Notas iniciais
Postando esse capítulo que as coisas começam ficar mais agitadas. Explicações nas notas finais. Boa leitura!

Assim que minha mãe parou o carro em frente a escola, dei uma rápida olhada em seu relógio de pulso e constatei que estava 10 minutos atrasada.

– Droga, droga, droga! — Balancei os braços frenéticamente enquanto eu tentava me livrar do cinto de segurança.

– Pare de falar essa palavra, Ever! — Minha mãe me olhou feio e eu preferi não discutir. Droga nem era um palavrão.

Assim que me livrei do cinto, abri a porta do carro e saí rapidamente. Antes, dei tchau para a minha mãe, que retribuiu o gesto para logo depois dar a partida no carro. Provavelmente estava indo para o shopping.

Saí correndo desesperadamente pelo gramado do colégio ao constatar que não havia quase ninguém ali, só alguns baderneiros.

Subi os degraus que davam para a entrada do prédio do colégio correndo e quase caí de cara no chão, fazendo o grupo de baderneiros rirem de mim descontroladamente.

Quando eu finalmente ia adentrar o colégio, meu ombro se choca acidentalmente com outra pessoa, nos levando ao chão.

– Mas que droga! — Esbravejei, me levantando e limpando a minha calça.

– Desculpe... — Murmurou o menino que ainda se encontrava no chão e quando parei para fita-lo, parecia que meu coração havia parado de bater. Eu estava paralisada e minha voz, presa na garganta.

O menino no qual eu havia esbarrado tinha uma beleza incrível. Seus cabelos cor de mel eram encaracolados e possuíam um brilho incrível. Já seus olhos, eram verdes e profundos. Ele tinha um nariz tão perfeito quanto a sua boca perfeitamente desenhada. Sua pele era alva e parecia tão macia quanto veludo.

– Você está bem? — A voz doce que ele possuía me tirou do transe em que eu me encontrava naquele momento. Ele já estava em pé e pude perceber que além de ser lindo ele era alto.

– Estou... — Minha voz saiu mais esganiçada do que a de um pato morrendo. Quiz afundar meu rosto na lixeira.

– Tem certeza? — Ele arqueou a sombrancelha e eu me esqueci completamente que eu estava atrasada. Eu até me lembrava disso, mas fitar o menino desconhecido era mais interessante.

– Tenho. — Forcei a minha voz na esperança de que ela saísse normal. Doce engano... Minha voz saiu grossa, como se eu fosse um tipo de travesti. Ele me olhou estranho e se eu tivesse uma corda, teria me enforcado ali mesmo.

– É que eu estou com um problema na garganta sabe... Minha voz fica falhando toda hora. — Passei a mão em minha garganta, esfregando-a fortemente

Ele olhou para mim duvidando do que eu acabara de contar até balbuciar um "ok" e seguir seu rumo.

Fiquei ali alguns segundos e depois, percebendo que eu estava atrasada, tratei de correr e assim que cheguei ao final do corredor, percebi que quase todos os alunos se amontoavam ali. Olhei para os lados confusa até ver uma loira acenar para mim. Depois de uns 2 segundos que eu fui perceber de que se tratava de Caroline, minha melhor amiga.

Me aproximei dela e lhe dei um abraço apertado.

– Porque estava correndo? Isso tudo é pressa de estudar? — Ela perguntou assim que saímos de nosso abraço.

– Pensei que eu estivesse atrasada. — Falei confusa.

– O colégio atrasou o horário de entrada. — Caroline balbuciou olhando na direção do Jeremy que agarrava Stacy, uma líder de torcida exibida.

– Ignore-os. — Falei apontando com a cabeça na direção dos "pombinhos".

–Meio difícil. — Suspirou pesadamente. Olhei-a com pena.

Ela ama o meu irmão desde o ano retrasado mas ele nunca reparava nela. Eu nunca entendi o amor... talvez seja porque eu nunca tenha sentido isso, nunca me apaixonei realmente por alguém e acho que nunca me apaixonarei.

– E aí moçada? Tudo beleza? — A voz do Chris me despertou do transe em que eu me encontrava segundos atrás.

– Chris! — Eu e Caroline gritamos juntas, empolgadas, por ver nosso melhor amigo rapper.

– Senti falta das minhas melhores! — Chris abriu os braços, nos chamando para um abraço em trio. Sorrimos indo ao seu encontro e nos abraçamos.

– E aí Chris, preparado para as aulas? — Caroline perguntou, descontraída, tentando esquecer a cena de Jeremy e Stacy se agarrando.

– Preparado para as aulas não e sim para arrasar no colégio com as gatinhas hehehe. — Chris começou a mexer a cintura de um lado pro outro, improvisando uns passos de dança no meio do corredor.

Comecei a rir.

– Está mesmo esperançoso hein? — Falei em meio a risadas enquanto Caroline apenas ria. Chris parou de dançar e disse:

– Mas é claro! Neste segundo ano no colégio eu tenho que traçar as gatas. Além disso, meu primo Yuri BK, que também é rapper, vai passar um tempo na minha casa. Ele arrasa com as menininhas! — Chris fez movimentos estranhos com as mãos antes de continuar:- Fiz uns rap's muito loucos nas férias inspirados nesse ano! — Chris estava realmente empolgado.

Só o que me intrigava era esse tal de Yuri BK. o cara pode ser um mané que está na seca tanto quanto ele.

– Esse Yuri BK é bonito? — Perguntou Caroline interessada.

Quando viu que eu a olhava incrédula, perguntou:

– O que foi? Estou só curiosa! — Ela ergueu as mãos em sinal de rendição e eu apenas ri.

E em meio a risadas, o menino lindo no qual eu tinha esbarrado, passou perto de nós, indo cumprimentar Jeremy.

Mas porque diabos o anjinho estava cumprimentando meu irmão?

Resolvi apelidá-lo de anjinho pois ele realmente poderia ser confundido com um anjo.

– Gente! Esqueci de contar o babado! — Chris apontava para o anjinho indiscretamente então, dei um tapa em sua mão. — Ai sua violenta! — Ele fez uma careta de dor enquanto esfregava a mão.

– Tá vendo o menino parado ali? Ele é aluno novo e é da nossa sala! Ele parece ser boa pinta, podemos nos enturmar e ganhar passaportes para a popularidade escolar. — Disse Chris, iludido demais pro meu gosto.

– Tá louco Chris? Pelo jeito ele já arranjou amigos. — Caroline respondeu, enquanto nós observávamos anjinho rindo no meio dos bonecos humanos.

– Eu esbarrei nele no corredor. — Falei indiferente e os dois me olharam curiosos, quase saltando os olhos para fora de seu rosto.

– Conta tudo agora! — Os dois se aproximaram para ouvir uma história no mínimo, empolgante.

– Eu esbarrei nele, nós caímos no chão, eu fiquei impressionada com a beleza dele, trocamos algumas palavras e eu paguei mico. — Resumi a história e pude ver meus amigos abaixarem os ombros frustrados e decepcionados provavelmente pensando na chance que desperdicei de fazer amizade com o cara.

– Não acredito nisso! — Chris fez cara de choro e eu revirei os olhos. Ele era muito dramático. — Visualizem a cena do que perdemos! — Chris se posicionou entre eu e Caroline, fazendo gestos para visualizarmos mesmo a cena enquanto dizia:

– Imaginem, nós 3 comendo e bebendo na ala dos populares do colegial que se socializam na hora do recreio. Imaginem, eu, cantando meus rap's pra ruivinha Mandy que é líder de torcida e você, Caroline, ao lado do Jeremy, fazendo carinho nos cabelos dele enquanto ele sussurra frases apaixonadas. — Olhei para Caroline e ela estava de fato imaginando a cena, tanto que nem piscava. — E você, Ever, fazendo sucesso com o novato, rindo e sendo líder de torcida. — Cheguei de fato a imaginar a cena e quase deixei com que eu me deslumbrasse com ela até que espantei esses pensamentos bobos.

– Chega de palhaçada! — Me afastei dos dois, virando de frente para eles.- Ser popular não é tudo na vida não gente! — Eles até tentaram acreditar mas quando olharam para o grupo de bonecos humanos, constataram que a minha frase era uma tremenda mentira. — Tá, é tudo sim mas olhem pelo lado bom: Não somos bonecos humanos! — Dei um sorrisão, torcendo para que a minha frase tivesse pelo menos amenizado a decepção que eles estavam sentindo mas não funcionou.

Logo, o sinal da escola (que mais parecia uma sirene de bombeiro) tocou, fazendo o assunto morrer.

Seguimos em silêncio para a sala de aula e eu sentei em meu lugar de sempre, no canto, perto da janela.Caroline sentou atrás de mim e Chris atrás dela.

Olhei a sala de aula e vi pessoas que estudaram comigo ano passado, senti falta de outras pessoas e vi rostos novatos e um deles era o do anjinho.

Ele estava sentado no outro canto, com a cabeça encostada na parede com o olhar vago e pensativo.

O mais estranho é que a uns minutos atrás ele ria descontraído com o Jeremy e os bonecos humanos e agora, ele parecia triste e perdido.

Fiquei mais uns minutos fitando-o.Será que ele era como o Jeremy e seus amigos? Um boneco humano e sem cérebro? Ele não parecia ser como eles pela forma como me tratou quando nos esbarramos... mas de onde será que anjinho e Jeremy se conhecem?

– Ever, Ever, Ever, EVER!

– Tá louca Caroline? — Pulei da cadeira assustada.

– O que deu em você? Se apaixonou pelo novato é? — Carol sussurrou pois quase a sala inteira nos fitava como se fôssemos loucas.

– Eu apaixonada? Não viaja! — Ralhei achando aquela ideia mais absurda do que a de elefantes dançarem rumba no meio da rua.

– Então porque estava olhando pra ele com essa cara de morta? Eu fiquei te chamando um tempão! — Ela disse um pouco irritada.

– Só estava... pensando! Pensando e analisando o menino! — Dei um sorriso forçado.

– Desde quando você analisa pessoas? — Ela apertou os olhos em minha direção, mostrando que não estava engolindo minhas desculpas esfarrapadas.

Acabei não respondendo sua pergunta, pois a professora entrou na sala com cara de poucos amigos.

(...)

– Você é a mosca que pousou na minha sopa! — Disse Chris paquerando uma líder de torcida que o olhou atravessado, ignorando-o. — Poxa... vai ser mais difícil do que eu pensei. — Chris falou cabisbaixo com sua bandeja de comida na mão, sentando-se em nossa mesa dos invisíveis no refeitório.

– Com essas cantadas toscas, vai ser mesmo! — Constatei o óbvio.

– O Yuri disse que funciona com ele! — Falou indignado.

– Amigo, tô começando a achar que esse Yuri BK é uma furada! — Caroline respondeu, bebericando seu suco logo em seguida.

– Concordo em gênero, número e grau! — Assim que terminei a frase, Caroline me cutucou disfarçadamente para que eu olhasse para a porta.

Anjinho acabara de pegar sua bandeja e foi logo se sentar com os bonecos humanos.

Meus olhos congelaram. Parecia que quanto mais tempo passava, mais ele ficava bonito e onde ele estava sentado, batia alguns raios de sol em sua face, deixando-o mais iluminada e seus olhos mais claros do que o habitual.

Depois, ele abriu um sorriso, o sorriso mais lindo que eu já havia visto.

Meu coração começou a dar guinadas estranhas e eu não conseguia desviar o olhar dele.

– Vai um babador aí? — Perguntou Chris zombeteiro.

– Vai a merda!

– Ever, você tinha que ver a sua cara de boba. Tá na cara que você sente algo pelo bonitão do Michael! — Caroline disse me fitando. Descobrimos que a identidade do tal anjinho é Michael assim que a professora fez a chamada.

– Eu... eu nem conheço ele direito! — Defendi-me.

– Já ouviu falar em amor a primeira vista? — Chris deu um sorriso irônico e eu quase joguei minha bandeja de comida em sua cabeça.

– Parem de falar besteiras ok? — Me levantei dando o assunto como encerrado e assim que passei perto da mesa de meu irmão, escorreguei numa casca de banana, batendo a cabeça no chão.

O baque foi tão forte que o refeitório todo olhou na direção em que eu me encontrava, estatelada no chão.

A pancada foi tão forte, que fiz o que qualquer pessoa com dor faria:

– Aiiiiiiiii. — Gemi de dor.

Notas finais
No primeiro dia de aula Ever paga um mico desses bem na frente dos populares HSUAHSUAH O que será que vai acontecer depois disso? Os amigos da Ever são loucos e com o decorrer da história vcs vão perceber em quantas confusões eles são capazes de se meter. Comentem, opinem, me incentivem! Tenham uma boa tarde