A Visita

1 Capítulo 1: Quando um visitante bate à porta


Notas iniciais
Olá ola, enfim escrevi essa one que estava na minha cabeça há tempos, a one é baseada no 13x01, porém apenas mudei uma coisinha aqui e ali e claro, fiz um final que achei apropriado para meu querido e jamais esquecido Aaron Hotchner.

Boa Leitura amore!

Tensa. Era assim Emily Prentiss se encontrava naquela noite.

O corpo estava enrijecido até demais, as mãos trêmulas e tão suadas que a forçavam a constantemente limpá-las na calça social; nada daquilo fazia muito sentido para ela. Quer dizer, era uma mulher adulta, já formada e conhecia bem cada tipo de reação que seu corpo demonstrava, contudo uma visita não deveria causar aquele tipo de reboliço dentro de si como aquela estava causando.

Ela respira fundo ao receber a mensagem de que ele já está perto de seu apartamento, as poucas palavras mesmo que simples e diretas a deixam inquieta. Eufórica e ansiosa como nunca estivera antes.

A morena então anda pela sala, vez e outra tentando sentar-se para que a espera não fosse tão cansativa assim, porém não adianta. Seu corpo parece possuir vontade própria e não a obedeceu, ao dar-se conta já estava de pé outra vez, caminhando de um lado para o outro sem saber ao certo o que fazer ou como agir.

Ela então respira fundo, parando de vez de frente para a janela de seu apartamento, a cidade estava quieta naquele dia, fria como nunca antes. Um clima agradável, apesar da baixa temperatura.

Duas batidas na porta a tiram de imeditado de seus inúmeros e confusos pensamentos, fazendo-a virar-se de uma vez em direção para a mesma. O corredor curto e iluminado parecia formar um caminho exato para aquela região, mostrando que este era o trajeto que deveria fazer.

A agente pisca algumas vezes e após um breve momento onde pôde recuperar-se segue para a porta, dando cada passo sem pressa; queria prolongar cada momento que teria. Eternizá-lo se pudesse.

Ao segurar a maçaneta fria, seu corpo reage, um arrepio longo corre por sua espinha, ainda que a sensação fosse inesperada, passou longe de ser algo ruim. Tirou dela um sorriso fraco e curto.

Prentiss abre a porta com muita calma, a figura conhecida logo se revelou e ao vê-lo ali parado diante de si, não pôde controlar-se em arregalar os olhos, tamanha era sua surpresa e alegria.

— Olá. — Ele diz mais baixo, sorrindo muito brevemente; algo que ela presenciou acontecer pouquíssimas vezes pelo tempo que trabalharam juntos.

Aaron estava um pouco diferente, a barba um pouco crescida, porém o detalhe não o deixou com uma aparência desleixada ou mais velha, continuava o homem bonito de sempre. O cabelo estava maior também, nada que fizesse muita diferença, mas notável para alguém que o conhecia como ela.

Sem conseguir dizer qualquer palavra que fizesse algum sentido, Emily apenas dá alguns passos adiante e o abraça. a ação ainda que o tivesse pego de surpresa tira dele também uma reação e Hotchner devolve o gesto. Apertando os braços por entre sua cintura e costas, trazendo consigo um punhado de sensações que há muito foram esquecidas.

— Oh, entre — Após soltá-lo libera espaço para que ele adentrasse em sua residência, pouco envergonhado ele segue adiante, olhando ao redor e parando em seguida. Esperando por ela.

Foi algo imediato, sua presença como sempre preencheu todo o ambiente, deixando-o menor; algo que ela já se acostumara.

— Então, por que pediu que eu viesse? — Aaron logo a questiona com gentileza, curioso pelo pedido feito por ela. Algo que ele jamais negaria.

Emily gesticula para o sofá escuro, permitindo que ele se sente, e ela faz o mesmo, mantendo uma distância respeitosa e segura do homem.

— Pegamos o Senhor Arranhão Hotch. — Ela conta, apesar de ser uma vitória da equipe, no fundo ela não sentia-se tão vitoriosa como devesse, fosse por tudo o que aconteceu durante os últimos meses em que ficaram atrás daquele psicopata.

Hotchner se espanta com a notícia, sua expressão muda por completo em questão de segundos, ele parece não saber como reagir, suspira aliviado, mas permanece tenso como quando o dia em que se afastou.

— Ele... Ele está preso?

A morena nega.

— Luke contou que estava atrás dele e durante a perseguição ele gerou uma situação onde não tinha como salvá-lo. — Uma pausa. — Ele caiu do alto de um prédio, morreu na hora.

Hotchner suspira outra vez, seu corpo pareceu relaxar mais agora, como se ter conhecimento de tal notícia tirasse dele e de seus ombros todo o peso que sentiu por longo meses. Emily conseguiu perceber a pequena mudança no homem e ficou feliz por ver isso.

— O chamei aqui porque queria que soubesse logo sobre isso, para que finalmente parasse de se esconder e — Ela para de falar por poucos segundos, o encarando muito fixamente para que ele soubesse que estava falando sério. — Agora com Lewis morto poderá retornar para a UAC, todos sentem sua falta e...

— Emily. — Ele a interrompe, o tom gentil e calmo causou estranheza e notando isso Aaron segura suas mãos com firmeza, a ação inesperada, porém acolhedora a tranquiliza. — Eu não vou voltar para o FBI.

Dessa vez é Prentiss quem se vê pega de surpresa.

— Como assim não vai voltar? — Questiona confusa. — Acabou Hotch, Peter Lewis está morto e não é necessário que você e Jack continuem se escondendo mais.

Aaron permanece em silêncio por uma fração de segundos, seus lábios se movem muito levemente, mas nada que fosse perceptível.

— Não posso voltar depois de tudo o que Jack e eu passamos, primeiro a morte da Haley e depois essa perseguição do Arranhão... — Ele faz uma pausa e respira profundamente. — Não quero que Jack perca o único pai, acredite eu mim, eu quero voltar e gostaria disso, mas serei egoísta se fizer isso com meu filho. Já sacrifiquei tantas coisas por causa desse emprego, não quero mais fazer isso.

Prentiss abaixa a face e fecha os olhos, ouvindo cada palavra dita pelo homem que ainda segurava suas mãos, o toque tornando-se mais quente à medida que permaneciam daquele jeito.

— E também — Ele firma um pouco mais seu aperto, atraindo seu olhar. — Sei que tomei a decisão certa em escolhê-la para que a colocassem em meu lugar, sei que é capacitada o bastante para guiá-los sem mim e confio plenamente em seu potencial.

Emily sentiu seu rosto queimar.

— Eu não sou como você Hotch. — Sua resposta o surpreende ainda mais que antes, seus olhos caem sobre o rosto bonito da mulher. — Walker foi morto por minha causa, Reid foi preso e...

— Nada do que aconteceu foi culpa sua.

— Eu deveria protegê-los e não consegui fazer isso e tantas coisas aconteceram... — A agente fecha os olhos para controlar o impulso que sentiu de chorar, não por tristeza, mas pela culpa que carregava nas costas por tudo o que houve. — Eu não sou como você...

— E eu espero que não seja. — Admite ele, espantando-a. — Ser chefe de unidade requer de nós uma força que eu sei que possui, se não acreditasse nisso não teria feito com que ficasse no meu lugar.

As palavras a confortam, acreditava em seu potencial, contudo ainda existia uma certa insegurança quanto ao cargo, algo que ela bem sabia que levaria tempo até que se acostumasse por completo.

— Obrigado por contar sobre Peter Lewis. — Ele agradece, enfim soltando as mãos da agente.

A morena apenas sorri de primeira reação.

— Achei que devesse saber o quanto antes, não vou mentir, acreditava que se lhe contasse pessoalmente poderia convencê-lo a voltar, mas vejo que tomou sua decisão. — Disse, compreendendo seus motivos e o admirando por escolher seu filho em ver do trabalho. — Jack tem sorte em tê-lo.

Hotchner sorriu com o canto dos lábios.

— E a equipe tem sorte em tê-la como chefe, sei que fará um trabalho excelente. — Ao dizer tais palavras ele simplesmente se levanta do sofá, causando uma confusão em Emily. — Eu preciso ir, deixei Jack com Jéssica e disse que iria voltar logo.

Prentiss se levanta e ao olhar para o relógio percebe que quase quarenta minutos haviam se passado enquanto conversavam, sequer percebera o tempo passar.

— Poderiamos marcar de nos encontrar, — Ela faz uma pausa e logo se corrige ao notar como a frase soou estranha. — Quer dizer, todos sentem sua falta e sei que ficarão felizes e vê-lo e a Jack também.

Aaron Hotchner concorda com a cabeça e solta outro sorriso, um que ela pôde ver com clareza.

— Seria ótimo. — Sua resposta é verdade, Aaron sentia falta de sua antiga equipe e gostaria mesmo de vê-los outra vez. Reunir-se na casa de Rossi ou em algum restaurante e aproveitar a noite ao lado das pessoas que praticamente tornou-se sua família.

Emily e Aaron se dirigem até a porta e logo param, se despedem com frases curtas antes de se abraçarem como se não o fizessem há muito tempo. O abraço agora é mais carinhoso e caloroso que o anterior, dando-lhe a sensação de que não queria soltá-lo tão cedo assim. Carregado com a despedida e uma pequena incerteza se iriam ou não ver-se outra vez.

— Nos veremos novamente. — Ele solta a promessa próximo demais de sua orelha parecendo ler sua mente, para que apenas ela o escutasse, Emily assente com a cabeça e quando já estava prestes a soltá-lo, ao afastar seu corpo minimamente do dele, seus olhos se encontram pela primeira vez.

Ambos se encaram de outra forma, algo que dura por meros segundos antes que, por uma ação tomada de ambos os lados, os dois aproximam seus rostos e se beijam. Hotchner segura o rosto da mulher contra o seu, prolongando o momento ao máximo que era permitido antes que se separassem.

Dessa vez de maneira definitiva.

Quando se afastaram, nenhum deles disse uma só palavra e também não queriam, talvez assim estragassem o momento. Não era necessário, entre eles existia a promessa de que se veriam novamente, mesmo que não houvesse uma data prevista ou um dia em especial.

Notas finais
Obrigada por lerem, sei que terminei de um jeito muito ?? mas quem disse que eles não podem se verem outro dia??? Quem disse que não posso escrever outra one do meu otpzão?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!