A Vocalista Da Banda Do Meu Irmão

34 Capítulo 33 - Despedida


Notas iniciais
Olá meninas, tudo bem?
Primeiramente eu quero agradecer pela recomendação que recebi da Sonhos de Inverno. Muito obrigada minha liiinda *-*
Agora, me dêem os parabéns HSUAHUSA Fiz aniversário dia 14 de maio uhuuul
Espero que vocês gostem desse capítulo e não me matem pelo final por favor.
PS: ESSE CAPÍTULO TERÁ 3 MUSICAS. É RECOMENDÁVEL OUVIR AS MÚSICAS ENQUANTO ESTIVER LENDO. A PRIMEIRA MUSICA, É HERE'S TO NEVER GROWING UP DA AVRIL LAVIGNE ENTÃO, QUANDO A PRIMEIRA TRADUÇÃO APARECER EM ITÁLICO VCS SABEM QUE É ELA. DEPOIS, SHADOW'S OF THE NIGHT DA ASHLEY TISDALE E POR ÚLTIMO STAY WITH ME DO DANITY KANE.
AO FINAL DO CAPÍTULO, LEIAM AS NOTAS FINAIS!
Tenham uma boa leitura

Ever narrando:

- Para de palhaçada, Chris! — Bradou Caroline, jogando o travesseiro que repousava atrás de sua cabeça bem em cima do Chris.

- E não é verdade? Você só vive agarrada com o Jeremy! — Chiou, devolvendo a travesseirada que recebeu, acertando em cheio o rosto da loira.

Eu e Caroline fomos convidadas pelo próprio Chris para passarmos um dia em sua casa, já que Yuri e Selena haviam saído. Os dois estavam ficando. Quanto a Serena, estava na casa de sua tia e nem ela e nem Chris haviam saído do estágio da amizade.

- Isso é mentira! — A loira retrucou.

- Ai chega! — Bati com as mãos em cima da escrivaninha de Chris, interrompendo a discussão. — Ao invés de ficarmos falando da Caroline, porque você não nos conta como anda a Serena? — Dei um sorriso irônico e pude ver Chris fazer uma cara feia. Caroline soltou uma risadinha bem irritante quando Chris virou o rosto para o lado, demonstrando claramente o quanto havia ficado aborrecido com a pergunta.

- Rola um clima entre a gente mas ela sempre se afasta. Eu não sei se ela sente algo por mim. — Mandei um olhar cheio de significados para Caroline, incentivando-a a falar. Ela era especialista nesses assuntos.

- Talvez ela tenha medo de se envolver. Você sabe se ela já sofreu alguma decepção amorosa? — Naquele momento, Caroline parecia uma psicóloga experiente. Vivo dizendo para ela que sua vocação é fazer psicologia mas ela ainda não havia decidido o que faria quando chegasse a época da faculdade, que não faltava muito, já que estávamos terminando o segundo ano.

- Sim, ela me disse que o ex dela a fez sofrer muito mas eu não sei bem o que aconteceu, ela não gosta de lembrar disso.

- E porque você não diz a ela o que sente? — Perguntei só para me entrosar no assunto e recebi um olhar aprovador de Caroline. Olhei para ela sem entender.

- Porque eu tenho vergonha. — Confessou meu melhor amigo, olhando para baixo.

- Engraçado... na época que você gostava da Mandy você vivia dando em cima dela na maior cara de pau! — Dei uma risada baixa ao final da frase.

- Agora é diferente...

- O que mudou? — Boa pergunta, Caroline!

- Tudo! Meus pensamentos e até mesmo o meu modo de agir. Eu gosto mesmo da Serena e não quero estragar tudo apressando as coisas. — Nós duas sorrimos com o jeito com que Chris falava de Serena.

- Acho que você deve conversar com ela e dizer tudo o que está sentindo. Diga que não vai machucá-la e que vai entender se ela não sentir o mesmo que você. Uma boa conversa é o que vocês dois precisam. — Eu disse, me sentindo uma expert no assunto.

- A Ever está certa! — Caroline me apoiou.

- Então amanhã eu e ela iremos conversar! — Chris estava animado.

- É isso aí! — Comemoramos.

- Que tal assistirmos um filme? — Sugeriu Chris.

- Boa idéia! — Eu e Caroline falamos juntas e caímos na risada.

- Então veremos O Diário da Princesa! — Chris se levantou sorridente, já se preparando para pegar o filme.

- De novo esse filme? — Perguntei indignada. Chris amava aquele filme e sempre que podia, o alugava para assistir.

- Esse filme é VIDA! — Os olhos de Chris chegavam a brilhar de admiração.

- Você não se cansa disso, hein? — Reclamou a loira.

- Se você escolheu o filme então eu vou fazer a pipoca! — Saí correndo do quarto de Chris sabendo que os dois me seguiriam.

- Não mesmo, Ever! Você não sabe fazer pipoca! — Ouvi a voz de Chris bem atrás de mim.

- Mas é claro que eu sei! — Retruquei, entrando na cozinha.

- Não sabe não! — Os dois chegaram esbaforidos na cozinha, pegando o saquinho de milho de pipoca — que eu havia acabado de pegar — da minha mão.

- Você NÃO sabe cozinhar, Ever! — Bufei impaciente.

- Façam logo isso então. Eu vou colocar o filme. — Falei, me retirando.

Eu tinha certeza de que aquela tarde seria muito agradável. Regada a muitas risadas, eu e meus amigos realmente sabíamos fazer jus ao significado da palavra amizade.

(...)

Meu sono era leve naquela noite. Foi somente por isso que eu escutei um barulho estranho na janela do meu quarto e abri os olhos.

Levantei da cama e acendi a luz, caminhando até a janela e abrindo-a na mesma hora. Olhei para baixo, deparando-me com Michael, que segurava pedrinhas em suas mãos

- O que você quer? — Falei baixinho, pois todos em minha casa já dormiam.

- Vamos sair! Se arrume e pegue a peruca da Claire! — Ele só podia estar brincando comigo!

- Ficou louco? Meus pais estão dormindo! — Me debrucei na sacada do meu quarto, olhando-o como se ele fosse um alien.

Anjinho apenas soltou uma risada não se afetando com meu histerismo.

- Anda logo, Franjinha. Vamos fazer algumas loucuras! — Uma brisa fria soprava meu rosto mas não era esse o motivo dos arrepios que eu sentia. O olhar de Michael somado ao sorriso torto que ele esboçara era capaz de me enfeitiçar.

- Tudo bem. Espere um pouco e eu já desço. — Ele assentiu e eu voltei para o quarto, caçando uma roupa legal para vestir. Coloquei um short jeans estiloso, meia-calça preta e botas da mesma cor. Peguei também uma blusa branca escrita Cross my heart em preto. Posicionei a peruca da Claire em minha cabeça e me maquiei.

Devidamente arrumada, coloquei uns travesseiros em cima da minha cama, cobrindo-os com meu edredom. Saí de casa sem maiores problemas, encontrando Michael parado em frente ao seu carro com os braços cruzados.

- Linda como sempre! — Disse ele assim que eu me aproximei, dando-me um beijo rápido.

- Onde nós vamos?

- Fazer a despedida da Claire.

- Despedida? — Franzi o cenho.

- Iremos nos apresentar num pub. — Falou despreocupadamente enquanto eu arregalava os olhos.

- Mas... a gente nem ensaiou! — Estrilei.

- Calma! Vai dar tudo certo. — Ele deu um sorriso, brincando com uma mecha do meu cabelo loiro falso.

- Assim eu espero! — Entramos no carro e seguimos para o tal pub conversando sobre vários assuntos diferentes. O pub não era tão longe. Olhei meu relógio de pulso que marcava exatamente 21:15 da noite quando Michael parou o carro. Surpreendendo-me totalmente, vi Anjinho pegar no banco de trás seu violão e uma peruca preta de cabelos cumpridos, colocando-a em sua cabeça juntamente com um bigode falso ridículo. Eu ri de sua cara sem nenhum pudor ou receio.

- De agora em diante, eu me chamo David Bouvier. — Balancei a cabeça negativamente, ainda rindo um pouco.

- Porque você precisa de um disfarce? — Ainda rindo, fiz a pergunta que não saía da minha cabeça.

- Para tornar tudo mais divertido. — Piscou o olho antes de sair do carro, já disfarçado. Eu o acompanhei, achando aquela idéia toda muito louca.

Passamos por alguns bêbados e entramos no tal pub. Uma banda tocava um rock muito mal e a vocalista desafinava a cada dois minutos, berrando de forma grotesca e se achando a rainha do rock.

Para completar, o guitarrista errava todos os acordes da música. A platéia só não vaiava porque pareciam estar bêbados demais para fazer qualquer outra coisa além de beber.

- Nossa... — Comentei, fazendo uma careta enquanto andava. Eu queria furar meus tímpanos somente para não ter que ouvir mais a voz daquela garota. Era irritante.

Bem acima da banda, uma faixa colada na parede explicava o que eu e o Michael fazíamos ali:
"Faça a sua apresentação. O melhor ganha 500 dólares."

- Tudo por dinheiro, hum? — Debochei de Michael, recebendo um olhar torto de volta.

As poucas pessoas que ainda estavam sóbrias pareciam que iam sair correndo a qualquer momento. Também, aquela banda que se apresentava era horrível. Não tinha como gostar daquilo sem querer arrancar os ouvidos.

Michael (ou David) me conduziu até um balcão, onde um homem carrancudo repleto de acessórios de caveira — e com tatuagens em várias partes do corpo — estava sentado.

- Nós somos da banda Bloodstream. Viemos nos apresentar. — Michael se debruçou no balcão e sorriu. Eu permaneci ao seu lado, meio desnorteada. Como assim "Banda Bloodstream?" A banda não tinha acabado?

Eu ia verbalizar meus pensamentos, mas uma voz muito conhecida surgiu bem atrás de nós, interrompendo-me.

- Eu acho que não fiquei bem com essa peruca loira... — Michael riu e eu me virei, arregalando os olhos ao reconhecer o garoto "loiro" que havia parado bem na minha frente.

- Jeremy? — O que o meu irmão fazia ali? Ainda mais disfarçado com uma peruca loira?

- Oi, maninha. — Sorriu ele.
— Alguém pode me explicar o que está acontecendoo? — Pedi, reconhecendo William — que se aproximava de nós — com uma peruca preta e um cavanhaque mal colocado. Dessa vez Sebastian havia ficado em casa. Logo atrás dele vieram Rafael, Daniel e Paul, também disfarçados com uma peruca de cabelos castanhos enorme, uma outra ruiva e uma loira, respectivamente.

- Michael teve a brilhante idéia de unir a banda novamente por uma noite, já que alguns de nós irão para a faculdade em breve. A idéia do disfarce acabou sendo aprovada por todos por ser algo bastante divertido. — Rafael me explicou a situação com um sorriso largo em seu rosto. Eu sorri também, achando legal que os meninos estivessem conversando comigo depois de tudo o que aconteceu.

- Banda Bloodstream? Vão se preparando que vocês são os próximos! — O gorducho mal encarado nos avisou.

- Olá gente! — Dei um grito entusiasmado ao ver Caroline, Chris e Yuri debaixo de perucas rosa, verde e azul. As mesmas que usaram na festa da Mandy. Aqueles três não são nada discretos. Nos abraçamos animadamente.

- Eles farão backing vocal para você, Ever. — Disse Daniel.

- E que música iremos cantar? — Perguntei.

- Estávamos pensando em cantar Here's to never growing up da Avril Lavigne e deixar alguma de reserva. — Anjinho disse, coçando a barba falsa.

- Podíamos deixar Shadows of the night da Ashley Tisdale de reserva. — Sugeri.

- Aquela música do filme Picture this? — Paul perguntou.

- Essa mesmo!

- Por mim... tudo bem! — Os outros concordaram com o William.

- Adoro essa música da Ashley Tisdale! — Disse Yuri empolgado.

A banda que tocava saiu do palco (finalmente!) então, nós subimos no mesmo. Cada um arrumou seu instrumento e Caroline, Chris e Yuri fizeram o mesmo com os microfones. Fui até o centro do palco e tirei o meu microfone do pedestal. A platéia atenta olhava para nós (pelo menos pareciam olhar já que a maior parte do público já estava bêbada).

Cantando Radiohead com toda força dos nossos pulmões

Com a caixa de som retumbando

Enquanto estamos nos apaixonando

Temos uma garrafa de sei lá o quê

Mas está nos deixando bêbados

Cantando, "um brinde para nunca crescermos"

Dessa vez, comecei a cantar música sem me comunicar com a platéia. Faria isso no final da apresentação. Comecei a balançar meu corpo timidamente de um lado para o outro, tentando passar um pouco de confiança para o público. Isso era bastante importante. Meus três amigos faziam pequenos passinhos de dança e vez ou outra mexiam com os braços, incentivando a platéia a bater palmas no ritmo da música. Deu certo!

Chamar todos os nossos amigos
Ir com tudo nesse fim de semana, sem nenhuma razão
Eu não acho que vamos mudar
Te encontrar no ponto, às 10:30
Nunca paramos e nunca vamos mudar

Logo, todas as pessoas do pub batiam palmas. E conforme o tempo foi passando, comecei a me soltar mais, andando pelo palco e sorrindo para as pessoas. Na hora de fazer o backing, meus amigos não deixavam a desejar. Nem sabia que eles eram tão afinados e desinibidos desse jeito!

Fique, você não vai ficar para sempre? Fique
Se você ficar para sempre
Hey, podemos ficar jovens para sempre

Quando comecei a cantar o refrão, eu me empolguei de verdade. A platéia acabou se empolgando junto e até mesmo aqueles que estavam bêbados se levantaram e começaram a se amontoar perto do palco, gritando, dançando e batendo palmas. Todos ali dentro já nos acompanhavam, entrosados com a música que tocávamos.

Cantando Radiohead com toda força dos nossos pulmões
Com a caixa de som retumbando
Enquanto estamos nos apaixonando
Temos uma garrafa de sei lá o quê
Mas está nos deixando bêbados
Cantando, "um brinde para nunca crescermos"
Correremos pela rua gritando "vá se danar"
Eu falo, "é, tanto faz, ainda vivemos assim"
Quando o sol se por, levantaremos nossos copos
Cantando "um brinde para nunca crescermos"
Oh woah, oh woah um brinde para nunca crescermos
Oh woah, oh woah um brinde para nunca crescermos

Os meninos tocavam com tanta concentração, com tanta determinação... O talento nato que eles tinham era enorme e eu sabia que o futuro deles na área da música seria promissor. Olhei para Michael e dei um sorriso de canto ao vê-lo tocando a guitarra, mexendo o pé e balançando a cabeça, fazendo com que a grande cabeleira preta de sua peruca balançasse para lá e para cá.

Vivemos como rock stars
Dançando em todos os bares, isso é o que somos
Eu não acho que vamos mudar
Eles dizem, apenas cresçam, mas eles não nos conhecem
Não damos a mínima e nunca vamos mudar

Pulando no ritmo da música, cheguei perto dos meus amigos, fazendo os passinhos de dança que eles haviam inventado. A platéia nos imitava e alguns até riam, divertindo-se com nossas palhaçadas. Ali, no palco, eu tive a confirmação de que eu precisava. Eu nasci para ser cantora e nada me faria desistir de realizar o meu sonho.

Fique, você não vai ficar para sempre? Fique
Se você ficar para sempre
Hey, podemos ficar jovens para sempre

Voltando para o centro do palco, coloquei meu microfone de volta no pedestal para poder bater palmas. O público continuava nos acompanhando e a energia do pub pareceu mudar. Não sabia dizer se era o entrosamento que estávamos tendo ou se era a magia de uma boa música. Talvez a combinação dos dois fatores.

Cantando Radiohead com toda força dos nossos pulmões
Com a caixa de som retumbando
Enquanto estamos nos apaixonando
Temos uma garrafa de sei lá o quê
Mas está nos deixando bêbados
Cantando, "um brinde para nunca crescermos"
Correremos pela rua gritando "vá se danar"
Eu falo, "é, tanto faz, ainda vivemos assim"
Quando o sol se por, levantaremos nosso copos
Cantando "um brinde para nunca crescermos"
Oh woah, oh woah um brinde para nunca crescermos
Oh woah, oh woah um brinde para nunca crescermos

Olhei para meu irmão e dei uma pequena risada, lembrando-me de que mesmo estando de Claire Collins ali em cima daquele palco, Jeremy e todos os outros sabiam que eu era a Ever Williams e agora, conseguiam me aceitar.

Fique, você não vai ficar para sempre? Fique
Se você ficar para sempre
Hey, podemos ficar jovens para sempre

Naquela altura do campeonato, todos já cantavam a música a plenos pulmões, até mesmo aqueles que não conheciam a música já haviam gravado o refrão. As palmas eram sincronizadas, cada acorde que saía dos instrumentos dos meninos era cheio de harmonia e todo o lugar estava repleto de animação.

Cantando Radiohead com toda força dos nossos pulmões
Com a caixa de som retumbando
Enquanto estamos nos apaixonando
Temos uma garrafa de sei lá o quê
Mas está nos deixando bêbados
Cantando, "um brinde para nunca crescermos"
Correremos pela rua gritando "vá se danar"
Eu falo, "é, tanto faz, ainda viveremos assim"
Quando o sol se por, levantaremos nosso copos
Cantando "um brinde para nunca crescermos"
Oh woah, oh woah um brinde para nunca crescermos
Oh woah, oh woah um brinde para nunca crescermos
Oh woah, oh woah um brinde para nunca crescermos
Oh woah, oh woah um brinde para nunca crescermos

Balancei meus braços de um lado para o outro, sabendo que logo, a música acabaria. Assim que a música acabou, todos começaram a nos aplaudir fervorosamente, pedindo que cantássemos outra música.

Surpreendendo a todos, eu tirei a peruca da minha cabeça, soltando meus cabelos na mesma hora. Um burburinho se fez presente quando isso aconteceu.

- Há um tempo atrás, eu queria muito entrar numa banda. Só que não me queriam nela. Alguém me fez acreditar que a única maneira de ser aceita era colocando este disfarce. Hoje eu percebo que nunca precisei disso para entrar numa banda. Ser a Claire Collins foi muito divertido e é uma pena que essa jornada da minha vida tenha que acabar tão cedo. Muitos desconhecem a minha trajetória e todos aqueles que a conhecem, sabem que eu não vou desistir. — As pessoas sorriram e voltaram a aplaudir, assoviando quando terminei de falar. — Eu gostaria de cantar uma música sendo eu mesma, Ever Williams. Vocês topam? — A galera gritou sonoros "sim" e aquilo me deixou muito feliz.

Me virei para os meus amigos, dando o comando para que começassem a tocar a música.

Jeremy começou com um pequeno solo de bateria. Depois, Daniel começou a tocar sua guitarra, que fazia a base e Michael entrou um tempo depois, com um solo de guitarra. Comecei a cantar assim que o solo acabou, entrando diretamente no refrão, exatamente como fazia a Ashley Tisdale. Não podia me dar ao luxo de mudar alguma coisa na música afinal, não havíamos ensaiado.

Nós estamos correndo com as sombras da noite
Então, amor, pegue a minha mão, você vai estar bem
Entregue todos os seus sonhos pra mim esta noite
Eles se tornarão verdade no final

Eu adorava a letra daquela música por isso, me soltei bastante, caminhando pelo palco e me entrosando mais com os meninos dessa vez. Michael e eu sorrimos um para o outro e acenei para Daniel, que deu uma risada, já que não podia retribuir o aceno. O público estava mais empolgado ainda e quando comecei a dar pulos, eles pularam junto comigo, me deixando cada vez mais empolgada.

Você disse — Oh, garota, é um mundo frio
Quando você guarda tudo isso pra você mesma
Eu disse "você não pode esconder dentro
toda a dor que você já sentiu"
Resgate o meu coração, mas amor, não olhe pra trás
Porque não temos ninguém mais

Eu cantava com muita vontade e com muita firmeza. Em nenhum momento, a minha voz falhou ou titubeou. Naquela noite eu tinha certeza de que eu havia sido feita para cantar.

Nós estamos correndo com as sombras da noite
Então, amor, pegue a minha mão, você vai estar bem
Entregue todos os seus sonhos pra mim esta noite
Eles se tornarão verdade no final

Comecei a pular enquanto a galera me acompanhava. Aproveitei que o microfone que eu usava era sem fio para descer do palco e interagir com a platéia. Eles abriram espaço para que eu pudesse passar e eu subi em uma mesa vazia, dançando como se não houvesse amanhã.

Você sabe que às vezes isso parece que
Tudo está se movendo muito rápido
Use todo alibe e palavras que você nega
Esse amor não é significativo para durar
Você pode chorar, amor, está tudo bem
Você pode me colocar pra baixo facilmente, mas não essa noite

A galera assoviava, gritava, batia palmas e dançava junto comigo. Eu desci da mesa, parando perto de um grupo de meninas animadas e continuei cantando, mexendo meu corpo de um lado para o outro como elas faziam. No palco, meus amigos também haviam se soltado e as perucas não estavam mais em suas cabeças.

Nós estamos correndo com as sombras da noite
Então, amor, pegue a minha mão, você vai estar bem
Entregue todos os seus sonhos pra mim esta noite
Eles se tornarão verdade no final

Michael começou a fazer um solo de guitarra assim que terminei de cantar o refrão. A galera se empolgou ainda mais quando isso aconteceu. Anjinho começou a pular enquanto tocava a guitarra e eu dei gritinhos empolgados, voltando a subir no palco assim que o seu solo acabou.

Nós estamos correndo com as sombras da noite
Então, amor, pegue a minha mão, você vai estar bem
Entregue todos os seus sonhos pra mim esta noite
Eles se tornarão verdade no final

Fazendo um sinal discreto para a banda, pedi que eles finalizassem a música antes, já que a música era grande. Eles entenderam na hora o que eu quis dizer e então, finalizamos a música sem nenhum problema. A galera nos aplaudiu com empolgação e nós sorrimos satisfeitos, agradecendo antes de sairmos do palco.

- Que irado! — Gritou Paul assim que descemos do palco.

- Foi demais! — Os olhos de Caroline, Chris e Yuri brilhavam.

- Foi mais que demais! — Chris acrescentou.

- Vão anunciar os vencedores, fiquem quietos. — Disse Jeremy.
Uma mulher ruiva e muito bonita subiu no palco. Alguns engraçadinhos começaram a assoviar enquanto a mesma se posicionava em frente ao pedestal do microfone.

- Que noite animada, não? Agora, anunciarei os vencedores. — Ela deu uma risada. — E os vencedores do prêmio de 500 dólares são... A BANDA BLOODSTREAM! — A apresentadora deu uns pulinhos, animada demais. Comemoramos e subimos no palco, pegando nosso prêmio enquanto a galera vibrava com a gente.

Ficamos ali no pub por mais um tempo, apenas conversando antes de Michael me puxar pela mão e me levar para uma praia.

Tirei os sapatos e a peruca loira, jogando tudo na areia, sentindo um alívio enorme. O contato da areia macia com os meus pés era super relaxante. Percebi que Michael fazia o mesmo que eu, rindo de um jeito super fofo. A noite estava fria e eu sabia que não demoraria tantos dias para nevar, apesar de saber que em San Francisco não nevava tanto quanto em outros lugares.

Era noite de lua cheia e o mar estava tão calmo quanto aquela noite serena.

- A água deve estar uma delícia! — Olhei para Michael como se ele fosse um E.T.

- Pirou o cabeção, foi? — A água deve estar super fria! Tremo só de pensar.

- Vamos dar um mergulho. — Anjinho me lançou um olhar travesso. Imaginando o que ele iria aprontar, saí correndo e gritando.

- Não Michael, por favor! Está muito frio! — Michael me pegou pela cintura, rodopiando-me antes de me pegar no colo. Entrou na água mesmo sob os meus protestos e mergulhou comigo em seu colo. A água estava mesmo congelante.

- Você é louco? — Esbravejei, tremendo de frio. Quando ele riu da minha cara, eu dei um soco fraco em seu peito.

- Leve na esportiva, Franjinha. — Ele me puxou em sua direção, roçando seu nariz no meu. Toda a minha irritação se dissipou com o seu feito.

Não demorou muito para que nos beijássemos. Envolvi minhas pernas em sua cintura, aprofundando o beijo. Naquele momento, nem o frio que eu sentia estando parcialmente submerssa naquela água fria me faria parar.

Nos separamos apenas o suficiente para respirar antes de voltarmos a nos beijar. Eu já não sentia mais frio e tenho certeza de que Michael também não, pelo jeito com que apertava minha nuca e sugava meu lábio inferior. Saímos da água e nos deitamos na areia, lado a lado. Não proferimos nenhuma palavra, apenas observávamos o vasto céu estrelado. Eu sorria muito, admirada com a natureza. Era tudo muito belo.

- Do que você está rindo? — Sobresaltei ao ouvir a voz de Michael bem ao meu lado. Olhei para o seu rosto, vendo o quanto Michael ficava lindo com os cabelos molhados. Seus olhos sempre tão cristalinos, pareciam mais claros naquela noite.

- Eu não sei... Tudo o que tem acontecido na minha vida é tão... surreal! Parece que estou vivendo um sonho muito bom e que logo alguém vai me acordar mandando-me parar de imaginar coisas tão idiotas. — Eu olhava para o céu enquanto falava. — Nunca imaginei que eu pudesse estar com você aqui, agora. Gostaria que este momento durasse para sempre, que fosse infinito como o céu. — Soltei um suspiro e quando voltei meus olhos para Michael, percebi que os olhos dele pareciam estar marejados.

- Se você não quiser, esse momento não precisa acabar. Você pode visitá-lo nas suas lembranças. — Ele sorriu, um sorriso estranho e se levantou. — Vamos, já está tarde. — Assenti, pegando minhas coisas e seguindo-o até o pub, onde o carro estava. O estado de nossas roupas era deplorável.

Entramos no carro e Michael ligou o aquecedor, amenizando o frio que sentíamos. Em todo o trajeto, a única coisa que ouvi foi o som do motor do carro ligado. Anjinho havia ficado estranho de uma hora para outra e eu queria saber o porquê.

Assim que o carro parou em frente a minha casa, Michael se livrou do cinto de segurança, pegando em minha mão e olhando no fundo dos meus olhos com um olhar entristecido.

- Ever, me prometa que nunca vai se esquecer do que eu sinto por você. — Um mau presságio surgiu dentro do meu peito assim que eu ouvi a primeira frase que saíra dos seus lábios. — Eu... sinto muito. Cuide-se, eu amo você. — Ele se curvou em minha direção, dando-me um beijo desesperado. Senti um gosto salgado em minha boca e logo descobri que eram lágrimas do Michael. Tentei me separar dele para perguntar o que estava acontecendo mas Anjinho me apertava com uma força descomunal contra si. Ele explorava cada cantinho de minha boca como se quisesse gravar cada detalhe e eternizá-lo em sua mente. De alguma forma, dentro do meu peito, eu sabia que aquele beijo era uma despedida.

Meu coração se apertou quando nos separamos, completamente ofegantes. Michael enxugou algumas lágrimas de seus olhos e me abraçou apertado.

- O que está acontecendo? Porque você está chorando? — A agonia no meu peito crescia cada vez mais.

- Eu não sei, é bobeira minha, não se preocupe. — Ele deu um beijo em meus cabelos. — Eu amo você. Por favor, tente se lembrar disso. — Mais um beijo desesperado. — Tchau Ever, se cuide. — Meu desespero crescia cada vez mais. Anjinho não estava bem. Me soltou com uma expressão desolada em seu rosto.

- Eu também te amo. — Meus olhos encheram-se de lágrimas mesmo sem um motivo concreto para isso. — Até amanhã. — Quando disse isso, ele pareceu ficar ainda mais triste. Olhei para seu rosto mais uma vez, tentando entender o porque de estar sentindo tanta angústia. Eu sabia que tinha que falar alguma coisa e fazer aquele momento durar, mas eu não consegui. Saí do carro, me sentindo como uma derrotada. Fiquei ali na calçada olhando o carro de Michael se movimentar e só entrei em minha casa quando ele sumiu do meu campo de visão.

Alguma coisa muito ruim estava prestes a acontecer, eu sentia isso. Tudo parecia estar bem e agora... começava a virar de cabeça para baixo.

Entrei em casa e subi para o meu quarto, tentando pensar positivo. Tudo ficaria bem. Era naquela frase que eu havia depositado todas as minhas fichas, mesmo sabendo que lá no fundo, eu tinha consciência de que iria perder.

(...)

Assim que abri meus olhos naquela manhã eu sabia o que iria fazer. Eu iria até a casa do Michael, me certificar de que tudo estava bem.

Fui até o andar de baixo, pegando no meio o que parecia ser uma conversa de meu pai ao telefone com Alfonso.

- Tudo bem, enviarei hoje mesmo os papéis da Escola de Artes para o seu e-mail. Boa sorte na França, Alfonso. Tchau. — Franzi o cenho, sem entender porque o Alfonso estava indo para a França.

- Ever querida... — Papai veio me abraçar e eu, confusa, retribuí o abraço. — Deve estar sendo difícil para você toda essa situação. — Me separei de papai, olhando-o confusa.

- Do que você está falando?

- O Michael não te contou? — Senti um enorme arrepio nessa hora.

- Não me contou o que?

- Alfonso e ele estão de mudança para a França. É bem capaz dos dois já estarem a caminho do aeroporto. Parece que a tia dele por parte de pai, está bancando toda a mudança. Tudo para que Michael faça seu tratamento para Leucemia. Estava falando com o Alfonso agora no telefone, ele irá administrar a Escola de Artes lá da França. — Parecia que haviam acabado de me dar um soco no estômago. O ar faltou, meu peito parecia querer explodir e por um momento eu pensei que o chão havia sumido dos meus pés.

- Eu... preciso... sair... — Falei com a voz entrecortada, saindo de casa e ignorando os chamados de meu pai. Eu corria desesperadamente pelas ruas sem realmente acreditar no que meu pai havia me dito. Eu precisava confirmar, ver com meus próprios olhos e comprovar a verdade.

Já havia corrido algumas quadras quando ouvi a voz de Caroline. Olhei para o lado e vi seu carro parando próximo a mim (ela havia ganho um carro de sua madrinha).

- Ever! O que aconteceu? Estávamos indo em sua casa mas nós te vimos e decidimos parar. O que houve com você? — Caroline, Chris e Yuri estavam dentro do carro e me olhavam de um jeito preocupado.

- Acho que o Michael está indo embora. — Funguei, tentando a todo o custo não chorar.

- Indo embora? Pra onde? — Todos me olhavam com uma expressão confusa.

- Você pode me dar carona até a casa do Michael? — Perguntei a Caroline que assentiu.

- Claro, entra aí e conta direito essa história. — Entrei em seu carro, sentando no banco de trás, ao lado de Yuri.

- Ontem o Michael deu a entender que estava se despedindo de mim, falando coisas estranhas e chorando. Hoje de manhã, papai me disse que Alfonso e o Michael estão de mudança para a França para que Michael possa se tratar da Leucemia. Parece que a tia dele está bancando a mudança. Eles devem estar no aeroporto agora. — Encolhi meus ombros, com receio do que os meus amigos me diriam agora que já sabiam a história toda.

- O Michael não iria embora sem te avisar, Ever. — Disse Yuri.

- Todas as evidências me dizem o contrário, Yuri — Retruquei.

- Calma amiga! Talvez seja uma brincadeira de mal gosto. — A loira disse, parando o carro em frente a mansão do Michael.

Saí do carro vendo que meus amigos me acompanhavam e toquei a campainha, mas ninguém me atendeu.

- Parece que não tem ninguém em casa. — Disse Chris, chegando perto de mim.

- Eu vou pular o muro. — Falei decidida.

- Está na cara que ele não está ai, Ever.

- Tenho que ver com os meus próprios olhos. — Meus amigos suspiraram, sem nada a dizer. Eu tinha certeza de que naquele momento minha expressão facial era a de uma garota transtornada.

Pingos de chuva caem de todo lugar
Eu tento te alcançar, mas você não está aqui
Então eu continuei aqui, esperando, no escuro
Com sua foto, na minha mão
História de um coração partido

Assim que subi no muro da casa de Michael, eu me lembrei da primeira vez que fiz isso, no intuito de achar alguma coisa que o deixasse em maus lençóis. Mas a única coisa que achei além de um caderno repleto de músicas depressivas, foi uma fotografia de sua falecida mãe com ele e Alfonso.

Pulei o muro com uma facilidade incrível. Corri até uma janela de correr de sua casa. Como ela era transparente, deu para ver claramente a sala praticamente vazia. A única coisa que estava ali naquele cômodo era uma escrivaninha que nem ficava ali.

Meu coração quase parou.

Michael tinha mesmo me deixado.

- A casa está praticamente vazia. — Caroline quebrou o silêncio.

- Eu sei que é pedir muito mas tem como você me levar até o aeroporto? Se você não quiser, eu vou entender. — Os meus olhos ardiam com as lágrimas que eu prendia com afinco. Eu não sabia se sentia pena de mim mesma ou raiva.

- Tem certeza de que quer ir até lá? — Ela me perguntou.

- Tenho. Quero uma última prova. Eu preciso vê-lo, confrontá-lo, é a melhor maneira de resolver isso. — Os três não concordavam comigo, estava estampado em suas expressões.

- Tudo bem, eu te levo. — Sorri de um jeito nada feliz para a minha melhor amiga. Saímos da casa do Michael e voltamos para o carro.

Eu torcia para que Michael ainda estivesse no aeroporto quando chegássemos. Ainda não havia caído a ficha e eu tinha certeza absoluta de que ainda demoraria uns milênios para cair.

Fica comigo

Não me deixe ir

Porque eu não posso ficar sem você

Apenas fique comigo

E me abrace forte

Porque eu construí o meu mundo ao seu redor

E eu não quero saber como é sem você

Então fica comigo

Apenas fica comigo

No caminho, eu não proferi nenhuma palavra. Os outros também não. Acho que de alguma forma eles sabiam que se eu falasse, a vontade de chorar aumentaria. Mas sabe o que é pior? Eu ainda tinha esperanças de que aquilo tudo não passasse de uma pegadinha. O meu medo mesmo era de que tudo o que o meu pai falou fosse verdade, que Michael estivesse mesmo me deixando.

Ao meu lado, ouvi Caroline bufar. Só quando eu olhei para a frente foi que eu entendi o que estava acontecendo.

Estávamos presos em um engarrafamento.

O azar adorava me pregar peças e brincar com a minha desgraça.

No ritmo lento daquele trânsito infernal eu nunca conseguiria chegar no aeroporto a tempo.

- Droga. — Murmurei, colocando a metade da cabeça para fora da janela. Não faltava muito para chegar ao aeroporto então, sem mais nem menos, abri a porta do carro, deixando meus amigos gritando para trás. A única coisa que realmente me importava era chegar até o aeroporto.

Comecei a correr pela rua, fazendo um infinito zigue-zague entre os carros que ainda permaneciam parados. A adrenalina corria em minhas veias e quanto mais eu corria, mas a exaustão me dominava. A única coisa que me dava forças para continuar correndo, era a minha vontade de buscar respostas e eu sabia que a única pessoa que podia me fornecê-las estava prestes a embarcar em um vôo para a França.

Estou tentando e esperando, pelo dia
E meu toque é suficiente
Pra manter a dor longe
Porque eu tenho procurado por tanto tempo
A resposta está clara
Eu espero que não deixemos isso desaparecer

Eu já podia enxergar a fachada do aeroporto e quando pus meus pés nele, vi que estava lotado.

- Atenção passageiros do vôo com destino para Londres, embarque no portão 7.

Espremendo-me entre a multidão, eu tentava enxergar o Michael e seu pai. Eu mal conseguia sair do lugar e o desespero que eu sentia não me ajudava em nada.

- Atenção passageiros do vôo com destino para a França, embarque no portão 8.

Merda, era o vôo do Michael!

Comecei a correr novamente, mesmo estando no meio de várias pessoas. Meu coração batia depressa e eu suava frio de nervoso.

Acotovelei algumas pessoas na pressa e tropecei. Só não caí pois um senhor muito bondoso segurou-me pelo braço. Agradeci-o antes de voltar a correr em direção ao bagageiro, onde o fluxo de pessoas era menor. Parei para tomar fôlego e avistei há alguns metros de distância Michael e Alfonso, próximos ao portão de embarque.

Meus pés voltaram a correr, mesmo já estando cansados. Pulei uma corda de isolamento e ignorei os protestos de alguns guardas que começaram a correr atrás de mim.

- MICHAEL! — Gritei. Michael se virou e nossos olhares se encontraram, ambos se perdendo naquela infinita agonia.

Um guarda me agarrou pela cintura enquanto eu me debatia como um animal feroz.

Michael continuou me olhando, com uma tristeza infinita em seu olhar. Tentei entender porque ele estava me deixando, mas não consegui buscar nenhuma resposta para a minha pergunta.

Consegui me desvencilhar do guarda e continuei correndo. Em nenhum momento meu olhar se desvencilhou do seu e o mundo pareceu parar por uma fração de segundos. Os gritos dos guardas e os olhares de todas as pessoas que me olhavam como se eu fosse uma louca, pareceram ter sumido. Eu só enxergava o Michael em minha frente e era somente ele que eu queria enxergar.

Fica comigo

Não me deixe ir

Porque eu não posso ficar sem você
Fica comigo
E me abrace forte
Porque eu construí meu mundo ao seu redor
E eu não quero saber como é sem você
Então fica comigo
Apenas fica comigo

- Eu sinto muito. — Mesmo na distância em que nos encontrávamos, eu pude ler os seus lábios e decifrar a frase que ele havia me dito. Então, uma lágrima rolou de seus olhos antes dele se virar e seguir seu pai, até o portão de embarque.

Parei no meio do caminho. As lágrimas impedindo-me de enxergar com clareza o momento em que Michael me deu as costas e foi embora. Para sempre.

Só quando os guardas me seguraram de novo que tudo voltou ao normal.

- NÃO! — Eu chorava descontroladamente, me debatendo, gritando, esperneando. Michael não podia ir, não podia me deixar! Eu ainda tinha esperanças de que ele voltasse e viesse ao meu encontro mas os minutos se passaram e ele não apareceu.

Pela minha visão periférica, eu vi Caroline, Chris e Yuri chegarem, vindo ao meu socorro e pedindo-me calma. O guarda me jogou no chão e eu bati a minha cabeça no piso.

A escuridão me cegou momentâneamente.

Eu tenho procurado meu coração

Tantas vezes

Por você e eu, são como as estrelas que brilham no céu à noite

Nossa foto

Lembrando-me dos dias

Você me prometeu, nós sempre

Estaríamos juntos e nunca iríamos embora

Este é o porque de eu querer que você fique

(...)

Desnorteada, eu abri os olhos, percebendo que não havia ficado desacordada por muito tempo e que meus amigos explicavam a situação para os guardas. Chris era o único que me amparava e vendo que abri os olhos, me olhou aliviado. Antes que ele dissesse alguma coisa, eu me levantei e fui embora dali, ouvindo Chris gritar meu nome repetidas vezes e sendo ignorado em todas elas.

Eu só queria ir embora dali, ficar sozinha comigo mesma. Deixei que as lágrimas caíssem, desarmando todas as minhas defesas e desmanchando cada pedacinho de mim. Tudo doía dentro de mim e eu não sabia explicar como é que poderia caber tanto dor dentro do meu peito.

Fica comigo

Não me deixe ir

Porque eu não posso ficar sem você

Fica comigo

E me abrace forte

Porque eu construí meu mundo ao seu redor

E eu não quero saber como é sem você

Então fica comigo

Apenas fica comigo

As últimas palavras de Michael ainda ecoavam em minha mente, repetidas vezes.

Eu sinto muito. Eu sinto muito. Eu sinto muito. Eu sinto muito.

Parei em uma pracinha vazia e me sentei embaixo da sombra de uma árvore. Fechei os olhos e continuei chorando, sentindo meu peito se apertando cada vez mais, deixando-me praticamente sufocada. Parecia que eu estava sendo engolida por um buraco negro.

Abri os olhos e vi Caroline se agachar em minha frente e me abraçar apertado.

- Porque? Porque ele fez isso comigo? — Escondi meu rosto no pescoço de Carol, soluçando desesperadamente.

- Eu não sei amiga, mas eu prometo que vai passar. — Ela afagou os meus cabelos.

- E se não passar?

- Pode estar doendo muito agora mas eu tenho certeza de que o tempo vai curar todas as suas feridas.

Por mais que eu tentasse ser otimista, em meu íntimo eu sabia que aquelas feridas nunca seriam capazes de cicatrizar.

Eu ficaria machucada para sempre.

Oooo... Oh
Não vá
Então eu continuo esperando no escuro..
.

Notas finais
Sei que esse capítulo ficou bem triste e tals mas não sintam raiva do Michael ele realmente teve que ir embora, vcs vão saber o que aconteceu daqui há 4 capítulos a verdade não está tão longe de aparecer.
Agora a fic tomará um novo rumo e veremos uma Ever mais madura daqui há dois capítulos ou 3.
Meninas, não responderei hoje nenhuma review porque minha internet está PÉSSIMA e travando toda hora mas amanhã, conforme for, eu entrarei aqui só para responder os reviews e postar em Emergency que é a minha outra fic. Não se preocupem que não deixarei de respondê-las ok?
Por favor, não deixem de comentar a fic meninas sei que esse capítulo foi tenso mas lembrem-se de que tudo dá certo no final.
Tenham uma boa noite!