A Vocalista Da Banda Do Meu Irmão

37 Capítulo 36 - Reencontro Desagradável


Notas iniciais
Oi meninas, tudo bem?
Cara quem está no grupo da fanfic no face sabe que hj teria postagem e que eu me enrolei toda pq achei que dia 29 era amanhã sendo que é hoje e mesmo minha mãe tendo comentado comigo, continuei achando que era amanhã e só fui me tocar que é hoje um tempão depois HSUAHSAHAUH
Podem dizer que a autora é muito lerda KKKK
Este capítulo está cheio de algumas emoções. A partir do próximo, tentarei trazer capítulos mais engraçados, como os do começo da fic. Claro que vai ter uma tensão em volta deles por conta da situação do Michael e da Ever.
Espero que curtam esse capítulo.
(Obs: Os trechos de músicas que postei neste capítulo são de minha autoria e o user de twitter do Michael não existe e se alguém usa, ignorem. Inventei do nada KKKK)
Tenham uma boa leitura

5 anos depois...

Nova Jersey, próximo a Universidade de Princeton...

- Ei, moça! Cadê o whisk que eu pedi? — Quase bufei de raiva quando ouvi o bêbado da mesa 5 gritar pela vigésima vez me pedindo pela maldita bebida.

– Só um segundo e eu já levo. — Sorri forçadamente enquanto levava o tal whisk para o bêbado que além de mal vestido, era mal educado, já que não fez menção de me agradecer quando lhe entreguei a maldita bebida.

O sininho da porta do bar apitou, indicando que alguém estava entrando ou saindo do estabelecimento. Virei-me a tempo de ver Caroline entrando ao mesmo tempo em que sentia meu celular vibrar no bolso traseiro da calça jeans que eu vestia.

Larguei a bandeja vazia que eu carregava para lá e para cá e peguei o celular de forma afobada e tremi quando vi que se tratava de uma das gravadoras em que eu havia mandado minha demo.

– Alô. — Atendi no quarto toque.

– Boa tarde, senhorita William's. Estou lhe ligando para falar sobre a sua demo.– Sorri, sentindo um nervosismo enorme.

- E aí, vocês gostaram? — Cruzei os dedos.

– Bom... lamentamos lhe informar mas você não tem o que estamos procurando. Sinto muito.– Soltei um suspiro desanimado.

– Tudo bem, obrigada pela oportunidade.

– Não precisa agradecer.– Desliguei o telefone com uma força tão grande que eu temi que tivesse quebrado o botão do mesmo. Andei em direção a Caroline e guardei o celular no bolso novamente.

– Era da gravadora? — Caroline perguntou assim que me sentei em sua frente.

– Sim. — Respondi cabisbaixa.

– Pela sua cara posso deduzir que eles disseram não. — Ela me olhou com um pouco de tristeza.

- Acertou na mosca. — Suspirei, sentindo-me exausta de repente.

- Não desista ainda. Sua demo é ótima e não falo isso só porque eu sou sua amiga. Você mandou sua demo para várias gravadoras e alguma vai ter que dizer sim. — Tamborilei os dedos na mesa, querendo ter toda a positividade que Caroline tinha.

- Acho que não. Não são todas as gravadoras que ligam para dizer o que acharam e tem outras que nem ouvem as demos. — Eu estava me sentindo super pessimista e desanimada.

– Tenho certeza de que alguma vai gostar. Não perca a fé, amiga. — Caroline sorriu e eu retribuí, olhando de relance para a TV do bar que estava praticamente vazio aquela hora da tarde.

Passava um programa chamado "Fofoca dos Artistas" e por mais que eu não fosse ligada a fofocas, por algum motivo em especial, não consegui desviar o olhar da televisão.

Uma mulher loira tagarelava enquanto meu chefe me gritava, mandando-me pegar o copo de whisk do bêbado que já se levantava cambaleando para ir embora.

No trajeto, continuei olhando para a TV. Peguei o copo do bêbado e ele escorregou das minhas mãos quando ouvi o que a mulher falava na televisão:

– O cantor e produtor musical Michael Salvatore irá largar a banda Sleepway. Segundo seu empresário, Michael quer se dedicar apenas a sua gravadora. Após o anúncio dessa notícia bombástica que deixou muitos fãs decepcionados, Michelle Clyver, que era a baixista da banda, anunciou que a Sleepway irá acabar.

"Um dos rumores que está deixando a todos intrigados é o de que a banda acabou por causa das brigas constantes entre Michael e sua noiva, Lindsay Gilbert, que era uma das guitarristas da Sleepway. Mathew Burton, o baterista, publicou em seu twitter 2 dias antes do anúncio oficial do término da banda que estava cansado de tanto estresse. Será que esse estresse todo se deve ao fato de que Michael e Lindsay vinham se desentendendo frequentemente durante os ensaios da banda? Todo o mundo sabe que o noivado dos dois tem passado por uma série de crises depois de Lindsay ter flagrado Michael conversando com Michelle Clyver na premiére do filme "Ao amor e a luta" de um jeito bem... íntimo. Dizem as más línguas que os dois estavam aos beijos atrás de uma cabine. Seria esse o motivo de Michael estar voltando para os EUA, país que nasceu? Será que o noivado de Lindsay e Michael irá acabar? Seja qual for o motivo, tenham certeza absoluta de que o Fofoca dos Artistas irá descobrir."

Meu coração acelerou, minha boca ficou seca e minhas mãos começaram a suar. Meu corpo todo tremia enquanto minha colega de trabalho retirava os cacos de vidro do copo que eu havia deixado cair.

Meu chefe me olhava espantado.

– Ever, você está bem? — Minha melhor amiga se levantou, olhando-me preocupada.

Eu tinha certeza de que aquela mulher loira falava do mesmo Michael que havia me abandonado pois fotos dele haviam aparecido na tela da TV.

– Eu preciso de ar. — Tirei o avental e saí correndo do bar, sentindo aquela dor que eu já estava acostumada tomar conta de mim. 5 anos haviam se passado, mas eu não havia conseguido esquecê-lo.

E agora... ele estava noivo. Pior: Ele estava voltando para os EUA.

Antes de começar a surtar com esse bombardeio de notícias, vou lhes contar o que aconteceu comigo durante esses 5 anos.

Depois que eu terminei o ensino médio, acabei sendo aceita em várias universidades, mas optei ir para Princeton cursar Jornalismo. Chris, Yuri, Caroline, Serena e Selena também haviam sido aceitos em Princeton e fizeram cursos diferentes.

Chris e Yuri cursaram Artes Cênicas e se mostraram ótimos atores. Caroline resolveu seguir o meu conselho e cursou Psicologia. Já Serena, cursou Moda e Selena Arquitetura.

Durante o período em que tivemos que nos mudar, alugamos um apê próximo a universidade e arranjamos um emprego para que pudéssemos dividir as despesas.

Foi um período muito bom, devo confessar. Comecei a fazer ballet há 2 anos atrás e a dança me ajudou muito a lidar com toda a dor escondida que eu vivo sentindo. O Daniel me ajudou muito também, apesar de não vê-lo tanto, já que ele resolveu ir atrás do seu sonho de ser músico. Ele acabou se tornando o meu amigo... hum, colorido. Nós ficamos de vez em quando e ele até se declarou para mim mas preferi não assumir nada sério com ele. Seria injusto namorar com ele sabendo que nunca poderei me doar por inteira por amar outro cara e estar presa aos seus fantasmas do passado.

Eu mudei muito ao longo dos anos. Não apenas mentalmente mas fisicamente também. Eu não tinha mais minha amada franjinha. Agora, meus cabelos estavam tingidos de castanho escuro, com um franjão e sinceramente? Eu havia amado meu novo visual. Meus cabelos estavam bem maiores e mudando meu visual, eu acabei sentindo como se uma outra parte do Michael havia ido embora. Ele costumava me chamar de Franjinha e para tirar vestígios do apelido que um dia eu amei tanto, resolvi tirá-la de uma vez por todas.

Entretanto, uma das únicas coisas que não foram apagadas ao longo dos anos foi o meu sonho de ser cantora. Eu tenho lutado muito por esse sonho, mas está sendo difícil conseguir arranjar alguma gravadora que queira me lançar no ramo musical.

A única coisa que me anima nessa história toda é saber que finalmente poderei voltar para casa. Eu e meus amigos havíamos acabado de nos formar na faculdade e resolvemos voltar para San Francisco amanhã. Caroline estava morrendo de saudades do Jeremy (que havia voltado para casa ano passado, já formado) e dos seus pais.

Quanto a mim, vivo sentindo saudades de uma época que eu sei que nunca mais irá voltar.

Todavia, era hora de encarar todos os meus problemas de frente. Não importava o quanto eu amava o Michael ou quantos e-mail's eu mandasse para ele. Eu sabia que o Michael já havia me esquecido.

Eu nem sabia que ele havia ficado famoso. Decidi que nunca mais procuraria saber nada sobre ele e estava dando certo ficar na ignorância. Até agora.

Mas o fato do Michael estar noivo me pegou de jeito. Enquanto eu não conseguia me envolver direito com um cara, Michael já estava até de casamento marcado. Será que eu sou a única que penso o quanto a vida tem sido injusta comigo? Aposto que a fama havia subido a sua cabeça e queimado os seus neurônios. Talvez ele nem se lembre mais de mim.

Ele deve ter virado um mauricinho nojento. Eu prestei muita atenção naquela notícia e mal posso acreditar em tudo o que eu vi.

Será que ele traiu mesmo a própria noiva? Michael, o politicamente correto, havia virado um músico metido e sem sentimentos?

E essa tal de Lindsay? Como ela pôde ser capaz de perdoá-lo?

Sinceramente, eu espero não esbarrar com o Michael quando ele voltar pros EUA. Pois não quero olhar para ele e me dar conta de que aquele garoto lindo e de coração bom se perdeu, por conta da fama.

Afinal, quantos corações ele já quebrou além do meu?

(...)


Quando decidi voltar para o apê, já era noite e portanto, todos se encontravam arrumando suas respectivas malas e encaixotando algumas coisas. Eu parecia ser a única que ainda não havia feito nada.

Entrei em meu quarto e retirei duas malas enormes do armário, mas as larguei no chão quando vi o notebook que repousava em cima da minha cama.

Sem perder tempo, me conectei à internet e digitei na caixa de busca do Google Michael Salvatore.

Vários link's apareceram na tela junto com várias fotos de Michael mais velho. Cliquei na primeira foto e quase caí para trás, embasbacada com tanta beleza. Michael parecia não envelhecer um ano sequer. Ele ainda tinha aquela aura angelical, mas agora, havia um fulgor diferente em seus olhos. Agora, ele se vestia como um bad-boy. Mas os cabelos cacheados continuavam ali.

Resolvi clicar no link que continha as músicas de sua banda e coloquei a primeira para tocar. A letra dizia:

Não me deixe sozinho.

Só você pode resgatar tudo aquilo que perdi.

Estou despedaçado

Você não poderia colar os pedaços do meu coração?

– Você não está nada despedaçado, seu canalha! — Gritei para a tela do notebook enquanto colocava uma outra música para tocar.


Ela tinha um disfarce, um disfarce que me enlouqueceu

Um disfarce, que só eu podia ver.

Ela é tão especial, com sua franja natural.

E um jeito nada normal.


– Não acredito nisso! — Quase gritei outra vez ao ouvir a letra daquela música agitada. A melodia dela era tão boa quanto a da primeira mas percebi que não era só a qualidade da melodia que as duas músicas tinham em comum.

As duas músicas falavam sobre mim.

Cliquei em outra música, tentando acalmar meus batimentos cardíacos e a minha respiração ofegante.

Eu tive que deixá-la para trás.

Um idiota peregrino deixando a cidade.

Eu a perdi, pois não tive escolha.

Eu a magoei, eu a fiz chorar.

Mas se eu pudesse voltar atrás, teria feito tudo diferente, yeah.


Parecia que eu havia engolido um monte de areia pois eu sentia a minha garganta arranhando. Não havia sombra de dúvidas quanto a letra daquela música. Michael a escrevera para mim.

Quando o vento sopra o meu rosto

Eu só consigo lembrar de você

Te procuro em meus sonhos

Lembranças pra você

Pra lembrar, de tudo o que vivemos.

Quando éramos apenas dois jovens apaixonados.


Comecei a chorar sem perceber. Eu conseguia sentir o que o Michael sentia quando cantava e tocava os acordes daquela música.

Naquele momento, eu me sentia muito confusa. Porque o Michael escreveu aquelas músicas para mim sendo noivo de outra?

Será que... será que ele ainda se lembrava de mim? Será que ainda sentia algo... Não, não, não e não, Ever! Não caia nessa! O Michael NÃO te ama mais entendeu? Pare com isso!

– Ever, que bom que já chegou, você nem vai acreditar no... — Caroline entrou em meu quarto e eu me apressei em fechar a página da internet. — O que você estava fazendo? — Ela me olhou desconfiada.

– Nada. — Chris e Yuri entraram em meu quarto se empurrando e fazendo bagunça. Tratei de limpar as lágrimas dos meus olhos disfarçadamente.

– Vocês perderam a peça do meu professor! Foi demais, vocês iam se mijar de tanto rir! — Eles se referiam a peça de teatro que o professor deles apresentou hoje.

– É mesmo, acho que nunca ri tanto em toda a minha vida. — Completou Yuri.

– O que deu nela? — Cochichou Chris para Caroline mas eu consegui ouvi-lo.

– A Ever viu o Michael na televisão. — A boca dele se abriu, em choque.

- Ela sabe que ele está noivo? — Perguntou Chris.

– Espera aí, vocês já sabiam disso? — Me intrometi na conversa, totalmente indignada.

– É que nós gostamos de assistir Fofocas dos Artistas. — Confessou ele, envergonhado.

– Não acredito nisso! — Passei as mãos pelo rosto, aflita e indignada.

– Decidimos não lhe dizer nada para que você não ficasse mais triste. Nós sabemos muito bem que você ainda gosta dele. — Disse Yuri, olhando-me com carinho. Eu sorri, abraçando-o de lado.

– Eu sei, é só que... ele escreveu algumas músicas sobre mim. — Confessei, sentindo-me envergonhada.

– Nós sabemos disso também. — Serena e Selena entraram em meu quarto e falaram juntas.

– Você não arrumou suas malas ainda? — Perguntou Selena.

– Ela estava muito ocupada stalkeando o Michael na internet.

– Chris! — Protestei indignada.

– Sério? Viu as fotos que ele postou no Instagram? E os tweets polêmicos sobre o noivado com a Lindsay? — Serena estava muito empolgada e eu, deveria estar com um ponto de interrogação enorme em minha testa. Eu ainda não havia tido tempo de ter acesso a todas essas informações, mas a curiosidade acabaria falando mais alto. Disso eu tinha certeza.

– Serena! — Quem a repreendeu foi Caroline.

– Agora você me deixou curiosa. Qual é o user do twitter dele? — Peguei meu notebook, abrindo o Google. Serena, Selena e Yuri se esparramaram em minha cama, tentando olhar para a tela do note. Caroline e Chris me olharam de forma totalmente desaprovadora.

– É @msalvatore. — Serena disse, sentando-se do meu lado direito.

– Você vai segui-lo? — Pensei por um tempo na pergunta de Selena. Achei melhor ficar no anonimato. Não queria que ele pensasse que eu era uma super fã dele ou que já havia esquecido o que ele fez comigo no passado.

– Não, vou apenas me atualizar nas fofocas. — As irmãs Serena e Selena sorriram, totalmente empolgadas. Yuri apenas prestava atenção nas coisas que lia ao entrarmos no twitter do Michael. Caroline e Chris permaneciam parados feito postes no meu quarto.

– Juntem-se a nós! — Mesmo relutantes, os dois aceitaram o pedido feito por Selena e sentaram-se em minha cama, olhando para a tela do meu notebook.

A todo o minuto, eu tentava me convencer de que o único motivo para eu estar stalkeando as redes sociais do Michael era para me preparar para tudo o que me aguardava quando eu voltasse para San Francisco, principalmente se um possível reencontro totalmente desagradável ocorresse. Mas eu sabia que também fazia aquilo por pura curiosidade.

Michael era uma celebridade agora. Ele havia alcançado tudo aquilo que ele sempre havia almejado. Sua carreira era brilhante e não parecia haver vestígios da leucemia que o deixou atormentado por tanto tempo.

Sua vida era perfeita e totalmente diferente da minha. Eu era apenas uma mulher formada em Jornalismo que lutava para conseguir um contrato numa gravadora e que trabalha num bar de beira de estrada cheio de bêbados.

Porém, eu estava voltando para a casa. Talvez as coisas mudem para melhor se eu voltar para San Francisco.

Uma vez me disseram que a única maneira de enfrentar os nossos problemas era encarando-os de frente. Pois bem, eu estava fazendo aquilo naquele momento.

Eu não deixaria o Michael me colocar para baixo.

De novo não.

(...)

O aeroporto estava cheio, mesmo sendo de madrugada. A música alta no meu fone de ouvido era a única coisa que me impedia de cair no sono. Os meus amigos pareciam estar tão sonolentos quanto eu.

Assim que o nosso vôo foi anunciado, nós nos levantamos e fomos direto para o portão de embarque.

Entramos no avião e nos acomodamos em nossas respectivas poltronas.

Olhei para Caroline, que estava bem do meu lado. Ela sorria, provavelmente pensando no meu irmão e em sua família. Chris e Serena estavam em clima de puro romance, assim como Selena e Yuri, que trocavam beijos apaixonados.

Me remexi na poltrona, um pouco desconfortável. Todos os meus amigos estavam namorando e seus romances eram muito duradouros. Quanto a mim, não consigo me relacionar com mais ninguém por estar presa a um cantor famoso que compôs várias músicas sobre mim.

Talvez as coisas melhorem quando eu reencontrar o Danny. Ele era uma das únicas pessoas capazes de me fazer esquecer o Michael por um determinado período. Eu sei que não é certo, mas enquanto houvesse uma escapatória ou uma saída temporária para toda aquela dor e tristeza, eu estaria experimentando-a.

Encostei minha cabeça na poltrona e relaxei, alçando voô rumo a cidade em que nasci, pronta para recomeçar novamente se fosse preciso.

(...)


Michael narrando:

Depois de tanto tempo longe da cidade que eu havia vivido por alguns anos, eu finalmente estava de volta a San Francisco.

Saí do aeroporto ao lado de meu pai, atendendo a algumas fãs que haviam me reconhecido.

Meu pai estava tão empolgado quanto eu de estar de volta a cidade que ele tanto amava e mal esperava para reencontrar Rodolfo e entrar na Escola de Artes depois de tanto tempo longe daquilo que amava fazer.

Uma brisa fresca passou pelo meu rosto, me fazendo ter vislumbres de todas as coisas que eu vivi naquela cidade.

Mas todas as lembranças incluíam ela.

Era incrível saber que apesar de todo esse tempo, eu ainda consiga sentir meu coração acelerar somente por pensar em seu nome ou somente por vislumbrar seu lindo rosto sorrindo.

Eu sabia que havia sido um idiota. Na verdade, eu ainda era um. Porque estava noivo de alguém que eu não amava. E porque havia magoado a única garota no mundo que amei de verdade.

Ever William's deve estar me odiando. E eu sabia que era tarde demais para me explicar.

Porque eu havia estragado tudo.


Ever narrando:

Algumas horas depois...

Sorri. Pela primeira vez naquele dia, eu dava um sorriso verdadeiro. Havíamos acabado de desembarcar em San Francisco e meu coração já havia se enchido de felicidade.

Com nossas bagagens, eu e meus amigos caminhamos a passos apressados pelo aeroporto, procurando nossos familiares, que estariam nos esperando. No entanto, não precisamos procurar muito, pois logo avistei meus pais e meus irmãos ao lado dos familiares do restante dos meus amigos.

Abri outro sorriso e corri ao encontro da minha família, vendo que meus amigos me imitavam.

Meus pais e meus irmãos também sorriram quando me avistaram. Me joguei em seus braços, recebendo um abraço coletivo de meus pais e meus irmãos. Acabei derramando algumas lágrimas de saudade.

– Minha querida... sentimos muito a sua falta. — Disse mamãe, afagando os meus cabelos.

– Você está tão linda... — Papai beijou a minha testa.

– Pirralha, você tá' gatona! — Jeremy me abraçou, fazendo-me rir. Me virei para meu irmão mais novo e o olhei surpresa.

– Projeto sardento! Como você cresceu! — Jack estava lindo e me abraçou fortemente, dando um sorriso.

– Pena que eu não posso dizer o mesmo. — Disse ele, referindo-se a minha pouca estatura.

– Boboca! — Dei língua para ele que apenas riu.

Depois, Jeremy foi matar a saudade da namorada e logo, eu estava dentro do carro junto com a minha família. Jeremy também havia vindo junto conosco, alegando que depois sairia com Caroline para conversarem com mais calma.

– Ever, você tem que ir a Escola de Artes! Papai está com um projeto irado! — Jeremy estava muito empolgado e eu, muito curiosa.

– É? Que projeto?

– Jer, você é muito apressado. — Papai disse brincando. — Hoje, na Escola de Artes, você saberá do que se trata. Mas primeiro, você irá descansar. A viagem deve ter sido exaustiva para você.

– Foi muito exaustiva mesmo. — Suspirei.

– Ever, o Jack está ficando fera na bateria! — Disse mamãe orgulhosa.

– Sério? — Eu estava impressionada.

– Aham. — Olhei para o pestinha e sorri, contente.

A única que não tocava nenhum instrumento era minha mãe. Porém, ela tinha uma voz incrível.

Logo, chegamos ao meu lar. O lar que tive que deixar para ir para a faculdade e que agora, eu retornava, cheia de alegria. Claro que as lembranças (nem todas muito felizes), preencheram a minha cabeça mas a vontade de chorar que sempre aparecia em horas como essa não veio, e eu consegui respirar aliviada.

Saí do carro e observei minha casa por um tempo antes de ajudar meu pai e Jeremy com as minhas malas. Carregamos todas para dentro e fomos direto para o meu quarto, que também não havia mudado muita coisa desde que fui embora.

Observei cada canto, inclusive as paredes repletas de pôsteres das bandas que eu gosto, pensando nas coisas que aquelas paredes presenciaram enquanto estive ali. Os meus momentos de alegria, os de tristeza e os de solidão... cada lágrima que fora derramada... absolutamente tudo o que eu vivi, aquelas paredes presenciaram.

– Ever, daqui a pouco o almoço vai chegar. Mamãe pediu comida chinesa para nós. — Jeremy anunciou, colocando a cabeça para dentro do meu quarto.

– Ok obrigada. — Sorri, tentando afastar os pensamentos melancólicos que insistiam em tomar conta da minha mente.

(...)


4 horas depois...


A felicidade que eu senti ao colocar os pés na Escola de Artes depois de tanto tempo era indescritível. A cada sala que eu passava, eu enxergava o brilho no olhar de cada aluno e também a dedicação e a vontade de aprender.

Por anos, aquele lugar fora o meu refúgio. Eu cresci ali, naquele lugar infestado de música.

Me dirigi até a sala do meu pai, pois ele disse que queria que eu fosse até a sua sala assim que eu chegasse lá. Abri a porta rapidamente e encontrei meu pai, que parecia dar uma bronca em Jeremy, que olhava para ele de modo aborrecido.

– O que está acontecendo? — Perguntei.

– Nada querida. Quero que você vá até a sala no final do outro corredor e pegue para mim uma maleta com microfones. A professora de canto vai precisar deles. — Papai forçou um sorriso e eu senti que eles estavam escondendo algo de mim. Mesmo assim, saí da sala e fui praticamente correndo até a sala que papai havia me dito.

Um pressentimento muito esquisito estava me incomodando, mas como das outras vezes, decidi ignorá-lo.

Entrei na sala e tratei-me de procurar a maleta com os microfones, que eu não achava em lugar nenhum. Estava quase desistindo quando acabei encontrando a bendita maleta dentro de um armário de madeira. Sem mais delongas, peguei a maleta e andei apressadamente até a sala do meu pai.

Ao passar pela janela da sala, eu vi Alfonso cumprimentando o meu pai. Arregalei os olhos ao ver aquela cena e recuei instintivamente, para que não me vissem ali. Se Alfonso estava aqui, era bem certo de que seu filho estivesse também.

Só que eu não ia ficar para ver.

Larguei a maleta com os microfones no chão e saí correndo, olhando para trás de 5 em 5 minutos. Porém, de tanto ficar olhando para trás, acabei trombando com alguém, o que resultou em mim, caída no chão como uma banana podre.

O que me surpreendeu no entanto, não foi a minha queda e sim, a pessoa que eu havia arrastado para o chão junto comigo.

Pois essa pessoa não era ninguém mais, ninguém menos que Michael Salvatore.

Tudo começou a girar ao meu redor e a cor acabou se esvaindo do meu rosto.

Ao olhar dentro daquelas orbes verdes, eu pude ter um flashback de todos os momentos que passei olhando dentro deles. Quando íamos iniciar um beijo, por exemplo, eu sempre fixava meu olhar naqueles olhos, tão verdes e intensos. Olhos tão profundos e que costumavam me olhar com tanto carinho, e que me transmitiam sensações tão boas como paz, agora me olhavam com perplexidade.

Meu coração acelerou e os meus olhos se encheram de lágrimas quando me lembrei de tudo o que eu passei por causa dele.

Tratei de me recompor, levantando-me do chão. Michael imitou o meu gesto, olhando-me dos pés a cabeça com algo que reconheci como carinho. Olhei para o outro lado, fixando meu olhar no vaso de plantas que havia atrás da cabeça de Michael para não ter que olhar para seu rosto.

– Oi, Ever. — Ele estava tão (ou mais) desconcertado do que eu. E estava lindo. Usava uma camisa preta e uma jaqueta de couro e calças jeans. Nos pés, botas de motoqueiro. Todo aquele visual e toda aquela voz rouca dele me deu vontade de esganá-lo, porque ele era um idiota e eu o odiava.

E o amava também, mas ele não precisava saber desta última parte.

– Oi. — Respondi secamente.

– Achei que estivesse em Nova Jersey... — Então ele não esperava me encontrar... hum, interessante.

– Como sabe que eu estava lá? — Fiz a cagada de olhar pro seu rosto. Eu quase me senti indefesa ao fazer isso. Era como se o Michael pudesse olhar através de mim e ver que eu estava totalmente desarmada.

– Seu pai contou pro meu pai. — Ele sorriu e eu quase caí pra trás. — Não achei que fosse se formar em Jornalismo. — Sorri, sarcástica.

– Não achei que você fosse voltar. — Michael entendeu o que eu quis dizer naquela frase e ficou sério rapidamente.

– E eu não achei que fosse te encontrar aqui. Acho que precisamos conversar. — Ele olhou-me com uma expressão de arrependimento.

– Não precisamos não. Só o fato de você ter dito que não esperava me encontrar aqui, já quer dizer que você não pretendia conversar comigo. — Fechei as mãos em punho, tentando controlar toda a raiva que eu estava sentindo.

Logo, eu percebi porque meu pai e meu irmão estavam estranhos quando entrei na sala. Eles estavam discutindo sobre a chegada de Alfonso e seu filho e sobre o que aconteceria quando eu os visse.

– Mesmo assim, acho que lhe devo uma explicação. — Falou de forma branda.

– Você teve 5 anos para se explicar. Porque eu iria querer te ouvir agora? — Ficamos em silêncio. Michael me encarava com uma expressão de tristeza. Eu gostaria de acreditar que era tudo fingimento que tudo o que ele estava fazendo era fingir. Porém, tudo o que eu queria fazer naquele momento era chorar.

– Aí estão vocês. — Eu e Michael olhamos para Jeremy, meu pai e Alfonso, parados, nos olhando de forma bem temerosa.

– Acho melhor irmos para a sala. Ainda tenho um projeto para contar. — Papai tentou aliviar a tensão, dando uma risada forçada. — Bom lhe rever, Michael.

– Olá Rodolfo! — Michael acenou, desconcertado. Jeremy o olhava como se fosse matá-lo a qualquer minuto.

– Ever! — Abracei Alfonso.

– Oi Alfonso. — Ele sorriu para mim. Tive a sensação de que ele sabia de alguma coisa e estava louco para que eu descobrisse o que era.

Afastei esses pensamentos da mente enquanto seguia a todos de volta para a sala de meu pai.

Minha maior vontade naquele momento era a de me jogar de um penhasco. Se eu tivesse sorte, acordaria e perceberia que tudo o que aconteceu até agora não passou de um pesadelo. Mas eu sabia que não era. 2 minutos me beliscando comprovaram o que eu não queria acreditar.

Michael estava mesmo ali na minha frente. Mais lindo e perfumado do que nunca.

– Bom, o projeto que tenho em mente é organizar uma festa beneficente para ajudar o hospital de crianças com câncer da região. Nessa festa, os alunos daqui da escola se apresentariam, mostrando tudo o que aprenderam. O superior do hospital adorou a idéia e me deu a autorização de montar um coral com as crianças maiores. Elas irão cantar 3 músicas na festa e eu quero que você, Ever, junto com o Michael, ensaie as crianças. Você fará o solo de uma música no dia da festa, tudo bem? — Aquilo não podia estar acontecendo. Não podia, não podia, não podia!

Será que eu havia feito alguma malcriação pro meu pai? Será que era por isso que ele estava me castigando?

Eu havia ouvido direito?

Meu pai havia mesmo acabado de me dizer que eu, juntamente com o Michael, teríamos que ensaiar as crianças? Será que o meu pai havia se esquecido do que ele havia feito comigo?

– Claro, tudo bem. — Menti. Não estava nada bem. Nada mesmo. Tudo estava uma droga.

– Lembrando que vocês receberão por isso. Enquanto não tem um trabalho, Ever, pode trabalhar para mim. — Se teria grana, então, as coisas melhoravam um pouco. Mas ainda não compensava ter que trabalhar junto com o Michael.

Eu amei a idéia do meu pai. De verdade. É lindo o que ele está querendo fazer para as crianças e tenho certeza de que será um sucesso, tendo em vista de que uma celebridade está no meio desse evento.

Mas essa celebridade poderia ser qualquer pessoa, menos o Michael Salvatore.

– Por mim, tudo bem também. — Disse Michael, mais convincente do que eu.

Uma expressão de agonia tomou conta do meu rosto quando ninguém estava olhando para mim. Jeremy estava muito ocupado em fuzilar Michael com o olhar enquanto o próprio estava preocupado demais em prestar atenção na conversa do meu pai e do Alfonso, no intuito de fingir que não estava vendo os olhares que o amigo (ou ex-amigo) mandava para ele.

Enquanto tudo isso acontecia ao meu redor, a única vontade que eu tinha era a de bater minha cabeça numa raquete de ping-pong.

O reencontro entre eu e o Michael acontecera bem mais rápido do que eu previra e não fora nada agradável. Me preparar para o que estava por vir não adiantou muito bem. No fundo eu sabia, que nada do que eu fizesse para me distanciar do Michael iria adiantar.

Por mais que eu tentasse me proteger de todos os sentimentos que me empregnavam toda a vez que eu o via, sempre que eu estivesse na frente do Michael, sempre estaria desarmada. Todas as minhas armaduras perdiam as forças e utilidade quando eu estava sob o efeito do seu olhar.

Ele estava noivo e aparentemente, não se importava comigo. E agora, eu teria que aturá-lo todos os dias. Não demoraria muito para que ele viesse jogar na minha cara seu sucesso como cantor, coisa que eu não havia tido sorte de conseguir ainda.

Mas isso não era tudo.

Virei-me de costas, para que ninguém pudesse ver meus olhos já cheios d'água e pedi coragem para enfrentar o que estava por vir.

Pois eu sabia que de agora em diante, nada iria dar certo para mim.

O meu azar constante havia voltado.

E Michael Salvatore também.

Notas finais
MENINAS A FANFIC FEZ 1 ANO DIA 04/08 PARABÉEENS PARA NÓS SHUAHSA
Espero de coração que tenham gostado do capítulo e desse reencontro. A Ever e os amigos voltaram para San Francisco. Eles ficaram 4 anos em Nova Jersey, fazendo faculdade.
No próximo capítulo, acho que o Daniel já aparece e talvez, a noiva nogenta Lindsay também.
Michael ficou famoso mas decidiu largar a carreira de cantor para se focar em sua gravadora.
Ever ainda está me busca de uma gravadora para se lançar na música. O que será que sairá disso?
Será que esse reencontro mexeu tanto assim com o Michael como mexeu com a Ever?
Em breve o mistério do porque do Michael ter ido embora será desvendado.
E muuuitas confusões estão por vir meninas! Ever vai se meter em muitas furadas e os amigos e o Michael tbm HSAUHSUA
Ah, eu vou responder as reviews de vcs amanhã ok? Pretendo responder todas!
Ah, comentem pra mim? Eu reparei que o número de comentários caiu um pouco e peço que me motivem por favor. Essa é a minha primeira long-fic e dependo do incentivo de vcs pra continuar.
Então comentem muiitoooo fantasmas comentem muitoooo HSUAHSUA
E tenham uma boa noite ♥33