A Vocalista Da Banda Do Meu Irmão
24 Capítulo 23 - Nervosismo
Notas iniciais
Desculpem se esse capítulo ficar muito curto ok?
Tenham uma boa leitura.
" ... But darling you are the only exception..."
Meu celular começou a tocar insistentemente uma das músicas que eu mais amava da banda Paramore, mas eu estava muito ocupada dormindo. Tampei minha cabeça com o travesseiro mas nem isso abafou o som.Bufei enquanto atendia o celular bruscamente sem nem olhar o número no visor:
- Alô! — Atendi falando grosseiramente.
- Uau, Ever! Seu humor matinal é ótimo! — Ironizou Michael do outro lado da linha.
- Estamos em pleno sábado e não são nem 09:00 ainda! — Esbravejei enquanto olhava o relógio na cabeceira.
- Calminha dorminhoca! Esquecei que hoje é o seu teste ou melhor, o teste da Claire Collins pra entrar na Bloodstream ou já desistiu? — Michael já acordava com a língua afiada, o que me irritava mais ainda.
- É claro que eu não me esqueci! Acontece que eu pensei que ao menos poderia dormir sossegada já que o teste acontecerá as 16:30. — Falei impaciente.
- Mas temos que te preparar e é por isso que eu estou te ligando. Você e Caroline virão para a minha casa às 10:00 e almoçarão aqui. Caroline vai te ajudar com a maquiagem e não se esqueça de trazer as roupas que compramos no shopping. — Ouvir a voz de Michael do outro lado da linha fez com que eu relaxasse instantâneamente.
- Tá, se alguém de daqui de casa perguntar, eu digo que estarei na casa da Caroline.
- Faça isso e tome cuidado quando estiver vindo pra cá.
- Ok, vou desligar então para arrumar as coisas.
- Tudo bem, tchau.
- Tchau.
Saí da cama com um sorriso que ia de ponta a ponta e até saltitei enquanto caminhava para o banheiro. O porquê de tanta felicidade? A primeira voz que eu ouvi quando acordei foi a do Michael e isso melhorou meu humor matinal e muito! Se eu acordasse todos os dias com o som da sua voz, meu lado agressivo e rebelde não apareceria com tanta frequência. Eu acho.
Desci as escadas da minha casa e encontrei a minha mãe mexendo em uma caixinha cheia de bijuterias. Próximo a ela, encontrava-se meu irmão caçula brincando com seu carrinho de brinquedo idiota.
Aproximei-me da minha minha mãe e toquei-lhe o ombro. Ela olhou para mim esboçando um sorriso cintilante.
- Olá, querida! Dormiu bem? — Mamãe fechou a caixinha de bijuterias enquanto me fitava.
- Dormi sim! Quero saber se você me dá permissão para ir almoçar na casa da Caroline. Passaremos a tarde toda lá! — Mamãe ponderou por infindáveis segundos.
- Não sei... seu pai estava querendo que você e o Jeremy o ajudassem com os preparativos do Baile da Escola de Artes. — Droga! Eu tinha me esquecido totalmente do baile! Onde eu estava com a cabeça?
- Mas ele quer a nossa ajuda hoje?
- Não, mas amanhã, sim. — Papai se intrometeu na conversa.
- Que bom! — Dei alguns pulinhos de alegria. — Então eu posso ir na Caroline? — Sorri em expectativa.
- Não volte muito tarde! — Mamãe me mandou um olhar advertente.
- Quero vocês em casa às 18:00! — Complementou papai.
- Obrigada! — Sorridente, girei os calcanhares para correr, mas acabei pisando no carrinho idiota do Jack e fui ao chão, fazendo com que o saco de sardas se divertisse as minhas custas, explodindo em uma estrondosa gargalhada.
- Ever, tem que olhar por onde anda! — A peste ainda fez questão de debochar de mim em meio a risadas.
- Eu vou olhar muito bem por onde ando quando desmembrar você vivo seu moleque! — Me levantei totalmente enfurecida, avançando no moleque que saíra correndo feito louco pela sala.
- Volta aqui seu pentelho! — O fedelho choramingou, se escondendo atrás do meu pai.
- Papai, não deixe a Ever me desmembrar! Quero meus bracinhos junto a mim. — Jack juntou os braços ao corpo, numa tentativa de protegê-los. Naquela posição, ele até parecia um mini soldado.
- Pensasse nisso antes seu bobobca! — Fui com tudo, disposta a tirar Jack de trás do meu pai quando ele me deteve.
- Controle-se, Ever! Ele é apenas uma criança. Acredito que o lance do carrinho não tenha sido de propósito. — Papai tentou me acalmar e eu contei até 10 antes de que eu voasse em cima do meu irmão mais novo.
- Mas ele debochou de mim! — Acusei, estreitando os olhos na direção do moleque que apertava a cintura de meu pai.
- Ever... ele é apenas uma criança...
- Mas debochar é errado querido. — Interveio minha mãe. — Jack, peça desculpas a Ever. — Mamãe puxou Jack, que estava atrás do meu pai.
- Desculpe Ever. — Ele mantinha uma certa distância de mim. O moleque estava se borrando de medo.
Olhei para o relógio que estava pregado na parede ao meu lado e vi que eu tinha que me apressar se eu quisesse chegar na casa do Michael pontualmente.
- Está desculpado. — Dei um sorrisinho. — Eu vou para o quarto pegar minhas coisas para ir pra casa da Caroline. — Meus pais assentiram e eu fui para o meu quarto, certificando-me de que minha mochila continha tudo o que eu precisaria para o visual "Claire Collins" ser posto em prática no dia de hoje.
(...)
Toquei a campainha da casa do Michael disfarçada. Eu usava um gorro preto que escondia minha cabeleira dentro dele e usava roupas mais claras e um pouco mais largas, para que ninguém me reconhecesse. Todos estavam acostumados a me ver sempre de preto, roxo ou derivados.
Michael atendeu a porta me olhando assustado.
- Porque está vestida assim? — A expressão confusa assumiu o rosto do Michael.
- Porque se alguém conhecido passar por esta rua, não vai me reconhecer. Esqueceu que meus pais acham que eu estou na casa da Caroline? — Sua expressão suavizou-se um pouco com o que eu disse.
- Que susto. Por um momento eu pensei que você viesse assaltar a minha casa. — Ele deu uma risada e eu soquei seu ombro de leve.
- Muito engraçado! — Ironizei. — E a Carol? Já chegou?
- Chegou sim, ela está lá na sala papeando com meu pai. Entra! — Tirei o gorro assim que entrei em sua casa, revelando meus cabelos lisos que caíram como cascatas pelas minhas costas. Percebi que Michael não tirou os olhos de mim nessa hora, mas achei que era por que eu estava tirando aquele gorro horrendo que estava esquentando minha cabeça e não liguei.
- Michael, seu pai sabe do nosso plano? — Perguntei preocupada.
- Sabe. Relaxa, ele não vai contar. Disse que isso não é da conta dele e que é pra nós arcarmos com as consequências.
- Menos mal então. — Entramos em sua casa e percebi que a sala estava tão impecável quanto das outras vezes em que vim em sua casa. Uma, sem ser convidada e a outra em que eu cantei, no dia que eu concordei com o plano que o Michael arquitetara para que eu entrasse na banda do Jeremy.
A sala era aberta, ampla e bem clara. Luminárias eram colocadas em pontos estratégicos e quadros muito bonitos enfeitavam as paredes da casa. Uma estante estava encostada do lado direito e nela, continham diversos livros. O sofá estava localizado no meio da sala e era lá que Alfonso e Caroline se encontravam conversando mas pararam de falar assim que me viram.
Alfonso deu um lindo sorriso destinado a mim e foi impossível não retribuir um gesto tão amável.
- Olá, Ever. Como vai? — Eu já não tinha mais nada contra o pai do Michael, ele era uma pessoa muito boa e amável.
- Eu vou bem e o senhor?
- Não me chame de senhor, querida! Chame-me apenas de Alfonso. — O sorriso singelo continuava no rosto dele.
- Tudo bem então, Alfonso. — Ele trocou um olhar com seu filho. — Oi amiga! — Cumprimentei Caroline.
- Oi amiga, acho melhor começarmos. — Disse a loira se levantando do sofá e intercalando olhares entre eu e Michael.
- É melhor mesmo. — Concordou Michael. — Com licença pai, iremos lá pra cima.
- Ok tenham juízo. — Alfonso dissera com um certo divertimento em sua voz.
Subimos para o quarto do Michael, que continuava bonito e organizado.
- Trouxe a peruca e as roupas? — Perguntou Michael, dirigindo-se a mim.
- Sim, você acha que eu iria esquecer? — Havia indignação em minha voz.
- De você eu espero tudo. — Ele sorriu sarcástico e eu percebi que as provocações estavam de volta. Mandei-lhe o meu melhor olhar cínico como resposta.
- Bom, eu trouxe a maquiagem. Ever, você vai ficar linda amiga! — Caroline estava bastante empolgada.
- Eu espero mesmo que ela fique. A Ever tem que causar uma boa impressão hoje. — Disse Michael um pouco apreensivo.
Se eu fizesse algo de errado, o plano iria por água abaixo. E eu queria muito entrar para a banda do Jeremy. Só de pensar na possibilidade de estragar tudo, fazia-me ficar com o estômago embrulhado.
- Estou nervosa! — Eu roía as minhas unhas.
- Vai dar tudo certo, Ever. Você é talentosa. — Sorri com as palavras do Michael e com seu sorriso puro e sincero. Percebi que ele estava um pouco mais alegre do que ontem.
- Tudo bem então. Xô nervosismo! — Dei uma leve risada. — Vou pegar minhas coisas e vou me arrumar. — Peguei minha mochila e marchei rumo ao banheiro que era lindo e impecável como o resto da casa. E seus donos.
- Droga Ever pare de pensar besteiras e se concentre. O nervosismo está te deixando louca. — Falei para mim mesma enquanto olhava meu reflexo no espelho. Daqui a pouco, eu olharia novamente meu reflexo no espelho só que como outra pessoa.
Abri minha mochila, pegando a peça de roupa que eu tinha escolhido para o meu teste. Uma bata vermelha e de manga cumprida, calças jeans coladas e botas de cano médio.
A roupa era simples, mas me deixava bastante elegante. Me olhei no espelho de novo, sentindo a falta das cores escuras que sempre me acompanhavam. Eu quase nunca usava roupas vermelhas mas agora, olhando meu reflexo no espelho usando essa bata, eu até que começava a gostar da mudança, que ainda não tinha acabado.
Saí do banheiro e Carol deu um gritinho entusiasmado. Michael apenas sorriu, aprovando as roupas.
- Agora arrumarei seu cabelo para colocar a peruca. — Carol veio até mim, e eu sentei numa cadeira, para que ela arrumasse meu cabelo, que foi preso e minha franja, puxada para trás. Logo depois, foi a vez da peruca loira que Michael tinha escolhido para mim no shopping.
Depois que a peruca foi colocada em minha cabeça, a parte da maquiagem foi iniciada.
Caroline passou várias coisas diferentes em meu rosto que eu nem fazia idéia do que poderiam ser e para que serviam. Não costumava perder meu tempo com tantas baboseiras e a única coisa que eu usava frequentemente, era meu inseparável lápis de olho e um brilho labial que tinha gosto de menta e dava vontade de comer.
- Agora, Ever, você é a Claire Collins! — Michael me trouxe o espelho que estivera em seu banheiro e o colocou em minha frente, para que eu pudesse me ver.
Eu estava quase irreconhecível. A maquiagem pesada, os cílios postiços, as roupas e a peruca, me deixaram totalmente diferente.
- Fizemos um ótimo trabalho! — Carol surgiu atrás de mim sorrindo e apertando meus ombros enquanto fitava meu reflexo no espelho.
- É, fizemos. — Michael concordou, satisfeito com o resultado.
(...)
Assim que almoçamos na casa do Michael, passamos o tempo jogando Uno.
Hora ou outra Michael e eu trocávamos algumas farpas, mas Caroline sempre estava pronta para intervir, antes que acontecessem maiores estragos e a briga evoluísse.
Logo, a hora de irmos chegou. Nos despedimos de Alfonso e entramos no famoso carro prata do Michael, que tratou de deixar Caroline em sua casa antes de seguirmos para a minha, onde o Jeremy e os outros descerebrados estariam nos esperando para o teste.
Em todo o trajeto, eu e Michael não pronunciamos nenhuma palavra, mas eu sabia que ele se sentia incomodado pelo fato de estar doente. Também podia perceber que ele estava desconfortável por aquele silêncio constrangedor que pairava no ar e que se devia ao fato de todos os acontecimentos recentes, como os beijos que trocamos e a conversa em que eu quase confessei meus sentimentos a ele e o quanto os beijos que tinham sido trocados entre nós foram bons para mim.
Eu não conseguia parar de reviver aquele momento em minhas lembranças. Os beijos, a cena na enfermaria e a nossa conversa no parque. Como eu queria que aqueles beijos se repetissem... como eu queria...
Minha linha de raciocínio foi interrompida quando percebi que estávamos chegando perto da minha casa. O frio na barriga atingiu-me e eu comecei a tremer de nervosismo, pensando no quanto eu estava com medo de falhar.
Michael estacionou o carro na frente da minha casa e o tremor que tomava conta de mim subitamente aumentou.
- Está preparada? — Michael virou-se para mim, olhando-me preocupado e apreensivo.
- Estou, claro que estou. — Aquilo não era bem uma verdade.
Estava chegando a hora de mostrar do que sou capaz, de mostrar meu potecial e talento e não havia nervosismo que me faria desistir.
Eu farei o meu teste e serei bem sucedida.
Por fora, eu era Claire Collins. Munida de maquiagem, acessórios e roupas de marca. Mas por dentro, eu continuava sendo a Ever Williams, a garota talentosa e rebelde que usa camisetas de bandas de rock e eu mal podia esperar para mostrar para eles um pouco das duas.
Uma essência única e de combinação fatal.
Notas finais
Comentando o capítulo, gente eu adoro fazer as cenas da Ever com o Jack, o irmão
caçula dela, eles são muito engraçados juntos! E o pai do Michael? Pfvr um coroa gato e simpático como aquele de sogro era tudo o que eu queria KKKKKK
O que vocês acham que vai acontecer no próx. capítulo? Sera que a Ever conseguirá enganar seu irmão e os descerebrados? Será que ela conseguirá entrar na banda do Jeremy?
Comentem bastante meninas, o baile está próximo, confusões também e o romance da Ever e do Michael também está próximo UHUUUL E claro, a entrada de novos personagens que com certeza farão a alegria do Chris e do Yuri!
COMENTEM MUITOOO MENINAS, tenham uma boa tarde s22
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