A Volta - La Madrasta

10 capítulo decimo - Tudo tem seu tempo...


Maria e Estevão chegavam em casa e se surpreenderam quando viram Beatriz na sala sentada no sofá de forma displicente e usando um jeans rasgado com uma bota tipo coturno, uma camiseta azul escura e uma jaqueta preta de couro acompanhada por um Rayban no rosto, mexia no celular e não percebeu os pais a olhando.

Maria: Beatriz? — estava radiante, agora iria ter os filhos todos perto dela.

Ela olhou a mãe e o olho roxo, sentiu o sangue gelar, olhou Estevão e foi pra cima dele cheia de raiva, porque na mente dela a mãe tinha sido vítima de mais um surto dele, o primeiro soco foi na boca do estômago que fez ele ir pra frente e abaixar a cabeça recebendo um golpe no olho esquerdo deixando ele vermelho na mesma hora, quando ele sentiu o que tinha acontecido segurou a filha com força, mas sem machucar.

Beatriz: me solta seu louco — se debatia tentando se soltar do pai — imbecil, surta e vai agredir minha mãe… seu covarde.

Maria: para com isso Bia, seu pai fez isso sem querer, eu me meti na frente e acabei me machucando, ele tava revidando um tapa que levou.

Beatriz: e porque fez isso? Esse neandertal não tem a noção de para? Imbecil, idiota me solta — xingava sem parar de tentar se soltar.

Estevão: já chega! — falou com uma altoridade de pai — eu não fiz por querer ao contrário de você, não quero e nunca quis machucar sua mãe, mas aconteceu e você não pediu explicação e já vai batendo.

Beatriz: me solta San Roman, eu vou embora não devia ter vindo.

Maria: você não vai pra lugar nenhum, fica aqui que é o seu lugar junto aos seus irmãos.

Estevão: solta a filha e vai até Maria — a casa também é sua Bia, estávamos sonhando com esse momento, estar com os filhos reunidos, juntos.

Beatriz: você não é meu pai, não te reconheço como tal, lembra do que fez? Não confio em você — falou com receio, não sabia quem era o pai de verdade, conheceu uma face violenta dele que não a agradou e deixou marcas nela.

Estevão: sei que não causei a melhor das primeiras impressões, mas eu não sou aquele monstro, são surtos, não controlo nada quando estou daquela forma, tenho tomado meus medicamentos e vou iniciar um tratamento com um psiquiatra e um psicólogo, eu quero voltar a ser o Estevão antes do paciente zero vinte, porque amo sua mãe e a família que formamos, nossa vida são vocês, Beatriz não te vi nascer nem te acompanhei a vida inteira, mas quero fazer isso agora, eu quero ser o seu pai.

Beatriz: não acha que isso já é tarde San Roman? — ela segurava o choro, as palavras do seu pai já tinham entrado em seu coração.

Estevão: nunca é tarde demais filha, é só ter força de vontade, querer com todas as forças que vai conseguir, eu quero ser pai e vou conseguir, porque eu amo vocês mais do que a mim Beatriz.

Maria: filha, dá uma chance pró seu pai, ele te ama e eu também.

Beatriz: eu não sei se os seus outros filhos... — não conseguiu terminar a frase porque a mãe interrompeu.

Maria: são seus irmãos Bia, porque não nos dar uma chance de ser a sua família, de nós amarmos como uma, minha menina eu sei que sua vida não foi fácil, mas a minha e a do seu pai principalmente também não foi a melhor, então dá essa chance pra gente — estava com a mão entrelaçada a dele e olhava a filha sorrindo — faça por nós.

Beatriz: não sei se posso, me deixa pensar... agora eu não sei... Isso é muito novo pra mim... — pegou o capacete no chão e foi em direção a porta de saída — eu vou ficar em contato.

Maria: pelo amor de Deus não suma novamente — aquela preocupação e cuidado era visível, queria que a filha se sentisse cuidada e amada.

Estevão: por favor não nos deixe sem notícias suas, vamos estar aqui sempre, mas se precisar é só falar.

Beatriz: não vou precisar, mas eu chamo sim — deu um meio sorriso prós pais e saiu dá casa.

(...)

Estrela: como que nossa irmã caçula vem aqui e não somos avisados? — ela estava deitada e ao seu lado Heitor.

Angelo: irmã caçula? — deitou do lado dá irmã.

Heitor: a Beatriz, a mamãe já falou dela com a gente, não se lembra?

Angelo: sim, a mamãe falou dela, mas ela veio e não ficou porque?

Estrela: eu não sei porque nossos pais não obrigaram ela ficar, seria o óbvio.

Heitor: o óbvio garota? Tá se escutando? Vai obrigar uma pessoa que não quer ficar, deixa ela ir.

Angelo: nisso eu concordo com o cabeça de vento, mas porque que ela não quer ficar com a gente?

Heitor: eu não sei, acho que ela pensa que não vamos gostar dela ou algo do tipo.

Estrela: mas ela é nossa irmã caçula, como não vamos gostar dela?

Angelo: vamos descobrir... — falou confiante e sério — a minha ideia é irmos atrás dá nossa irmã.

Heitor: e aonde iriamos primeiro? Não sabemos de nada dá sua vida e nem o que faz, principalmente onde ela está.

Estrela: então a nossa missão é achar a Beatriz — ela falou com entusiasmo, a missão era importante é ela não iria desisti fácil.

(...)

Ele abriu os olhos e sentiu o corpo se retensar ao reconhecer o lugar, sabia muito bem onde estava, aquele quarto Branco poucos móveis até a roupa que ele usava... Novamente nesse inferno?

X: acorda zero vinte — segurou o pescoço dele por trás o jogando dá cama pró chão sem pena — tá pensando que ia ficar pra sempre naquela vida boa? Eu digo e repito um louco sempre volta, San Roman.