A Vocalista Da Banda Do Meu Irmão
44 Capítulo 43 - Dois Anjos no Salão
Notas iniciais
Receber o convite de sua amiga para comparecer a sua super festa de aniversário tem o poder de animar qualquer pessoa (ou pelo menos a maioria), incentivar a galera a encher a cara e até mesmo levantar defuntos.
Todo o mundo fica animadinho ao receber um convite para uma festa. Porém, eu parecia ser a única pessoa a não soltar nenhum grito de animação após receber o convite para ir a festa à fantasia de Serena. E eu nem mesmo sei porque estou desse jeito.
Sabe quando você se sente vazia, desanimada e com uma vontade louca e quase incontrolável de chorar? Pois é, eu estava me sentindo daquele jeito.
Talvez isso também seja culpa do Michael, mas eu não posso afirmar isso com precisão já que ultimamente o que eu mais tenho feito é culpá-lo por todas as desgraças que tem acontecido na minha vida.
Tudo bem, ele também tem a sua parcela de culpa, porém, isso não diminui a parcela de culpa que eu tenho no cartório.
O problema, é que a festa seria hoje e eu me esqueci completamente de que eu deveria alugar uma fantasia. Por isso, pedi para que Caroline (que também não tinha fantasia) alugar para mim, já que hoje ela iria alugar a dela também.
Serena havia mandado um convite para o Chris através de Selena, iniciativa que o fez ficar quase 1 hora reclamando. Claro que ele queria que Serena entregasse o convite para ele pessoalmente e não a sua irmã, mas não havia nada que ele pudesse fazer para reverter aquela situação. Serena estava com medo de ficar frente a frente com o Chris. Talvez medo nem seja a palavra certa. Que tal receio?
Mas enquanto uns sofriam por amor, outros comemoravam a vitória dele.
Caroline e Jeremy estavam super felizes. Diziam por aí que os dois até iriam de fantasias combinando hoje.
Só tenho uma palavra a dizer quanto a isso: cafonaaaaaa!
Selena e Yuri estavam tão bem quanto Caroline e Jeremy. E pelo que eu sabia, um casal que não estava nada bem era o casal famoso Michael e Lindsay. Segundo papai, os dois só sabem discutir ultimamente. Tentei não dar muita importância para não criar expectativas sobre o assunto e acabar me iludindo.
A porta do meu quarto se abriu abruptamente e Caroline entrou de forma esbaforida, carregando diversas sacolas nos braços. Mordi o lábio para segurar a risada quando Caroline se jogou em minha cama de forma abrupta.
– Comprei as nossas fantasias! – disse ela, eufórica. – Tenho certeza de que você vai AMAR a sua!
– Como você tem tanta certeza disso? – Levantei uma das sobrancelhas, encarando-a com desconfiança.
– Porque eu simplesmente sei das coisas. – ela disse, piscando os olhos várias vezes seguidas, despejando o conteúdo de uma das sacolas em cima da cama. – Olha só, que linda! – Caroline estendeu um vestido na frente do meu rosto, soltando gritinhos histéricos que me deixaram bastante irritada.
Afastei o rosto para poder enxergar melhor o vestido. Ele era curto, de líder de torcida. O tecido era de um vermelho vibrante e a saia era de pregas.
– O Jeremy vai de jogador de futebol americano! – Revirei os olhos, entediada com tudo aquilo. Ver a empolgação da minha amiga com a festa e as fantasias não me contagiou nem um pouco.
– Nem preciso dizer o quanto acho vocês dois cafonas, né? – eu disse, presunçosa. Caroline deu de ombros, estirando a língua em minha direção.
– Isso porque você ainda não viu a sua fantasia! – Os olhos de Caroline brilharam de uma forma medonha. De imediato eu percebi que ela estava tramando alguma.
– Que fantasia você comprou para mim? – Praticamente rosnei a pergunta para ela.
– Ah, não se preocupe com isso agora. – disse ela, descontraída enquanto jogava os acessórios e sua fantasia de volta dentro da sacola. – Eu tenho certeza de que você vai amar a fantasia. Talvez ela te traga uma surpresa, ou alguém esta noite. – Caroline se levantou da cama e caminhou até a porta, sorrindo inocentemente.
– Caroline... O que você está tramando?
– Ah, nada demais... – ela deu de ombros, abrindo a porta e olhando para mim uma última vez. – Você vai me agradecer no final da noite, tenho certeza disso. – E com um baque, a porta se fechou, deixando-me com uma sensação estranha na boca do estômago.
Michael narrando:
– Veste logo isso, cara! – Chris empurrou a fantasia contra meu peito de forma irritante.
Eu não ia vestir aquilo!
Chris e Yuri haviam se encarregado de comprar a minha fantasia para a festa de Serena. Lindsay estava uma fera por não ter sido convidada porém, agora já estava se acostumando com o fato de que quase toda a cidade de São Francisco a odiava.
Ela alegou que iria sair com algumas amigas, mas tinha quase certeza de que o Danny estaria com ela naquela noite e não na festa de Serena, já que ele havia sido convidado.
Apesar de desconfiar das intenções do Danny com Lindsay, seja lá quais forem, não me sinto nem um pouco enciumado. Já fazia muito tempo que eu havia desistido de tentar amar Lindsay da maneira que ela gostaria que eu a amasse.
Ultimamente, nossos desentendimentos eram frequentes e eu ficava me perguntando por quanto tempo iríamos aguentar.
– Quando vocês se ofereceram para comprar a fantasia para mim, achei que comprariam o que eu pedi, e não o que vocês queriam! – exclamei, jogando a fantasia para cima de Yuri.
– Acontece que a fantasia que você pediu já tinha acabado. – Yuri tentou se justificar.
– Aí vocês acharam que poderiam comprar qualquer merda para eu usar que eu aceitaria numa boa?
– Não, mas tínhamos esperanças. – disse Yuri de forma inocente. – Ai! – Yuri gritou, massageando o braço recém estapeado por Chris.
– Eu não vou usar isso! – gritei, olhando com ódio para a fantasia.
– Mas as lojas de fantasia já fecharam, Michael. – disse Chris, fazendo-me bufar de raiva várias vezes.
– Eu não vou me vestir de Anjo! – Bati o pé no chão, sentindo uma vontade imensa de estrangular aqueles dois, que trocaram um olhar bastante significativo.
O que aqueles dois palermas estavam tramando?
– Sinto lhe dizer isso, Michael mas se você não usar a fantasia, não poderá entrar na festa já que todas as lojas já fecharam. – revirei os olhos, tentando não dar tanta importância aquela festa idiota. – E, não poderá ver a Ever. Ouvi dizer que ela estará linda esta noite. – Engoli em seco, tentando tirar a imagem que eu fazia de Ever em minha mente. Desde o acidente, não consigo tirá-la da cabeça. – Não rejeite a chance de fazer com que essa noite seja inesquecível. Vista a fantasia, garanto que você não irá se arrepender. – Chris disse, instigando-me.
Olhei fixamente para a fantasia, os dedos coçando, a ansiedade crescendo dentro do meu peito.
– Tudo bem, passe logo essa porcaria para cá. – eu disse, arrancando a fantasia das mãos de Yuri.
Ever narrando:
– Que coisa mais ridícula! – gritei, encarando o meu reflexo no espelho. – Eu estou absurdamente ridícula!
– Para de drama! – ralhou Caroline, surgindo do meu lado. – Você está linda.
– Estou parecendo um elfo! – retorqui, olhando para as asas brancas agarradas as minhas costas.
– Você é um anjo, não um elfo, sua idiota! E para de palhaçada. – Caroline estava linda de líder de torcida. O uniforme serviu perfeitamente bem em seu corpo, apesar de achá-lo um pouco curto. Próximo ao peito, as iniciais de uma escola fictícia enfeitavam a fantasia e seus cabelos estavam presos com uma fita de cetim vermelha para trás.
A fantasia que Caroline comprara para mim não tinha nada a ver comigo. Era composta por um longo vestido branco, sexy e brilhante. Possuía duas fendas nas pernas que terminavam na metade das minhas coxas, deixando minhas pernas à mostra. Meus cabelos soltos e ondulados pareciam brilhar. Uma tiara prateada dava um charme a mais ao meu rosto e as enormes asas brancas atrás de mim pareciam de verdade.
Caroline havia posto uma sombra prateada em meus olhos que pareciam iluminá-los, fazendo com que parecessem mais claros do que eles eram.
Eu estava linda, mas a minha animação para sair era quase nula. Ninguém saia disso mais do que eu. Porém, eu tinha quase certeza de que os meus amigos estavam planejando algo e eu sentia que devia descobrir tudo. E para descobrir, eu tinha que ir na festa. Vestida de Anjo. Com aquele vestido irritantemente sexy.
– Quantas vezes eu vou ter que repetir que você está linda e sexy? Ânimo, vamos nos divertir! – Caroline sorriu, ajeitou meus cabelos e me rebocou até a porta.
Tentei não pensar no que aconteceria naquela noite, só queria que as coisas se resolvessem de uma vez por todas.
O caminho para a festa foi mais longo do que o esperado. Jeremy e Caroline trocaram palavras de amor o percurso inteiro e papai e mamãe não paravam de reclamar, dizendo que eu era muito desastrada e desatenta. Jack ficou puxando o meu cabelo (ele estava vestido de elfo, o que fez Caroline recitar um monólogo auto explicativo sobre as diferenças entre um anjo e um elfo, o que não acrescentou nada em minha vida, na verdade). Mamãe vestia uma fantasia de Rainha e meu pai estava vestido de rei – tão cafonas quanto Caroline e Jeremy.
Quando enfim chegamos ao salão de festas, saltei do carro impaciente e fiquei olhando para o salão com os olhos praticamente esbugalhados. O lugar era enorme e todo iluminado com luzes de neon coloridas. A música super alta podia ser ouvida do lado de fora.
Respirei fundo e entrei logo depois de Caroline, Jeremy e Jack, que praticamente correram até a entrada para estender seus convites aos seguranças rechonchudos.
Assim que liberaram a nossa entrada, adentramos o salão. Comecei a procurar pelo Chris e pelo Yuri porém, a pouca iluminação o salão acabava dificultando tudo.
As luzes de neon refletiam no meu rosto e nos rostos de Caroline e Jeremy. Jack já havia corrido para a pista de dança e meus pais procuravam um lugar mais calmo para que pudessem se sentar.
– Vem, vamos procurar os garotos. – Caroline segurou a minha mão e me puxou, dando um selinho em Jeremy antes de deixá-lo sozinho.
– Porque eu tenho a sensação de que vocês estão aprontando alguma? – perguntei, tendo que gritar por causa da música.
– Relaxa, amiga. – disse ela, despreocupada. – Olha a nossa aniversariante ali! – Caroline apontou para Serena, que vinha em nossa direção usando uma linda fantasia de mulher-gato. Selena estava ao seu lado, vestida de princesa.
– Feliz aniversário! – Eu e Caroline falamos ao mesmo tempo e nós quatro caímos na risada.
– Obrigada! – ela sorriu, olhando para os lados antes de se aproximar um pouco mais de nós e perguntar: — Vocês sabem se o Chris vem? – Caroline me deu uma leve cutucada no braço e eu me senti mal pelos dois. Eles pareciam se amar muito ainda, o que levava a acreditar que não havia motivos para que s dois ficassem separados.
– Ele disse que viria hoje. – respondeu Caroline, fazendo Serena soltar um suspiro de alívio.
– Será que rola uma reconciliação? – Selena perguntou, sorrindo maliciosamente e fazendo Serena corar. Eu e Caroline soltamos uma risadinha.
Serena ia abrir a boca para responder porém, alguns convidados recém chegados abraçaram-na, cumprimentando Selena logo em seguida. Eu e Caroline sinalizamos que iríamos dar uma volta e elas assentiram.
Avistamos Chris e Yuri logo em seguida. Chris estava vestido de (pasmem!) Zorro e Yuri de Vampiro. Eles estavam hilários vestidos daquele jeito. Eu estava prestes a dar uma risada quando ele surgiu do lado dos meus amigos, carrancudo e... divino.
Michael estava vestido de anjo. Exatamente igual a mim. Ele não parecia muito satisfeito, mas nem a carranca mais fechada do mundo podia ser capaz de aplacar a sua beleza. Michael sempre pareceu um anjo e vestido daquele jeito, juro que poderia ser capaz de confundi-lo com uma criatura divina.
Ele parecia discutir com o Chris e o Yuri, porém, assim que me viu, pareceu perder o fôlego, parando de falar abruptamente.
Meus olhos fixaram-se nele e os dele fixaram-se em mim, percorrendo todo o meu corpo com os olhos antes de chegar ao meu rosto. Parecíamos hipnotizados. Senti que Caroline sorria ao meu lado e logo percebi que tudo fora planejado pelos meus amigos.
Eu ia matá-los!
– Vocês planejaram isso, não é? – perguntei assim que consegui tirar os olhos de Michael.
– Isso o que? – Caroline me lançou um sorriso cínico e eu revirei os olhos. Chris e Yuri acenaram para nós e se aproximaram de nós junto com o Michael.
– Ai não... – murmurei, praticamente choramingando.
Subitamente, me senti envergonhada. Senti que meu rosto ficava vermelho. Espero do fundo do meu coração que a pouca iluminação da festa seja capaz de camuflar o rubor do meu rosto.
– Vocês estão lindas! – disse Chris, curvando-se para beijar nossas bochechas.
– Vocês também! – disse Caroline.
– Nossa, Ever e Michael vieram de fantasias combinando! – disse Yuri, cínico. Apertei os olhos em sua direção, sentindo-me irritada e completamente constrangida.
– Nós não viemos combinando. – falei, trincando os dentes.
– Como não? Vocês estão lindos vestidos de anjo. – Fuzilei Caroline com os olhos.
– Aposto que vocês combinaram tudo. – disse Michael, tão irritado e constrangido quanto eu.
– Ah parem de palhaçada e vamos curtir! Venham! – Chris disse, acenando para que nós fôssemos atrás dele.
Chris abriu uma porta que ficava nos fundos do salão, acendendo a luz logo em seguida. Fiquei na ponta dos pés para ver o que tinha ali dentro. Parecia ser uma biblioteca. A sala não chegava a ser grande, mas eu também não podia dizer que era pequena. Duas prateleiras enormes eram repletas de livros de todos os tipos e tamanhos. Uma mesa de madeira no meio da sala continha uma pilha de papéis.
Yuri me empurrou para dentro quase ao mesmo tempo que empurraram Michael. Nos entreolhamos por cerca de meio segundo antes de olharmos para a porta e vermos nossos amigos fechando a porta bem na nossa cara.
O barulho do trinco preencheu nossos ouvidos e nós dois corremos até a porta. Michael tentou abri-la, mas estava trancada.
– Acho que trancaram a gente aqui. – disse Michael, tirando a mão da maçaneta exalando tranquilidade.
Olhei incredulamente para Michael. Eu estava tão assustada que pensei que poderia desmaiar ali dentro. Como ele podia manter a calma? Nossos próprios amigos haviam nos trancado ali! Porque eles fizeram aquilo conosco?
Acorde
Olhe nos meus olhos novamente
Eu preciso sentir sua mão em meu rosto
– Você acha? Perguntei, colocando toda a minha ira naquela frase. Michael bufou andando de um lado para o outro, impaciente.
Suas asas angelicais de mentira balançavam levemente. Michael usava uma calca cumprida branca e blusa branca. O tecido de sua blusa era um pouco brilhoso, mas não a ponto de fazê-lo parecer uma mulherzinha.
– Não me olhe como se a culpa fosse minha! – ele disse, quando percebeu a fúria que havia em meus olhos.
Palavras podem ser como facas
Elas podem te abrir
E depois o silêncio te rodeia e te persegue
– Não estou te culpando. – Suspirei, suavizando a minha expressão logo em seguida. – Porque tudo é tão difícil quando na verdade, tinha tudo para ser tão simples? – Michael olhou bem para o meu rosto, tentando encontrar algo que me denunciasse. Talvez ele estivesse apenas me analisando, pensando na pergunta que eu havia acabado de fazer.
– Talvez nós tenhamos que parar de complicar tudo. – disse ele, dando um meio sorriso e parando bem na minha frente. Tive que levantar a cabeça para poder olhá-lo nos olhos. Aqueles lindos olhos verdes, brilhantes, convidativos e angelicais.
Observei seu rosto com admiração e ternura, cada célula do meu corpo aproveitando cada segundo daquele momento. Desde que Michael voltara, nunca havia me sentido tão próxima dele como naquele momento. Era como se estivéssemos prontos para o que quer que estivesse por vir.
Então ele sorriu e eu imaginei que estivesse vislumbrando um dos inúmeros sonhos que já tive com o Michael. Mas aquele era vívido demais. Lindo demais.
Eu acho que poderia ter te inalado
Eu podia te sentir por trás dos meus olhos
Você está na minha corrente sanguínea
Eu podia te sentir flutuando em mim
Michael levantou a mão e acariciou o meu rosto. Era uma sensação gostosa que me lembrava liberdade, paz. Era como se aquelas asas nas minhas costas fossem capaz de me fazer flutuar.
Fechei os olhos para sentir aquele carinho e dei um passo trôpego para a frente, sentindo o calor de seu corpo bem de perto.
Minhas mãos começaram a tremer e eu não pude evitar. Pousei as minhas mãos em seus cachos e os apertei entre os meus dedos, fazendo um leve carinho em sua cabeça que fez com que Michael fechasse os olhos.
– Então, o que faremos? – murmurei, segurando firmemente a sua mão que ainda acariciava o meu rosto.
– Podemos fazer qualquer coisa. – ele disse, aproximando tanto seu rosto do meu que nossos narizes se tocaram. – O que você quer fazer?
Palavras podem ser como facas
Elas podem te abrir
E depois o silêncio te rodeia e te persegue
Respirei fundo e segurei sua nuca com uma das mãos. A respiração quente dele batendo em meu rosto parecia me instigar, me chamar, atraindo-me diretamente para ele.
Michael puxou-me pela cintura, grudando meu corpo no dele.
– Eu quero fazer isso. – eu disse, encostando meus lábios nos dele de uma vez só. Parecia que era exatamente isso que o Michael gostaria que eu fizesse, pois uma de suas mãos agarrou meus cabelos com tanta força e ele retribuiu o beijo tão de imediato que eu me senti zonza e desorientada.
A felicidade que eu sentia naquele momento apenas me mostrava que o amor que eu sentia pelo Michael era maior do que qualquer capacidade de compreensão que eu pudesse ter.
Michael segurava meu rosto com carinho e firmeza, beijando-me com tanto amor que eu desejava que aquele momento durasse para sempre.
Eu acho que poderia ter te inalado
Eu podia te sentir por trás dos meus olhos
Você está na minha corrente sanguínea
Eu podia te sentir flutuando em mim
Se antes eu tinha dúvidas sobre o que o Michael parecia sentir por mim, elas estavam sendo sanadas naquele exato momento. Eu sabia que ele me amava somente pelo jeito cuidadoso e firme com que me segurava. A forma como ele me beijava, fazia com que eu me sentisse em completo êxtase.
Separamos nossos rostos e abrimos os olhos quase no mesmo instante.
Michael esboçou um sorriso e colocou algumas mechas do meu cabelo para trás da orelha.
– Ever... – ele sussurrou, inclinando-se para me beijar novamente. Arqueei meu corpo para trás, disposta a sentir todos os turbilhões de sensações que o Michael me proporcionava novamente. Ele percorreu a extensão da minha coluna com as mãos, depois de ter retirado minhas asas de mentira das minhas costas.
Os espaços entre
Duas mentes e todos os lugares que estiveram
Os espaços entre
Eu tentei colocar o meu dedo sobre isso
Eu tentei colocar o meu dedo sobre isso
Eu acho que poderia ter te inalado
Retirei as dele também, mas não nos desgrudamos nenhum segundo.
Ele passou as mãos pelos meus braços, pela minha barriga e pelas minhas pernas, como se quisesse uma comprovação de que tudo aquilo era real, de que nós estávamos ali, juntos.
Fui erguida do chão. Michael pegou-me no colo e me colocou sentada na mesa de madeira, se posicionando no meio de minhas pernas. Seu rosto ficou na altura do meu.
Beijei-lhe a testa, suas têmporas, a ponta de seu nariz, a bochecha e seu lindo queixo. Michael sorriu, dando-me selinhos demorados na boca antes de iniciarmos outro beijo longo e intenso.
– Michael, eu te amo. – murmurei, entre um selinho e outro. – Eu sempre te amei.
– Eu também te amo, minha linda. Eu sempre vou te amar. – Nós dois nos encaramos e sorrimos. A alegria de estar ali, nos seus braços depois de tantos anos era tão grande que eu senti vontade de me beliscar. Michael acariciou meu rosto mais uma vez, encostando sua testa na minha sem tirar a mão do meu rosto. – Você não sabe o quanto esperei por esse momento.
Eu podia te sentir por trás dos meus olhos
Você está na minha corrente sanguínea
Eu podia te sentir flutuando em mim
– Essa fala era pra ser minha. – Brinquei, fazendo Michael dar uma risada.
Eu me sentia tão bem, tão feliz, tão... viva! Era como se nada mais pudesse me atingir se eu estivesse com ele.
A porta se abriu e pude ouvir um grito agudo. Eu e Michael nos desgrudamos e olhamos em direção a porta. Caroline, Chris e Yuri sorriam e comemoravam.
Meu rosto instantaneamente ficou parecendo um tomate, mas Michael tomou-me pela mão, erguendo-a firmemente, como se garantisse que estava comigo e que tudo ia se resolver.
E quer saber de uma coisa?
Eu acreditava nele.
Eu acho que poderia ter te inalado
Eu podia te sentir por trás dos meus olhos
Você está na minha corrente sanguínea
Eu podia te sentir flutuando em mim
[...]
O tempo estava frio quando pus os pés para fora de casa e encontrei Danny apoiado no batente da porta. Ele esboçou um sorriso relaxado e eu suspirei. Não sabia se o que Danny sentia por mim ainda permanecia vivo dentro de si. A única coisa que eu sabia é que a noite de ontem ficava se repetindo dentro de minha cabeça como se fosse uma fita sendo rebobinada.
– O que você faz aqui? – perguntei, estranhando aquela visita tão repentina.
– Eu vim conversar com você. – Danny sorriu, indicando a varanda com a cabeça. Fechei minha jaqueta e o segui, sentando ao seu lado na escada.
– Então, o que quer conversar? – falei, dando uma risadinha para aliviar a tensão.
– Caroline me disse que a festa ontem foi muito boa para você e para o Michael. – ele disse, mas sua voz não trazia nenhum pingo de ressentimento. – Eu vejo o quanto vocês se gostam e o modo como se olham. Só não entendo porque ele ainda está com a Lindsay. – Assenti positivamente com a cabeça, porque eu também não entendia.
– Ontem... nós dois...
– Eu sei, a Caroline me contou o que rolou entre vocês. Não vou contar para ninguém, se é o que está pensando. – Danny sorriu, afagando o meu joelho, sincero. – Sabe, Ever eu decidi que não vou mais interferir nesse romance. Sempre que você precisar de mim, eu estarei aqui. Eu só acho que é hora de tirar meu time de campo afinal de contas, eu acho que estou gostando de outra pessoa. – Fiquei feliz ao ouvir o que o Danny disse. Eu não gostava de fazê-lo sofrer. No entanto, eu tinha uma ideia de quem era a pessoa ao qual Danny se referia.
Ele ajudou Lindsay a capturar a gangue que tinha tentado me sequestrar no outro dia. Eles eram fãs psicóticos da Lindsay, o que não me deixou nada tranquila. Aquela gangue havia sido presa, mas e a legião de fãs psicóticos que peregrinavam livremente por aí? Meu corpo tremia só de pensar nisso.
Entretanto, fora Daniel que achara a gangue. Ele fizera aquilo pela Lindsay, para que parassem de acusá-la injustamente. Também fingi que não vi o olhar brilhante que Lindsay direcionou ao Danny naquele mesmo dia.
– Eu não quero que você sofra, Danny. – eu disse, pensando em Lindsay e no quanto ela estava disposta a não abrir mão do Michael.
– Relaxe, Williams. Eu sinto que dessa vez vai dar certo. – Danny sorriu, transbordando confiança e bagunçando os meus cabelos.
– Espero que você esteja certo quanto a isso. – suspirei, arrumando meus cabelos, já que Danny fizera o favor de bagunçá-los.
Ele apenas fez que sim com a cabeça, acreditando naquilo com uma convicção que me assustou.
[...]
Odeio experimentar roupas e tirar medidas. Infelizmente, isso era necessário por causa da tal cantata. Em meio a alfinetadas de Serena debaixo de minhas axilas e fofocas compartilhadas por nós duas entre sussurros, estava Michael, do outro lado da sala, lançando-me olhares disfarçados e eternamente sedutores.
Enquanto Serena me contava o que eu perdi na festa (já que eu estava trancada com o Michael), eu retribuía os olhares com um meio sorriso no rosto.
Serena e Chris haviam reatado o namoro ontem na festa. Todo o mundo já sabia que isso iria acontecer, menos eles.
– Foi... tão lindo! Nós parecíamos conectados de uma forma que nunca havia sido antes. – disse Serena, retirando alguns alfinetes da suposta roupa que eu usaria. – Eu me senti mais viva do que nunca, beijando o Chris sob a luz do luar. O meu Zorro. Sabe, ontem eu tive a comprovação de que nunca vou amar alguém como amo o Chris. É clichê, mas que se dane! – Serena soltou um suspiro completamente a apaixonado e eu a imitei assim que olhei para o Michael mais uma vez.
Porém, meu suspiro se tornou um gemido de dor quando vi Lindsay se atirando em seus braços. Ele não retribuiu o abraço e muito menos puxou o corpo dela para si como havia feito comigo ontem. No entanto, me senti perdida por ter a plena consciência de que Lindsay tinha todo o direito de abraçá-lo afinal, ela era a sua noiva.
Assim que Serena me dispensou, saí correndo da Escola de Artes. Por incrível que pareça, eu não sentia raiva do Michael naquele momento.
Fui para a casa correndo, tentando tirar a imagem de Lindsay abraçando Michael, a aliança de noivado reluzindo em seu dedo como se zombasse de mim e da minha falta de sorte constante.
Sentei-me no chão do banheiro de minha casa e encostei a cabeça nos ladrilhos da parede. Apesar da tristeza que eu sentia, nenhuma lágrima foi derramada.
Quando finalmente saí do banheiro, o sol já estava se pondo. Entrei em meu quarto e peguei meu celular. Eu havia recebido uma mensagem do Michael.
Eu não consigo mais parar de pensar em você, Ever.
Nunca consegui, na verdade e sinto que será assim para sempre.
Ontem, éramos dois Anjos no salão.
Recebida
Michael Salvatore, 17:45
Aquela mensagem fez com que meu coração acelerasse. Um sorriso se formou em meu rosto e toda a tristeza que eu sentia se esvaiu. Eu o respondi imediatamente, meus dedos tremiam, mas a resposta foi tão verdadeira quanto o amor que eu sentia por ele.
Eu sempre, sempre e sempre pensarei em você, meu anjo.
Querendo ou não, sei que não há escapatória para mim.
Enviada de Ever Williams.
Para Michael Salvatore.
Terminei de enviar a mensagem e avistei um panfleto de cores chamativas jogado no chão, ao lado do pé da minha cama. Peguei o panfleto e o analisei, lendo-o agilmente:
“Inscreva-se no maior concurso musical de São Francisco! O melhor cantor ganha um contrato com uma gravadora. Para maiores informações, entre em nosso site!”
Meus olhos se arregalaram e eu dei alguns pulos pelo quarto. Eu precisava me inscrever naquele concurso. Não sabia como aquele panfleto tinha ido parar ali, mas prometi a mim mesma que não iria desperdiçar aquela chance.
Dei mais alguns pulinhos pelo quarto e como estava descalça, senti algo espetar o meu pé. Soltei um gemido de dor e olhei para o objeto que havia me espetado. Era uma pulseira prateada, repleta de pingentes e muito familiar.
Me abaixei para pegá-la e analisei a pulseira, colocando-a bem perto do meu rosto.
Aquela pulseira não era minha.
Era da Lindsay.
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