Notas iniciais
Partindo de hoje,quem estará betando e corrigindo os erros desta fanfic é a fofa da GabsBooBearJujubaVerde.
Agradeço à todos que comentaram no Prólogo e especialmente à Bre Lee e à Leth que favoritaram a fic.
Não estranhem o nome do capítulo,será justificado ao decorrer do mesmo.
Mais uma coisa:As atualizações ocorrerão às terças ou às quartas,possivelmente a cada quinze dias.Tudo vai depender do meu humor e da minha organização.Caso ocorra algum problema e não dê muito certo postar,eu aviso ;)
Sem mais delongas,nos vemos lá embaixo.
Boa leitura :D

Margarete fez uma pausa para beber um pouco de café. Os três pequenos a observavam atentamente. Sem muita demora, continuou com sua história.

“Não conseguiu escrever uma palavra sequer. Já estava se desanimando com a ideia de ficar sentada no telhado do casebre quando um estalo veio em sua mente. Riscou cinco linhas bem próximas umas das outras no topo da folha. Pegou seu violino e o apoiou no ombro, tocando leves notas que ecoavam pela vegetação à sua frente.

Cada nota que tocava e apreciava em melodia, ia anotando em cada linha do caderno. Após preencher o primeiro pentagrama, guardou seu violino e o caderno em seus respectivos lugares. Entrou em casa e foi jantar com a família.

Estava faminta por não ter comido nada o dia inteiro, mas apesar de tudo, evitou fazer um prato muito grande para que seus irmãos menores não ficassem com fome.

Após a refeição, levantou-se da mesa e foi sentar-se nas escadarias de pedra que ficavam na frente de sua casa. Não tinha o que fazer, sempre que chegava de seus estudos e treinos a casa já estava limpa e organizada. Pensou em ler algum livro ou escrever uma carta à seu tio. Refletiu e percebeu que a segunda opção estava fora de cogitação. Talvez ele encarasse isso como arrependimento dela.

Em meio a um devaneio adormeceu. O cansaço havia ganhado a luta existente.

Na manhã seguinte acordara em sua cama, por mais incrível que parecesse, Damon havia a avistado dormindo nas escadarias e a levou para dentro. Olhou ao redor e percebeu que ainda estava escuro. Rasgou uma folha do caderno e escreveu um bilhete de agradecimento ao irmão, deixando-o perto da caneca com água ao lado de sua cama.

Pegou seu violino e saiu de casa. Olhou no horizonte e seu pai já estava indo trabalhar. Ainda chateada, tapou os olhos com o tecido e seguiu a tão conhecida trilha.

Fez praticamente o mesmo ritual do dia anterior. Ficou no mesmo lugar, com a caixa de madeira que abrigava tão bem seu violino, aberta à espera de moedas. De olhos vendados, assim como antes, tocou cada nota perfeitamente, emendando uma música à outra. Cada vez mais era possível se ouvir as moedas brilhantes sendo jogadas.

Tocou o dia inteiro, até ficar exausta. A fome havia deixado Lucy muito fraca e suas mãos doíam. Finalmente concluiu a última música planejada para aquele dia e todos na praça começaram a bater palmas, saudando a violinista.

— Viva a Violinista Cega!

— Meus parabéns! Suas mãos são divinas!

Lucy fez sinal de reverência aos elogios e voltou-se às moedas na caixa. Recolheu-as e as guardou em um pequeno saquinho de cetim que se camuflava em seu vestido. Guardou o tão amado violino na caixa e levantou-se, caminhando em direção à uma banca de frutas que ainda estava aberta devido ao espetáculo. Fez tudo com os olhos vendados, surpreendendo todos os que a assistiam.

Pegou uma moeda e se aproximou da banca. O rapaz que vendia as frutas se aproximou para atendê-la.

— Eu gostaria de comprar quantas maçãs fossem possíveis com esta moeda – disse entregando a moeda ao rapaz que por sua vez, deu meia volta e começou a pegar as maçãs e colocar num cesto que havia sobrado.

— Meus parabéns pelo seu dom musical – disse o jovem.

Lucy o fitou espantada. Não podia enxergá-lo, mas podia escuta-lo. Suas bochechas ferveram. Um elogio repentino foi surpreendente.

— Obrigada.

O rapaz se virou, entregando as maçãs à Lucy. Sem jeito, ficou observando-a por alguns segundos. Sua pele pálida contrastante com seus fios escuros de cabelo. Seus olhos cobertos pela tira escura e a forma como seus lábios se moviam.

— Meu nome é Victor. É a segunda vez que vejo você tocando aqui na praça e quero que saiba que a admiro muito.

As bochechas de Lucy tornaram a corar. Entregou a moeda à ele e deu meia volta para ir para casa quando subitamente sentiu seu braço ser fortemente segurado. Olhou para trás em vão pois não pode ver nada.

— Quem é você?

— Acho que realmente não pode me ver. Sou eu, Victor – disse soltando o braço da jovem.

— Victor?! Por que me segurou? Está faltando dinheiro para pagar?

— Não. É que não posso permitir que uma moça ande sozinha pela floresta a noite. Vou te levar até sua casa.

— Creio que isto não será necessário.

— Você não vê as coisas que estão à sua frente. Além do mais, está escuro, pode ser perigoso.

— Eu sei o caminho pela floresta até minha casa, não precisa se preocupar.

— Não é questão de preocupação. Que tipo de cavalheiro deixaria uma dama caminhar sozinha pela floresta?

Lucy queria hesitar novamente, porém não sabia como. Por fim, aceitou a companhia do rapaz até sua casa. Mal o conhecia mas ele já se destacava por seu cavalheirismo. Tomaram a trilha e foram caminhando pelo caminho escuro com suas frustradas tentativas de puxar assunto, vez ou outra falando alguma coisa.

A morena refletia sobre os acontecimentos monótonos de sua vida. Pensar que havia abandonado os estudos para vender sua arte. Cada segundo que passava mais se martirizava. Queria chegar o quanto antes em casa e preencher mais um quinteto de linhas de seu caderninho com as suaves notas que representavam seu longo dia. Foi arrancada de seus devaneios com a grossa, porém suave voz do rapaz que a acompanhava.

— Até agora não sei seu nome.

Pensou em mentir e dizer um pseudônimo qualquer, porém isso a afetaria de alguma forma caso se tornassem amigos. Poderia talvez, ser a quebra da confiança existente, sendo que ela havia mentido desde o dia que se conheceram. Resolveu então que seria verdadeira com Victor, afinal, que mal isso faria? Não tinha amigos além de seus pais, irmãos e seu tão amado violino.

— Meu nome é Lucy. – disse num tom baixo.

—Seu nome é lindo, assim como seu rosto.

Novamente as bochechas de Lucy arderam avermelhadas. Ia dizer qualquer coisa, mesmo sem saber o que dizer em meio a um elogio daqueles quando o jovem que a acompanhava cortou-a completando o que estava dizendo anteriormente:

— É uma pena que não posso dizer o mesmo dos seus olhos. Nunca os vi, sempre estão vendados.

— É que sou cega. Não vai querer ver meus olhos, são estranhos e deformados. Luz alguma entra neles, por isso estão vendados.

Neste exato momento Victor parou de caminhar. Percebendo ser a única andando em meio às folhas secas da floresta, Lucy também parou.

— Você não é cega.

Lucy sentiu como se uma forte pancada tivesse a atingido. Talvez fosse a adrenalina do momento. Continuaram andando até chegarem a uma bifurcação. Mesmo sem poder ver, seguiu para a direita com o rapaz ao seu lado. O passeio a partir de então fora silencioso, até chegarem à um casebre.

— É aqui sua casa?

— Sim. Obrigada por me acompanhar.

— Voltando ao assunto – disse Victor se aproximando – eu sei que não é cega. Deixe-me ver seus olhos, por favor.

Lucy relutava. Não queria exibir sua face. Por outro lado, seu desejo de ver como o generoso rapaz que a levara para casa só aumentava. Começou a refletir a respeito enquanto ele apenas aguardava sua resposta.

Caso escolhesse manter seus olhos cobertos, poderia acabar perdendo um amigo; se escolhesse mostrar sua face, ele poderia dedurá-la aos quatro cantos do mundo e dizer que a famosa violinista cega não é cega.

Instantes após a reflexão levantou os braços e posicionou-os atrás de sua cabeça. Ainda um tanto receosa, desfez o laço e o nó que prendiam a faixa em seus olhos. Lentamente retirou-a e só então pode olhar nos olhos de Victor.

Victor era mais alto que ela, porém aparentava ter a mesma idade. Seus cabelos eram negros e sua pele clara brilhava com a iluminação do luar. Seus olhos castanhos a observando e seus lábios semiabertos por finalmente poder ver os olhos de Lucy.

— Seus olhos são mais lindos do que eu imaginava.

A moça abaixou a cabeça envergonhada, tentando esconder suas bochechas rosadas.

— Por favor... não conte a absolutamente ninguém sobre isso. É que não poderia jamais suportar a dor de vender a minha música, por isso toco cada nota com os olhos vendados.

— Eu jamais faria algo que pudesse te ferir.

— Somos amigos agora, certo?

Victor acenou com a cabeça positivamente. Naquele exato momento o pai de Lucy abriu a porta.

— Achei que ainda estivesse na floresta, ia te buscar.

— Não se preocupe papai, este é meu amigo Victor, ele me acompanhou até aqui em casa.

Bruce desceu as escadas e se aproximou do rapaz ao lado de sua filha. Encarou-o da cabeça aos pés. Olhou novamente para a filha que sem jeito segurava a caixa do violino e a cesta de maçãs.

— Aparentemente minha filha está muito bem. Agradeço a preocupação e a generosidade de trazê-la até nossa casa. O senhor não gostaria de participar do jantar? Esta noite a casa está em festa.

—Seria uma honra Senhor, mas temo estar incomodando a família.

— De forma alguma! Amigo de minha amada Lucy é bem vindo em casa – disse fazendo sinal para que o rapaz entrasse.

Lucy entrou na frente e assim que avistou seus irmãos mais novos deu-lhes maçãs. Raramente a família recebia maçãs por falta de dinheiro para comprá-las e justamente naquele dia a morena havia comprado maçãs para todos.

—Lucy, querida, ainda bem que chegou! Que maçãs mais belas você nos trouxe!

Apenas sorria com o que a mãe dizia. Entregou-lhe a cesta e subiu para seu quarto. Pegou a caderneta e seguiu para o telhado à frente de seu quarto. Sentou-se e riscou novamente as cinco linhas, preenchendo-as com as notas que saíam em melodia de seu instrumento. Assim que preencheu o pentagrama, guardou tudo em seu quarto e voltou para perto da família. Estava com muita fome até então não tivera chance de comer ao menos uma maçã.

Aproximou-se da mesa e viu a galinha recém assada pela mãe. Sentou-se ao lado de seu irmão Félix e observou o entusiasmo de seu pai ao conversar com o visitante.

[...]

Enquanto isso, não muito longe da casa de Lucy havia um palácio. O palácio pertencia à uma grande família de nobres que vivia no vilarejo havia muito tempo. A mais nova e futura herdeira de todas as riquezas era a enjoada Sara.

Sara era filha única. Sua mãe não conseguira ter mais filhos após a jovem ter nascido.Chegava até a engravidar, porém, após um tempo sofria um aborto espontâneo. Dizem as más línguas que Sara envenenava a mãe para assegurar-se de que seria a única a herdar toda a herança da família. Como abortos espontâneos eram mal vistos na época, escondiam esse tipo de acontecimento dos curiosos.

Sara, graças à riqueza de sua família recebeu uma excelente educação. Dominadora de dez dialetos distintos e possuidora de uma beleza invejável, tinha o pior gênio existente.

Tocava piano, mas era muito desafinada. Apreciava as músicas e fazia questão de se apresentar tocando algum instrumento. Aos nove anos de idade começou a fazer aulas de piano, grande temor para os familiares, obrigados a assistir suas apresentações. Além disso, acreditava ter a voz mais bela do mundo, assim, quando não estava tocando piano estava tentando alcançar as mais altas notas que sua garganta pudesse atingir.

Creio que a pior parte de seu terrível gênio era seu espírito vingativo e a forma como não aceitava concorrência. Grosseira como sempre, em diversos momentos em que seu pai não estava por perto, batia nos escravos e nos serviçais, criticando-os e os rebaixando. Tudo isso com apenas dezessete anos de idade.

Foi então que numa bela manhã recebeu um recado de um dos lacaios da família. Estava arrumando os fios claros de seu cabelo para receber os visitantes do palácio quando foi surpreendida pela mensagem.

— Senhorita Sara Husgentargen?

— Pois não?

— Estive passando pela praça do vilarejo ontem e vi algo que possa lhe interessar.

— O que foi? – dizia cantarolando.

—Uma moça tocando violino. Tocava divinamente. Todos os transeuntes pararam para vê-la tocando. Tocou a manhã, à tarde, senão a noite inteira! Cada nota saía maravilhosamente bem! Tudo isso com os olhos vendados.

Fora a última frase que mais despertou seu espírito raivoso. Deixou a escova em paz e virou-se para poder encarar o serviçal devidamente.

— De olhos fechados?

— Creio que seja cega senhorita. Muitos me disseram que ela não vê nada, apenas ouve o que está tocando.

Sara levantou-se do banquinho em que estava sentada e andou em direção ao mensageiro. Começou a andar em volta dele falando:

—Então me diga... ela tocava bem?

—Divinamente, senhorita.

A loira levantou seu braço esquerdo e abraçou o restante do corpo com o direito. Num veloz movimento, esticou seu braço esquerdo e com o direito puxou um pequenino chicote que usava para punir seus escravos, acertando-o em cheio nas costas do mensageiro. Em seguida gritou:

—Morte à Violinista Cega!"

Notas finais
Não tive criatividade no título do capítulo,lamento.
Espero que tenham gostado :)