A Visão
5 Capítulo 5 - Descobrindo a Ordem
Notas iniciais
UM DIA depois do acidente estranho que aconteceu no clube Águas Clear Rivers, Maria conata aos seus pais o que houvera. Como ela imaginava, NENHUM deles acreditou. Mesmo assim, a sensação de ter se aberto aos seus pais já a tranqüilizava.
Aline, por outro lado, não contara aos seus pais que tivera a premonição na escola. Nem mesmo pensou em contar. Seu Pai morrera quando tinha três anos, e sua mãe viajou. Ela está sozinha em casa. Deitada na cama. Quase nunca saía de lá. Mas agora, ela estava com fome. Precisava comer algo.
Ela procura na geladeira. Só encontra o jarro de água (quase no fim); uma maçã (mordida); e algumas verduras.
Ela procura no armário, na esperança de achar algum biscoito. Sem sucesso, ela procura algo para cozinhar. Procura arroz (potes vazios), Feijão (comera o último ontem) e miojo (sua mãe levara com ela para a viagem).
-Droga! – Resmunga, fechando a porta do armário – Preciso ir ao supermercado comprar miojo!
O seu telefone toca, mas ela não se mexe para atendê-lo. Depois, outro toque é ouvido por ela. Sem ânimo para ir até lá, ela deixa o aparelho tocar. Depois para. Tudo fica em silêncio por um tempo. Depois, Aline deita-se na sua cama.
Ela se ajeita na cama. Estava querendo dormir. SABIA que teria um dia cheio amanhã. Dormiu de barriga para cima, mas queria ajeitar-se, e então, inclinou para o outro lado. A cama tremera, batendo em seu cômodo, que fica ao lado. Em cima do cômodo, havia alguns livros. Os livros que estavam em pé caíram. Um deles caiu no chão.
Ela se levanta da cama, para arrumar a bagunça que fez. Ajoelha-se no chão, sem ânimo, nem forças para levantar. Ela tenta alcançá-lo com a mão, mas sem sucesso, ela levanta-se da cama para pegá-lo. O livro era Harry Potter e as Relíquias da Morte.
Assustada, olha para o cômodo, onde os livros estavam. Eles estavam distantes da borda da cômoda. E no meio de tantos livros, apenas aquele caiu.
-Relíquias da Morte... O que ELA está tentando me dizer com isso?
Em pânico, ela deixa o livro escorregar de suas mãos. O livro IRIA cair com a capa virada para baixo, mas incrivelmente, ele bate no chão, e vira-se, com a capa para cima.
-ELA ta me dizendo... Que ELA pode trabalhar com dois esquemas ao mesmo tempo!
Confusa com a idéia, ela pensa. Lembra-se da premonição que teve. Pega uma folha de caderno e uma caneta e começa a rabiscar alguns desenhos: Era o “esquema” de como ela se lembrava da ordem dos fatos.
-Quando a cozinha explodiu, a Roberta tava mais perto, e eu a vi sendo queimada – Ela escreve ROBERTA no papel, e desenha uma menina pegando fogo – Depois, o professor Robert tentou nos ajudar, mas a árvore em chamas caiu em cima dele... – Desenha o professor, e o nome ROBERT no papel. O desenho com o nome ficou ao lado do desenho de Roberta, porém, ela desenhou um retângulo em volta do desenho de Roberta, representando o refeitório. Desenhou também uma árvore, envolvendo o nome do professor, e quatro bancos em volta, representando os bancos que envolviam as árvores – E depois dele, a gente correu até a sala de informática, mas antes disso, o Carlos seguiu a gente, mas a pilastra cedeu, e o teto caiu em cima dele... – Ela desenha próximo ao desenho do professor, o nome CARLOS e vários corredores, envolvendo a folha. Os corredores representavam os corredores da escola – E depois disso, achamos a Tainara, pedindo ajuda, Ela não morreu ali, a levamos junto com a gente. Mas depois que chegamos ao outro pátio, a Helena e a Maria ficaram próximos demais da árvore em chamas, e esmagou elas – Depois do retângulo de Roberta, do outro lado, ela desenha outra árvore. Dessa vez, escreve HELENA e MARIA. Desenha salas ao lado da árvore, simbolizando outro corredor – e achamos o Elias na sala. Tentamos salvar ele, mas as vigas da sala caíram nele – Ela desenha ELIAS na sala, e para ilustrar, vigas de metal cheias de sangue – E depois a gente caminhou com a Tainara até a sala de informática, que é onde a gente queria chegar. A Tainara ficou perto demais da louça digital, e caiu em cima dela – Próximo à sala onde Elias morreu, ela desenha outro retângulo, representando a sala de informática. Ela escreve TAINARA, e entre parênteses, escreve “(A IDIOTA)” – E depois dela, a gente correu pra nossa sala. Depois que a gente chegou, o ventilador caiu no Owen – Próximo ao local onde estava escrito CARLOS, Ela escreve OWEN – Depois, o Thomas morreu com a parede em cima dele – Escreve o nome do ex-namorado: THOMAS – E depois disso... Eu... Mas... Eu não sei se consegui desviar da parede... Não sei se morro ou não... – Escreveu seu nome envolvido de pontos de interrogação: “?ALINE?”
-Então é isso! – Ela fica feliz – descobri a ordem da morte! Só preciso saber quando a morte vai atacar a gente novamente!
Ela se levanta da cadeira onde estava, e fala vitoriosa – Viu só? Eu consegui a ordem, sua estúpida! Eu posso vencer você! Eu posso SIM “matar” a morte!
Ela analisa o papel que desenhara.
-Se a Roberta foi a primeira... Então isso quer dizer que o professor é o próximo...
Ela veste seu casaco. Mesmo com o sol brilhando lá fora, ela sentia frio. Mas não era um frio comum. Era bem diferente: Aquele frio que você sente quando fica sem comer, sem beber, sem fazer nada. Aquele frio que você sente quando precisa de algum amigo para conversar. Pressão baixa é o nome certo.
Depois, ela veste seus chinelos, e abre o portão de sua casa. Ela cobre o seu rosto com a mão, de um raio de luz que cruza seu rosto. Corre pela rua, em direção a casa de seu professor. SABIA muito bem onde era a casa dele: Bem ao lado de um posto de gasolina.
Era uma casa SIMPLES. Ficava realmente ao lado do posto de gasolina. A porta na cor marrom carregava a numeração 180 nela. As paredes sujas e que raramente foram limpas dava sensação de que seu professor era imundo. O que soava estranho, já que o professor parecia uma pessoa de vida boa. Uma pessoa RICA.
TOC. TOC. Ela bate na porta.
Ela engole um seco. Não sabia muito bem como se comportar diante de tal situação. Antes que pudesse pensar no que iria dizer, ela escuta passos. Alguém estava caminhando até a porta.
-Quem é? – Uma voz abafada, de dentro da casa, pergunta.
-É a Aline... – Responde, confusa.
A porta é aberta e seu professor sai de lá. Ele olha para Aline, preocupado. Aline, envergonhada, responde:
-Olha... Eu sei que soa meio estranho, mas é que... Você pode morrer.
-É claro que sim. TODOS nós vamos morrer algum dia. É a vida, garota – Ele interrompe a garota, e fala em tom sério – Mas é estranho você vir me dizer isso.
-Como assim? – Confusa com a idéia de que seu professor não bate bem da cabeça, ela o ouve com atenção.
-Sou realmente muito grato por você ter salvado a minha vida. Mas ao mesmo tempo, te odeio por ter feito isso.
-Me odeia? O que eu fiz?
-Viu os planos da morte. Pense que a Morte tem um esquema. Tudo o que fazemos... Ela planeja. Ela quer que você morra na hora, e lugar que ela quiser. E você tem um dom que poucas pessoas têm garota... Você VIU o plano da morte antes dele acontecer.
-Quer dizer que isso é uma coisa boa?
-Não... Não exatamente. Na maioria dos casos, a Morte não gosta de ser enganada. Depois que você MUDOU nossos destinos, salvando a gente, iniciou uma guerra com a dona Morte. E agora, ela vai querer terminar o que começou.
-Então... É por isso que a Roberta ta morta, não é? – Uma lágrima escorre do rosto de Aline. Ela enxuga a gota com a mão, sem dizer mais nada.
-Exatamente. Agora, você só tem UMA escolha para derrotar a morte: Deixar ela te levar. Você não pode enganar a morte. Seja como for, ela vai te achar.
-A morte é... Uma PESSOA?
-Ela é a Morte. Ela é o seu destino final. Não existe nada que você possa fazer. Todos nós estamos mortos.
-Não... Talvez não – Pensa – Talvez, se... Se eu descobrir onde a morte vai atacar agora, talvez consiga prolongar a vida. Deixar a gente vivo por mais tempo.
-Pode tentar. Mas não é certo que você consiga.
-Espera! Como você sabe disso? – Ela olha profundamente para seu professor. Ele sorri. Um sorriso enigmático.
-Ótimo! Não quer me ajudar? Não me ajude! Mas quando o senhor estiver MORRENDO, saiba que eu não vou salvá-lo! – ela responde, franzindo a testa – Falando nisso, poderia me levar ao supermercado? Eu preciso comprar comida.
-Tudo bem. Vamos de carro.
Robert leva a garota até seu carro, na garagem. O supermercado ficava longe de lá. Tão longe que precisava ir de carro até lá. A garota entra no carro, no banco do passageiro, e o professor fica no banco do motorista.
A garagem ficava atrás da casa, no outro lado da rua. Sem paciência, o homem pisa no acelerador, e o carro sai pela garagem. A porta do carro raspa na parede da garagem, produzindo faíscas. Aline se afasta da porta, que queima forte.
-Cuidado!
O carro sai da garagem, batendo com tudo no chão. Com o impacto, Aline literalmente voa dentro do carro, que faz uma curva perigosa para a direita. A porta do lado de Aline ABRE, e seu cinto se desprende. Antes de quase escorregar para a rua, o professor agarra a garota pelo pescoço, empurrando-a para o banco de trás. Aline olha para o professor, que estava calmo. Ele estaciona perto do posto de gasolina, que ficava ali perto.
Os pedestres que passam por ali aplaudem a manobra insana do professor.
-Caramba, você é LOUCO? – exclama – A gente quase morreu! Tipo, eu falo pra você que devemos ter cuidado com a morte, e você quase me MATA! – Ela sai do carro, e sai correndo, com medo do professor – Você me assusta!
Ao perceber que o professor não está mais lhe perseguindo, Aline olha para trás, para ver o que Robert fazia. Ele estava falando com um dos homens que trabalha no posto de gasolina. Confusa, resolve deixar o professor, e seguir até o supermercado sozinha.
-Espera... – pensou – ele AINDA é o próximo.
No posto de gasolina, o professor pára para abastecer seu carro. Ele pede para um dos funcionários para encher dez reais de gasolina. O funcionário obedece, preparando o carro para ser re-abastecido. O funcionário coloca o bico do litro no carro, enchendo o tanque do veículo. O funcionário sai de perto dele, para atender outro cliente.
Sem perceber, um pouco de gasolina escorre do bico do litro mal posicionado, caindo no chão. As gotas escorrem para perto do carro, e o professor não se dá conta disso.
Aline corre até o posto de gasolina, re-fazendo o caminho que fez. Seu telefone toca. Ela olha no visor de seu celular: OWEN. Ela coloca o aparelho em seu ouvido.
-Alô? Owen?
-Aline? Sou eu! Olha só, a Maria te contou sobre o acidente que rolou no clube?
-O Thomas levou a Maria pro clube? Mas o quê?
-A Maria contou que um cara MORREU lá! Os órgãos do cara foram sugados pela drenagem da piscina!
-Sugados? – Confusa, pergunta.
-E adivinha o que é pior... – Ele faz uma pausa.
-Adivinhar o que? Não faço idéia.
-O cara era sobrevivente do acidente do autódromo Mackinley!
-Então isso quer dizer que...
-Sua teoria ta certa! A morte ta atrás deles! E não tem nada que eles podem fazer! Fiquei sabendo que salvaram uma mulher de morrer no Java jato.
-Eu to suspeitando de que a morte está atrás do Professor Robert. To indo no posto de gasolina para ver se nada aconteceu com ele. Ele disse umas coisas muito estranhas pra mim na casa dele. Disse que a morte não quer que fiquemos vivos, e que não tem como ganharmos... Algo do tipo.
-Se ele realmente tiver falando a verdade, então fica de olho nele, ta? Tipo... Tenta arrancar umas informações dele!
-Vou tentar, Owen! Fica tranqüilo!
Ela desliga o telefone e guarda no bolso. Continua correndo até o posto de gasolina.
Uma das lâmpadas do posto de gasolina solta faíscas. Robert olha para a lâmpada, com um olhar de “relaxados! por que não concertam isso logo?” e continua esperando o tanque do carro encher.
Um pouco de faíscas voa para perto da poça de gasolina. Passa extremamente perto, porém, não consegue chegar lá. O professor bate na porta do carro, paciente.
-Tá demorando, heim?
A lâmpada explode novamente. Dessa vez, ele nota as faíscas saindo do objeto, caindo justamente na poça de gasolina, no chão.
Numa fração de segundos, chamas se formam por baixo do carro, se espalhando pelo posto de gasolina todo. Aline, que estava quase chegando, nota o incêndio e corre mais rápido, tentando salvar o professor.
-Professor!
O carro todo é tomado por chamas. Ele tenta abrir a porta do carro, porém, não consegue. Estava muito quente para segurar.
Aline chega perto do carro. Avisa ao professor, pedindo para ele pular pela janela.
-Professor! Pula pela janela! A JANELA!
Entendendo o que Aline aconselha, o homem coloca suas pernas para fora do carro, passando pela janela. Aline tenta ajudá-lo, puxando-o. Ele coloca seus braços para fora do carro, e uma chama é cuspida pelo chão, queimando seu braço direito. Apavorado, ele se joga da janela, caindo de costas no chão. Ele olha para seu carro, domado pelo fogo. Aline pega ele pela mão, que aperta sua mão com força.
-Eu disse que não havia escapatória, Aline.
As chamas continuam crescendo. Um pedaço de ferro corta o braço de Aline, perto da saída. Os funcionários tentam ajudá-la. Um dos funcionários diz exatamente o caminho que a garota deveria fazer, para sair do local. Compreendendo a mensagem, Aline guia-se pelo local indicado, segurando a mão do professor.
Ela vira-se e vê o carro de seu professor domado pelo fogo. Sabia que aquilo explodiria a qualquer hora.
-Pronto! Já to na pilastra – Ela grita, esperando resposta do funcionário, que guiava ela – E agora?
-Vai pra direita! Pra direita!
BOOM! O carro do professor explode. O pára-brisa voa na direção dos dois. Por reflexo, Aline se abaixa, puxando o professor consigo. O professor escorrega e cai no chão. Aline cai junto.
Ela tateia o chão. Uma poça enorme de um líquido viscoso pôde ser sentida por Aline. Aquilo era Sangue. Ela vira-se para ver o professor, que está caído no chão, com o pára-brisa perfurando seu pescoço.
-Ah meu Deus! Professor! – Ela se espanta. Em pânico, tenta retirar sua mão da mão do professor, que devido a espasmos musculares, agora apertava o pulso de Aline muito mais forte.
-Me solta! Me solta! – Ela dizia, balançando os braços.
O braço finalmente solta o pulso de Aline, que se vira para ver o corpo do professor morto no chão. Ela procura os funcionários, que a essa altura, deveriam estar guiando ela através dos escombros.
-Socorro... – Ela geme, procurando a saída. Um bloco enorme de concreto se desprende do teto, caindo em cima de Aline – Me ajudeeeem!
CABUM! O bloco esmaga o posto de gasolina todo. O fogo havia se apagado, devido às fumaça, e o impacto.
-Aline! – Um dos funcionários começa a procurar a menina – Aline!
O funcionário vê um braço saindo dos escombros. Na esperança de ser o braço de Aline, ele puxa o corpo para fora de blocos de concreto.
O homem se assusta ao ver o corpo de Robert, com um pára-brisa perfurando seu pescoço.
-Mas o que? – O homem grita desesperado. Ele se afasta correndo do corpo de Robert, enquanto, quase que ao mesmo tempo, procura Aline.
O homem vira-se para trás, e vê Aline caída no chão. Ela estava acordada, espantada, e assustada. O posto de gasolina havia desmoronado. Havia apenas escombros e pedaços de ferro. O fogo havia diminuído, quase não havia mais incêndio por ali.
O homem corre para ajudar Aline.
-Aline, você ta legal? – A menina faz que sim com a cabeça.
O homem nota seu corte no braço. Estava sangrando bastante. Ele rasga um pedaço da manga de sua camisa, e a envolve no pulso machucado da garota.
-Isso deve ajudar – Ele diz, meio sem graça. A garota sorri – Quer que eu ligue pros seus pais, para eles vierem te buscar?
-O meu professor... Morreu! – Responde, com medo e respirando pela boca.
-Calma, Aline! Você vai ficar bem, fica calma!
-Ele me disse que a morte está querendo me pegar e pegar meus amigos... – Ela faz uma pequena pausa – Eu preciso ir pra casa, pensar um pouco. Tenho que avisar ao Carlos, ele é o próximo!
-Espera! Você ta machucada! Não pode...
-A Morte não espera ninguém, moço – Ela diz cabisbaixa – E se eu não avisar ao Carlos que ele é o próximo, a mesma coisa pode acontecer com ele.
-Como assim? – O funcionário pergunta à Aline.
Aline encosta-se a parede e conversa com o homem, enxugando lágrimas do seu rosto.
-Eu tive uma visão... De que a escola onde eu estava iria explodir. Vi meus amigos morrendo um por um. Depois, quando me dei conta, não havia acontecido ainda... Eu surtei na sala de aula, e salvei meus amigos de morrerem. A escola realmente explodiu como eu previ. E depois de alguns dias, minha melhor amiga morreu. Teve o pescoço quebrado quando caiu do Box do banheiro. E agora, meu professor morreu. A Morte ta atrás de meus amigos, e acho que posso salvá-los.
-Boa sorte, garota – O homem responde, sem demonstrar nenhuma expressão.
Aline caminha até a saída do posto, olhando para o chão. O funcionário sabia que Aline estava traumatizada com aquilo.
Andando pela rua, Aline olha para o céu. Era como se cada passo que ela desse, cada movimento que ela fizesse fosse observado e anotado pela Morte.
Sua hora vai chegar...
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