A Volta a Hogwartes
3 A Partida E UM MISTÉRio:
Notas iniciais
Hermione revisava, pela terceira vez sua mala, pois, não queria surpresas desagradáveis em Sydney. Separou por títulos e tamanhos alguns livros de poções e runas.
Colocou também algumas roupas casuais, caso encontrasse os pais e pudessem os três, passearem nas belas praias da cidade.
Fechou finalmente a mochila. Olhou mais uma vez o quarto que dividia com Gina. Iria sentir muita falta do lugar que passou quase todos os verões.
Assim que pôs os pés no andar de baixo, viu toda a família Weasley a sua espera. Abraçou um a um. Deixou que suas lágrimas caíssem em cascata.
Não sabia o que poderia acontecer. Não sabia se seus pais estavam vivos, nem se quer se ainda estavam em Sydney.
Ouviu as palavras carinhosas e confortantes de Molly:
— Hermione, minha querida... Você é como uma filha para nós... Por favor, cuide-se muito bem, e por Merlim nos dê notícias... – Ela assentiu positivamente, pois estava sem condições de proferir qualquer palavra.
Foi abraçada por toda a família, exceto a pessoa que ela amava...
Deu um último a deus para sua segunda família e sumiu do lado de fora da toca, com o talher que o ministro lhe dera.
Assim que aparatou em Sydney, sentiu o cheiro característico de praia. Naquela hora do dia estava uma brisa fresca. Sentiu seus cabelos esvoaçarem levemente.
Quando ia caminhar, foi interpelada por uma voz, que lhe parecia muito conhecida:
— Que bom que chegou, Granger. Achei que nós britânicos tivéssemos pontualidade... – O que?
Não, não podia ser... A pessoa que auxiliaria a busca de seus pais não podia ser Draco Malfoy!
— Além de atrasada é mal educada, Granger? Não me ouviu falar?
— Sim, ouvi, Malfoy. – Ela foi ríspida e seca em sua resposta.
— Só não acredito na minha sorte. Você? Trabalhando no ministério?
— Bom, as pessoas mudam, Granger. – Ele começou a caminhar, fazendo um sinal para que ela o seguisse.
— Vai ficar aí, Granger? – Ele parou a alguns metros de distância dela
— Sim, Malfoy. Pode estar no ministério, mas não o quero como investigador do paradeiro de minha família. Se eu soubesse que era você, teria dito ao ministro, que escolhesse outra pessoa...
— Pare de ser hipócrita, Granger. O ministro me escolheu porque queria me dar uma oportunidade. Então, eu farei o que ele mandou, mesmo que você não queira. – Hermione pensou em retrucar, mas não o fez. Queria apenas uma prova de que Malfoy falava a verdade.
— Me mostre a sua pasta de auror, Malfoy. – Ele retirou um objeto cor café de dentro de uma maleta e estendeu para que Hermione comprovasse a veracidade de sua história. –Passou os olhos nos documentos e viu finalmente, o carimbo ainda húmido do ministro Kingsley bem como o do ministro da cidade em que ela se encontrava.
Fechou a pasta e devolveu para Draco, que, olhou para ela com um sorriso de sarcasmo.
— Viu, Granger? Agora me siga logo, antes que eu perca a paciência!
Hermione estava confusa. Mesmo Malfoy lhe mostrando a pasta que continha a prova que ele havia sido mandado pelo próprio ministro de Londres, ela achava estranha essa “boa ação” de Malfoy.
Se ele se atrevesse a fazer-lhe algum mal, ela não estudara na melhor escola de magia e bruxaria atoa.
Sabia se defender.
Em quinze minutos de caminhada, Hermione começou a pensar que seguir Malfoy havia sido um grande erro.
E se aquele papel fosse falso?
E porque o ministro não lhe disse quem iria lhe ajudar nas busca por seus pais?
Sim, ela cometera um grande erro.
— Onde está me levando? – Sua voz estava ofegante, pois estavam subindo uma pequena ladeira.
— Não me faça perguntas que poderá ter a resposta logo mais, Granger. – Hermione apertou sua varinha no bolso frontal de seu casaco. Se fosse preciso, já tinha seu instrumento de defesa a mão.
O Céu começou a bordar suas belíssimas estrelas e, tudo o que Hermione podia notar era uma vegetação fechada. A praia a muito havia desaparecido.
Viu em alguns metros dali uma pequena clareira. Imaginou se Malfoy pararia ali. E dito e feito. Ele fez um floreio com sua varinha e uma fogueira se fez a frente dos dois.
— Porque paramos aqui? Onde está me levando! – Hermione estava começando a se desesperar. Confiou em alguém que, em sete anos de estudos a humilhou. Estava já perdendo a razão de saudade, e vontade de ver seus pais vivos.
— A caminhada ainda é bem longa. Precisamos nos aquecer e alimentar. Ou pensa que iremos viver sem água e comida por muito tempo? Onde te transportaram, é muito longe de onde seus pais estão.
— Como sabe onde estão? – Ela foi ríspida na pergunta
— Antes da guerra acabar, minha família tinha casa por aqui. Minha mãe ficou escondida aqui nos arredores de Sydney enquanto a guerra se desenrolava em Londres. E por sorte, ou azar, foi vizinha de seus pais desmemoriados. – Não podia ser... Hermione queria proteger sua família do mal e manda justamente para perto do inimigo?
Mas, quem era ela para adivinhar o destino?
— Quanto tempo falta para chegarmos até onde meus pais estão?
— Bem, os aurores, tanto daqui, como de Londres, ainda não prenderam todos os comensais da morte. a propósito... é bom que mude estes trajes e a sua aparência, se quiser chegar viva até o convívio de seus pais. – Hermione ponderou tudo que Draco estava lhe dizendo. E teve que admitir que ele tinha razão.
Retirou sua varinha do bolso e proferiu em silêncio alguns feitiços que em segundos a tornaram outra pessoa.
Seus cabelos não eram mais castanhos mas sim negros como a noite. Resolveu deixar os cachos, afinal, eles não eram algo que os comensais fossem reparar. Mudou a coloração dos olhos e lábios.
Agora, estava, irreconhecível.
— Ótimo trabalho, Granger. Se não tivesse feito os feitiços a minha frente, eu juraria que era outra pessoa – Sim, as aulas a portas fechadas que Hermione havia recebido de tonks haviam sido de grande serventia.
Malfoy retirou de sua mochila vinho e um pouco de pão e queijo.
— Toma Granger – Ele estendeu o pão e um pouco de vinho.
— Não estou com fome e nem com sede. Ela virou o rosto para a comida. Levantou-se e afastou-se um pouco de Malfoy. Ele, recolheu a porção de comida e, elevando a voz disse:
— Bom, se não deseja comer, não coma. Quem irá passar fome será você. A minha parte eu fiz.
Hermione encontrou um punhado de folhas secas e resolveu fazer um monte para que pudesse ao menos descansar. Julgaria que não conseguiria, mas não custava tentar.
Malfoy também, depois de satisfazer-se comendo o pão e sorvendo um generoso trago de vinho, deitou-se e adormeceu.
Hermione despertou com a brisa fresca e o som das folhagens. Abriu os olhos e viu o sol, ainda tímido, entrando por entre as árvores. Levantou-se e viu, a alguns metros, Malfoy ainda adormecido. Pisou em um galho no chão e o som fez com que ele despertasse.
— Está pronta para continuarmos a caminhada, Granger?
— Sim, e espero que não esteja me enganando, Malfoy. Não estudei esses sete anos em Hogwartes atoa. – Malfoy sorriu com sarcasmo e respondeu:
— Sei disso. E pode acreditar que Hogwartes foi de grande ajuda para mim também. Agora vamos, senão não chegamos hoje na casa de seus pais.
A caminhada dos dois levou mais três longas horas. Hermione já estava imaginando que, no fim daquela peregrinação, os comensais estariam a esperando e Malfoy a entregaria de lambuja a eles.
Mas, para sua surpresa, isso não aconteceu. O sol já ia alto quando, avistou, ao longe um pequeno chalé. Observou mais atentamente e percebeu que era monte deles. Pensou se os pais estariam ali. Alimentou mais esta ideia quando Malfoy se dirigiu a um deles.
— É aqui? – Malfoy assentiu positivamente. Fez um movimento com a varinha e a pequena porta cedeu. Assim que Hermione colocou os pés lá dentro, assustou-se com o que viu. A casa tinha sido invadida.
— O que significa isso? Matou os meus pais, não foi? Quis se vingar de uma... de uma sangue ruim, não é verdade? – Hermione agora gritava. Estava fora de si. Se preparava para lançar em Malfoy uma maldição imperdoável, que, ela mesma proibira aos amigos lançarem a quem é que fosse. Mas, agora ela entendia a revolta deles. Não havia perdido nenhum ente querido até o presente momento. Malfoy precisou elevar a voz para que Hermione desistisse de seu propósito.
— Eu posso lhe contar como isso aconteceu. E não, eu não tive nada a ver com o que está presenciando aqui. Ele respirou fundo e começou a contar para Hermione como os pais foram assassinado.
Flash bak on:
O lorde das trevas estava decidido a se vingar de Harry potter por ele ter encontrado mais uma de suas sete orcrux. Como foi capaz?
Ouviu passos e disse, com sua voz nefasta:
— Que informações traz para mim, Rabicho?
— As melhores, milorde. – Sim, era o traidor de Thiago, sirius e Lilian. O ex aluno de Hogwartes, Pedro Petigreu.
— Eles estão na Austrália – Disse, ajeitando seus trajes.
— em Sydney para ser mais preciso.
— Ótimo, Rabicho. Fez um excelente trabalho.
— Obrigada, Milorde – Ele fez uma grande reverência para seu mestre
—Agora saia e peça para meus seguidores comparecerem a sala de reuniões em cinco minutos. – Rabicho deixou o ambiente tão rápido quanto entrara.
Cinco minutos depois, todos os seguidores do lorde das trevas se apresentaram na sala de reuniões
— Quero que façam um trabalho para mim. Vamos retirar mais dois sangues ruins do mundo puro dos bruxos.
Os pais da sangue ruim estão escondidos na Austrália.
— Em que zona, Milorde? – Inquiriu Belatrix Lestrange, em uma das pontas da longa mesa.
— Em Sydney, Bela. E aproveito para te dar permissão em pegar todos os pertences de valor da família, se é que esses sangues ruins tem algo de valor.
— Acredito que sim, Milorde. Coisa de trouxas, mas que valem muito.
—Muito bem, irão partir logo ao amanhecer. Quero os pais da sangue ruim mortos. E quero prova de que fizeram o trabalho direito. Todos concordaram e, logo ao amanhecer, saíram em caravana para Sydney.
Lá, os pais de Hermione levavam uma vida pacata e tranquila. Se conformaram por não terem filhos e, acreditavam ser outras pessoas. Moravam em um chalé próximo a praia e sempre que podiam iam passear juntos a beira do mar ou, quando as águas do mesmo estavam calma, pescar um bom peixe.
Aquele dia estava uma chuva impiedosa lá fora. Os trovões e relâmpagos também não perdoavam. Só uma urgência colocaria algum australiano nas ruas.
Belatrix, dolohov, e mais sete comensais da morte rondavam o chalé. Viram que estava tudo calmo. Sim, o plano estava a favor deles.
A senhora Granger se encontrava na pequena sala do chalé. Lia um livro naquela hora, quando ouviu um barulho de arrombamento. Não teve tempo nem de gritar pelo marido, só teve tempo de visualizar um raio esverdeado e sentiu seu corpo perder a vida.
Com todo o ruído, o senhorGranger desceu as escadas e antes que pudesse se defender, viu o mesmo lampejo verde. Foi ao chão antes mesmo de lutar com os ladrões corpo a corpo...
Flash back of
Hermione chorava copiosamente. Ela falhara. Falhara miseravelmente. Se tivesse reforçado os feitiços. Se tivesse acompanhado, mesmo de longe a rotina dos pais? Teria evitado essa tragédia.
—Não tenho mais nada a fazer aqui. –Hermione deu meia volta e já ia saindo quando Malfoy disse:
—Tem sim. Encontrei algo que seus pais guardavam aqui. Malfoy estendeu uma caixa média.
Hermione abriu e viu um colar de esmeralda de sua mãe e duas ataduras de prata do pai.
— Agora vou embora Malfoy. Obrigada por me trazer até aqui. E, assim que chegar em Londres, vou inquirir o ministro do motivo pelo qual ele me omitiu que você iria ser meu acompanhante e ajudante nas buscas por eles.
— Faça como quiser. O meu dever está feito, mas, para ele estar completo – Malfoy colocou a mão no bolso e retirou de lá uma espécie de isqueiro velho. O ministro pediu que lhe desse isso. É a chave de portal para Londres, visto que o talher que ele te deu já perdeu a valia.
— Obrigada. Hermione não esperava por isso. Não esperava encontrar os pais mortos...
Esperava por tudo, encontra-los doentes, famintos, sem memória... Mas mortos, era a última coisa que imaginou.
Aproveitou que estava em um lugar deserto e colocou o dedo no pequeno isqueiro, desaparecendo logo depois.
Aparatou na frente do ministério de Londres. Estava torcendo para o ministro estar em seu gabinete, pois o horário ali era avançado. Se não estivesse mais, regressaria para a casa dos Weasleys e pediria ajuda...
Adentrou o grande salão do ministério e, qual não foi o seu espanto ele estava, completamente vazio. Hermione percebeu ali que, alguma coisa havia de errado. Sentiu seu coração acelerar ao pensar nos weasleys, sua única família agora. Saiu às pressas e aparatou na toca.
Lá, a senhora Weasley preparava mais uma garrafa de chá. Desde que mais cedo receberam a notícia de que o ministério fora invadido ninguém conseguiu ter calma.
À mesa estavam: Da esquerda para direita, Gui, sua esposa, Fleur com sua filha ao colo, a pequena victoire, Carlinhos, com um pouco de pó de flú nas vestes por ter chego às pressas da Roménia, George e Artur.
Já do outro lado, estavam: Ron, imaginando onde Hermione estaria nesse momento, Harry, que, se culpava mais uma vez pela situação que a família Weasley estava passando.
Sim, se ele tivesse se entregado para Voldemort, nada disso teria acontecido e... Fred não teria falecido...
Estavam preocupados não só com o paradeiro de Hermione, como também de Percy. Molly retorcia as mãos na barra do avental, se lamentando ao pensar que fosse perder outro filho...
Naquele instante, ouviram um estalo no quintal e, mais que depressa, a senhora Weasley abriu a porta da cozinha, levando uma grande reprimenda de Artur, por ela ter esquecido as medidas de segurança. A matriarca deu um grito de contentamento ao visualizar a fisionomia de Hermione, ainda que tenha visto uma expressão extremamente aflita em sua face. Harry e Ron se levantaram quase ao mesmo tempo.
Hermione, por sua vez, agradecia ter chego em segurança na casa de sua única família. Foi sufocada pelo abraço maternal e exagerado de Molly, que, naquele momento, ela achava fundamental e confortador.
Depois do abraço da matriarca, recebeu o caloroso abraço de Harry. Sentiu ali, que poderia contar com o irmão que jamais tivera.
Logo em seguida, recebeu um abraço preocupado e desesperador de Rony. Aquele gesto não fora nem de longe de dois amigos. Rony quis dizer tudo naquele abraço, já que não podia expressar o que queria naquela hora. Afinal, ele também era extremamente tímido.
— Hermione querida, o que foi que aconteceu? Porque chegou antes do previsto? – Hermione respirou fundo e depois de uma troca significativa de olhares com Rony, que, conhecia Hermione muito bem e, sabia que ela havia chorado.
— Bem, para começar, fui surpreendida logo no começo, assim que coloquei os pés na praia de Sydney. A pessoa que o ministro de lá, e Kingsley elegeu para me auxiliar na busca de meus pais era nada mais nada menos que Draco Malfoy. A surpresa só não foi maior que o espanto geral. As orelhas de Rony tomaram o conhecido tom vermelho vivo e Harry sentiu seu estômago afundar.
— Eu, claro, no início desconfiei. Pedi que me desse provas de que fora mesmo mandado pelo ministro de Sydney e Kingsley, — Ela retirou a mesma pasta que Malfoy lhe dera mais cedo. Gui analisou-a atentamente, enquanto Hermione dava continuidade ao relato.
Contou a forma brutal que Voldemort liquidara seus pais, segundo fontes de Malfoy.
A senhora Weasley entregava um chá calmante para Hermione, pois, depois de contar tudo, começou um choro sentido.
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