A Vocalista Da Banda Do Meu Irmão

51 Capítulo 50 - As coisas finalmente estão dando certo


Notas iniciais
Gente, eu tô quase chorando aqui, sério. Eu vou falar e MUITO por ser o final da fanfic, mas vou deixar pra falar nas notas finais do epílogo que vai ser a última postagem que farei da fanfic =( Coloquem a música Looking Up do Paramore para tocar quando a tradução aparecer em itálico caso queiram Tenham uma boa leitura!

— O forninho caiu! – Chris gritou aterrorizado um bordão brasileiro muito famoso. Eu e Yuri nos entreolhamos, aflitos e Michael me colocou atrás de si, no intuito de me proteger.

— Shii! – pediu Caroline, olhando de forma irritada para Chris.

Olhei por cima do ombro de Michael a maçaneta da porta em que havíamos sido trancados se mexer.

Meu corpo tremeu, e eu abracei Michael pelas costas.

Dentre tantas palavras, só uma me veio à mente naquele instante:

FERROU!

Algumas horas antes...

— Isso não é aí! – Michael e eu nos olhamos sem conseguir segurar o riso. Mesmo escondidos em outra sala, não conseguíamos deixar de ouvir as ordens que Caroline gritava para todos que estavam envolvidos na tarefa de decorar o salão de festas da Escola de Artes.

Era aniversário de casamento dos meus pais, e eu e Jeremy tivemos a brilhante ideia de fazer uma festa surpresa para o casal de pombinhos.

Jack estava mantendo nossos pais longe da Escola de Artes com o auxílio de Alfonso, e todos os funcionários da Escola estavam nos ajudando, já que hoje não tinha aula.

Michael me lançou um olhar sedutor e me encurralou contra a bancada de uma das salas que tínhamos nos trancado no intuito de ficarmos um pouco sozinhos. Queríamos nos livrar de Caroline e suas ordens que podiam ser ouvidas há quilômetros de distância.

Ela deveria estar no trabalho, mas hoje ela não tinha nenhum cliente marcado em seu consultório, o que fez com que eu, Michael, Chris e Yuri enlouquecêssemos. A única pessoa que parecia não ligar era Jeremy.

Envolvi seu pescoço com meus braços e aproveitei a sensação gostosa que era sentir seu corpo colado no meu. Michael se inclinou em minha direção, depositando um beijo demorado em meus lábios.

— Enfim conseguimos um tempo a sós. – disse Michael com um pouco de dificuldade, com a boca quase grudada a minha. Eu dei uma risada, grudando-me ainda mais nele.

— Nós ficamos juntos ontem o dia inteiro. Você não consegue mesmo se conter, não é? – indaguei, enquanto sentia Michael afundar o rosto no meu pescoço e depositar beijos molhados que me deixaram zonza. Suas mãos percorreram a extensão da minha coluna e pude sentir o quanto a aliança de noivado que ele usava estava gelada.

— Temos que recuperar o tempo perdido. – Michael estava risonho, e seu olhar mais cativante do que o normal. Ele parecia estar mais feliz do que nunca, e eu me sentia lisonjeada em saber que eu era o motivo de sua felicidade.

Então eu sorri, agarrando seus cabelos que estavam maiores do que de costume e beijei-lhe a boca.

Todas as vezes que eu sentia o toque de Michael em meu corpo, eu tinha sensações iguais em intensidades diferentes. Parecia que a cada vez que estávamos juntos o amor que eu sentia por ele só aumentava.

— Eu te amo, Franjinha. – disse Michael antes de beijar a minha testa.

— Eu também te amo, Anjinho.

— EVER, MICHAEL! – Pulamos assustados com o grito que Caroline dera e relutantes, saímos de nosso esconderijo de mãos dadas.

Quando chegamos ao salão de festas, Caroline estava histérica e olhava de forma ameaçadora para Yuri. Não precisava ser uma vidente para saber que ele tinha aprontado alguma.

— O que aconteceu? – eu perguntei, sentindo que a resposta para a minha pergunta não seria nada boa.

Yuri coçou a cabeça, trazendo no rosto uma expressão que dizia claramente que ele tinha feito uma grande merda. Cruzei os braços, esperando que ele confessasse para nós a besteira que fizera.

— Bom... – disse ele, ainda coçando a cabeça. – Aconteceu um pequeno probleminha com o buffet que nós contratamos.

— Nós não, você! – esbravejou Caroline, já tendo um ataque.

— O que aconteceu? – Michael perguntou, já sentindo que a coisa estava feia.

Tentei controlar meus batimentos cardíacos, mas eu tinha certeza de que eu já estava apavorada o suficiente para que todos naquela sala percebessem o meu estado.

— O buffet disse que não vem ao local da festa. Teremos que ir lá buscar a comida.

Olhei para o céu e soltei o ar que eu estava prendendo, sentindo um alívio enorme. Então o problema era esse?

Peguei Michael pela mão e comecei a andar na direção da porta, virando-me para os meus amigos.

— Então o que estamos esperando?

— Aí está o problema, Ever. – disse Chris, parecendo irritado. Estaquei no meio do caminho com Michael em meu encalço, sentindo meu corpo inteiro gelar.

— Temos que ir até o outro lado da cidade buscar a droga do buffet.

— Mas ir até lá é muito perigoso! – exclamei, sentindo o desespero me dominar. – Sem contar que é muito longe. Não chegaremos antes dos convidados se formos até lá.

— Porque você contratou essa droga de buffet, Yuri? – Michael perguntou, tão irritado quanto os meus amigos.

— Eu fui bem específica na instrução do buffet que você deveria contratar. Qualquer alteração era para me comunicar. – Caroline disse, dirigindo-se a Yuri, que se encolheu com o olhar ferino que a loira direcionou a ele.

— Galera, se quisermos salvar a festa, temos que ir logo buscar essa droga. O buffet fica longe daqui e precisamos chegar com a comida antes dos convidados. – disse Chris, de forma sensata.

— O Chris está certo. Todos sabemos que o Yuri é um animal, então não podemos perder tempo culpando-o. Ele sabe que fez merda. – disse Jeremy de brincadeira, mas Yuri não levou na esportiva e lhe lançou um olhar nada amigável.

— Eu, Michael, Chris, Yuri e Car vamos até o buffet e Jeremy fica aqui ajeitando os últimos detalhes. Vou ligar para a Serena e Selena para pedir que venha ajudar vocês. – eu disse, já tirando o celular do bolso.

[...]

Já estávamos a caminho do buffet quando Caroline começou a bufar. Não tínhamos nem chegado na metade do caminho ainda, e não havíamos trocado nem uma palavra desde que deixamos a Escola de Artes. O tempo não estava ao nosso favor, já eram quatro horas da tarde e a festa começaria às seis da noite. A viagem ainda seria longa.

— O pneu furou. – declarou Car, irritada. – Eu, Michael, Chris e Yuri a olhamos de forma estupefata.

— Não acredito nisso! – Michael disse, saindo do carro para olhar.

— Nós estamos mesmo com sorte. – Ironizou Chris.

— Tem um mecânico aqui perto. – disse Yuri, enquanto Michael entrava no carro.

— Você consegue chegar até o mecânico? – perguntei a Caroline, temendo que a resposta fosse negativa.

— Acho que sim.

Seguimos até o mecânico – que realmente ficava bem perto dali – e demoramos um precioso tempo até conseguirmos voltar à estrada. A hora parecia debochar da nossa cara e o clima dentro do carro não era dos melhores.

— Acho melhor ligarmos para o Jeremy para pedir que ele adie a festa por mais uma hora. Alfonso e Jack ainda estão com os meus pais, e podemos pedir para que eles continuem enrolando os dois. — sugeri, vendo que todos ponderavam a minha ideia.

— Seus pais até podemos segurar, mas a festa não. Como entraremos em contato com todos os convidados? Está muito em cima da hora.

— A Car está certa, Franjinha. – Michael disse, colocando sua mão sobre a minha. – Mesmo que pedíssemos ajuda a Serena e aos outros, não conseguiríamos contatar todos.

— Sem contar que a hora está passando muito rápido. – completou Chris.

— As pessoas acham chique chegar tarde nos eventos. Vamos torcer para que todas as pessoas que convidamos pensem assim também. – Yuri disse, tentando ser otimista.

— Uma coisa é certa: As pessoas vão estar famintas! – Caroline disse, olhando diretamente para Yuri, que estava do seu lado enquanto a loira dirigia.

— Nós chegaríamos lá mais rápido se você não fosse tão lerda para dirigir! – rebateu Yuri, aparentemente cansado das acusações da amiga.

Eu e Chris começamos a rir da briga dos dois. Caroline era muito brigona. Quando não estava brigando infinitamente com o Chris, era com o Yuri.

Michael, por ser sempre o politicamente correto, me olhou feio e me pediu para parar de rir. Mas era tão engraçado ver os dois discutindo daquela forma que eu não consegui parar.

— Para início de conversa, nós não precisaríamos nem ter que sair da Escola de Artes se não fosse a sua incompetência, então acho que você não tem o direito de reclamar da forma que eu dirijo! – exclamou ela, alterada e vermelha de raiva.

— E você é a senhorita perfeita que não comete erros, não é mesmo? – Ironizou Yuri, fazendo a loira bufar.

— Acalmem-se, galera! – Michael gritou, mas os dois continuaram discutindo. Eu e Chris nos entreolhamos e continuamos a dar risadas.

Michael olhou para o mapa que segurava com um semblante preocupado.

— Acho que estamos perto. Caroline, era para virar para a esquerda e não para a direita!

Caroline não deu ouvidos.

— E você acha que a Stacy está com você por causa de que? Seus dentes separados e exóticos não conquistam ninguém, querido!

Eu e Chris nos olhamos de forma perplexa ao vermos a forma como os dois discutiam.

— Não sei como o Jeremy atura uma garota tão chata e controladora!

— E você é um idiota que se acha rapper, mas nem sabe fazer rimas decentes.

Arregalei os olhos quando olhei para a frente e cutuquei Michael com o cotovelo de forma desesperada. Ele e Chris também ficaram assustados.

— Caroline... – disse Chris, cutucando a loira.

— Eu não sou controladora! Não sou patricinha! Não tenho culpa se você não tem nenhuma noção de moda!

— CAROLINE! – berrei, fazendo a loira se assustar em parte com meu grito e em parte com o que ela se deparou assim que olhou para a frente.

Mas já era tarde demais.

Tinha uma cerca de madeira no fim da rua que já estava bem perto quando Caroline olhou. Ela gritou junto conosco, enquanto girava o volante de forma desesperada. Fechei os olhos quando o carro girou e me assustei com os gritos dos meus amigos.

— NÓS VAMOS MORRER! SOCORRO!! – Yuri berrou, e eu podia jurar que ele estava chorando.

— ME PERDOA, SENHOR POR CHEIRAR AS MEIAS DO MEU AVÔ! – berrou Chris, certo de que ia morrer.

O carro bateu em uma árvore que estava ali por perto. O impacto não foi tão forte porque todos nós estávamos com o cinto de segurança, mas ainda assim, foi um susto e tanto.

— Estão todos bem? – Michael perguntou, preocupado.

— Acho que sim. – disse Yuri, massageando o braço.

— Passamos da rua do buffet enquanto vocês discutiam. – Michael disse, irritado.

— Chris, você está bem? – perguntei, vendo que ele estava ofegante e suava frio.

— S-sim... A-achei que fosse morrer.

— Meu carro está amassado! – Caroline exclamou, chorosa, encostando o rosto no volante. – Meus pais vão me matar.

— Isso não teria acontecido se você não tivesse distraído! – provocou Yuri, fazendo a loira levantar a cabeça do volante pronta para respondê-lo.

— Não comecem, por favor! – eu disse, cansada da discussão dos dois. — Nós somos amigos, galera. Amigos não ficam humilhando um ao outro dessa forma.

Yuri e Caroline se olharam, mas não deram o braço ao torcer.

— Vamos logo ao buffet. — Michael disse, olhando o relógio. — Já são cinco e dez!

Seguimos em silêncio até o buffet, e me assustei quando vi a fachada do lugar, que estava bem acabada.

— Tem certeza de que é aqui? – perguntei, olhando a foto que estampava o panfleto em minha mão, que dava a impressão de que o lugar era mais bonito por foto do que ao vivo.

— Absoluta! – disse Yuri, saindo do carro.

Quando entramos no local, eu estranhei mais ainda. Aquilo parecia mais um galpão abandonado do que um buffet. Havia dois homens e uma mulher atrás do balcão e não tinha mais nada no lugar além de uma outra portinha.

A mulher não parecia ser do tipo que cozinhava e estava tão bem vestida quanto os outros dois caras sentados perto dela.

— Vocês fizeram um pedido, não foi? – perguntou a mulher, enquanto se levantava. Ela era bonita, mas algo em seu olhar parecia totalmente errado.

Pensei em dizer que tínhamos nos enganado e também em pedir para os outros para irmos embora, mas Caroline já estava confirmando o nosso pedido.

Os outros dois homens se levantaram e eram bem altos e fortes. Percebi também que havia muita malícia no olhar de ambos.

— Primeiro o dinheiro. – disse um deles de forma maliciosa.

Michael segurou firme em minha mão e me olhou. Ele também tinha percebido que havia alguma coisa errada.

Caroline era tão desligada que já estava tirando o dinheiro do bolso quando eu me pronunciei.

— Na verdade, acho que nos enganamos... – eu disse, puxando Caroline pelo braço. Ela não entendeu de imediato.

— É, acabei de receber uma mensagem e não precisaremos mais do serviço. – completou Michael, lançando um olhar significativo para Chris e Yuri.

— Ninguém cancela os nossos serviços. – disse o outro cara, saltando do balcão com agilidade e pegando o dinheiro da mão de Caroline.

Tentamos fugir, mas apareceram mais uns 5 homens que nos amarraram e nos prenderam em uma outra sala.

— Vocês não são do buffet, não é? – Chris perguntou, levando um chute na barriga de um dos caras, que deu uma risada repleta de maldade e deboche.

— CHRIS! – gritei, indo ao encontro dele com dificuldade por estar com os braços e pernas amarrados.

— Mas é claro que não! – ele respondeu, se afastando junto com os outros. Um deles chutou a costela de Michael e a barriga de Yuri. Eu e Caroline gritamos, desesperadas. – Divirtam-se.

— Nós temos que sair daqui. – disse Michael com dificuldade, enquanto tentava desamarrar seus pulsos. Eu e os outros fizemos o mesmo.

— Vocês estão bem? – Caroline perguntou, referindo-se aos chutes que os meninos tinham recebido.

— Sim. Já estivemos melhor, é claro. – disse Chris, assim que conseguiu soltar seus pulsos.

— Nós temos que sair daqui. – disse Michael, desamarrando seus pulsos e suas pernas logo em seguida.

Michael me ajudou a desamarrar meus pulsos e pernas. Retirei meu celular do bolso para ver se tinha sinal.

— Meu celular está sem sinal. Droga!

— O meu também. – respondeu Michael, irritado.

Os outros conseguiram se desamarrar logo em seguida, mas tinham deixado seus celulares no carro. Mesmo se tivessem trazido seus celulares, algo me dizia que nosso azar não iria permitir que o lugar tivesse pelo menos um pouco de sinal.

A sala em que haviam nos colocado não tinha janela. Quero dizer, até tinha, mas estava lacrada com um monte de pedaços de madeira.

— Nunca chegaremos a tempo da festa! – disse Caroline, jogada no chão com cara de choro.

Caroline não admitia fracassar em nenhuma festa que organizava, e eu não queria admitir que havia estragado a festa surpresa de casamento dos meus pais.

— Não vamos perder nada, não tem o que comer mesmo... – brincou Chris, nos fazendo rir.

— Gente, eu quero pedir desculpas a vocês por estarmos nessa situação. Se eu tivesse feito tudo certinho, nada disso teria acontecido. – Yuri disse, nos olhando de modo arrependido.

— Me desculpe também, Yuri. Fui muito rude com você e disse coisas que eu não queria. Sei que você não fez por mal.

Os dois sorriram e se abraçaram.

— E só para constar, te acho um ótimo rapper!

— Que gracinha! – disse Chris, me puxando para onde os dois se encontravam e abraçando-os. Eu repeti o gesto de Chris e ficamos todos abraçados. – Quanto tempo não temos um abraço em grupo, não é?

Nós rimos, emocionados. Eu realmente tinha os melhores amigos do mundo.

— Eu já disse que amo vocês? – indaguei, fazendo meus amigos rirem.

— Nós amamos você também, Garota Slipknot. – disse Yuri, sorrindo.

Ficamos ali por um tempo abraçados e rindo, falando o quanto nos amávamos. Olhei para Michael, que nos observava com um sorriso no rosto e dei uma piscadela para ele.

— Odeio ter que interromper, mas precisamos arranjar um jeito de sair daqui. – Michael disse, assim que desfizemos nosso abraço.

Tentamos abrir a porta, mas ela estava trancada. Nós tínhamos certeza de que os ladrões não estavam mais ali porque tínhamos ouvido a trupe falar que já era hora de trocarem de cidade.

— Droga de porta! – Yuri gritou quando não conseguiu arrombar a porta.

— Será que ficaremos aqui para sempre? – indagou Caroline, temerosa.

Ouvimos um barulho do lado de fora e nos encaramos de modo aflito.

— Eles voltaram para terminar o que começaram! – exclamou o agourento do Chris.

— Cala a boca! – gritamos para ele em uníssono.

— O forninho caiu! – Chris gritou aterrorizado um bordão brasileiro muito famoso. Eu e Yuri nos entreolhamos, aflitos e Michael me colocou atrás de si, no intuito de me proteger.

— Shii! – pediu Caroline, olhando de forma irritada para Chris.

Olhei por cima do ombro de Michael a maçaneta da porta em que havíamos sido trancados se mexer.

Meu corpo tremeu, e eu abracei Michael pelas costas.

Dentre tantas palavras, só uma me veio a mente naquele instante:

FERROU!

Fechei os olhos quando a porta se abriu, me apertando cada vez mais contra o corpo de Michael.

— Graças a Deus vocês estão bem! – declarou Jeremy indo abraçar a sua esposa.

Respirei aliviada quando vi Jeremy e fui correndo abraçá-lo.

— Como você nos achou?

— Tinha um panfleto dessa porcaria lá no salão de festas. Eu fiquei preocupado com a falta de notícias e vim procurar vocês. No caminho, Serena ligou dizendo que o tal buffet era uma farsa e não existia. Eu chamei a polícia e eles estão tentando localizar os caras. – disse Jeremy enquanto saíamos dali as pressas. – O que aconteceu com o seu carro?

— É uma longa história... – respondeu Caroline, desconcertada.

— Gente, e o buffet? – Yuri perguntou, meio envergonhado. Ele ainda se sentia culpado por tudo o que havia acontecido conosco.

— A Selena já deu um jeito. – disse Jeremy, nos deixando aliviados. – Mas temos que ir. Pedi a Serena para deixar as roupas de vocês lá na Escola de Artes. Tem banheiros, vocês podem tomar banho por lá também.

Entramos no carro aliviados e ao mesmo tempo exaustos de tanta confusão. Olhei para o relógio e já eram 18:30.

Pelo menos daria tempo de curtir a festa.

[...]

A festa já estava lotada quando chegamos. Tivemos que ir correndo tomar banho e nos trocar. Meus pais já estavam por aí curtindo a festa e não sabiam no que tínhamos nos metido do contrário, teriam surtado e mandado acabar com a festa no mesmo instante.

Eu estava nervosa pois hoje eu cantaria junto com a banda que já foi a Bloodstream. Amanhã eu começaria a gravar as demos para o meu primeiro CD e os produtores musicais e o dono da gravadora também estariam por aqui.

Enquanto eu trocava de roupa, eu ficava pensando no quanto as coisas estavam dando certo para mim e para meus amigos. Meu sonho de se tornar cantora estava finalmente se tornando realidade, eu estava noiva do Michael (algo que eu achei que nunca fosse acontecer), meus amigos e eu estamos cada vez mais unidos e a minha família estava tão feliz quanto eu.

Fui para a festa de mãos dadas com Michael e brincando com os meus amigos, tratando de guardar na mente aquele momento tão especial, pois eu não sabia quando iria me sentir assim de novo.

— Olha aí meus orgulhos que organizaram essa festa tão linda! – disse mamãe, abraçando a mim e aos meus amigos. Papai veio logo em seguida.

— Muito obrigado. Vocês são demais.

Papai me deu um abraço apertado e Jack apareceu logo em seguida, nos abraçando também. Ele conseguia ser um fofo quando queria.

— Papai me deixou filmar a festa! – ele disse, apontando a câmera na direção do meu rosto.

— Que ótimo! – exclamei, afagando seus cabelos.

— Bom, nós vamos dar as boas vindas aos convidados. Divirtam-se! – Papai disse, dando a mão para mamãe e caminhando em direção a entrada do salão de festas, onde chegavam alguns parentes.

Serena e Selena apareceram logo em seguida, totalmente animadas.

— Obrigada por salvarem a festa! – eu disse, abraçando as duas.

— Não precisa nos agradecer e você sabe disso. Estamos aqui para ajudar. – Serena disse, indo ao encontro de Chris e beijando-o logo em seguida.

Selena sorriu de modo cordial para Yuri. Eles tinham terminado, mas pareciam estar numa boa.

Stacy apareceu abraçando Yuri por trás e Mandy e William vieram de mãos dadas para perto de nós, parabenizando-nos pela bela festa.

William estava com Sebastian em seu ombro e conversava animadamente com Michael e Jeremy. Enquanto Mandy, Stacy e Caroline conversavam com Chris, Yuri, Serena e Selena, eu observava admirada o salão de festas.

Tinha um palanque que logo seria usado por mim e pela banda. Na decoração, usamos um tom neutro, já que meus pais odiavam cores extravagantes em ocasiões como essa.

Michael me puxou para um beijo de forma repentina.

— O que foi isso? – perguntei assim que partimos o beijo.

— Só um lembrete do quanto eu te amo.

Meus olhos brilharam e eu sorri feito boba.

— Eu também te amo.

Nós sorrimos um para o outro.

— Ei, pombinhos! – gritou Danny, com Lindsay em seu encalço.

Cumprimentamos ambos de forma amistosa e Lindsay nos parabenizou pelo noivado. Ela parecia sincera, e eu fiquei feliz em saber que não havia mais ressentimentos entre nós.

Alfonso me cutucou no ombro avisando que era a hora da banda tocar. Eu gelei. Avisei a Daniel que iríamos tocar e pedi que ele chamasse William, Paul, Rafael e Jeremy para o palco.

Enquanto a banda subia no palco, Alfonso me puxou delicadamente pelo braço e sorriu.

— Muito obrigado por fazer meu filho feliz.

— Não precisa me agradecer, Alfonso. Eu amo o seu filho, não faço nada demais...

— Acredite, você faz muito por ele. – Meu sogro sorriu de forma sincera, o que me fez ter vontade de chorar. Nós nos abraçamos de forma carinhosa. – Agora vá para o palco e arrase!

Eu dei uma risada quando Alfonso fez o símbolo do rock com uma das mãos e saí correndo para o palco.

Ajudei a galera com os instrumentos e abracei os meninos, feliz por estarem ali conosco.

— Olá! Nós somos a Bloodstream, uma banda que só se reúne para tocar em alguns eventos de família. – O pessoal da banda riu. Era inacreditável estar ali em cima junto com todos os membros da Bloodstream novamente. Coloquei a peruca de Claire Collins na cabeça (que eu tinha achado jogada em um baú) e poucas pessoas entenderam o significado. Mandy e Stacy começaram a gritar, pois elas entendiam e meus amigos logo foram contagiados pela animação das duas. – Há anos atrás, eu quis ser a vocalista da banda do meu irmão, só que o Jeremy não me aceitou. Michael, que está aqui do meu lado e é o guitarrista, disse que a única maneira de conseguir entrar na banda do meu irmão era me disfarçar de Claire Collins e fingir que era sua prima distante. Eu coloquei essa peruca e me enchi de maquiagem para as pessoas acreditarem e por um tempo até que deu certo. Faz anos que não uso essa peruca, mas acho que é uma boa ocasião para relembrarmos essa época da minha vida que foi muito divertida e maluca. – Agora, uma galera maior gritava, inclusive os produtores musicais e alguns parentes meus. – Antes de cantar essa música, quero parabenizar os meus pais pelo aniversário de casamento. Vocês merecem anos e anos de muito amor e alegria. Para mim, vocês são os melhores pais do mundo e eu amo vocês! – O pessoal começou a aplaudir e assoviar. – Agora, vamos começar!

Michael começou a tocar a guitarra na introdução da música e logo em seguida o restante da banda entrou na música com seus instrumentos. Comecei a cantar assim que a introdução acabou, me movimentando de um lado para o outro pelo palanque, com o microfone em mãos.

As coisas estão melhorando, oh finalmente!

Eu nunca pensei que veria você sorrir para mim de novo.

Nós sempre vencemos as dificuldades

Oh quando tentamos,

Eu estou sempre errada mas você nunca está certo.

Você nunca está certo!

A letra da música dizia tudo o que eu sentia naquele momento. As coisas finalmente estavam caminhando do jeito que eu queria. Elas estavam realmente dando certo. Por um tempo, eu achei que eu nunca mais conseguiria ver nada na minha vida dar certo, mas aquilo mudou de uma forma assustadora, e eu era muito grata por isso.

Honestamente, você pode acreditar que nós cruzamos o mundo enquanto ele estava dormindo?

Eu nunca trocaria por nada, porque eu sempre quis isso!

Não é mais um sonho! Não oh oh oh...

Não é mais um sonho! Vale a pena lutar.

Uma das melhores coisas em poder cantar era que eu me sentia liberta e conectada com a plateia de alguma forma. Dava para ver que eles curtiam a música, e que estavam adorando nos ver ali em cima. Olhei para Michael que estava tão envolvido quanto os outros nos acordes da música. Jeremy e Daniel cantava alguns trechos enquanto tocavam seus instrumentos, Paul e Rafael balançavam suas cabeças de um lado para o outro e William e seu papagaio faziam a alegria da galera enquanto ele tocava.

Poderia ter desistido tão facilmente

Fiquei a umas poucas tentativas do meu próprio fim

Desconsiderado, quase tudo pelo que eu morreria

Só ontem,

Só ontem

Fiquei balançando o pedestal do microfone de um lado para o outro enquanto cantava, fazendo alguns headbanging’s parecidos com o dos meninos.

Honestamente, você pode acreditar que nós cruzamos o mundo enquanto ele estava dormindo?

Eu nunca trocaria por nada, porque eu sempre quis isso!

Não é mais um sonho! Não oh oh oh...

Não é mais um sonho! Vale a pena lutar

Quando chegou numa das minhas partes favoritas da música, eu fiquei mais empolgada. Comecei a cantar com ainda mais vibração e a me movimentar mais pelo palco. Os meninos também pareciam tão empolgados quanto eu, e faziam vários movimentos enquanto tocavam.

Deus sabe que o mundo não precisa de outra banda, (whoo-oa, whooo-oa!)

Mas que desperdício teria sido! (whoo-oa, oa-whooo!)

Eu nem acredito que nós quase desistimos (whoo-oa, oa-whooo!)

Nós estamos apenas começando (whoo-oa, oa-whooo!)

A música ficou mais forte a partir daí e eu cantei o refrão com todo o fôlego que eu tinha. A Bloodstream podia não existir sempre, mas quando nos reuníamos, era como se nunca tivéssemos nos distanciado. Mais do que isso, era como se a banda nunca tivesse deixado de existir.

Honestamente, você pode acreditar que nós cruzamos o mundo enquanto ele estava dormindo?

Eu nunca trocaria por nada, porque eu sempre quis isso!

Não é mais um sonho! Não oh oh oh...

Não é mais um sonho! Não oh...

Não é mais um sonho! Não oh oh oh...

Não é mais um sonho! Vale apena lutar.

A última parte da música chegou, e os instrumentos pararam por alguns segundos, dando a entender que a música tinha acabado. Porém, eu voltei a cantar e os instrumentos voltaram a tocar, fazendo a galera ir ao delírio. Eu estava mais feliz do que nunca ali no palco. O palco realmente era o meu lugar. Eu poderia estar como Claire Collins, ou poderia nunca mais cantar como ela, usando aquela peruca loira, mas de uma coisa eu tinha certeza: Ser a vocalista da banda do meu irmão foi uma das melhores coisas que me aconteceram.

Eu nem acredito que nós quase desistimos (whoo-oa, whoo-oa!)

Nós estamos apenas começando (whoo-oa, whoo-oa!)

Eu nem acredito que nós quase desistimos (whoo-oa, whoo-oa!)

Nós estamos apenas começando!

Nós estamos apenas começando!

Michael me puxou pela mão assim que agradecemos ao público e saímos do palco. A banda Bloodstream toda foi para o meio do salão de festas e as pessoas nos rodearam, pulando ao nosso redor, ainda sob o efeito da música. Eu e a galera nos entreolhamos e começamos a pular todos juntos e logo meus amigos se juntaram a nós.

Olhei para a Mandy e Stacy e mal acreditei que agora éramos amigas e nos dávamos bem. Era quase surreal ver que a Stacy e o Yuri tinham se apaixonado um pelo outro. As duas riam e pulavam junto conosco. Vi também Serena, apoiada no ombro de Chris. O casal também pulava de forma feliz e satisfeita. Selena ria junto com Jack, que havia deixado de filmar para pular junto conosco. Caroline foi para o lado de Jeremy, e pulavam de mãos dadas.

Meus pais nos observavam de forma orgulhosa e de lágrimas encheram os meus olhos.

Michael me puxou pela mão, tirando-me do salão de festas. Meu coração acelerou ao perceber onde ele estava me levando e apertei mais a sua mão, sorrindo com a lembrança.

O banquinho e a árvore ainda estavam ali, e eu pude me lembrar como se fosse ontem a noite em que confessamos que estávamos apaixonados um pelo outro.

Tinha um gramado bem cuidado crescendo ali e não pensamos duas vezes antes de deitarmos perto da árvore e do banquinho, lado a lado.

Lembrei-me-me do dia em que ele confessou que estava com leucemia. Estávamos deitados em um gramado como esse, olhando a estrelas, que por sinal, estavam tão lindas como nessa noite.

— No que você está pensando? – Michael perguntou, olhando-me fixamente.

— Em tudo. Em nós dois principalmente.

— Nós temos histórias para contar, não é? – Michael disse de modo meio risonho. Provavelmente estava se lembrando de nossas maluquices.

— Temos mesmo... – eu disse, me virando de lado para encará-lo. – Sabe, eu estou muito feliz hoje e acho que a última vez que eu me senti assim foi na festa da terceira idade que nós entramos de penetra.

Eu e Michael demos uma alta gargalhada ao recordarmos aquela lembrança.

— Nós conhecemos um lindo casal de idosos, não é?

— Sim. Ana Jones e Edward Jones. Eles eram tão fofos...

Fiquei virada de cabeça para cima, olhando fixamente o céu estrelado. Ambos estávamos em silêncio naquele momento, e eu me sentia feliz e em paz. Não sei dizer se era o lugar que me deixava assim ou se era o Michael. Acredito que era as duas coisas.

Eu sempre disse que o Michael era o meu ponto de paz, por estar sempre me deixando tranquila e serena. Com ele, eu me sentia invencível, como se nenhum problema pudesse me alcançar.

Michael entrou em meu campo de visão, colocando um braço bem ao lado da minha cabeça. Ele sorriu e seus olhos brilharam. Minhas mãos acariciaram seu rosto e ele fechou os olhos para sentir o carinho, inclinando-se em direção ao meu rosto logo em seguida.

Quando nos beijamos, a sensação de paz e felicidade só se intensificou. Meu coração começou a acelerar e meu corpo esquentou. Estávamos completamente entregues aquele beijo e eu só sentia vontade de sorrir.

Eu e Michael passamos por muitos altos e baixos, e muitas vezes eu cheguei a acreditar que não havíamos nascido para ficarmos juntos.

— Eu amo você, Anjinho. – declarei, dando um meio sorriso e afagando seus cabelos. Michael sorriu abertamente, enquanto fazia o contorno dos meus lábios com o dedo.

— Eu também te amo, Franjinha que não tem mais franjinha. – disse ele, passando o dedo pela minha testa e me fazendo rir.

O puxei pela gola da camisa e lhe beijei novamente.

O tempo me mostrou que o amor verdadeiro realmente tudo suporta. Eu consegui suportar e perdoar o sumiço do Michael e ele, as minhas burradas.

Eu estava confiante de que conseguiríamos suportar qualquer problema que aparecesse, pois o nosso amor já havia provado várias vezes e de diversas formas que era forte o suficiente para enfrentar qualquer adversidade.

Tudo estava dando certo para mim e para os meus amigos, e eu não queria estragar as coisas pensando negativo. As coisas vão continuar dando certo, e se não derem, bom, nós conseguimos fugir de uma quadrilha falsa de buffet.

O que vier agora é lucro.

Notas finais
Bom, eu realmente espero que esse final tenha agradado vocês. Ainda tem um mini epílogo para vocês lerem. Peço que não deixem de ler as notas finais dele pq lá farei avisos importantes. Deixei pra falar tudo lá pra não me estender aqui KKKK Tenham uma ótima semana.