A Vocalista Da Banda Do Meu Irmão
2 Capítulo 1 - Em família
Notas iniciais
O som completamente irritante do despertador adentrou meus ouvidos fazendo-me sobressaltar da cama assustada.
Estiquei meu braço afim de desligar o maldito despertador mas minha mão acabou esbarrando acidentalmente no relógio, fazendo-o cair no chão mas nem isso o impediu de parar de tocar.
Quando eu achava que nada podia piorar, tentei me levantar da cama bastante irada, para só depois perceber que meu pé havia ficado preso em meu lençol branco fazendo-me cair de cara no chão.
Urrei contrariada, com meu rosto ardendo e tendo que continuar ouvindo a música irritante de meu despertador tocando.
Ainda deitada no chão, peguei o maldito relógio desligando a música irritante me fazendo respirar aliviada.
Finalmente consegui me levantar e fui direto para o chuveiro, sabendo que sairia atrasada de casa mais uma vez.
Desci as escadas arrumada para mais um exaustante ano letivo em meu tão amado colégio.
Parei na entrada da cozinha extremamente grande de minha casa sendo abordada pelo carrinho de brinquedo irritante do meu irmão caçula, que continha um sorriso sapeca enquanto segurava o controle remoto do maldito carrinho que agora se chocava contra meu pé várias vezes.
Olhei mortalmente para o fedelho que não se sentiu nenhum pouco intimidado: Muito pelo contrário continuou batendo com o carrinho em meu pé.
– Para com isso, coisa chata! — Gritei, em protesto.
– Eu vou chutar essa porcaria se você não parar, eu tô avisando! — Estreitei meus olhos em sua direção e ele continuou rindo da minha cara.
– Dê adeus ao seu lindo carrinho. — Dei um sorriso doentio na direção do pestinha e ele entendeu o recado, projetando seu carrinho para passear bem longe de mim.
– Bom dia, filha. — Meu pai me saudou gentilmente enquanto beijava a minha testa, entrando na cozinha, um pouco apressado enquanto pegava uma maçã.
– Não vai tomar café? — Franzi as sombrancelhas, olhando-o preocupadamente. Com tanto trabalho na escola de artes, ele mal tinha tempo de se alimentar.
– Vou comer esta maçã no caminho. — Meu pai deu um sorriso jogando a maçã para o ar e a pegando logo em seguida.
– Pai, isso não é se alimentar... — Olhei para ele preocupadamente enquanto Jack, meu irmão caçula, brincava com seu cereal, enfiando a mão na tigela e lambuzando suas mãos com o leite.
– Fique tranquila Everzinha... — Afagou meus cabelos.
– Eu prometo que hoje venho almoçar em casa. — Meus olhos brilharam de felicidade.
– Você promete? — Meus olhos o fitaram com um pouco de dúvida.
– Prometo. — Meu pai me deu um sorriso confortador que era impossível de não retribuir.
– Filha, eu tenho que ir... Até o almoço. — Meu pai passou por meu irmão menor, lhe dando um beijo na testa enquanto brincavam.
Depois, meu pai saiu da cozinha quase que como um foguete. Suspirei logo em seguida. Meu pai se matava de tanto trabalhar.
Só eu sei o quanto ele lutou para ver seu sonho de fundar uma Escola de Artes realizado.
Meu pai sempre foi um músico talentoso que com muito suor dele e de meu tio (seu sócio), conseguiram fundar a maior Escola de Artes da cidade.
Hoje, vários professores bem renomados lecionam sobre dança, canto, violão e os mais variados tipos de instrumentos.
Eu e meus irmãos, passamos a maior parte de nosso tempo lá ajudando e eu sempre acabo aprendendo algo ali.
Estar num lugar onde é rodeado por música e artes de diversos tipos, era realmente prazeroso.
Meu pai se doou tanto para ver aquele sonho realizado, que hoje, ver um sorriso tão alegre em seu rosto, me deixa satisfeita.
O problema, é que ele tem vivido para a Escola de Artes e mesmo que ele ame tudo aquilo, sei que ele fica sobrecarregado, já que minha mãe não move uma palha para ajuda-lo com a Escola de Artes.
Como nossas condições de vida são ótimas, minha mãe passa a maior parte do tempo em lojas, gastando o dinheiro que foi adquirido com muito suor.
Sei que meus pais se amam, mas acho que o dinheiro que meu pai vem lucrando anda subindo demais a cabeça de minha mãe.
Um baque forte de uma porta batendo foi ouvido e me assustei. Meu irmão caçula foi correndo ver o que foi e eu o segui.
Assim que chegamos na sala, lá estava Jeremy paradão, exibindo suas roupas descoladas nos olhando mal-humorado.
– Perderam algo aqui? — Perguntou carrancudo.
– Só ficamos assustados com o barulho da porta. — Meu irmão caçula Jack, subiu as escadas correndo. Aturar o súbito mal-humor de meu irmão mais velho era realmente assustador.
– Eu pensei que tivesse esquecido a minha carteira aqui então voltei. Mas depois que eu chequei meu bolso da calça, notei que a carteira estava comigo e eu nem percebi. — Ele me olhava de cima a baixo, analisando as minhas roupas com certo desgosto.
De relance, olhei para as suas roupas descoladas e de grife.
Ele ia pro colégio como se estivesse indo para o catálogo da Leader Magazine.
Jeremy era bonito, descolado e popular e esse era o último ano dele em nossa colégio então, praticamente, ele queria "causar" neste último ano. Nós éramos o oposto um do outro, como as faces de uma moeda.
Enquanto ele era lindo com seu 1,85 de altura, olhos cor de mel e cabelos lisos e bem arrumados. Como se isso não bastasse, ele é super talentoso, toca vários instrumentos mas sua especialidade era tocar bateria.
Também faz parte da ala popular do colégio e as garotas praticamente babavam por ele, inclusive a minha melhor amiga.
Já eu, tinha 1,60, cabelos castanho claros e uma franja em minha testa. Eu não tinha nenhum atributo físico e era a famosa invisível do colégio. Uma voz me fez parar de fitar meu irmão super descolado.
– Esperando por mim? — Minha mãe desceu as escadas com um vestido extravagante demais para um dia ensolarado e sem comemorações especiais.
Um som de uma buzina me fez olhar para a janela. Revirei os olhos ao ver que se tratava dos amiguinhos idiotas e fúteis do meu irmão.
– Eu vou nessa! — Ele disse, fechando a porta rapidamente enquanto corria na direção dos bonecos humanos.
– Quer carona pra escola? Vou levar Jack pra escola dele, é caminho, você quer vir? — Perguntou minha mãe amigavelmente, exibindo seus brincos brilhosos e chamativos.
– Quero sim! — Ela sorriu e eu também. Peguei minha mochila e seguimos rumo ao colégio.
Não sei porque, mas algo me dizia que as coisas seriam totalmente diferentes naquele ano.
A única coisa que eu não sabia, era se eu deveria me preocupar com isso, ou não.
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