena fica a uns 95 quilômetros daqui, o que poderia ser percorrido até em menos de 24 horas dependendo da situação, mas é claro, com isso teremos que deixar o carro pra trás.
—Tony: O que? Deixar o meu carro pra trás? Jamais, prefiro ficar até um mês nesse barco do que deixar minha máquina pra trás.
—Juan: Seu carro né? Ah para com isso, deixa o carro descansar por aqui e seguiremos de pé, de todo o jeito se formos pra Manaus com o carro teríamos que deixar ele lá já que não da pra entrar na floresta de carro, além disso percorreríamos mais quilômetros a pé, o caminho mais perto é por aqui mesmo.
—Maiara: Pois é, o mais certo seria deixar o carro aqui.
—Tony: Não vou deixar o carro aqui, nem sei quanto tempo vamos passar fora, prefiro ficar aqui então e vocês vão sozinhos pra lá.
—Juan: Larga de frescura por** tira a chave do carro e deixa ele em algum lugar escondido que ninguém vai pegar.
—Tony: Ah tô nem aí mesmo, vou é ver a floresta.
—Maiara: Ele muda rápido de ideia heim.
—Juan: Ah deixa é o jeito dele, vou ver se arrumo uma canoa pra nós 3 embarcar nela.
—Maiara: Juan, o que você acha desse negocio de ajudar a combater essa organização aí? Não acha que se meter no meio disso é muita areia pro nosso caminhãozinho?
—Juan: Olha eu não sei de nada sobre essa tal de Green Cometa, acho que era esse o nome, mas eu quero aventuras, se eu recusasse o pedido dos monges eu certamente iria me arrepender depois.
—Maiara: Não é sobre isso que estou falando, você não acha que é perigoso demais, podemos morrer nisso.
—Juan: Bem se for para morrermos então que seja, não tenho mais nada a perder só quero fazer minha vida valer a pena mesmo.
—Maiara: Você não liga para o que vai acontecer mas eu sim, eu tenho amor por minha vida.
—Juan: Se está com medo então não precisa vim.
—Maiara: Não é isso, eu quero muito ir com vocês, mas isso é meio que uma loucura.
—Juan: Olha Maiara, você veio com a gente por que quis, foi você que entrou no carro escondida e veio com a gente.
—Maiara: Ah vai começar com isso agora né, ingratidão é fo** se não fosse por mim vocês seriam presos naquele dia.
—Juan: Ah é mesmo, obrigado então, mas nós vamos.
—Maiara: Ah você com essa energia positiva...
—Juan: Não se preocupa, o velhote falou que nós somos escolhidos, então nós é fo** não vai morrer não.
—Maiara: Ah meu Deus onde eu fui me meter, acho melhor não falar pra mãe onde estou indo, se eu morrer certamente ela vai enlouquecer e minha irmãzinha também...
—Tony: Bora lá galerinha, estão esperando o que, pega uma canoa lá pra nós, tá brisando aí por**.
—Juan: Bora lá c*zão!
—Maiara: ... (Eles fazem tudo parecer tão simples.)
Então pegamos uma canoa logo ali com um homem que transportava as pessoas pro outro lado, chegando a outra margem, já íamos fazendo os preparativos para a exploração:
—Maiara: Então temos aqui uma boa quantidade de comida e água para atravessar a floresta até a suposta localização da aldeia indígena que os monges falaram, pelos meus cálculos isso deve dar e sobrar, mas não sabemos o que pode acontecer no caminho então é bom economizar, e também vou dividir os suprimentos com o Juan entendido? Eu podia dividir com o Tony também mas ele não tem uma mochila.
—Tony: Não seja por isso eu tenho minha faca, se vier uma onça-pintada eu irei proteger vocês.
—Juan: Hahaha com uma faquinha dessa tu planeja lutar contra uma onça? (Erro de pronuncia proposital)
—Tony: Oxi, eu encaro onça é na mão, vou é dar uma mordida nos beiços dela e depois derrubar ela e dar um murro no focinho...
—Maiara: Para com isso vocês dois, eu heim cada conversa essas de vocês dois, sem falar de onça senão ela vem mesmo.
—Tony: Loirinha não se preocupe que eu vou te proteger de tudo aqui.
—Maiara: Para de falar bobagem idiota, vamos saindo logo, não podemos esperar anoitecer, a floresta vai ficando mais perigosa a cada minuto, mas antes de ir já vou logo avisando, nada de comer frutas desconhecidas ou beber água do rio, não sabemos que tipo de bactéria existem nessas águas.
—Juan: Larga de ser besta, a água do rio é limpinha, se matasse então não existia índio na floresta, ia morrer tudo doente.
—Maiara: Meu Deus por que é tão complicado argumentar com vocês dois, aff.
—Juan: Bora logo cambada, embocar floresta a dentro.
—Maiara: Espera, antes de entrarmos na mata, vamos tirar uma selfie aqui, nós 3.
—Juan e Tony: O que é isso?
—Maiara: Vocês não sabem o que é uma selfie? Em que mundo vocês vivem mesmo?
—Tony: Desculpa princesinha, nem todo mundo vive no bom.
—Maiara: Tá, vem cá, olhem pro meu celular e façam uma cara bonita pra foto... (Click) Nossa eu disse pra fazer cara bonita mas eu acho que exagerei em pedir isso visto que são vocês dois.
—Tony: O que ela quis dizer com isso Juan?
—Juan: Eu acho que ela tirou onda com nossa cara.
—Tony: Loira vadia!
Então entramos na mata rumo a suposta aldeia que tem lá pra frente, fomos andando pela floresta cruzando mato e nem dava pra ver o sol direito por que as árvores eram altas demais.
—Tony: Ah cara o mundo podia ser só floresta e praia que seria perfeito.
—Juan: Ah tem várias outras coisas boas também que o ser-humano criou.
—Tony: Tipo o que?
—Juan: Ah sei lá, monumentos pode ser.
—Tony: Que ironia logo você que gosta da vandalizar as coisas haha.
—Maiara: AH NÃO!
—Juan e Tony: O que foi?
—Maiara: Lembrei que aqui não tem como carregar meu celular, e já tá em 20% a bateria, mer** eu devia colocar pra carregar no carro antes de entrar na mata.
—Tony: Ah quem se importa com isso, esquece o celular quando se tem essa maravilhosa vista da natureza.
—Juan: O Tony tá falando coisas bonitas, é isso mesmo?
—Maiara: O problema é que minha mãe vai enlouquecer sem ter noticias sobe mim.
—Tony: Relaxa loirinha, eu logo vou resolver o problema lá com os caras e nós voltamos pro carro, aliás agora que parei pra pensar, estamos em uma floresta sozinhos, por que nós não aproveitamos e fazemos uns...
—Juan: Esquece Tony hahaha!
—Maiara: Tá eu sei bem do que vocês estão falando eu não sou burra, olha se vocês tentarem alguma coisa errada comigo... Eu...
—Tony: Você não teria nada pra fazer hahaha!
—Juan: Já chega Tony, para de falar besteira, não assusta ela mais do que já está.
—Tony: Tô zuando loirinha, fica de boa aí.
—Maiara: Como vou ficar de boa quando estou em uma floresta repleta de perigos e com dois idiotas andando junto comigo e falando coisas estranhas.
—Tony: Para de ser fresca, aproveita a paisagem.
—Juan: Olha isso aqui, se liguem!
—Tony: Oxi que bicho do focinho grande é esse?
—Maiara: É um Tamanduá-bandeira, é o primeiro animal daqui que nós encontramos hahaha.
—Juan: Já vi esse bicho somente nos livros da escola, nunca imaginei que veria um de tão perto.
—Tony: Eu nunca vi nem em livro.
—Juan: É por que tu nunca foi pra escola seu trouxa hahahaha!
—Tony: Vou te dar um murro viu.
—Maiara: Bem, esses bichinhos só se alimentam de insetos mesmo pelo que eu me lembre, não sou uma expert em animais.
—Juan: Eles gostam mais de cupins mesmo.
—Maiara: Sem muitas distrações, vamos seguir que ainda falta muita trilha a se seguir.
Então seguimos em frente, guiados pelo extinto de direção da Maiara que por sinal faz tudo nessa jornada, mas também ela decorou o caminho todo com GPS aí não tem erro, mas tenho que admitir que ela está sendo mais do que útil, sem ela nós nem se mantinha nas viagens; então se passou horas e nós caminhando pela mata, já comemos uma boa quantidade de alimentos e bebemos alguns litros de água quando pensa que não o sol já está se pondo e nós não conseguimos atingir nossa meta de chegar no local destinado, antes de anoitecer.
—Juan: E aí Maiara, dá tempo de chegar antes de escurecer?
—Maiara: Sem chance, pelos meus cálculos ainda falta alguns quilômetros até chegar lá.
—Tony: Chegar antes de escurecer é impossível, de dia a floresta já é escura imagina a noite, não veremos nada.
—Juan: Não temos outra alternativa a não ser fazer um acampamento.
—Maiara: Seria uma boa ideia se não fosse pelo motivo de estarmos em uma floresta como essa, com vários animais caçando a noite e sentindo nosso cheiro, podendo atacar a qualquer momento.
—Juan: Eu sabia que ia utilizar isso aqui, por isso eu comprei essas redes lá em Salvador ainda, hahaha, tem pra nós 3, é só subirmos em alguma árvore alta e amarrar ela lá e dormir, tem cobertores e travesseiros pra todo mundo também.
—Tony: Olha só então você fez alguma coisa útil pela primeira vez.
—Juan: Como se você fizesse coisas uteis.
—Tony: Como não? Foi eu que transportei vocês até aqui oh, tá esquecido meu filho?
—Maiara: Seja como for, mesmo em cima das árvores ainda tem perigo.
—Juan: Tipo cobra né?
—Maiara: Sim e também outros animais que podem ter por aqui, tem uma variedade de bichos que podem ser perigosos.
—Tony: Chega, vamos parar de conversar e armar logo as redes, tá escurecendo a cada minutos, vai que daqui a pouco chegue algum bicho pra comer a gente, “lá ele”(La ele é um gíria usada na Bahia, só quem é baiano entende isso haha).
—Juan: Não era você que tava se gabando que enfrenta qualquer coisa hahaha e agora tá com medo da noite.
—Maiara: Hahaha bem lembrado Juan!
—Tony: Ah qual foi, eu com medo? Tá doido é, estou presando pela segurança de vocês.
—Juan: Sim, sei tô ligado!
Então depois de armarmos as redes, deitamos pra dormir, mas eu acho que eu e a galera só fez deitar mesmo, por que dormir tava difícil, eu sentia que qualquer momento viria uma anaconda que nem daquele filme de terror e iria devorar a gente, além disso a floresta tinha vários barulhos estranhos durante a noite, é realmente assustador, confesso que tava me borrando de medo, mas com o passar da noite, fui caindo na madorna e dormi, por mais que eu tenha demorado a dormir, ainda assim eu fui o primeiro, depois foi a Maiara que dormiu e por ultimo o Tony só quando não teve mais jeito mesmo e o sono venceu o medo hahaha! Bem, então após essa noite, acordamos com o “claro” do dia...
—Juan: Bom dia galera, como foi o sono de vocês.
—Maiara: Bom dia, pouco dormi essa noite, estou exausta.
—Tony: Eu dormi foi tranquilo, sem problemas, tive vários sonhos e foram ótimos.
—Juan: Mentiroso eu via você direto com os olhos abertos.
—Tony: É que de vez em quanto eu abria os olhos pra ficar de guarda, sabe né, garantir a segurança.
—Maiara: De todo modo, vamos saindo, com certeza chegaremos lá, antes do meio-dia, tomaremos um café da manhã rápido e partiremos.
—Tony: Que café? Aqui só tem fruta nessa por**.
—Juan: Não da pra trazer café não “fí”.
Então finalmente seguimos a viagem, e lá vamos nós outra vez, até que finalmente nos aproximamos da aldeia.
—Maiara: Bingo, certeza que é logo ali, olha, encontramos uma parte do rio e tem uma trilha que com certeza foi feita por pessoas, não há duvidas é o lugar onde o monge falou.
—Juan: Olha só como a água dessa parte é mais limpinha e rasa, o pessoal deve tomar banho aqui, nós devíamos também, não seria bom visitar uma aldeia de índios todo suado.
—Tony: Ótima ideia, bora galera, aí loirinha pode começar você tirando a roupa.
—Maiara: Sai fora eu não vou entrar nessa água desconhecida vai que tenha piranha.
—Juan: Mas como teria piranha se é a água que os índios usam, com certeza essa parte é limpa.
—Tony: Nós já vimos Tamanduá e arara, seria massa ver piranha também, talvez uma cobra sucuri.
—Juan: Você tá afim mesmo de ver os animais perigosos né?
—Tony: Claro parceiro, bora entrar nessa água logo deve tá geladinha.
—Juan: Espera Tony, não pense em nadar pelado, é perigoso fazer isso na Amazônia, nessas águas podem ter Candiru.
—Tony: O que é isso?
—Juan: São uns peixes bem pequenos quase invisíveis a olho nu, ele é tipo um parasita que se alimenta de sangue, mas o que causa mais pavor nesse peixe é que ele é atraído por cheiro de urina, logo ele pode se infiltrar no corpo da pessoa entrando pelas partes intimas melhor dizendo, daí ele fica preso lá dentro até apodrecer e com isso vai causando muita dor...
—Maiara: Tá bom Juan, chega de explicações, é agonizante só de pensar nisso.
—Juan: Pois é, ainda bem que eu estou aqui para falar isso pra vocês, fica a dica, isso é uma coisa muito importante.
—Tony: Não tem problema eu jamais faria tal coisa imprudente de nadar pelada em águas que nem conheço.
—Juan: Ah eu acho que você faria sim.
—Tony: Que seja, vamos lá se divertir na água, bora lá!
—Juan: Tô indo também!
—Maiara: Eles são tão enérgicos que me da até uma certa inveja.
Então assim que o Tony pulou na água e eu ia pular logo em seguida, notei que algo de errado estava acontecendo, vi algumas sombras dentro da água e logo saquei do que se tratava.
—Juan: EI TONY, SAI DAÍ RÁPIDO, URGENTE!
Quando Tony se deu conta já era tarde demais, piranhas o atacavam e ele começou a se agonizar na água se debatendo e gritando de dor, logo á água que estava bem clarinha, começou a ficar vermelha de sangue e nós também gritamos de desespero, eu fui logo na mochila e peguei aquele dedo do monumento histórico que eu tinha arrancado lá em minha cidade, eu o atirei na água e mandei o Tony segurar nele que eu iria o puxar, e assim eu com muito esforço consegui tirar ele da água, só que ainda tinha piranhas com os dentes cravados nele e o corpo dele estava cheio de feridas e algumas até expostas, uma cena realmente horrorosa de se ver, eu confesso que chorei vendo meu amigo se debatendo de dor, igual a Maiara que estava completamente abalada chorando, até que alguém chegou pra ajudar:
—Índio: Acalmem-se, eu estou aqui, irei levar ele até a aldeia, lá podemos salvar a vida dele.
—Juan: Ei índio por favor, não deixe que meu amigo morra, por favor.
—Índio: Eu não sei o que posso fazer mas com certeza o povo da aldeia fará de tudo para ajudar.
Que loucura esse encontro com os indígenas, com essa agonia nem deu tempo para apresentações, mas parece que ele realmente está com o intuito de ajudar, será que o Tony vai escapar dessa tragédia? Isso só será mostrado no próximo capitulo.
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