A Visão
7 Capítulo 7 - Teorias
Notas iniciais
"Nesse caso, eu não chamaria de trapaça... Eu chamaria apenas de sorte ou revés!"
CRAS! As garrafas de cerveja caíram.
Em um movimento rápido, quase como um ninja, Carlos desviou-se de pelo menos umas três garrafas. As outras caíram em seu braço. Uma delas arranhou seu pulso. Três ou quatro garrafas chocaram-se em sua cabeça. Por reflexo, Carlos pretendia proteger sua cabeça com uma de suas mãos. Foi aí que sua mão direita soltou-se da geladeira. Aline empurrou Owen para o seu lado esquerdo, e correu para ajudar Carlos, que caminhou para longe da geladeira, com alguns ferimentos e cortes leves. -Você tá bem? – Perguntou Aline, encostando sua mão no ombro do amigo ferido. Carlos respondera fazendo que sim com a cabeça, e engolindo um seco. Ele estava com um corte grave na testa, que fazia sangrar – Vem, eu vou te levar pra um hospital. -O único hospital fica a tipo, uns três quilômetros daqui – Owen respondera Aline, que olhou para ele com uma expressão de “tá de brincadeira, né?” Carlos caminhou para perto da porta, onde uma pia de granizo ficara posicionada. Ele apoiou-se sobre a pia com a mão direita, tentando respirar um pouco. -O que foi aquilo? – Perguntou Carlos, com uma respiração ofegante, e suando frio. -Cara, você é o próximo! – Owen respondeu em um tom de desprezo. -Pro... – Gaguejou – Próximo? Próximo de que? Carlos tropeça na tampa da cola, escorregando para trás. Seu corpo foi arremessado para perto o suficiente da pia de modo que sua cabeça bateria na quina pontiaguda do objeto. Aline interveio, colocando sua mão atrás da cabeça de Carlos. Com a força da queda, a quina machuca a mão de Aline, que grita de dor. -Ai meu Deus! – Ainda com uma respiração ofegante, Carlos olha para a mão de Aline, que estava sangrando. -Minha mão... – Gaguejou – Tá doendo muito... A mão de Aline sangrava muito. Havia sangue jorrando por toda a cozinha de Carlos. Ela havia machucado a mão quando salvou Carlos de bater a cabeça na quina da pia. O corte era feio, e parecia grave. Owen olha para o machucado da amiga, e se espanta ao ver tanto sangue. -Eu acho que melhor levar vocês dois pra algum hospital, tipo, a gente pode pegar um ônibus, ou algo assim! Eu tenho dinheiro aqui – Owen vasculhou nos bolsos de sua calça jeans alguma coisa. Ele estava com pressa, pois a cada segundo que perdia procurando algo, Aline perdia mais sangue em sua mão. Ele tirou do bolso uma tampinha de garrafa prateada, uma nota de cinco dólares, algumas moedas, e o papel com a mensagem de Kevin Fisher. Ele olhou para Aline com preocupação. Houve uma longa pausa. Aline olhou para Owen como se fosse dizer algo em tom de tristeza, mas desistiu. Carlos ficou de pé, segurando seu braço que estava sangrando. -Minha mãe não tá aqui – disse, olhando para a sua geladeira – e meu pai morreu. Só tem eu aqui. Owen deu um suspiro. Novamente, ouve uma pausa. Depois, ele lhe respondeu: -Você não tem uma babá, ou algo assim? O silêncio tomou conta do ambiente. Aline olhou para Carlos, que continuava fixo na geladeira. Todos os três pareciam ter medo de ficar perto daquele objeto que quase causou a morte do amigo. Carlos respondeu fazendo que não com a cabeça. Ele engoliu um seco, e depois respondeu: -Minha mãe costumava pagar uma au pair para mim. Mas depois que a escola pegou fogo, ela disse que não faria mais isso. Ela tem medo de que alguém me mate, sabem? Parece que agora ela tem medo de me perder... Por um instante, uma idéia brilhante se formou na cabeça de Aline, que parecia impossível que algo assim surgisse do nada na cabeça de alguém. -Carlos, você tem o telefone da Helena e do Elias? A gente precisa conversar com todos vocês! – Ela fez uma pausa. Com um esforço enorme, tentava não se importar com a dor insuportável que sentia em sua mão, mas não obteve sucesso. Um sorriso torto havia se formado em seu rosto, o que dava a impressão de esforço. -Eu... – gaguejou – eu tenho sim, mas por que isso é tão urgente? – Ele foi calmamente até a sala de sua casa, e pegou um bloquinho de anotações pequeno e velho que retirou de debaixo de seu aparelho de telefone. Owen lançou um olhar de “Sério mesmo?” e ele respondeu – minha mãe acha que um ladrão pode vir aqui em casa, e ligar para alguém, pedir informações, para depois seqüestrá-los... Tenso – Owen respondeu, dando os ombros. Carlos pegou a agenda, e jogou-a na direção do amigo, que a agarrou no ar. Ele abriu a agenda roxa, com letras enfeitadas e brilhantes na letra H. — Helcio... Heleanor... Helena! Achei! – Comemorou, pedindo o telefone para Carlos. -Boa sorte! – Carlos respondeu, tirando o seu telefone sem fio do gancho para entregá-lo na mão de Owen. Owen começou a discar os números sem dificuldades, no teclado: -Cinco, cinco, cinco... – digitou – zero... Um... -É urgente por que achamos que sabemos que a gente deve fazer para impedir a morte de nos pegar. – Aline pegou um pano que achou em cima do sofá da sala, e enrolou o tecido em sua mão ferida. -Espera um pouco aí! – Interrompeu Carlos, sentando no sofá – você ainda acha que a morte tá atrás da gente? Tipo... Não foi provado ainda!
-A Roberta morreu... – ela disse, com um aperto no coração. Ela se esforçava tanto para não se lembrar daquilo, mas era quase que inevitável... – o professor Robert também! E você também quase morreu duas vezes! Não acha meio estranho? -Olha, Aline... Isso não é normal! Só por que todos esses acontecimentos te deixaram abalada, não é motivo para culpar a morte! Tipo, a morte é apenas uma expressão usada para descrever o que acontece com a pessoa que perde a vida! -Não é! Ela é algo que tem inteligência e sutileza para nos matar! Não era para nenhum de nós sobrevivermos! A Morte tinha um esquema para todos nós! E o esquema era aquela explosão na escola! Mas eu consegui ver o esquema dela... – Ela fez uma pausa forçada. Queria ver se Carlos entendeu tudo, como se perguntasse “Você entendeu, não é?!” e depois, ela continuou explicando sua teoria – a Morte é esperta! Na minha visão, todos morrem na mesma ordem que estão morrendo agora! A Roberta, o professor, e agora você! Não acha isso estranho demais? -Bom... – ele tentou seguir a linha de raciocínio da amiga, que nesse instante, estava tomando fôlego de tanto falar – então, vamos supor que tudo isso é real, ok? Vamos supor que a Morte quer nos matar! Se isso realmente for verdade, e eu for o próximo, o que aconteceria se eu me salvasse? Descobrisse onde e quando a morte fosse atacar?Você está imaginando um jogo, Aline! E os personagens somos nós! O fim de jogo é a morte, certo? Então, supondo que eu... “trapaceasse”, ou seja, eu descobrisse onde a morte atacaria, e me salvasse! O que aconteceria comigo? Outra pausa. Dessa vez, o som da voz de Owen no telefone ecoou pela sala. Ele olhou com cara de “ela não tá entendendo” e apontou para o telefone. -Nesse caso, eu não chamaria de “trapaça”... Eu chamaria apenas de “sorte ou revés”! -E o que seria trapaça para você, Aline? – O reflexo do sol nos óculos de Carlos dava a ele um tom sombrio, e isso deixou Aline assustada. Tão assustada que ela se afastou alguns centímetros dele. -Eu chamaria de trapaça... Se uma pessoa de dentro do esquema da Morte salvasse o próximo da lista. Talvez, isso bagunçaria o esquema todo, e a Morte parasse com isso! Carlos bateu palmas para ela. Aline achou estranha essa atitude do garoto, que começou a lançar elogios e palavras agradáveis a ela. -Excelente! É esse o raciocínio! Mas isso não seria trapaça, amiga vidente... Trapaça seria se – ele colocou a sua boca na orelha de Aline, como se fosse contar algum segredo – a ultima pessoa da lista se matasse... Aline gelou por alguns segundos. Depois, olhou sério para o amigo, e começou a rir. Sua risada era irônica, e aterrorizadora. -Você não me engana! – Cuspiu. Carlos olhou para Owen, na esperança de que ele pudesse defendê-lo, porém, ele estava falando ao telefone, e nada pudera fazer. -Vai acreditando nisso, amiga vidente... – ele tentou intimidá-la – vai acreditando nisso... Owen começou a rir, e guardou o telefone no lugar. Ele foi até Aline, e disse o resultado dos telefonemas: -Arrumem tudo! O resto dos sobreviventes está vindo pra cá para uma nova reunião! Aline deu um sorriso torto novamente, mas dessa vez, foi proposital. Ela cochichou na orelha de Owen: -Owen, amigo... Você não convidou a Tainara, convidou? -Não! – Respondeu – claro que não! Eu pedi para o Elias chamar os outros! Aline sorriu. E caminhou para a sala novamente. Depois, ouviu Owen gritar da cozinha: -O Elias convidou! Aline sentiu um frio na espinha. Teve vontade de quebrar um a um, todos os ossos de Owen. Na ultima vez que viu Tainara, elas brigaram feio, e quase se mataram por causa disso. -O Elias fez o QUE?! – Gritou o mais alto que pôde, na esperança que a Morte a ouvisse, e levasse Tainara o mais rápido possível.
Notas finais
Tainara e Aline. Duas inimigas mortais!
Esse trama levará a série a loucuras! E não estou brincando! Buscarei focar mais nas brigas dessas duas nos próximos capítulos (Não é piada!) pois Tainara terá um papel importante nos capítulos finais da história.
Tainara tem o temperamento quente, e é por isso que ela e Aline são inimigas. Tainara é esquentada, e Aline é tranquila. E Roberta também será motivo de discução.
Muitas aventuras estão por vir, nos capítulos de tirar o fôlego a cada palavra que lerem.
Esse trama levará a série a loucuras! E não estou brincando! Buscarei focar mais nas brigas dessas duas nos próximos capítulos (Não é piada!) pois Tainara terá um papel importante nos capítulos finais da história.
Tainara tem o temperamento quente, e é por isso que ela e Aline são inimigas. Tainara é esquentada, e Aline é tranquila. E Roberta também será motivo de discução.
Muitas aventuras estão por vir, nos capítulos de tirar o fôlego a cada palavra que lerem.
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