A Vocalista Da Banda Do Meu Irmão
17 Capítulo 16 - Espionando
Notas iniciais
– Ever, o que você está fazendo na minha casa, no meu quarto, embaixo da MINHA cama? — Anjinho estava tão nervoso que eu podia ver a veia do seu pescoço quase saltando de tanta fúria.
– Er, eu posso explicar... — Falei, enquanto saía de baixo da cama e Michael se levantava.
– Não acredito que tá saindo com ela! — Mandy apontara para mim com certo desgosto e ele a olhou indignado.
– O que? Mas é claro que não Mandy! — Michael tentava se explicar mas Mandy já tinha tirado suas próprias conclusões.
– Por quanto tempo ia esconder isso de mim? Antes de eu chegar aqui era com ela que você se agarrava? — A ruiva estava com uma voz chorosa. Puro fingimento!
Resolvi colocar mais lenha na fogueira eu já estava ferrada mesmo...
– É querida, parece que você sempre foi a segunda opção, não é amor? — Fiz uma voz melosa enquanto eu chegava perto do Michael, passando a mão pelo seu peitoral.
Ele,por sua vez, me olhou raivoso se desvencilhando de meu toque.
– Não dê ouvidos a ela, Mandy! Eu não sabia que a Ever estava embaixo da minha cama!
– Não sabia? Não se faça de inocente, Michael! Você está querendo me dizer que ela invadiu a sua casa? — Mas não é que a mosca ruiva estava certa?
– Mas foi exatamente isso que aconteceu! — Disse Michael, gesticulando nervosamente. Ele estava tão nervoso que até suava.
– E você acha que eu vou acreditar nisso? Me poupe! — Mandy pegou seus pertences, se preparando para ir embora, irritada.
– Ah Mandy por favor, espera! — Michael estava correndo atrás da Mandy feito um cachorrinho.
– Nunca mais me procure Michael! Decida com que você quer ficar! — Disse Mandy quase chorando. — E você prepare-se Ever! Você está na minha lista sua insignificante! — Ela olhou-me com seus olhos cheios de fúria e eu não me senti nem um pouco amedrontada.
– Ui, que medo que eu tô de você! — Ironizei.
– Ah que ÓDIO! — A ruiva gritou totalmente descontrolada, abrindo a porta do quarto e indo embora logo em seguida.
– Mandy! — Chamou Michael que quando viu que ela fora mesmo embora, virou-se para mim e disse: — Viu o que você fez? A culpa é sua! — Michael me pegou pelos ombros e começou a chacoalhar-me
– Você está me machucando, Michael! — Tente me soltar mas Michael era extremamente forte.
– Você sempre estraga tudo, Ever! O que está fazendo na minha casa? Como você teve coragem de invadir a minha casa? — Michael gritava e continuava me chacoalhando.
– Michael, para por favor! — Com seu olhar furioso em cima de mim, Michael me empurrou com força, me fazendo cair deitada na cama. — Olha, me desculpe! Eu só vim aqui pra ver se eu achava algo comprometedor sobre você. — Eu estava assustada.
Nunca havia visto o Michael daquele jeito. Na verdade, nem sabia que ele dava tanta importância aquela mosca ruiva.
– Você é louca? Achou algo comprometedor sobre mim? — Michael era sempre tão calmo... vê-lo assim tão descontrolado me fez sentir idiota. Eu não devia ter ouvido o Chris.
– Não, eu não achei nada... — Quando eu percebi que ainda estava deitada em sua cama, me levantei rapidamente, corando furiosamente. Michael olhou-me confuso, mas logo entendera o porque de eu ter ficado envergonhada.
– É, talvez a Mandy esteja certa. Você foi a primeira a deitar em minha cama! — Michael explodiu em uma gargalhada e eu corei ainda mais, sabendo que merecia a piada. — Você fica diferente envergonhada... — Ele parou de rir, mas ainda tinha um risinho formado no cantinho de sua boca. Dei graças a Deus por ele ter se acalmado.
– Diferente como? — Perguntei sem jeito.
– Fica parecendo menos você.
– Ah... — Falei desanimadamente
– É que você é sempre tão impulsiva, irritada e infantil... assim você fica diferente. — Disse Michael, cruzando os braços. — Você veio com mais alguém? — Assim que anjinho acabou de falar, a porta do closet se abre e os 3 manés que atendem por meus amigos, caem no chão.
– Você é tão idiota sabia? Porque teve que peidar dentro do closet? — Caroline bufou enquanto se levantava dando tapas em Yuri.
– Eu tentei prender, mas não deu... — Yuri disse, dando um sorriso amarelo.
– Você é podre! — Disse Chris ainda estirado no chão.
– O cheiro é podre mesmo! Ainda não existe peido que cheire a rosas! — Yuri cruzou os braços indiferente enquanto eu e Michael olhávamos a cena enojados.
– Olha Michael desculpe o transtorno! A culpa foi do Chris que teve a idéia e todos concordaram menos eu, é claro. Mas a minoria sempre perde, né? — Caroline tentou tirar o corpo fora.
– A idéia foi minha sim, mas você ficou toda animadinha quando viu as cuequinhas do Micahel! — Olhei para o Chris incrédula com a asneira que ele acabara de falar.
Logo, todos começaram a falar ao mesmo tempo, um querendo discutir com o outro.
– CALADOS! — Gritei a plenos pulmões e ainda pude ouvir uma última frase ecoar no ar:
– Só porque eu soltei uns peidinhos... — Nem preciso dizer quem foi que disse isso né?
– Vocês mexeram nas minhas cuecas? — Michael trazia consigo uma expressão indecifrável.
– Er... hum... — A loirinha gaguejou.
– Dispenso explicações. — Anjinho estava desconcertado.
– Bom... galera, é melhor irmos não é? — Sorri amarelo para meus amigos que logo concordaram em ir embora.
Enquanto meus amigos saíam em disparada do quarto do Michael, parei abruptamente na porta de seu quarto, me virando logo em seguida, encontrando Michael com seu famoso olhar perdido.
– Er... me desculpe por... hoje. — Eu estava desconfortável.
Pedir desculpas para meu arqui-inimigo era um tanto... humilhante.
– Está desculpada Ever. — Anjinho deu um sorrisinho que fiz questão de retribuir. Ele podia muito bem chamar a polícia e dizer que éramos 3 arruaceiros sedentos por vingança.
– Obrigada! — Virei as costas, saindo do quarto do Michael, encontrando meus amigos parados na sala apenas me esperando.
– Vamos dar no pé. Chega de confusões por hoje! — Caroline exclamou, pálida e assustada por conta dos problemas em que nós mesmos nos metemos.
– Eu abro a porta pra vocês. — A voz melódica do Michael adentrou meus ouvidos e logo, ele abria a porta para nós enquanto saíamos constrangidos de sua casa.
– Me lembrem de nunca mais concordar com as idéias idiotas do Chris. — Olhei mortalmente para o Chris que apenas ignorou, abaixando a cabeça envergonhado.
(...)
Assim que cheguei em casa, papai me abordou, radiante.
– Ever, minha querida! Preciso de sua ajuda. — Papai aproximou-se de mim pondo uma mão em meu ombro.
– O que houve, pai?
– Você poderia ir comigo na Escola de Artes hoje? Preciso de sua ajuda para organizar o Baile de Máscaras. Michael, o filho do meu sócio estará lá também. — Se eu estava empolgada com a oportunidade de ajudar meu pai com a organização do Baile de Máscaras, a empolgação havia evaporado no momento em que ele disse que Michael estaria ajudando também.
Refleti por alguns segundos. Por mais que eu queria ajudar meu pai, saber que terei que encarar Michael novamente depois de tudo o que aconteceu era no mínimo vergonhoso. Mas eu não podia decepcionar o meu pai por isso, eu disse:
– Tudo bem, só vou guardar a minha mochila e já desço. — Papai sorriu para mim enquanto me olhava subir as escadas.
(...)
Quando cheguei a Escola de Artes acompanhada de meu pai, vi que Michael já havia chegado e nos aguardava na sala onde ficavam guardados alguns instrumentos.
Observei-o por um instante, enquanto parecia alheio a minha presença, já que papai havia ido falar algo em particular com seu sócio. Ele tocava uma triste canção, uma melodia angustiante carregada de melancolia. Seus dedos dedilhavam o violão com uma graciosidade inigualável e seus olhos, me mostravam tristeza e saudade.
Me lembrei da foto que ele guardava em sua gaveta, a mesma que esqueci de devolver e que guardei dentro do meu caderno de músicas quando cheguei em casa.
Estava tão distraída, que nem notei que ele já havia percebido que estava sendo observado.
– Me espionando, Ever? — Michael estava com a voz embargada, o que me fez constatar que ele estava prestes a chorar.
– Er... me desculpe por isso. — Cheguei mais perto dele, constrangida.
– Acho que é a terceira vez que você me pede desculpas hoje. — Ele sequer ousou me olhar, mantinha seus olhos fixos em seu violão.
– É, isso é estranho... — Sentei ao seu lado, exitante. — Que música você estava tocando? — Perguntei.
– E porque isso lhe interessaria? — Esqueci que ainda éramos inimigos. Eu mesma não entendia as minhas atitudes.
– É que eu gostei da melodia. Apesar de ser um pouco triste. — Pela primeira vez, ele resolveu olhar para mim.
– Foi eu que compus em um momento ruim de minha vida. — Ele sustentou o olhar por um tempo e eu não consegui desviar então, continuei encarando-o.
A verdade era que o olhar do Michael era como a correnteza de um mar aberto. Por mais que eu lutasse contra, eu sempre acabava sendo puxada por esses olhos magnetizantes.
– É uma canção muito bonita. — Sorri.
– Porque está sendo gentil comigo? — Franziu o cenho.
– Como assim?
– Você sempre me tratou mal, quer se vingar a todo o custo. Não consigo entender sua súbita mudança de atitudes.
– Bom... eu... eu não sei... é que você parecia triste quando eu cheguei aqui... — Abaixei a cabeça.
– Não quero que sinta pena de mim e nem quero que tente bancar a amiguinha comigo. — Michael levantou-se, guardando o violão logo em seguida.
– E quem disse que eu quis bancar a amiguinha? Eu não sou falsa! Eu só queria... te ajudar... sei lá. Olha, eu não vou mais agir assim já que você não gosta. Até porque, ainda somos inimigos. — Levantei da cadeira onde eu estava sentada segundos atrás, encarando Michael com raiva.
– Tudo bem, não vai fazer a mínima diferença para mim mesmo... — Michael me olhou com desdém e suas palavras me machucaram de uma forma que nem eu mesma entendi.
Encarei-o furiosamente enquanto as lágrimas traiçoeiras estavam doidas para escaparem de meus olhos. Fechei minhas mãos em punho e quando pensei que Michael fosse falar mais alguma coisa, a porta se abre e meu pai e Alfonso entram na sala, sorridentes.
– Bom, vamos tratar do Baile de Máscaras que será daqui há 1 mês. — Papai puxou uma cadeira, sentando-se logo em seguida enquanto seu sócio trazia em suas mãos um caderno e uma caneta, certamente para anotar nossas idéias e afins.
– Vocês já tem alguma idéia em mente? — Perguntou meu inimigo idiota enquanto eu fazia uma enorme carranca.
Eu já havia perdido totalmente o clima para idéias e o Baile de Máscaras. Só queria sumir ou fazer o Michael pagar caro por ter me ferido desta maneira.
Logo, os 3 começaram a falar de suas grandiosas idéias e eu, fiquei calada o tempo todo e de braços cruzados. Nem faziam questão da minha opinião e eu só queria que o Michael desaparecesse.
– Acho que se enfeitarmos a Escola com um estilo sofisticado e um ambiente parcialmente iluminado, como uma boate, ficaria legal. Poderíamos fazer uma iluminação bem colorida, isso deixaria tudo com um ar de mistério. — Até quando eu iria ter que ouvir a voz irritante do Michael se metendo onde não deveria?
– É uma boa idéia! O que acha, Alfonso?
– Também acho uma boa idéia! — Claro, tudo o que o precioso filhinho dele falar vai estar ótimo!
– Ever, o que você acha? Você está tão quieta, até agora não opinou em nada... — papai me olhava fixamente então, revirei os olhos e disse:
– Tive uma idéia! Porque não penduramos a cabeça do Michael na entrada do baile? Vai atrair a atenção de muitas meninas retardadas. — Dei um sorriso vitorioso recebendo em troca olhares perplexos e raivosos.
– Ever, querida, o que houve? — Perguntou meu pai perplexo.
– Nada, pai. — Dei um lindo sorriso ingênuo.
– HAHAHAHAHHA! — Alfonso deu uma estrondosa gargalhada. — Adorei seu senso de humor. — Ele continuou rindo e eu sorri sarcásticamente para ele e para Michael que me olhava raivoso.
– Então, Ever, acredito que deva ter alguma idéia que preste. — Ironizou o babaca do Michael.
– Mas é claro que eu tenho! Eu tenho muitas idéias!
– Já que tem tantas idéias, creio que tenha em mente algum tema para o baile além de baile de máscaras. — Michael me olhava desafiadoramente.
– Eu acho que se o tema for baile de máscaras vai ficar muito bom. Tenho outras idéias, mas eu acho que elas se encaixam melhor se o tema escolhido for esse. As pessoas podiam vir vestidas com vestes dos tempos antigos, as meninas com aqueles lindos vestidões que as impediam de respirar e com as máscaras. E os meninos de terno e de máscara também. Cada um pode vir com a máscara que quiser, podem usar a criatividade, vai ser bem divertido. Todos com roupas de gala! — Falei, me sentindo a mais inteligente do pedaço. Percebi que meu pai e Alfonso aprovavam a minha sugestão. Menos Michael, é claro.
– Podíamos contratar um DJ bem legal para animar a festa e chamar a banda do Jeremy na qual EU sou o vocalista. — Deu ênfase no "Eu sou o vocalista". — para tocar no baile. — Disse Michael enquanto eu bufava contrariada.
– É, faremos isso. — Disse papai empolgado.
– NÃO! Para que uma banda se já terá um DJ? — Estava na cara para quem quisesse ver que eu e Michael estávamos competindo. E eu não queria deixar a Bloodstream tocar na festa, eles não podiam tocar na festa!
– Porque será legal se a banda dos garotos tocar. O pessoal vai adorar! — Papai estava eufórico enquanto Michael me olhava vitorioso.
Se ele acha que venceu está muito enganado.
Cheguei em minha casa exausta e irritada com tamanha ousadia do Michael! Se ele acha que pode ficar jogando na minha cara que é o vocalista daquela droga de banda ele está muito enganado.
Ele não perde por esperar.
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