A Vocalista Da Banda Do Meu Irmão

36 Capítulo 35 - Seguindo em Frente


Notas iniciais
Oi meninas tudo bem?
Dessa vez eu nem demorei tanto não é? Na verdade eu postei no grupo da fanfic que postaria o capítulo dia 12 de julho mas não deu porque eu ainda não tinha terminado o capítulo e fiquei praticamente o dia todo na rua e ainda fui pro ballet.
Mas eu já tinha terminado o capítulo e mesmo assim não consegui postar, já que essa semana eu saí pra caramba por isso o capítulo acabou atrasando.
Esse capítulo tem um pouco mais de comédia do que o outro mas também tem um pouco de drama, claro.
Vocês vão achar esse capítulo bem paradinho, mas ele é necessário para a fic então, perdoem-me. Os próximos serão mais agitados, prometo.
Eu espero de coração que vocês gostem do capítulo pois depois dele, tudo vai mudar.
Não deixem de ler as notas finais assim que terminarem de ler o capítulo ok?
Tenham uma boa leitura!

Congelada no tempo. É assim que eu tenho me sentido desde que o Michael me abandonou. É como se no momento em que ele me abandonou, eu tivesse paralisado. Ou ido com ele. De qualquer forma, não sou mais a mesma desde que ele decidiu partir.

Eu juro que tento buscar uma explicação para o que ele fez comigo mas não consigo encontrar nenhuma resposta pro que ele fizera.

Talvez o amor tivesse acabado. Talvez, não tivesse nem existido. Não sei qual das hipóteses me amedronta mais.

Eu não consigo mais dormir direito. Todas as noites tenho pesadelos e alguns são tão reais, que acordo gritando.

Meus pais estão cada vez mais preocupados e meus amigos também. Já perdi a conta de quantas vezes eu tive que dizer que não queria me consultar com nenhum tipo de psicólogo.

A única coisa que eu quero neste momento, é ter o Michael de volta, para que pelo menos ele me devolva uma parte do meu coração, que ele acabou levando consigo.

Eu sinto dor. Nunca senti meu coração doer tanto antes e me perguntei várias vezes se é assim que alguém se sente quando alguém muito importante resolve ir embora de sua vida.

Eu não consigo sentir raiva, não consigo sentir culpa. A única coisa que tem me dilacerado é essa dor.

Por um momento, desejei desaparecer da face da terra. Desejei ser um robô, para não ter coração. Desejei com todas as forças esquecer que Michael Salvatore existiu algum dia e fez parte da minha vida.

Por causa dele, eu não consigo mais sorrir, eu não consigo mais viver.

Peguei todas as coisas que me lembravam o Michael, inclusive a caixa de madeira que ele me dera quando estávamos no parque. Lembro até hoje o que ele me dissera:

"Quero que você fique com isso. Só abra quando você se sentir preparada para ler. Quando não houver mais nenhum medo em seu coração. — Michael retirou de dentro de sua mochila uma caixinha média de madeira verde-água, colocando-a em meu colo."

Joguei a caixa dentro de uma gaveta e a tranquei ali. Eu não abriria aquilo. Nunca.

Peguei também todas as fotografias que eu tinha com ele e joguei tudo dentro de uma caixa velha mas acabei deixando uma foto cair. Me abaixei para pegá-la e meus olhos se encheram de lágrimas quando me vi, no dia de nosso aniversário na festa da terceira idade e um sorriso enorme no rosto, enquanto olhava para o Michael.

Nós estávamos tão felizes...

A dor aumentou e quando percebi, eu já chorava como uma criança. Joguei a foto na caixa e a fechei, jogando-a em um canto do quarto que eu desejei não saber qual era.

Encostei meu corpo na parede e fui deslizando devagarinho até cair no chão.

— Porque Michael? Porque fez isso? — Gritei, chorando compulsivamente e cada vez mais alto. Eu não podia impedir, não queria saber se iriam me ouvir, eu só queria gritar até que eu ficasse rouca e sem voz.

Eu era como aquela caixa cheia de fotografias no canto do meu quarto. Vazia, mas cheia de lembranças. Lembranças que um dia foram felizes e que agora só me fazem mal.

Gritei, gritei e gritei. Jogada no chão frio daquele quarto, que agora era tão sem vida quanto eu, desejei morrer.

Mais lágrimas saíram dos meus olhos enquanto gritava, mas meu coração continuava doendo. Eu sangrava por dentro e mal tinha forças para respirar por estar chorando descontroladamente.

Eu não me importava, só queria chorar até que aquilo acabasse comigo.

— Ever! — Jeremy abriu a porta do quarto e quando me viu deitada no chão, correu ao meu encontro me pegando no colo. — O que aconteceu? Você se machucou? — Meu irmão estava visivelmente preocupado.

— Meu coração dói. — Ele entendeu o que eu quis dizer e me abraçou forte, me balançando para frente e para trás, me ninando como ele sempre fazia quando eu era menor e estava com medo do escuro.

- Eu só quero que pare. Faça parar de doer, Jer. — Agarrei na gola de sua camisa, encolhendo-me cada vez mais.

— Durma, Ever. Apenas durma minha pequena. Eu estou aqui e não vou te deixar. — Eu quase sorri com as palavras do meu irmão.

Fechei os olhos, tentando parar de soluçar e tremer quando Jeremy começou a cantar baixinho no meu ouvido uma música lenta. Eu sabia que aquela era a única música no mundo inteiro que me acalmava.

Me aconcheguei em seu peito, sentindo o sono chegar. Eu sabia que nenhum mal aconteceria comigo se eu estivesse com meu irmão. Jeremy era meu porto seguro.

Minha respiração foi se acalmando e desejei que meu sono fosse tranquilo. Afinal o único lugar no mundo onde a dor não podia me alcançar é quando estou dormindo. Lá, eu posso esquecer de tudo.

Inclusive, do Michael.

Natal:

- Feliz natal, Rodolfo! — Pude ouvir os pais de Caroline falarem juntos assim que entraram em minha casa.

— Feliz natal, Sônia e John, sejam bem-vindos! — Os três trocaram sorrisos e logo depois Caroline entrou, segurando duas vasilhas que Jeremy fez questão de tirar das mãos de sua namorada e carregar para a cozinha.

- Jack, largue esse maldito carrinho! — Mamãe bronqueou meu irmão mais novo que batia de propósito com o carrinho na árvore de natal várias vezes seguidas. — Olá senhor e senhora Gray. É bom conhecer a família da namorada do meu filho. — Completou mamãe de forma doce.

— Digo o mesmo para você. — Respondeu Sônia de forma amigável.

— Jack eu não vou falar de novo! — Advertiu mamãe.

— Se eu fosse você, largaria o carrinho imediatamente. — Eu disse, chegando perto do pestinha.

- O que é imediatamente? — Perguntou.

— Um monstro que come garotos desobedientes. — Menti, sorrindo quando vi Jack arregalando os olhos e saindo correndo, largando o carrinho e o controle no chão.

— Ever querida... que saudade! — Sônia e John sorriram assim que me viram.

— Olá, senti saudade também! — Os abracei, sentindo conforto naquele abraço. Os pais de Caroline sempre gostaram de mim.

— Que bom, porque se não faríamos com que sentisse. — Dei uma risada com o que o pai de Caroline disse.

Logo depois, os adultos engataram em uma conversa na qual eu não conseguia participar. Eles falavam de negócios e também do tutu de feijão que uma amiga brasileira de minha mãe havia preparado para ela. Naquele momento eu percebi que estava sobrando.

Ajoelhei-me próximo a árvore de natal que eu, meus pais e meus irmãos havíamos montado há uns dias atrás e fiquei olhando para todos aqueles enfeites e para os presentes que estavam debaixo dela.

Eu não queria nenhum daqueles presentes. Na verdade, a única coisa que eu queria era a única que eu nunca mais poderia ter.

Nada parecia haver muito sentido na minha vida desde que o Michael decidiu ir embora sem se despedir. E embora eu tente afastá-lo da minha mente, ele sempre acaba voltando.

- Ever, podemos dar uma volta? — Jeremy tocou em meu ombro fazendo-me parar de fitar a árvore de natal no mesmo instante.

— Claro, mas e a Caroline? — Ele fez um gesto com a mão.

— Ela está muito entretida fofocando com nossa mãe e Sônia para se importar. — Dei uma risada fraca.

— Tudo bem. — Me levantei e segui meu irmão até estarmos caminhando lado a lado pela neve.

Alguma coisa estava incomodando-o e eu tinha certeza de que era algo relacionado a mim então, esperei até que ele falasse e enquanto isso não acontecia, eu apenas observava a paisagem a minha volta.

As árvores completamente cobertas de neve, as casas com suas decorações impecáveis, o ar frio que tocava meu rosto e também a lua que já começava a aparecer.

Paramos em uma ponte de madeira. Abaixo dela, existia um rio que acabara ficando congelado. Aquele inverno seria bem rigoroso.

Não que já não estivesse sendo.

Principalmente para mim.

— Ever... o que está fazendo consigo mesma? — Dei um suspiro e pousei minhas mãos enluvadas em cima do corrimão de madeira e fiquei pensando alguns minutos no que dizer.

— Eu não sei, Jer... — E realmente não sabia mesmo. — Só não consigo mais ser a mesma desde que ele foi embora. — Mordi o lábio inferior com força, numa tentativa frustrada de reprimir a droga do choro.

— Me dói muito ver você desse jeito por causa dele. Eu estou muito decepcionado com o Michael. Eu nunca pensei que ele pudesse ser capaz de fazer uma coisa dessas. — Pelo jeito com que o Jeremy trincava os dentes, era nítido que ele não só estava decepcionado e sim, muito furioso.

- Você não acha estranho ele ter ido embora daquele jeito? — Jeremy me encarou com uma expressão de incredulidade.

— Seja lá qual foi o motivo dele ter ido embora, mesmo que não tenha sido só para se tratar, foi errado ele ter ido embora sem lhe avisar.

— Mas...

- Ele não vai mais voltar, Ever. E se você continuar nessa, você não irá voltar também. — Os dedos de Jeremy tocaram meu peito, onde meu coração batia. Eu entendi muito bem o que ele queria me dizer.

Eu havia mudado muito. Raramente sorrio e nem tenho mais vontade de sair de casa. Na maior parte do tempo, fico olhando da janela do meu quarto as pessoas, os carros, a neve... mas sem realmente prestar atenção no que estou vendo.

Eu estava me perdendo e sabia muito bem disso.

- O que devo fazer então, Jer? — Comecei a chorar sem me importar com o que acontecia ao meu redor.

- Se desvencilhe de suas especulações, dos motivos que Michael possa ter ido embora e de toda e qualquer esperança de vê-lo de novo qualquer dia. — Caroline havia falado quase a mesma coisa para mim.

Mas falar era muito fácil. Ninguém estava dentro de mim para saber como eu me sentia.

— Não sei se consigo. — Soprei, me debulhando em lágrimas.

— Eu sei que dói e sei que é difícil, mas é necessário. Estou muito preocupado com você, pirralha. Você é forte e tem um montão de gente que está disposta a lhe ajudar. — Meu irmão pôs as duas mãos em meus ombros e olhou no fundo dos meus olhos. — Promete que vai tentar?

— Eu prometo! — Nos abraçamos e ali, chorei mais um pouco, tentando me forçar a acreditar que eu conseguiria voltar a ser o que era antes e que meu coração pararia de doer, mesmo sabendo que seria preciso muito mais do que força de vontade para que eu conseguisse, porque parecia que o nome do Michael havia sido tatuado dentro de mim e não houvesse nenhuma chance de removê-lo sem causar um grande estrago.

(...)

A ceia foi servida há meia-noite em ponto, mas Jack já havia beliscado o peru de mamãe umas 3 vezes antes da meia-noite.

Apesar de tudo, a noite de natal até foi agradável. Eu consegui dar algumas risadas dos pais de Caroline e do Jack, que fazia questão de envergonhar Jeremy na frente dos sogros. Foi bem hilário ver Jeremy enfurecido, tentando pendurar Jack de cabeça para baixo na goiabeira do nosso quintal.

Foi uma correria danada até que conseguissem arrancar o pestinha das mãos do meu irmão mais velho. A única que conseguiu acalmar Jeremy foi Caroline. E enquanto Jack chorava, meus pais bronqueavam os dois pela falta de educação. Sônia e Jhon apenas riam.

Aquela foi uma das primeiras noites em que fui dormir com a barriga doendo de tanto rir. O que foi bom, pois pelo menos por uma noite, eu consegui tirá-lo do meu pensamento.

Ano-novo:

Chris havia me ligado mais cedo, convidando a mim e a minha família para comemorarmos o ano-novo na festa que os seus pais estavam organizando. Eu até estava empolgada, mas tudo isso acabou quando eu soube que a festa seria no mesmo casarão onde acontecera a festa da terceira-idade onde eu e Michael havíamos entrado de penetra.

Eu não queria voltar lá mas se eu não fosse, todo o mundo ficaria decepcionado comigo. Eu prometi ao Jeremy que tentaria seguir em frente, mas como eu faria isso estando em um lugar que era repleto de lembranças?

No entanto, eu não poderia recusar o convite do meu melhor amigo. Não mesmo.

Já devidamente arrumada, desci as escadas assim que saí da frente do espelho. Meus pais e meus irmãos já estavam prontos. Eu sorri quando percebi que eles haviam notado a minha presença. Mas alguma coisa em meu sorriso não parecia real.

— Está linda, querida. — Mamãe afagou meus cabelos.

— Você também, mãe. — Papai deu um beijo no topo da minha cabeça enquanto Jack e Jeremy se acotovelavam.

Logo, estávamos a caminho da festa. Quanto mais próxima eu ficava daquele casarão, mais vontade eu tinha de pular do carro.

Engoli em seco quando meu pai parou o carro e eu tive que descer do mesmo junto com minha mãe e os meus irmãos. Olhei para a fachada da casa com um aperto no peito, vendo que não mudara nada desde que eu estive ali com o Michael.

Minha cabeça atordoada foi inundada por todas as lembranças daquela noite, onde eu e Michael comemoramos o nosso aniversário e tivemos um grande aprendizado.

Caminhei de um jeito relutante para dentro junto com a minha família, surpreendendo-me com a decoração do lugar, que estava impecável.

Percebi que haviam muitos convidados presentes, inclusive, meus amigos.

— Ever, feliz ano-novo! — Serena largou a mão de Chris e se curvou para me abraçar.

— Ainda não é meia-noite, Serena. — Brinquei, vendo a ruiva rir alegremente.

— Não sei se estarei sóbria o suficiente para lhe desejar feliz ano-novo quando der meia-noite. — Agora foi a minha vez de dar risada.

- Olá Ever! — Selena também veio me cumprimentar.

— Oi Sel! — Logo depois vieram Chris e Yuri, ambos vestidos de rapper's.

— Nós iremos cantar o rap do reveillon hoje, Ever. Não perca, vai ser irado! — Olhei para os dois de um jeito duvidoso.

— Espero que seja um rap bem legal. — Eu disse, vendo Yuri sorrir daquele jeito exótico que todo o mundo já conhecia.

— Todos os nossos rap's são legais. — Yuri se gabou.

— Amiga, você está linda! — Caroline veio correndo me abraçar.

— Você também está linda, Car.

— Eu sei. — Nós duas rimos.

A festa estava tão lotada que cheguei a pensar que a Mandy e a Stacy tinham sido convidadas. Chris me garantiu que as cobras tinham ficado de fora.

Todos ao meu redor se divertiam e eu só conseguia pensar que todos os meus amigos estavam namorando. Menos eu.

Decidi que precisava tomar um ar e fiquei na varanda da casa, observando as estrelas e as poucas pessoas que se arriscavam a fazer anjos de neve. Obviamente estavam bêbadas.

Fora isso, a noite estava tranquila e agradável. Tentei esvaziar a minha mente e tirar todos os meus pensamentos melancólicos da cabeça mas essa era uma tarefa quase impossível.

— Quanto desânimo... — Daniel debochou, aparecendo ao meu lado logo em seguida. Forcei uma risada.

— Nem todas as pessoas gostam de comemorar a virada do ano. — Tentei dar outro sorriso, mas foi só olhar para o rosto de Daniel que todos os meus esforços para dar um sorriso convincente caíram por terra.

— Isso tudo tem haver com ele... não é? — Eu sabia perfeitamente de quem o Daniel estava falando.

— Tem.

— Ele te machucou muito, não é? — Olhei para baixo, tentando não estragar ainda mais a noite chorando feito uma garotinha.

— Machucou. — Murmurei.

- Olha...

- Eu sei muito bem o que você vai dizer, Danny. — o interrompi — Acredite, todo o mundo tem me mandado esquecê-lo como se isso fosse a coisa mais fácil do mundo! — O choro estava preso na garganta, louco para vir a tona. Eu não conseguia me controlar quando as pessoas praticamente me obrigavam a falar sobre os meus problemas em voz alta. Porque dói muito sofrer em silêncio e dói mais ainda falar tudo o que estou passando em voz alta.

- E quem disse que era isso o que eu ia dizer? — Ele sorriu e como das outras vezes, não consegui acompanhá-lo. — Eu não vim aqui te convencer que a melhor saída é esquecê-lo ou que você precisa de um psicólogo. Na verdade, a única coisa que eu quero te dizer é que independente do perrengue que você esteja passando, nunca deixe de ser você mesma. Não se exclua tanto da vida. Nenhum sofrimento é tão grande que dure uma eternidade. Isso o que você está sentindo vai passar. Dê tempo ao tempo, Ever. — Voltei meus olhos para o Danny, sentindo uma coragem tremenda de tentar ser feliz após aquelas palavras. Pela primeira vez no dia, eu dei um sorriso espontâneo.

Daniel também sorriu de volta enquanto olhava a hora em seu relógio de pulso. Seus olhos brilhavam.

Na festa, eu podia ouvir as vozes de todos fazendo a tão famosa contagem regressiva de fim de ano.

Logo, os fogos de artifício pipocavam no céu, fazendo um espetáculo colorido e barulhento.

Quando eu era pequena, costumava ter medo dos fogos, por causa do barulho. Sempre me escondia debaixo das cobertas até que tudo silenciasse novamente.

Mas olhando para todos aqueles fogos brilhando no céu, eu só consegui sorrir. Daniel me abraçou e me rodopiou, sussurrando um "feliz ano-novo" para mim.

Não demorou muito para que os meus amigos viessem falar comigo também, gritando e pulando, eufóricos. Meus irmãos e meus pais também me abraçaram.

Baguncei os cabelos do meu irmão mais novo que deu uma risadinha em resposta.

Enquanto a multidão me cercava, eu olhei para o rosto de todos os meus amigos e família, que sorriam como se tudo naquele momento estivesse completo e de certa forma, estava.

Eu tinha tudo o que eu precisava para me reerguer bem ao meu redor.

Quando eu me dei conta, eu já andava em direção ao Daniel. Toquei em seu ombro e ele se virou para mim com o mesmo sorriso que ele me dera há alguns minutos atrás.

— Danny... obrigada. — Ele apenas assentiu e uma fagulha de esperança se acendeu dentro do meu peito.

Aquela era a minha chance de curar todas as feridas do meu coração. Era o começo de um novo ano e portanto, eu enxergava aquilo como um recomeço. Não cometeria mais os erros do passado.

Se o Michael resolveu sair da minha vida sem mais nem menos, naquele instante, eu estava deixando-o livre para ir.

E quer saber de uma coisa? Talvez eu esteja começando a seguir em frente.

Festa de Formatura do Jeremy


A Mandy? Ela é uma fracassada! O velho que estava tentando dar o golpe do baú é tão falido quanto o pai dela! — William gritou para que pudéssemos ouvi-lo, devido a música alta. Eu dei risada com o que ele dissera e me inclinei para a frente, disposta a ouvir mais.

— Como é? — Perguntou Serena, tão curiosa quanto eu.

— O tal velho multimilionário não é nada multimilionário! Na verdade, ele é um doido esquizofrênico que jura que é um gângster. — Todo o mundo riu com aquele fato bizarro.

A festa de formatura do Jeremy, Paul, Rafael e todos os outros alunos que haviam se formado já estava rolando. Por incrível que pareça, eu estava me divertindo bastante com a conversa dos meus amigos. Nossa mesa era a mais lotada, já que o meu círculo social havia crescido muito de uns tempos pra cá. Além de Caroline, Chris, Yuri, Serena e Selena, também estavam com a gente William (que havia trazido Sebastian para a festa escondido), Daniel que estava chorando de rir, Jeremy, Rafael e Paul.

Mas faltava alguém e eu sabia direitinho quem era. Meu coração e minha mente se recusavam a esquecê-lo.

Eu havia melhorado muito. Tenho saído mais de casa com os meus amigos e chorado menos. Mas isso não significa que a dor não esteja lá.

Na frente dos meus pais e dos meus amigos, eu me esforço para sorrir e me entrosar e acaba ficando fácil tendo tantas pessoas legais e engraçadas ao meu redor.

As coisas costumam complicar na hora de dormir, quando fico sozinha dentro do meu quarto, deitada de barriga para cima na cama, pois eu acabo me lembrando de tudo e não há nada que possa me fazer esquecer. Os dias vão se passando mas as coisas parecem não querer melhorar, mas eu continuo tentando.

- E a Stacy? Ela também não estava dando em cima de um velho ricaço? — Caroline fez a pergunta que me fez voltar ao planeta terra.

— Que nada! O homem já era casado! — William disse, dando um petisco para o Sebastian, que estava bem debaixo da mesa.

— E muito bem casado! — Acrescentou Daniel, fazendo gestos com as mãos de modo que deixava bem explícito que a esposa dele era muito bonita.

- E então, ele nem deu trela pra ela! Dizem as más línguas que ela está saindo com um cara do segundo ano, Josh Leon. — Eu estava embasbacada. William estava mesmo por dentro dos babados.

- Josh Leon, cara de pudim de mafuá? — Perguntei descrente.

- Esse mesmo!

— Mas o mané é mais bizarro do que o Yuri! — Protestei, recebendo um olhar atravessado de Yuri.

— Ei! — Disse Yuri indignado, batendo no tampo da mesa.

— Quem é Josh Leon? — Selena perguntou, ignorando seu namorado.

— Um maluco com dreads no cabelo que anda todo sujo tirando melequinha do nariz. — Rafael riu.

— Que nojo! — Disse Serena enojada.

— Não acredito que ela está com ele! — Chris disse, abraçando Serena.

— Muitas pessoas disseram que viram os dois juntos na pista de skate e a Mandy até postou um tweet alfinetando a amiga pelo mal gosto.

- Nossa William, onde você descobre essas coisas? — Jeremy perguntou abismado.

— Por aí. — Ele deu de ombros.

Então, subitamente, começou a tocar Heart Attack, fazendo Caroline soltar um grito que beirava a histeria e animação.

— Eu AMO essa música! — Ela gritou junto com Serena.

- Vamos dançar! — Sugeri, já me levantando. Todos ficaram surpresos mas não deixaram de me acompanhar.

Começamos a cantar a plenos pulmões a letra da música enquanto dançávamos. Daniel pegou em minha cintura e me ergueu no ar, fazendo-me rir.

Foi com um sorriso enorme nos lábios que eu percebi que aquela noite foi uma das mais divertidas de toda a minha vida.

(...)

— Jeremy, querido... se cuide viu? Não se envolva com drogas nem nada ilegal ok? Se alguém te oferecer uma bebida não aceite e não fale com estranhos. — Eu e Jack prendemos o riso ao ver o modo como mamãe falava com Jeremy.

- Tá bom mãe... — Meu irmão rolou os olhos impaciente.

- Juízo filho. — Papai e ele se abraçaram, dando tapinhas amistosos um no ombro do outro.

Eu estava triste pois o Jeremy iria para a faculdade e só nos visitaria 1 vez por mês. Caroline também estava meio pra baixo por causa disso. Estávamos no aeroporto, nos despedindo de Jeremy. Caroline também estava conosco.

Depois de meus pais, Jack e Caroline se despedirem dele, foi a minha vez.

— Pirralha, vou sentir saudades. — Tentei engolir o choro.

Por mais que eu pudesse estar feliz, uma parte dentro de mim não queria que ele fosse embora. Jeremy sempre fora o meu porto seguro e por diversas vezes, fora ele que me acudiu quando eu me debulhava em lágrimas. A sensação de solidão acabou me atingindo em cheio.

— Jer... o que eu vou fazer agora? — Surpreendendo-me totalmente, Jeremy apenas sorriu, passando o dedo polegar em minha bochecha e limpando a lágrima que havia caído.

— Você vai continuar sendo forte porque eu sei que você consegue! E sempre que eu vir visitar vocês, você estará cada vez melhor. Eu amo você, pirralha. — Eu sorri e o abracei forte. Era tão bom poder fazer isso agora depois de tanto tempo levando patadas.

— Eu também amo você, Jeremy. Boa sorte!

- Obrigado, pirralha. — Ele beijou minha testa, acenou para nós e virou-se de costas, indo em direção ao portão de embarque.

Abracei Caroline que também chorava e tentei me recompor.

Uma hora eu ia ter que superar todos os meus traumas e problemas. O Michael não merece todo o meu sofrimento. Não mesmo.

(...)


1 mês depois, volta as aulas.

Meus amigos pareciam empolgados para voltar a estudar porque agora somos os formandos da vez. Claro que toda aquela empolgação sumiria logo, quando os professores passassem um montão de tarefas para eles e eles começassem a reclamar que queriam ir embora.

Entrar na escola depois de tudo não foi nada fácil. Cada canto daquele colégio me lembrava o Michael e tudo o que passamos. Inclusive, nosso primeiro beijo foi aqui. No vestiário masculino, mais precisamente.

Fechei os olhos para reprimir todas as lembranças dolorosas que surgiam em minha mente e os abri quando escutei o sinal tocar.

Eu permaneci desconectada da conversa que rolava entre Caroline, Serena, Selena e Daniel, já que Chris, Yuri e William andavam bem na nossa frente falando baixinho.

- Nossa que legal! Estamos todos na mesma turma de cálculo e biologia! — Chris veio correndo contar a notícia.

— Que bom! — Comemoramos enquanto entrávamos na sala em que teríamos aula de biologia. Sentamos em lugares próximos uns dos outros e fizemos careta quando Mandy e Stacy entraram na sala de aula tão esnobes e ridículas como no ano passado.

Meu olhar acabou focando-se na cadeira vazia do outro lado da sala. Aquele lugar costumava ser do Michael.

Lembrei-me do seu olhar distante no começo do ano e dos seus momentos melancólicos. Parecia que um filme daquela época rodava dentro da minha cabeça.

— Acho que o Danny gosta de você.

— O que? — Voltei-me para Caroline, ainda meio desligada.

— Nada não, esquece. — Ela me deu um sorriso e virou-se para frente. Tentei me conter mas meu rosto acabou virando-se na direção da carteira vazia.

Suspirei, sentindo falta dos olhos brilhantes e da calmaria que me inebriava quando Michael estava por perto.

E mesmo sabendo que nada disso voltaria mais, que eu era uma idiota por gostar tanto de alguém que parecia não dar a mínima para mim, eu ainda o amava e amava muito.

O cara que me proporcionava paz e tranquilidade agora me proporcionava pesadelos e choro sem fim. O mesmo cara que me dava paz, foi o mesmo que acabou tirando-a de mim.

Mas eu seguiria em frente. Porque eu morreria se não tentasse. Ou acabaria morrendo tentando.

Notas finais
Como vocês puderam ver, o Michael não apareceu neste capítulo, o Jeremy foi para a faculdade (mas não sumirá da fic) e a Ever e os amigos começaram o último ano do colegial. No próximo capítulo, terá uma passagem de tempo de 5 anos que é quando as coisas começarão a acontecer. É bem provável que nosso anjinho já apareça no próximo capítulo e um possível reencontro entre ele e a Franjinha mexam com tudo o que viveram no passado.
Mas nada será fácil para eles e vocês entenderão melhor tudo no próximo capítulo.
E também tem a caixa de madeira que o Michael deu para ela. Posso adiantar que essa caixa praticamente vai salvar o dia. Vocês só saberão mais sobre isso na reta final da fanfic rs
Sei que esse capítulo ficou bem paradinho mas esse foi o capítulo crucial para que as mudanças possam vir a acontecer. Esse capítulo é a chave para as coisas que acontecerão daqui pra frente. Os próximos serão bem agitados, prometo.
AH! Amanhã responderei as reviews recebidas do capítulo passado ok? Minha internet está um LIXO HOJE por causa do tempo ruim que está fazendo agora.
Não deixem de comentar o capítulo e não deixem de entrar no grupo da fic. Estou mantendo-o atualizado constantemente com datas de postagem e essas coisas.
Comentem bastante ok? Isso me anima muito!
Fiquem com Deus, até a próxima!