A Visita
1 Capítulo 1
Liza preparava o jantar concentrada, Mustang tinha combinado de passar a noite lá novamente.
A mesa já estava posta e ela aguardava ansiosa. Já estavam três meses juntos e ela se sentia fascinada, pois ele não tinha o costume de ficar tanto tempo com uma mulher. Ele tocou a campainha e ela foi atender. -- Desculpe a demora. Trouxe champagne – ele disse sorrindo e beijando-a ao entrar. -- Vamos pôr pra gelar. O jantar está quase pronto – ela disse, entrando na cozinha. Black Hayate cruzou com ela e foi correndo pra Mustang, que se sentou no chão e o cachorro pulou em seu colo e deitou. -- E aí, amigão? Como você está? Liza encostou-se na porta e ficou olhando-o. -- Acho que a mamãe está com ciúmes, Black, deixa o papai ir fazer um carinho nela também? – ele disse, rindo e o cachorro pulou de seu colo e subiu as escadas. – Ele quis nos dar privacidade, hein? Ela foi até ele e sentou em seu colo, beijando-o. -- Hum, desse jeito eu vou querer a sobremesa antes do jantar, Liz – ele começou a beijar-lhe o pescoço. -- Seu bobo! -- Você tem planos pro fim de semana? -- Não, nenhum plano. Por quê? Você tem um pra mim? -- Na verdade, eu tenho uma proposta pra lhe fazer. -- Uma proposta? -- Quero levar você em um lugar. -- E é surpresa? -- Não, não é. Quero levá-la pra conhecer meus pais. -- Seus pais? -- É. Eles têm que conhecê-la. Liza sorriu, entre o medo e a ansiedade. -- Você está com medo? – Mustang abraçou-a mais forte, deu-lhe um beijo no pescoço e riu da expressão dela. -- Bom... Um pouco – ela falou, envergonhada. -- Eu sei que eles vão adorar você, meu amor! Bom, pelo menos você já tem ponto com meu pai por ser do exército! – Mustang brincou e Liza sorriu, um pouco mais descontraída, soltando-se do abraço dele e debruçando-se sobre seu corpo. -- Você devia ter me falado com antecedência, pra que eu me preparasse... -- Você não tem o que temer, não vou atirá-la aos leões, sabia? Você só precisa ser você mesma, foi assim que você conquistou o filho deles. -- E o Black Hayate? Precisamos encontrar um lugar pra ele ficar, né, Roy? -- Não será preciso, meus pais adoram cachorros e ele poderá ir conosco. Vai ser legal. -- Nem tinha me passado pela cabeça... -- O quê? Conhecer meus pais? Ah, mas uma hora você teria que conhecê-los, afinal, pelo menos pro casamento a gente teria que chamá-los, não? -- Ca... Casamento? – Liza levantou o rosto, mais uma vez espantada e encarou Mustang, que sorria divertida e maliciosamente. -- Acho melhor eu parar por hoje ou vai ter um ataque cardíaco. -- Pára de brincar. -- Eu não estou brincando. Eu quero me casar com você. -- O quê? – ela sorriu, irônica. – O Alquimista Mulh... -- Chega disso. Já estou três meses com você e essa fama ainda me persegue? Quero me casar e passar o resto da minha vida com você. -- Você falando em casamento? Conheço você há muito tempo e nunca ouvi nada do gênero saindo de sua boca. -- Eu mudei. Mas tudo bem, se é tão difícil de acreditar, vamos esquecer toda essa conversa, esquecer a ida aos meus pais e esquecer de nós – ele falou, mal humorado. Liza abraçou Mustang e virou o rosto dele delicadamente, ele não sorria e parecia realmente magoado. Ela acariciou seu rosto, beijou seu peito, pescoço e boca. Ele resistiu um pouco, mas se rendeu as carícias dela. -- Não pense que está perdoada só porque deixei que me beijasse. Gosto do sabor da sua boca, do jeito que ela se encaixa na minha, gosto do jeito que você me beija e como você fica toda arrepiada nos meus braços. Ela deitou a cabeça no peito dele e sorriu. Depois, inspirou profundamente, de olhos fechados, perguntou: -- Você segura a minha mão com força, pra me dar coragem? Ele sorriu. -- Se você quiser, não solto você nem um segundo. -- Então está bem. Vamos visitar seus pais. No sábado de manhã, os dois colocaram as malas no carro e partiram. A casa dos pais de Mustang era grande e bonita, imponente como se espera que seja a casa de um General. -- Oi! Chegamos – Mustang gritou ao abrir a porta. Um senhor muito parecido com ele e uma senhora sorridente apareceram para recepcioná-los. Mustang largou as malas no chão e abraçou os pais. -- Quero que conheçam Liza Hawkeye. -- Como vai Liza? É um grande prazer conhecê-la. Sou Roger Mustang e esta é minha esposa, Laura. -- Muito prazer, Liza. -- O prazer é todo meu. -- E quem é esse fofinho no seu colo? -- Este é o Black Hayate, nosso cachorro – Mustang disse, indo até Liza e abraçando sua cintura. -- Já tem um cachorro? Então, acho que estamos atrasados para o casamento de vocês – o pai de Mustang brincou, conduzindo-os para a sala. -- Ah, pára com isso, Roger, vai deixar os dois constrangidos! Então, Liza, Roy disse que também é do exército. -- Sou sim. -- Aposto que é tenente – o pai de Mustang disse. -- Acertou. Como sabia?
-- Você tem jeito de tenente, apesar de ter uma postura bastante centrada. Não terá problemas pra subir de posto nos próximos anos. Ao contrário de Roy, que continua um sonhador. -- É, mas foi esse sonhador que se tornou Coronel! -- Graças ao apoio de Hughes. Que catástrofe o que aconteceu, não? Ficamos chocados quando soubemos. -- Você tem ido visitar a esposa e a filha dele, Roy? -- Ah... Tenho. -- Como é mesmo o nome da filhinha dele? -- Elicia. -- Elicia, um anjinho. Temos algumas fotos dela aqui em casa. -- Todo mundo tem, mãe! – Mustang deu risada. -- E vocês, quando pretendem nos darem netos? -- Liza quase teve um ataque cardíaco quando eu falei de casamento, pai. -- Não tive não. Eu só fiquei surpresa porque você nunca tinha falado sobre o assunto. -- Sabe, Liza, é a primeira namorada que Roy traz aqui. Ele deve levá-la realmente a sério! -- É porque você não a viu no quartel general. É a única mulher do meu batalhão, mas lidera com mãos de ferro! -- Uma mulher pra lhe pôr rédeas, estou realmente contente em conhecê-la, Liza. Sabe, meu filho pode ter herdado muitas características minhas, mas herdou a teimosia da mãe! -- Roger! -- Eu estou brincando, querida – ele falou, piscando para Liza, que sorriu. -- Sei, sei. Eu vou olhar o almoço, pode me ajudar, Liza? -- Claro – Liza passou Black Hayate para o colo de Mustang e seguiu a senhora até a cozinha. -- E então, o que achou dela? – Mustang perguntou ao pai quando se viram sozinhos. -- Você pergunta a minha opinião como se esperasse minha aprovação. -- Quero só saber o que achou da Liza. -- Ela o faz feliz? -- Muito. -- O que ela tem que as outras não têm? -- Ela me fascina. Sempre descubro algo novo nela, o olhar dela me arrepia e eu não suporto ficar longe dela. -- Então se case com ela. Quando descobri que não sabia viver sem sua mãe, casei-me com ela. -- Não lhe perguntei se devia me casar com ela, pai, perguntei se gostou dela. -- Só o fato de ela ter conseguido te fisgar já me faz gostar dela. Mas não é comigo que você deve se preocupar! Sua mãe é doce e meiga, mas tornou-se um pouco psicótica quando você telefonou avisando que traria sua namorada pra conhecermos. -- Como assim? -- Você é filho único, o que esperava? Ela o quer só pra ela, não pode esperar nada diferente. -- Acho melhor ir até a cozinha, então. -- Não se preocupe com isso. Acho que a mulher certa pra você saberá como proceder com sua mãe. Na cozinha, a mãe de Mustang tirava uma carne assada do forno. -- Então, vocês se conheceram no exército? -- Foi. -- Mas só agora começaram a namorar? -- É. -- Qual o motivo pra tanta demora? -- Sempre fomos a tenente e o coronel, não tínhamos muito tempo pra sermos nós mesmos. -- E agora se aproximaram? -- Depois que Roy foi ferido, sim. -- Então você foi a enfermeira dedicada dele? -- Eu me senti um pouco culpada por ele ter se ferido. -- É, acho que estando juntos no exército esse sentimento é inevitável, não? Não me entenda mal, não quis dizer que foi sua culpa. É como sei que meu filho se sente com a morte de Hughes ou com o que quer que tenha acontecido na guerra. -- Como assim, com o que quer que tenha acontecido na guerra? -- Roy não fala sobre o que aconteceu lá. O que eu sei é que ele ficou meses isolado depois da guerra, só o que sabíamos era o que Hughes nos contava e ele sempre foi muito leal ao Roy, então, não nos contava muito. E quando finalmente acabou o isolamento, ele tinha colocado na cabeça essa obsessão por se tornar Marechal e Hughes dizia que o levaria ao topo. Liza ficou em silêncio, olhando o chão. -- Eu imagino que você conheça esse fato que eu desconheço, não se preocupe, sei disso apenas porque sou mãe. Creio apenas que seja um segredo do exército e não vou pedir que me conte, porque eu vejo em seus olhos o mesmo olhar que Hughes usava quando dizia que colocaria meu filho no cargo de Marechal, uma enorme determinação e lealdade, sem visar benefício próprio. Liza sorriu. -- Vou confessar-lhe, Liza, que é realmente muito difícil pra mim, na posição de mãe, conhecê-la. Exatamente porque você é adorável. Uma sogra deve odiar a nora porque é a mulher que está roubando nosso filho, sei disso, minha sogra não me deixava esquecer nunca. Mas você parece mais estar se tornando uma filha pra mim do que estar roubando meu Roy. -- Eu me apaixonei por seu filho quando o conheci. Tudo que sempre fiz foi para ajudá-lo a alcançar seus objetivos, sempre me esforçando ao máximo, para que ele só se preocupasse em almejar o topo. -- Você realmente fala como o Hughes! -- É porque seu filho inspira isso, ele não quer chegar a Marechal apenas pelo poder, ele tem intenções muito nobres que acreditamos que só ele cumprirá! -- Não deve ter sido fácil passar todos esses anos ao lado de Roy sendo apaixonada por ele, tendo de vê-lo com outras mulheres. Liza corou. -- É, eu sei da fama que meu filho tem. Hughes não cansava de falar que ele devia sossegar e encontrar uma mulher pra se casar! Mas ele é igualzinho ao pai, um namorador, ou, como eles preferem chamar, um apreciador da beleza feminina. Eu sofri muito por isso quando namorava Roger, ele ficava meses longe, viajando por muitas cidades, conhecendo muitas mulheres... Simplesmente me atormentava essa idéia, mas quando ele voltava, louco de saudade, eu percebi que eu tinha ganhado seu coração e que era mais importante do que qualquer outra mulher que entrasse em seu caminho. Eu sei que não é fácil lidar com um militar, são instáveis e insaciáveis, mas eu tenho certeza que você tem tudo o que é preciso pra ficar com ele! Liza sorriu e concordou. -- Bom, vamos levar o almoço antes que eles comecem a reclamar! Elas colocaram a mesa do almoço e os quatro se sentaram pra comerem. O almoço foi muito agradável. -- Vocês têm mesmo que ir embora amanhã? -- Segunda feira temos que estar no quartel, mãe. --Ah, é uma pena. Vocês têm que voltar com mais tempo, não tem, Roger? -- Com certeza. Essa casa ficou praticamente vazia todos esses anos por causa desse filho ingrato. -- O senhor sabe como é servir o exército como Alquimista Federal! Liza e eu vivemos atolados em trabalho. -- Aposto que você só se atola no trabalho porque continua negligente! E acaba levando ela junto. -- Olha só, quem vê não diz que é meu pai! Vou subir pra ver o que fizeram com meu quarto. -- O que quer dizer com o que fizemos com seu quarto, está do jeito que você deixou, eu só limpo ele. -- Então vem comigo, Liz – Mustang puxou Liza pela mão e os dois subiram. Era um quarto normal, mas não se dizia que um adolescente tinha estado lá alguma vez. -- Sua mãe redecorou ou você sempre foi sério? -- Meu pai é um militar, o que esperava? Eu não podia me expressar pelas paredes do quarto! Liza deu risada. -- É, não vai ter problema de dormirmos aqui. -- Dormirmos? -- É. Por que a pergunta? -- Não acho que seja boa idéia dormirmos juntos na casa dos seus pais. -- Ah, que isso, já somos adultos, Liz, quer meus pais gostem ou não! -- Roy, não é questão de sermos adultos ou não, é questão de respeito, não acredito que eles se sentirão a vontade com essa situação. -- O quê? A gente não vai fazer nada, só vamos dormir na mesma cama. Qual o problema? -- Roy... -- Não, você ouviu. É a primeira namorada que eu venho apresentar a eles, porque você é importante, é a mulher que eu amo, com quem eu quero me casar. Meu pai não vai ter problemas. Só preciso falar com minha mãe... -- Roy, não vá importuná-la com isso. Mustang desceu as escadas e foi encontrar a mãe na sala de costura. -- Viu? Tinha alguma coisa diferente no seu quarto? -- Não, obrigado. -- O que é, então? Você não vem tão determinado pra mim sem ter um propósito. -- Como sabe disso? -- Eu dei à luz a você, se lembra? Você vem com essa cara decidida desde que tinha cinco anos, Roy, vai entender o que significa quando tiver seu próprio filho. Mas fala o que você quer? -- Liza vai dormir comigo. A mãe de Mustang parou de repente, espantada. -- Como é? -- Surpresa? -- É claro que estou surpresa! Meu filho me apresenta a namorada dele e no mesmo dia diz que vai dormir com ela sob meu teto! Que direitos acha que tem pra fazer uma coisa dessas? -- Mão, Liza e eu somos adultos, que mal há nisso? -- Acontece que você não devia dormir com essa moça até o casamento, esse é o problema. Se pensa que vou incentivá-lo do contrário, está muito enganado.
-- Liza e eu praticamente moramos juntos na Cidade Central, mãe, o que você não quer incentivar já aconteceu. -- Mas não de baixo do meu teto. -- Eu só disse que vou dormir com ela. Eu desacostumei dormir sozinho. -- Ai, meu coração! -- Mãe pára de fazer drama, vai. -- Seu pai, o que acha disso? -- Acha normal, humano. -- Vocês querem me matar, é isso que querem. -- Mãe, quantos anos tinha quando conheceu meu pai? -- Eu tinha vinte e dois. -- Conheci Liza quando eu tinha vinte. Quantos anos você tinha quando se casou? -- Vinte e oito. O que isso tem a ver? -- Você namorou seis anos com meu pai, certo? -- Certo. -- E só dormiu com ele depois de casada? -- Sabe, adoro aquela idade em que os filhos não querem saber sobre isso. -- É, eu também. Os filhos agem envergonhados, os pais com hipocrisia... -- Hipocrisia? Então quando seu filho tiver quatro anos e lhe perguntar como se fazem os bebês você irá contar tudo a ele? -- Não, porque eu terei me tornado pai e ganharei o direito de agir com hipocrisia. -- Espertinho! -- Vai, mãe, qual é? Se eu tivesse dezesseis anos, mas tenho quase trinta! -- Com cinco, cinqüenta ou cem, será sempre o meu filhinho! -- Mãe, lembra quando eu tinha dez anos e não queria deixar que lavasse meu cobertor? -- Lembro, não tinha quem o separasse daquele cobertor, você não me deixava nem chegar perto. -- Lembra o que eu fiz quando você o lavou escondido? -- Ficou a noite inteira sem dormir, chorando. -- Entende o que eu quero dizer? -- Entendo que sua namorada vai ficar bem furiosa se souber que foi comparada a um cobertor! -- Não é esse o ponto. Quero que aceite a minha vontade, mesmo que ela seja oposta a sua! Liza não é apenas a minha namorada, é a mulher da minha vida! -- Você nem sabe o que isso significa... -- Mãe, eu sei. -- Você acha que sabe... Aquela garota é simpática, mas não acredito que seja a mulher da sua vida, querido, não acho que ela possa te fazer feliz. -- Ela já me faz feliz! Mãe, não agüento passar um dia longe dela! -- Não seja exagerado! -- Eu percebi que a amava quando ela teve um dia de folga e eu quase morri! Toda vez que alguém abria a porta, eu olhava esperando que fosse ela. Eu não agüentei esperar o dia seguinte e fui até a casa dela e a convidei pra jantar! A mãe dele ouvia em silêncio, sem conseguir interferir. -- Então, ela já seduziu você. -- Mamãe... -- Eu já não posso fazer nada, não é? Você já caiu no encanto daqueles belos olhos castanhos. -- Já. -- Você, que dizia ter horror de casamento, está disposto a dedicar toda a sua vida a essa moça? -- Estou. -- E como vai saber se ela sente o mesmo que você? Ela pode ser ambiciosa e querer se aproveitar do seu cargo de Coronel para se auto-promover... -- Eu conheço a Liza há muito tempo e tudo o que ela sempre fez foi cuidar de mim. Aonde eu ia, ela estava ao meu lado, me apoiando e me protegendo, sem reclamar nenhuma vez! Quando eu fui transferido para o Leste, ela podia ficar na Cidade Central e com certeza chegaria ao posto de Coronel com impressionante rapidez, mas ela disse que iria comigo. Depois que o Hughes morreu, eu quis desistir de tudo isso, mas ela me fez ver que desistir não me ajudaria em nada e quando lhe perguntei se ela iria comigo até o fim, ela me respondeu que nada a impediria. Eu não preciso de mais provas que isso. E a senhora? -- Mas eu sempre estive ao seu lado... Você sempre pode contar comigo se precisar... -- Eu sei disso, mas eu jamais levaria a minha mãe para uma guerra! -- E levaria aquela garota? -- Ou eu não teria chances de voltar com vida! -- Você confia assim nela? A ponto de colocar sua vida nas mãos dela? -- Não só confio, como já fiz isso muitas vezes. Não é à toa que é ela que eu levo pra todo lugar, ela me protege e eu a protejo com todas as minhas forças! -- Bom, ao que me parece, você não veio até aqui ter a minha permissão, certo? -- Mãe... -- Afinal, você já é um adulto e faz da vida o que quiser, certo? – ela estava à beira das lágrimas. -- Eu não quero enganá-la, não quero lhe esconder nada – ele disse, abraçando-a. -- Eu preferia que tivesse escondido! -- Pra quê? Pra quando descobrisse, ficasse duplamente desapontada comigo? Não, eu não ajo assim! -- Pra que precisa dela? Por que quer me abandonar? Eu não basto a você? -- Não seja dramática, mãe. Sabe que eu ficar com Liza não significa que eu vou abandoná-la. Ela caiu no choro. -- Não é motivo pra chorar. -- É, você tem razão – ela disse enxugando as lágrimas. – Quer dormir com ela, não quer? -- Quero. -- Com a condição de que não aconteça nada... -- Está prometido. -- Então eu acho que não estou mais em posição de me opor. -- Eu quero que goste dela... -- Eu gosto. Infelizmente, eu gosto dela. -- Mamãe... – ele disse, dando-lhe um beijo. Na hora de dormir, Liza ainda estava receosa. -- Deixa de ser boba e deita logo. Meu pai quer me levar em algum lugar de manhã e eu tenho que estar descansado. Sabe como são os militares, sempre acordam cedo, gostam de longas caminhadas... Vai, minha mãe já concordou. -- Roy, isso só vai piorar minha situação com ela. Se antes não tinha motivos pra me odiar, com certeza agora tem um muito bom! -- Eu estou aqui pra te proteger. Agora vem dormir. -- Acho melhor eu ir dormir no quarto de hóspedes. Talvez ela estivesse me testando... -- Vem – ele a pegou no colo e deitou-a junto a ele na cama. – Nunca a vi tão apavorada assim. -- Já viu sim. Eu estava desse jeito quando conheci você. -- Eu não me lembro de você estar nervosa. Lembro de todos elogiando a sua mira perfeita. -- Lembra-se do que me disse? -- Não. -- Que atirar em um alvo era fácil, numa pessoa era bem diferente. A primeira vez que me ordenaram atirar em alguém, você o envolveu em um círculo de fogo e o capturou. Depois sussurrou pra mim que quando você fosse Marechal, atirar não seria nunca mais uma ordem. Foi quando decidi segui-lo. -- Eu me lembro quando me pediu pra fazer parte do meu batalhão. Quase atirou na minha cabeça. -- Disse que eu não tinha experiência e maturidade pra entrar no batalhão de Roy Mustang. -- Pegou a arma, apontou pra minha cabeça e disse que acreditava nos meus ideais, mas se teria ainda que seguir a ordem de atirar, que fosse minha. -- Você deu risada e me mandou voltar só quando eu crescesse. -- No dia seguinte, você apareceu séria e tinha se tornado a mulher que é hoje. Calou a minha boca. -- Eu queria fazê-lo engolir cada palavra. Foi o jeito que encontrei. Decidi que faria de tudo para ser parte do seu batalhão e me tornar seu melhor homem! -- E agora, tudo o que eu mais quero é que seja minha mulher – ele disse abraçando-a com força e carinho. -- Roy... – ela o envolveu e se encorujou em seus braços. Os lábios dos dois se colaram. -- Meus pais adoraram conhecê-la! -- Não importa o que eu faça, não consigo parar de tremer... -- Só quero ver no dia do casamento, acho que você vai até desmaiar! -- Não é engraçado, Roy. Eu ainda fico nervosa como uma adolescente. -- Eu amo você, Liz! Eu quero viver todos os dias da minha vida com você. Eu a acho tão linda quando está nervosa, meu amor! -- Pára – Liza encaixou-se nos braços de Mustang e enlaçou a própria cintura com os braços dele. -- Não querida, é verdade. Eu quero cuidar de você e quero ter filhos com você. Sabe que é a única mulher com quem eu me amarraria assim! -- Tudo o que eu mais quero é acordar todos os dias do seu lado, Roy. É o que eu sempre quis desde que te conheci! É o único homem que me faz tremer assim. Ela o encarou e ele sorria malicioso. Parecia ansioso e agitado. -- O que foi? -- Liz... Pode parecer meio... Estranho dizer isso assim... E realmente eu acho que devia fazer isso de uma maneira mais formal... O que eu estou tentando dizer... Você sabe que minha promoção à Brigadeiro está pra sair e que... Depois de cumpri algumas missões especiais, em breve me tornarei General... Ele enlaçava os dedos das mãos dela e ela podia sentir o coração dele batendo muito forte. -- Eu queria saber, se depois que eu me tornar General... Se casa-se comigo? Liza arregalou os olhos e virou-se rapidamente pra ele e o abraçou. -- Devo aceitar isso como um sim? Ela se soltou do abraço devagar, séria e fechou os olhos. -- Não. -- Não? – ele perguntou espantado. -- Roy, eu sou do exército também, sei bem que o em breve deles pode demorar dois anos ou mais. Sinto muito, mas não posso esperar tanto tempo assim pra ser sua mulher. -- Ufa, cheguei a pensar que eu tinha alguma coisa errada – ele sorriu aliviado. – Bom, se não pode esperar, acho que eu não tenho escolha. Aceita se casar com um simples Coronel mesmo? -- É claro que eu aceito, meu amor! -- Então eu oficializo amanhã, está bem? Afinal, meus pais ficariam bem decepcionados com uma proposta de casamento sem uma aliança no seu dedo! -- Ela sorriu e olhou fundo nos olhos dele. -- Sra. Liza Mustang! Gostei disso! -- Eu também gostei, soa muito bem! Ela deitou a cabeça no peito dele e ficaram abraçados até dormirem, apaixonados e extasiados com a idéia de finalmente se casarem.
Notas finais
mereço reviews??????
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
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