A Vocalista Da Banda Do Meu Irmão
30 Capítulo 29 - Abrindo os Olhos
Notas iniciais
Quero agradecer as meninas que continuam comentando e comentaram o capítulo passado, obrigada mesmo meninas é muito importante pra mim saber que tem gente que ainda tem comentado *u*
Por mais que eu me sinta desanimada, tenho a convicção de que não vou parar de escrever pra cá. Um objetivo que tenho é finalizar essa fic, que é realmente grande. E escrever pra cá é algo que me faz bem. Eu saio da minha realidade e entro no mundo dos meus personagens e é tão... perfeito. Eu amo escrever e não vou parar mesmo que eu esteja desanimada.
Obrigada de novo as pessoas que continuam lendo a fic *--------*
Esse capítulo creio eu que está ENORME, e muuitas emoções estão por vir!
Boa leitura!
PS: COLOQUEM A MUSICA GOOD ENOUGH - EVANESCENCE PARA TOCAR QUANDO A TRADUÇÃO APARECER EM ITÁLICO. É OPCIONAL, NÃO PRECISA NECESSARIAMENTE OUVIR A MUSICA SE NÃO QUISEREM.
O hospital de San Francisco mais próximo da Escola de Artes ficava há 20 minutos de distância. Chris dera entrada no hospital com alguns machucados pelos braços e pernas, que era o que estava me preocupando. Ele ainda não havia acordado.
Os médicos não nos davam nenhuma informação e eu estava uma pilha de nervos.
Em parte, pelo estado que eu e Michael encontramos o Chris e também porque eu tenho um palpite de quem fora a autora de toda aquela violência.
Stacy e talvez Mandy e companhia.
Se as minhas suspeitas se confirmarem, ela vai se ver comigo.
Pedi para que Michael ligasse para os pais do Chris, que vieram o mais rápido que puderam para o hospital.
Eu batia os meus pés no chão do hospital impacientemente, esperando que algum médico saísse de dentro do quarto de Chris e dissesse logo o que deveria ser dito. Odiava essa ansiedade toda!
Olhei de esguelha para Michael, que estava sentado do meu lado, inquieto e preocupado.
Ele parecia incomodado com alguma coisa.
Pensei em lhe perguntar o que estava lhe incomodando quando a médica que atendera Chris viera em nossa direção. Michael e eu e os pais de Chris nos levantamos ao mesmo tempo.
- Christian está fora de perigo, mas terá que ficar algumas horas em observação. Sua perna direita teve que ser engessada e os ferimentos que ele adquiriu não foram tão graves. Acredito que ele tenha inalado clorofila, por isso estava desmaiado. — Os pais de Chris suspiraram aliviados. — Vocês tem idéia de quem possa tê-lo machucado? — A atenção da médica, Sra. Bullock pelo que eu pude ver em seu crachá, voltou-se para nós.
- Na verdade, nós temos nossas suspeitas. — Todos os olhares se voltaram para mim.
- Ever, nós não temos certeza de nada! — Michael pegou em meu pulso, numa tentativa de me frear.
- Não temos certeza ainda! Você ouviu a Stacy ameaçando-o, estávamos todos lá, você a ouviu! — Soltei-me do aperto que ele exercia em meu pulso.
- Stacy não faria algo desse tipo. — Olhei incrédula para Michael. Ele estava mesmo defendendo aquela garota?
- Como pode ter tanta certeza? — Questionei-o.
- Eu a conheço, Ever! Mandy e Stacy podem ter diversos defeitos, mas eu sei que elas nunca fariam isso. — Eu estava perplexa. Como ele podia depositar tanta fé naquelas víboras?
Abri a boca para retorquir quando Isabel Rock, a mãe de Chris interrompeu-me:
- Eu vou fazer um BO na polícia, mas como não podemos sair acusando as pessoas sem provas, não vou falar nada sobre essa menina. Não se preocupem garotos, iremos descobrir quem fez isso com ele. — Estava claro como a água que ninguém estava acreditando no que eu dizia e isso me deixava transtornada.
Eu bufei, vendo Caroline, Serena e Selena entrarem em meu campo de visão, como foguetes apressados.
- Como ele está? — As 3 perguntaram em uníssono.
- Está bem, só teve que engessar a perna. — O pai de Chris, Dean Rock, respondeu, dando um sorriso amável.
- Eu vou matar aquelas desgraçadas! — Serena vociferou.
- Não sabemos se foram elas então, não podemos sair acusando. — Revirei os olhos com a resposta de Michael.
- Está na cara que foram elas! — Caroline retrucou. Legal, pelo menos elas concordavam comigo.
- Não temos provas! — Essa defesa toda de Michael estava começando a me irritar de verdade.
- Doutora, eu posso ver o meu filho? — Isabel perguntou.
- Claro que pode, mas tem que ser rápido, o horário de visitas está quase acabando. — os dois a seguiram pelo corredor estreito e eu e meus amigos saímos do hospital. Não poderíamos ver o Chris naquele dia.
No caminho de volta, um silêncio absoluto acabou proliferando, nos deixando incapazes de falar alguma coisa.
Serena, Selena e Caroline acabaram pegando um ônibus para suas casas e então sobrou Michael e eu. O silêncio não fora quebrado tão cedo.
Eu estava SUPER irritada com ele mas Michael pareceu não perceber nada. Estava distante, distraído, disperso. Quase me esqueci que eu estava irritada para perguntar o motivo dele estar daquele jeito.
Na porta da minha casa, Michael apenas buscou meus olhos na escuridão e esboçou um sorriso fraco.
Certo, ele estava tão distraído que se esqueceu da minha irritação. Parecia nem se lembrar que eu estava emburrada.
Levantei meu rosto, lhe entregando o que tanto procurava: Meus olhos.
Ele esboçou outro sorriso fraco e eu pisquei meus olhos, confusa demais com tudo o que estava acontecendo.
E olhando dentro de seus límpidos olhos verdes, eu pude sentir que havia alguma coisa errada. A irritação dissipou-se instantâneamente e eu tentava encontrar a minha voz, que estava perdida em sua própria confusão.
- Está tudo bem, Michael? — Ele enrugou a testa com a minha pergunta.
- Estou ótimo. — Definitivamente, Michael não sabia mentir. Sua resposta não tinha soado convincente.
- Tem certeza? — Insisti, assistindo-o revirar os olhos.
- Claro que tenho. — Ríspido, Michael depositou um beijo amargo em minha boca antes de sair apressado.
Fiquei parada na porta de casa por um bom tempo, apenas olhando Michael se distanciando naquela escuridão sombria. Desde o momento em que ele se afastou, eu senti que nada mais seria como antes. Tempos difíceis estavam por vir e eu não sabia se teria forças o suficiente para enfrentá-los.
Eu esperava do fundo do meu coração que eu fosse forte o suficiente.
(...)
- A Bloodstream foi chamada para tocar na festa da escola! — Jeremy veio animado contar a novidade para Caroline que estava bem do meu lado. Senti minhas mãos tremerem de nervoso com a notícia.
Estávamos no colégio, desfrutando de nosso precioso recreio. Se você pensou que Serena bateu em Stacy, pensou errado. Mas não foi por falta de tentativa. Tínhamos nos reunido antes de entrarmos no colégio e os meninos acabaram nos convencendo a ficarmos de bico fechado. Concordamos, mas por pouco tempo.
Michael estava frio e distante e quando foi em casa me buscar para irmos juntos ao colégio, apenas trocamos um selinho tão mecânico que parecia que ele tinha virado um robô. Perguntei se ele estava bem e ele me deu uma resposta atravessada que me deixou um tanto chateada com ele. Pensei em ir procurá-lo, principalmente quando Caroline e Jeremy começaram a se agarrar, comemorando que a banda iria se apresentar quando meu sangue ferveu com a cena que se desenrolava em minha frente:
Michael estava sorridente enquanto conversava com a Mandy, como se ele estivesse de bom humor e nada de ruim houvesse acontecido.
A vaca ele tratava com simpatia quanto a mim, eram só patadas!
Bufando feito um touro enfurecido, marchei na direção que os dois se encontravam, agora parados, perto de uma linda árvore que havia ali no campus.
Parei na frente dos dois, tentando enxergar através da raiva que eu sentia mas eu via tudo vermelho em minha frente. Pigarreei, chamando a atenção dos dois para mim.
- Preciso falar com você. — Enfiei minhas mãos trêmulas de raiva no bolso da calça jeans, para que ele não as visse tremendo. Mandy esboçou um pequeno sorriso debochado em minha direção e eu tentava não pensar no som que produziria se minha mão se chocasse contra o seu rosto.
- Espere um pouco. — Ele respondeu, sem emoção alguma. Só foi eu me aproximar dos dois para o humor dele mudar.
- Tem que ser agora. — Minha voz saiu esganiçada, denunciando minha irritação evidente. Mandy continuou com o sorriso debochado nos lábios e Michael bufou, fuzilando-me com os olhos.
- Deixe de ser criança, Ever! Você está começando a me irritar! — Eu estava incrédula com o modo como Michael estava me tratando. Eu me sentia magoada, traída, irritada... queria chorar e socar a cara dos dois tudo ao mesmo tempo.
- Porque está me tratando desta forma? Tenho mais direitos de sentir raiva do que você, não acha? — Cruzei os braços acima do peito e Michael virou-se para mim, com sua expressão de serial killer.
- Não se trata disso, Ever. Suas atitudes imaturas estão me dando nos nervos! — Sacudi a cabeça numa tentativa de afugentar as lágrimas e vi Michael suavizar a expressão que estava em seu rosto quando viu meu estado.
- Eu não sou imatura! Estou querendo conversar com você civilizadamente mas só tenho recebido patadas! — Guinchei, aumentando meu tom de voz.
- ME DEIXA EM PAZ! Conversaremos quando você crescer! — Nunca tinha visto Michael tão irritado em toda a minha vida. Sua expressão facial estava transtornada e eu fiquei ali parada em sua frente, sem ação. Estava assustada demais para conseguir me mover.
- Fique tranquilo, porque depois do que acabou de acontecer, não conversaremos nunca mais! — Virei as costas e comecei a correr, sem esperar pra ver a sua reação. As lágrimas já desciam livremente pelo meu rosto e eu não as impedia.
Naquele momento, eu estava me sentindo um lixo. Michael tinha me humilhado na frente da Mandy. Aliás, o que ele fazia com ela?
Entrei no banheiro feminino aos tropeços e fui direto para um reservado, fechando a porta do mesmo e ficando por ali, chorando feito uma garotinha indefesa.
Eu estava tão confusa... não sabia o que pensar direito. Michael e eu estávamos bem antes do Chris se acidentar! Droga, nós tínhamos acabado de nos reconciliar!
De repente, a imagem de Michael disperso, preocupado e distraído invadiu a minha mente.
Estaria ele passando por algum problema? Não fazia sentido que ele me tratasse daquela forma por causa de algo que estava acontecendo consigo.
Na noite de ontem, os olhos de Michael pareciam opacos e cheios de tristeza. A paz que me envolvia quando eu estava com ele não apareceu naquela noite. Logo depois, vieram as respostas atravessadas e o beijo amargo. Eu ainda podia senti-lo em minha boca.
Antes de tudo isso acontecer com o Chris, ele estava bem! Não haviam olhares opacos, distração e respostas atravessadas. Éramos apenas nós dois e mais ninguém.
O que estava acontecendo com ele?
O sinal tocou, trazendo-me de volta a realidade que insistia em me lembrar que eu ainda estava no colégio, com os olhos inchados, um coração despedaçado e uma cabeça embaralhada e confusa. Eu estava um caos.
Eu sinto medo. Muito, muito medo. Odeio me sentir como uma menininha indefesa!
Lavei meu rosto e saí do banheiro, correndo para a saída do colégio. Eu não iria ficar ali sabendo que eu teria que olhar para Michael e Mandy. Tinha medo de vê-los juntos pois eu não seria capaz de suportar tanta dor. Só de pensar nisso, parece que meu coração está sendo esmagado. Mas que tolice a minha... ele já estava esmagado, Michael fez questão de pisar em cima dele e dos meus sentimentos.
Assim que vi o portão aberto, saí correndo como uma destrambelhada e acabei trombando com alguém e caindo no chão.
- Williams... fugindo da escola! Tsc, tsc que feio. — Aquele não era o meu dia como praticamente todos os outros! O azar me perseguia como um felino experiente e sorrateiro.
Daniel sorriu, fingindo me olhar desaprovadoramente. Ele estendeu a mão para que eu a pegasse mas eu recusei, me levantando sozinha.
- Não estou com paciência para você, Daniel! — Esbravejei me sentindo exausta e exaurida. Não aguentava mais aquelas pessoas medíocres me provocando a cada segundo.
- Eita, que bicho te mordeu, Williams? — Não gostava da maneira suja que Daniel pronunciava o meu sobrenome.
- Você! — Seu sorriso se alargou com a minha resposta.
- Opa, não mordi não mas se você deixar...
- Chega! O que você quer? Não se cansa de infernizar a minha vida? — O interrompi antes que ele dissesse alguma gracinha.
- O que aconteceu com você? — Daniel me olhou preocupado, aproximando-se de mim. Olhei-o confusa. — Está chorando. — A ponta de seu dedo tocou de leve a minha bochecha, tirando a lágrima que estava ali. Eu nem percebi que ainda estava chorando.
- Eu estou bem. — Menti, me sentindo exatamente como o Michael naquele instante.
- E eu sou o Bon Jovi! — Ele fez uma careta engraçada antes de prosseguir: — O que aconteceu? — Fiquei olhando para Daniel por um tempo. Eu queria desabafar, mas com as minhas amigas e não com ele! O moreno deu um sorriso de encorajamento e de uma hora para a outra, eu senti que podia confiar nele.
- Michael está estranho e... — Eu e Daniel fomos para a famosa pista de skate que os meninos tanto falavam. Contei a ele tudo o que estava acontecendo desde a nossa reconciliação até a briga horrível que tivemos. Por incrível que pareça, eu me senti bem desabafando.
Daniel era um bom ouvinte.
- Então ele basicamente te humilhou na frente da Mandy? — Assenti com a cabeça, vendo-o ficar pensativo. — Eu sempre soube que o Michael era um idiota. — Eu apertei meus lábios e abaixei a cabeça, cabisbaixa.
- Hey, ele não merece uma lágrima sua, Ever. — Olhei surpresa para ele ao vê-lo pronunciar meu nome ao invés do "Williams" cheio de sarcasmo habitual.
- O problema, é que eu o amo, Daniel. Ele não sabe disso e provavelmente nunca irá saber. Estou muito chateada com ele... Acho que terminamos antes mesmo de construírmos algo mais sólido. Eu fiz algo de errado? Só nos desentendemos por causa do lance do Chris mas isso não é motivo para ele me tratar com estupidez. — Eu e Daniel suspiramos ao mesmo tempo.
- Você não fez nada errado. Ele é um idiota! Quem fica estranho do nada e arrastando as asinhas para a ex-ficante? — Ele bufou, irritado.
Sempre pensei que Michael e Daniel se davam bem mas acho que isso estava começando a mudar.
- Eu tenho que ir... — Eu disse, olhando a hora no meu relógio.
- Eu vou dar uma festa nesse fim de semana na piscina da minha casa as 14:00. Você está convidada. — Eu sorri, pegando um papel e anotando o endereço de Daniel nele, o guardando dentro da bolsa logo em seguida.
Ele tinha me ajudado, o mínimo que eu podia fazer era comparecer.
Me despedi dele e fui para a minha casa, ainda sem acreditar que eu tinha tido uma conversa decente com aquele descerebrado!
Entrei em meu quarto, tirando meu All Star, pegando o meu celular dentro da mochila e me jogando na cama de qualquer jeito.
Vi que tinham 3 mensagens não lidas. Cliquei na primeira, sentindo meu coração acelerar, pensando que pudesse ser de Michael mas soltei um suspiro decepcionado ao ver que não era dele a mensagem enviada. Na verdade, nenhuma das três era.
A primeira, era de Caroline:
Amiga, o que aconteceu? Onde você se enfiou? Porque não apareceu na sala de aula? Perguntei ao seu namorado (vulgo Michael) mas ele estava parecendo um serial killer. Sério, onde ele colocou aquela carinha de anjo dele?
Agora falando sério, o que aconteceu entre vocês? Sinto cheiro de peixe morto nesse mar... me ligue assim que ler essa mensagem, estou preocupada.
Caroline.
A segunda, era de Chris em resposta a mensagem que eu tinha lhe mandado ontem quando cheguei do hospital:
Menina Slipknot! Não se preocupe comigo, eu estou bem. Irritado, porque não posso andar direito e nem dançar com essa droga de gesso.
Sério, esse troço coça demais!
Estou um pouco assustado ainda, mas passa. Eu espero.
Em breve, estarei de volta.
Te amo chatinha.
Chris.
E a terceira, era de Daniel:
Gostei de matar aula com a loser do colégio. Espero te ver na festa de sábado.
PS: Aprecie a companhia daquelas pessoas que te fazem sorrir, e não as daquelas que te fazem chorar. =)
Daniel, mas pode me chamar de Danny =)
A mensagem de Danny me fez sorrir e a de Chris me fez respirar aliviada mas me lembrei que eu tinha uma amiga surtando sem notícias minhas então, disquei seu número e esperei que ela atendesse.
- Até que enfim você deu o ar da sua graça! — Eu tentei rir, mas não obtive sucesso nessa tarefa.
- Uma hora eu iria ter que aparecer né... — Respondi de forma desanimada.
- O que aconteceu pra você ter sumido? Michael ameaçou te matar? E o que ele fazia com a Mandy na hora do recreio? - Minha amiga estava curiosa.
- Ele está estranho desde que encontramos o Chris desmaiado na rua, mas não consigo assimilar um assunto com o outro. Ele hoje de manhã mal falou comigo e estava rindo com a cadela da Mandy. Ele estava transtornado, gritou comigo e disse que eu era imatura. Acho que terminamos. — Minha amiga bufou do outro lado da linha.
- Quem ele pensa que é pra te tratar mal desta maneira e sem motivo? Sério, ele está agindo como um descerebrado! — Mordi o lábio, sabendo que Caroline agiria daquela forma. — Eu percebi que ele estava estranho ontem no hospital. Ficou defendendo a Stacy como se ele soubesse que não foi ela que mandou alguém bater no Chris. - Como eu não tinha pensado nisso antes? Michael estava mesmo agindo como se soubesse quem fez quela atrocidade com o Chris!
- Mas é claro! O Michael deve saber quem foi que bateu no Chris! — Levantei da cama, me sentindo agitada de repente.
- Não viaja, Ever. Não tem como ele saber e mesmo se soubesse, além de entregar a pessoa a polícia, isso não explica o motivo dele estar te tratando mal. — Suspirei, desanimada e chateada com tudo aquilo.
- Nada faz sentido! Eu estou sofrendo, Car. Eu o amo, não tive a chance de dizer, mas eu o amo! — Apertei os lábios, como se aquilo fosse reprimir as lágrimas de caírem.
- Tenta se acalmar, amiga. Conversa com ele, talvez ele esteja com algum problema... espere alguns dias e então, se aproxime dele e diga tudo aquilo que está te preocupando. O Michael vai te ouvir. — Comecei a chorar baixinho e de forma desesperada. Me joguei na cama, com o celular no ouvido.
- Eu disse para ele que nós não conversaríamos nunca mais. Não quero me contradizer. — Eu era muito orgulhosa, não queria dar o primeiro passo quando eu já tinha dado mais de 10.
- Vocês dois são muito complicados. Quer que eu durma ai na sua casa hoje, amiga? - Eu sorri em meio as lágrimas. Minha amiga era perfeita!
- Não precisa não amiga, obrigada! Olha, vou desligar se não a conta vem alta e meu pai me mata! — Ela deu uma risadinha.
- Ok amiga, fica bem. Amo você.
- Eu também te amo amiga. — Desligamos o telefone ao mesmo tempo.
Fiquei olhando para o teto por um bom tempo, chorando e tentando arrumar a bagunça mental que havia se instalado dentro da minha cabeça.
Será que para o Michael eu fui apenas uma aventura? Uma atração momentânea? Um pequeno passatempo?
Essa era a única explicação que eu encontrava para as suas atitudes.
Ele pode fingir que é apaixonado por mim, não é? Hoje em dia as pessoas vivem dizendo que amam sem amar. Porque com o Michael seria diferente? Eu não sou bonita e nem atraente. Talvez, brincar comigo seja divertido e intrigante afinal, até um tempo atrás eu nunca tinha beijado na boca.
Mesmo querendo acreditar nessa hipótese, um lado bem grande dentro de mim reluta, mandando-me imagens de nossa reconciliação, onde cada momento fora intenso ao extremo e também de quando fomos passear e ele se abriu comigo, falando de sua mãe e dividindo sua dor comigo.
As imagens vinham a todo o momento, projetando-se em minha mente como um filme em câmera lenta até chegar na parte da nossa despedida apática ontem, depois de voltarmos do hospital que o Chris estava.
Michael procurava pelos meus olhos e havia algo nos seus que eu não consegui identificar. Um sentimento desconhecido para mim, que não era perita em decodificar expressões faciais difícieis.
Lembrei-me de suas respostas vagas e ditas a contragosto, junto com a aspereza do seu beijo e meu coração se apertou, ao mesmo tempo que vozes gritavam dentro da minha cabeça que algo estava errado. Nada que eu já não soubesse.
Eu me sentia fraca e vulnerável, como uma bonequinha de pano. As lágrimas secaram e eu me senti anestesiada, só que de um jeito bem ruim.
Quando dei por mim, eu já tinha adormecido.
(...)
Alguns dias depois...
Finalmente o sábado tinha chegado! Isso queria dizer que eu estava livre da escola temporáriamente e não teria que encarar todo aquele povo idiota!
Meu irmão só sabia falar de Caroline e da apresentação da Bloodstream na festa da escola, no sábado que vem. Outro evento em que eu terei que estar em um lugar sendo duas pessoas diferentes. Argh!
Os ensaios começariam na segunda-feira e o desânimo era grande. Eu teria que confraternizar com o Michael e agir como se nada tivesse acontecido, já que Claire Collins terá que dar o ar de sua graça.
Eu e o Michael não nos reconciliamos. Na verdade, nós nem nos falamos. É como se nós fôssemos invisíveis um para o outro e isso tem me machucado muito.
Não o vi mais conversando com a Mandy, que por sinal resolveu infernizar a minha vida.
Nas aulas de educação física, enquanto jogávamos vôlei, ela ficava me empurrando quando a bola vinha em minha direção, impedindo-me de fazer qualquer coisa então, na hora que eu tive que sacar, acertei a bola em sua cabeça ruiva de propósito. Foi certeiro.
Pena que a professora viu e eu tive que ir para a detenção, mas aquela não foi a única vez que fui para lá.
Na aula de química laboratório, Michael esbarrou em mim enquanto eu me concentrava em coloar umas gotas de um vidrinho transparente em um frasco de outra cor, fazendo com que o líquido caísse bem em cima do papel que eu usava para fazer anotações.
Para revidar, joguei o conteúdo do outro frasco em sua camisa branca que ficou com uma mancha azul enorme. Ele fez uma cara de bad boy enfesada e começou um escândalo que fez com que a professora me levasse para a detenção novamente e se eu for para lá de novo, levarei uma suspensão de 3 dias.
Depois disso, eu e Michael nunca mais tivemos algum tipo de contato e Mandy não me irritou mais depois da bolada que recebeu.
Bem feito!
Desci as escadas e fui para a sala, encontrando Jack sentado no sofá assistindo TV. Me sentei ao seu lado e apertei as suas bochechas.
- Ai, para Ever! — Ele se esquivou e eu ri, soltando suas bochechas.
Dei um pulo do sofá ao me lembrar que hoje teria a tal festa da piscina na casa de Daniel, que esteve comigo durante todo o resto da semana. Ele estava sendo um bom amigo. Quanto ao Chris, ele garantiu que daria um jeito de ir na festa, já que ele não pôde e nem quis ir para a escola essa semana. Ele estava ciente da minha situação com Michael, mas não pareceu nenhum pouco surpreso com isso. Estranho.
Corri de volta para o meu quarto, me enfiando em um biquini branco no qual a parte de cima era um tomara-que-caia e em um short jeans curtinho e prendi meus cabelos num rabo de cavalo alto, me perguntando se eu estava fazendo a escolha certa ao ir naquela festa.
Eu nem sabia nadar então, com certeza, nem chegaria perto da piscina fora que eu sabia que os descerebrados e o Michael estariam lá.
Daniel fez questão de convidar todos os meus amigos, o que me deixava um pouquinho animada em comparecer aquela festa.
Respirei fundo e saí de casa, depois de ter avisado aos meus pais que eu iria sair, que me pediram para que eu levasse a minha chave de casa, pois eles levariam Jack a uma festa de aniversário de um amiguinho da escola.
Assim que cheguei na casa de Daniel, ouvi o som da música eletrônica que tocava e entrei, vendo que já tinha muita gente ali. Uns se divertiam na piscina (que realmente era enorme e parecia ser bem funda) e outros namoravam ou dançavam.
Encontrei Caroline, Chris, Yuri, Serena e Selena e fui até lá, reparando em como a casa de Daniel era bonita. A festa ocorria ao ar livre e tinha até pista de dança perto da piscina.
Jeremy estava conversando com Rafael e William em um outro canto.
- Chris! — O abracei, sorrindo ao vê-lo quase recuperado, pois sua perna ainda estava engessada.
- Everzinha. — Ele riu, se soltando de nosso abraço. — Estou quase novinho em folha. — Ele abriu os braços e sorriu de um jeito malandro.
- Estou vendo! — Eu disse, abraçando Yuri e todos os outros.
- Fiquei sabendo que a Ever foi para a detenção duas vezes! Virou rebelde, mulher? — Yuri perguntou, pois tinha faltado as aulas porque estava doente e desatualizado dos babados escolares.
- Michael e Mandy me provocaram, eu só revidei. — Dei de ombros.
- Essa é das minhas! — Serena disse, fazendo Selena e Caroline rirem. Eu as acompanhei.
- Sujou! — Caroline ficou pálida e eu me virei, olhando na mesma direção que minha amiga olhava, vendo Michael chegando por ali, usando apenas uma bermuda preta. Reparei que ele tinha cortado um pouco os cabelos. Nossos olhares se encontravam e antes que eu visse ódio ali, eu quebrei o contato visual, me virando para meus amigos.
- Ele está paralisado. — Selena disse, se referindo ao anji... ops, Michael.
- E não para de olhar para você. — Caroline me cutucou e eu comecei a tremer.
- E quem não olharia? A Ever está muito sexy com esse shortinho. — A frase de Chris não fora dita com malícia mas eu ruborizei mesmo assim.
- Chris! — Ralhei, ouvindo Serena rir graciosamente da minha cara de espanto.
- Acho que ele está vindo pra cá. — Sobressaltei com a frase que Carol sussurrara.
- Vou procurar o Daniel. — Fiz menção de sair andando mas a loira me pegou pelo braço.
- Não fuja dele, vocês precisam conversar. — Me desvencilhei dela antes de lhe responder:
- Se ele quiser mesmo falar comigo, não vai desistir só porque eu saí daqui. — Caminhei para dentro da casa de Daniel e me dirigi para a cozinha, encontrando-o pegando um copo de refrigerante.
- Hey!
- Uau! — Daniel passou os olhos pelo meu corpo e eu me senti super constrangida com isso. — Cadê as roupas de rockeira? — Fiz o mesmo com Daniel, olhando seu corpo bem definido e disfarçando no segundo seguinte. Ele usava apenas uma bermuda vermelha.
- Minhas roupas de rockeira não iriam combinar com essa festa. — Ele riu com a minha resposta. — O que faz aí escondido?
- Só bebendo refrigerante e fugindo da Mandy. — Dei uma risada, vendo-o revirar os olhos.
- Deve ser um porre tê-la como amiga! — Ele riu novamente, dando um gole em seu refrigerante.
- Ela até que é legal em umas ocasiões...
- Tipo quando ela está dormindo? — Ele gargalhou alto nessa hora, inclinando a cabeça para trás.
- Quer refrigerante? — Danny perguntou.
- Por enquanto não. — Voltamos juntos para a festa e senti a mão de Daniel pousar delicadamente em minhas costas. Parado perto dali, eu via Michael nos olhando de um jeito esquisito.
Depois de um tempo, Danny teve que que ir fazer sala a outros convidados que tinham acabado de chegar e pensei em ir ficar com meus amigos, mas Carol estava com Jeremy e Serena, Chris, Yuri e Selena estavam embutidos em um papo e resolvi não interrompê-los.
Senti alguém tocar meu ombro e vi o dragão Mandy em minha frente quando me virei.
- A bolada que você me deu ainda dói. — Mexi meus ombros para cima e para baixo, dando a entender que eu não dava a mínima.
- Dane-se! — Respondi de forma grosseira.
- Gosta de nadar, Ever? — Sua voz melosa me fez ter vontade de tampar os ouvidos.
- O que? — Uni as sombrancelhas e Mandy se aproximou de mim.
- Bom mergulho! — Foi o que ela disse antes de me empurrar, fazendo com que eu caísse dentro da piscina.
O problema, é que ela era funda e eu, não sabia nadar. Tentei emergir, batendo meus braços e pernas frenéticamente, mas uns engraçadinhos que estavam por ali, esbarravam em mim, fazendo com que eu afundasse cada vez mais.
Sob o seu encanto novamente
Eu não consigo te dizer não
Deseje meu coração e ele estará sangrando em sua mão
Eu não consigo te dizer não
Me desesperei tanto, que comecei a engolir água sem parar e senti o ar e a minha consciência se esvaindo de mim como um balão de ar que acabara de ser estourado.
Me entreguei a inconsciência, sentindo meu corpo desfalecer.
Num último segundo de lucidez, senti braços fortes envolvendo minha cintura, um par de olhos verdes hipnotizantes e um emaranhado de cabelos cacheados.
Depois disso, eu apaguei.
Não deveria ter deixado me torturar tão docemente
Agora eu não consigo acordar deste sonho
Eu não consigo respirar mas me sinto boa o bastante
Me sinto boa o bastante para você
- Ever, fala comigo, por favor. — Ouvi uma voz familiar chamar o meu nome, mas eu não conseguia abrir os olhos. Eu queria correr na direção daquela voz doce e melódica que fazia meus pelos se eriçarem e meu coração acelerar, mas eu não conseguia sair do lugar.
Eu estava num lindo e vasto campo ensolarado e eu repousava debaixo de uma árvore enorme.
- O que você fez com ela sua desgraçada? - Outra voz alterada que me era familiar, só que essa era feminina.
Logo, eu me lembrei do que tinha acontecido comigo. Eu tinha me afogado.
Eu... estava morta? Eu conseguia ouvir as vozes ao meu redor, mas eu parecia estar em outro lugar. Ou pelo menos, minha alma parecia estar.
O desespero me atingiu em cheio e eu tentei correr, conseguindo sair do lugar depois de muito esforço.
Beba desta doce decadência
Eu não consigo te dizer não
E eu me perdi completamente e não me importo
Eu não consigo te dizer não
- Amor... por favor... Acorde, abra os olhos, abra seus lindos olhos pra mim, Ever. — Meu coração estava apertado e senti espasmos crescentes em meu peito ao reconhecer a voz de Michael que parecia estar desesperado.
Continuei correndo, percebendo que o sol havia sumido e um céu cinza e cheio de nuvens ocupava o seu lugar. Minhas pernas vacilantes me levavam a um caminho desconhecido, e eu torcia para que esse caminho me levasse até o Michael.
As lágrimas embassavam a minha visão e uma descarga de adrenalina fazia com que eu corresse cada vez mais rápido.
Não deveria ter te deixado me conquistar por completo
Agora eu não consigo acordar deste sonho
Não posso acreditar que me sinto boa o bastante
Me sinto boa o bastante
Demorou muito, mas me sinto bem
- Temos que levá-la ao médico. — Ouvi a voz de Daniel.
- Eu vou matar você, Mandy! - Chris gritou.
- Droga eu tenho que abrir os olhos! — Eu disse para mim mesma.
- Abra os olhos, você consegue. — Michael me encorajou e eu senti uma leve pressão em meu peito. Ele fazia massagem cardíaca em mim. Também senti alguns pingos caírem em meus braços mas não era chuva.
Eram as lágrimas do Michael.
Caí de joelhos no chão, chorando junto com ele, forçando a minha mente, tentando me concentrar em apenas despertar. Eu não podia deixá-lo! Não sem antes dizer o quanto o amava! Não podia deixá-lo estando brigada com ele!
Senti um tremor abaixo de mim e me levantei, assustada, vendo a terra começar a se abrir. Me desequilibrei, caindo dentro do buraco negro que parecia sugar todas as poucas forças que ainda me restavam. Cada célula do meu corpo parecia ter entrado em estado de choque naquele instante e o desespero me fazia desabar cada vez mais rápido.
O fim do buraco estava chegando e eu estava prestes a chocar meu rosto contra o chão quando vi uma luz branca me envolver até me cegar.
E então, eu abri os olhos...
E eu ainda estou esperando pela chuva a cair
Despeje a vida real sobre mim
Porque não consigo me apegar a algo tão bom assim
Eu sou boa o bastante para você me amar também?
Minha visão estava fora de foco, meu peito subia e descia rapidamente e eu senti frio. O primeiro rosto que eu vi ao despertar fora o de Michael e a emoção que eu senti em suas feições foi maior do que qualquer frio que eu pudesse estar sentindo. Meu coração batia tão acelerado que eu temi que qualquer um pudesse estar escutando.
Naquele momento, éramos apenas Ever e Michael. Nenhuma briga importava naquele momento. Fora por ele que consegui abrir os olhos, apenas por ele.
Portando tome cuidado com o que você me pede
Porque eu não consigo dizer não
- Graças a Deus você está bem! — Ele esboçou um sorriso aliviado, abraçando-me.
- Se considere uma garota de sorte! Se algo tivesse acontecido com a Ever, você seria culpada! — A voz irritada de Caroline soou perto dali. Com certeza ela estava repreendendo a vaca ruiva.
- Eu estava morta... — Balbuciei, me soltando do abraço de Michael.
- Tive medo de te perder. — Michael estava agoniado mas eu ainda estava chateada com ele.
- Não haja como se importasse. — Ralhei, me levantando. Ele suspirou.
- Precisamos conversar. — Eu ia responder, mas meus amigos (incluindo Jeremy e Daniel) vieram correndo ao meu encontro, abraçando-me e dizendo o quanto ficaram preocupados comigo.
Eu me sentia um pouco tonta e Michael tinha se oferecido para me levar em casa. Eu ia recusar, mas praticamente me enfiaram dentro do seu carro sem ao menos ouvirem meus protestos.
Daniel fora o único que não tinha gostado da idéia, mas ele era minoria. Mandy tinha ido para a casa correndo e chorando por ter levado uma bela surra de Serena.
E em breve, ela levaria uma boa surra de mim também.
E agora, eu estava dentro do carro de Michael, num silêncio angustiante. O carro parou e lembrei-me que meus pais levariam Jack para uma festa de aniversário. Era a oportunidade perfeita para conversar com o Michael.
- Eu... posso entrar? Quero conversar com você. — Saímos do carro ao mesmo tempo e eu assenti positivamente, entrando em casa com Michael em meu encalço.
- Pode falar. — Me escorei na bancada da cozinha e cruzei os braços.
- Ever me desculpa. Eu agi como um idiota mas só agi daquele jeito porque eu queria que você sentisse raiva de mim e se afastasse. — Franzi o cenho, me sentindo confusa.
- Porque? Isso não está fazendo sentido. — Ele suspirou, aproximando-se de mim.
- Eu não posso explicar, é complicado... — Revirei os olhos com sua resposta vaga.
- Então essa é a sua justificativa? Se quer que eu deixe de gostar de você, tem que fazer melhor que isso. — Eu não queria brigar, mas era inevitável que eu não me exaltasse.
- Eu errei em ter te maltratado mas eu não posso explicar o que está acontecendo. Eu tive muito medo de te perder hoje, Ever. Estávamos brigados e eu fiquei desesperado quando vi que você não respirava. Quando eu te tirei da água completamente desmaiada, eu pensei o pior. Você não acordava e eu fiquei apavorado com a possibilidade de nunca mais ver seus olhos abertos, de nunca mais poder te ver sorrir, cantar ou... respirar. Eu não suportaria te perder. Sei que agi de forma errada, mas não vou mais me comportar dessa maneira. Só não me peça para explicar o que está acontecendo porque eu não posso. — Seus olhos estavam cheios de lágrimas e os meus também. Minha garganta tinha dado um nó.
Apesar de tudo, Michael se importava comigo. Fora ele que me salvou, foi a última coisa que eu vi antes de desfalecer em seus braços.
- Estou preocupada com você. — Toquei seu rosto, sentindo minha pele formigar pelo contato. Michael fechou os olhos automaticamente.
- Eu também. — Ele disse.
Olhando para ele, tão vulnerável e tão lindo... eu senti toda a paz voltar. Eu quase podia ver seu desespero vendo-me desacordada em seus braços. Minhas mãos tremiam e as lágrimas já caíam e eu não via mais motivos de ficar escondendo tudo aquilo que eu sentia. Eu precisava dizer e diria agora:
- Michael eu amo você. — A declaração saíra dos meus lábios de forma sôfrega e desesperada.
Anjinho abriu os olhos e me encarou. Meu corpo todo tremia, com medo de que tudo o que eu tinha dito não valesse de nada para ele, que se aproximou mais de mim, colando nossos corpos. Toda aquela proximidade me deixara tonta e quando percebi, já não respirava normalmente.
Michael roçou seus lábios em minha bochecha e eu fechei os olhos quando senti aquele contato. Nossos olhares se encontraram e nossos rostos ficaram há poucos centímetros de distância. Fechei os olhos, acariciando os braços de Michael, que me beijou na mesma hora, de forma urgente.
Havia saudade, desespero e amor naquele beijo.
Os braços de Michael me apertavam cada vez mais contra o seu corpo enquanto as minhas mãos passeavam pela sua coluna descoberta. Ele estava quente. Sua boca tinha gosto de menta, o que me fez ficar cada vez mais ensandecida. Ao partirmos o beijo, Michael sorriu largamente, beijando meu ombro e levantando o rosto para me encarar.
- Eu também amo você, Ever. — Eu sorri ao ouvir a declaração de Michael saindo de seus lábios de forma tão sincera. Ali naquele momento, eu comprovei que eu não era apenas um pequeno passatempo para ele. Michael me amava e ter aquela certeza dentro do meu coração, fez todo o medo que habitava dentro de mim sumir.
Nos beijamos mais uma vez e sorrimos entre o beijo. Toda a euforia e felicidade que emanava em mim, emanava nele também, eu podia sentir isso.
Aquele beijo me fez esquecer tudo de ruim que passamos nessa semana. Agora que eu estava certa de que Michael me amava, eu lutaria para que esse sentimento permanecesse intacto dentro de mim.
Eu nunca tinha vivido nada parecido, mas eu estava bem certa de que agora que eu tinha encontrado o amor, não o deixaria escapar.
Decidi esquecer temporariamente tudo aquilo que me preocupava, principalmente o segredo de Michael que foi o motivo dele ter me tratado mal naquela semana.
Tudo o que eu queria estava bem na minha frente, em meus braços e eu tinha certeza de que seja lá o que for que Michael esteja passando, estou disposta a enfrentar isso junto com ele e eu sei, que venceremos, pois nosso amor é forte o bastante para superar qualquer tipo de problema, seja ele qual for.
Notas finais
Daniel está tratando a Ever bem, será que isso é de coração ou é puro fingimento?
E quem está com vontade de bater na Mandy depois do que ela fez com a Ever?
Se vocês não tiverem entendido bem a parte que a Ever está tentando acordar, é como se ela estivesse sonhando. Ela está desmaiada, mas consegue ouvir o que todos estão dizendo ao seu redor, só não consegue abrir os olhos.
Bom meninas vou ser breve aqui porque minha coluna tá doendo to digitando esse capítulo desde as 14:15 então peço que vocês comentem muuuuito pra mim. Tenho me esforçado muito pra postar os capítulos e preciso do apoio de vocês pra me animar ok? Então comentem *u*
Tenham uma boa noite e fiquem com Deus!
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