A Volta

1 Capítulo 1


Eu estou voltando pra minha querida cidade. Depois de 10 anos eu voltei, agora que a cidade pode finalmente ser povoada novamente. Aquilo aconteceu quando tínhamos somente 7 anos, éramos crianças, e agora eu tenho 17 anos, sou uma adolescente.

Eu também mudei, meu cabelo cresceu um pouco mais, continuo com os dentes avantajados só que agora menores. Sou até que alta agora e sou bem magra pra falar a verdade. Consigo controlar a minha raiva e ainda tenho aquela força.

E a turma? Será que eles irão voltar também? como prometemos que voltaríamos?

Cheguei agora na minha antiga casa. Desci do carro e ofereci ajuda com a mudança para os meus pais, mas eles negaram. Entrei na casa e fui para o meu antigo quarto, nele tinha a minha caminha, meu armário e um espelho grudado na parede.

Caminhei até o espelho e parei pra observar como eu estava me vestindo: uma saia jeans azul curta, uma blusa vermelha que deixa à mostra a minha barriga, meias longas e meio dobradas brancas e um All Star vermelho. Estou levemente maquiada e estou com algumas pulseiras e um colar que eu ganhei do meu amigo Cebolinha quando éramos pequenos com um pingente de coelho.

Sai do quarto e peguei o meu celular no carro, falei para os meus pais que iria dar uma volta e sai andando pelo Bairro do Limoeiro. Observei cada detalhe, não havia mudado nada. Fui para o campinho, estava completamente idêntico à antigamente.

Caminhei pelo campinho e olhei para as casas em volta. Sorri ao ver alguns caminhões de mudança na frente de algumas casas, meus amigos estavam voltando. Se passou tanto tempo e... Isso me fez pensar em uma coisa... E se eles não me reconhecerem? Eu estou diferente, cresci, os meus dentes diminuíram bastante e quase não dá pra ver, afinal eu tenho 17 anos agora.

Voltei pra casa e ajudei a minha mãe e o meu pai à arrumarem a casa. Ajudei à levar os moveis pra dentro, tirei a cama pequena do meu quarto e coloquei a nova maior, tirei o guarda roupa também... Enfim... Essas coisas...

...

Estou sentindo muita falta da turma, das nossas brincadeiras, nossas aventuras... Tomara que eles tenham voltado pra cá também, assim como prometemos que voltaríamos. Eu já cumpri a minha parte. E eles, será que já cumpriram a deles? Sinceramente, não sei.

Tem o ano inteiro pra eles voltarem. Afinal, estamos no começo do ano, nas férias de verão.

Peguei a minha mochila e a abri, tirei de lá o meu querido coelhinho de pelúcia azul Sansão, e um caderno onde continha várias fotos de mim e da turma. Esse caderno todos da turma tem um, nós fizemos eles no último dia antes de sairmos daqui à 10 anos atrás. É uma forma de não nos esquecermos dos amigos.

Senti uma lágrima escorrer pelo meu rosto, rapidamente a enxuguei com a mão. Já estava tarde, me troquei e cai no sono quase que imediatamente.

...

Acordei com o sol batendo no meu rosto. Me levantei e fui tomar um banho quente. Sai do banho e coloquei uma saia vermelha e preta xadrez que vai até o meio das coxas, uma blusa branca de manga curta, um colete curto preto e botas pretas. Peguei o meu celular e sai do quarto pra tomar café.

Depois de comer sai de casa pra dar mais uma volta, estava com saudades de andar por aí como antigamente. Fui para o parque que tem na frente da minha casa, ou melhor, continua tendo. Entrei no parque e percebi que tinham mais três pessoas no parque, dois garotos e uma garota. Eles não estavam juntos nem nada, estavam afastados como se não se conhececem, os três estavam distraídos mexendo no celular, assim como eu. Me sentei embaixo de uma árvore e fiquei ali mexendo no celular.

Fiquei ali por bastante tempo, os dois garotos e a garota também estavam ali ainda. Eu estava distraída mexendo no meu celular, ainda sentada embaixo da árvore, até que ouvi a minha mãe me chamar gritando da frente da minha casa:

-MÔNICA, VEM ALMOÇAR!

Percebi que os garotos e a garota me olharam surpreendidos quando minha mãe me chamou. Eu me levantei do chão, limpei a minha saia e andei em direção a minha casa.

Entrei em casa e fui almoçar, comi só uma salada e fui pro meu quarto trocar de roupa. Coloquei uma calça jeans azul escura justa, uma blusa branca, uma camisa xadrez rosa amarrada na ponta e botas marrons. Dei uma penteada no meu cabelo, passei uma maquiagem leve e sai de casa denovo com o celular em mãos.

Voltei pro parque e aqueles três ainda estavam lá. Eles ficaram me olhando quando eu entrei no parque. Fiquei de pé e somente me encostei em uma árvore e continuei mexendo no celular distraída. Só tirei a minha atenção do celular quando a garota veio falar comigo.

-Oi... -ela falou timidamente se aproximando.

-Oi... -também estava um pouco tímida.

-Desculpe perguntar. Mas, o seu nome é Mônica? -ela perguntou.

-Sim, meu nome é Mônica... E você, quem seria?

-O meu nome é Magali. -ela sorriu e eu fiquei estática, apenas olhando pra ela -Você mudou bastante...

-Você também mudou... -era ela. A minha melhor amiga Magali.

-Senti tanto a sua falta... -ela me abraçou forte e eu retribui.

-Eu também, minha amiga... -eu à soltei e a olhei de cima a baixa -Você está linda!

-Obrigada... -ela sorriu daquele seu jeitinho meigo que só ela tinha -Você também está maravilhosa, mudou bastante, e mudou pra melhor!

Foi quando eu percebi que um dos garotos também se aproximava de nós duas.

-Licença, vocês se conhecem? -o garoto perguntou.

-Sim, nos conhecemos faz tempo... -olhei bem pro garoto -Eu acho que eu conheço você...

-Você me lembra alguém, mas está muito diferente pra ser ele... -Magali concordou comigo.

-E eu posso saber de quem vocês estão falando? -ele perguntou.

-Você se parece com um antigo amigo nosso, de muito tempo atrás... O nome dele era Cebolinha. -falei e ele sorriu.

-Cebolinha, não uso mais esse nome... Me chamem de Cebola, Mônica e Magali. -nós duas olhamos pra ele espantadas.

O outro garoto apareceu atrás do Cebola falando "Oi". Eu o olhei bem e logo o achei parecido com alguém também.

-Se você me falar que o seu nome é Cascão, vai ser coincidência demais nós termos nos encontrado todos aqui no parque. -falei.

-Sou eu mesmo, prazer em reve-los, Cebolinha e... -ele não sabia direito quem eu e a Magali éramos.

-Não é possível eu ter mudado tanto assim ao ponto de você não me reconhecer... -ri -Sou a Mônica e essa é a Magali.

-E me chame de Cebola, por favor.

Demos um abraço coletivo e ficamos conversando até a hora em que tivemos que ir embora.