Notas iniciais
Perdoem-me o atraso de uma semana. Foi realmente terrível ter atrasado a postagem, mas foi necessário. O capítulo também não ficou muito grande, porém, é totalmente dedicado à Sara e ao universo que a rodeia. Talvez de tanta frieza seja pequeno mesmo...
Tem gente que não lembra da Sara, mas ela esteve no Prólogo. Quem também não se lembra de onde veio o Damon, Prólogo também.
Bom,espero que gostem do capítulo!
Betado pela GabsBooBearJujubaVerde *-*

“O mensageiro saiu do quarto apressado. Queria evitar quaisquer outras punições vindas de Sara. Enquanto saía, um jovem moço, aparentemente com a mesma idade da princesa, aguardava do lado de fora de braços cruzados.

Entrou no quarto e pôde ver a loira arremessando livros contra a parede. Correu em sua direção a fim de impedi-la.

— Senhorita! Pare por favor! – disse segurando o braço da jovem.

— Não vou parar até que aquela maldita violinista esteja longe do meu caminho!

— Violinista? Aquela que dizem que é cega e que toca na praça diariamente?

— Essa mesma – se afastou dos livros por alguns instantes e sentou-se na poltrona branca que situava-se ao lado da estante – Agora arrume meus livros enquanto lhe explico melhor.

O rapaz se abaixou e recolheu os livros, um a um, e os colocou nas prateleiras empoeiradas calmamente. A moça, aproveitando-se da posição dele, esticou as pernas, apoiando-as sobre suas costas.

— Sara, por favor, retire seus pés de cima de mim.

— Não – disse retirando os pés das costas do jovem – Agora quero suco, George, dê-me.

George levantou-se e pegou um copo com suco. Entregou à princesa e sentou-se ao seu lado. Como sempre, à espera de um simples “Obrigada” ou qualquer coisa assim, em forma de retribuição por seus atos.

Mesmo que Sara não o agradecesse por suas ações – fossem elas banais ou complicadíssimas de serem realizadas – ele jamais poderia abandoná-la. Não que fosse obrigado a estar ali, sempre a servindo. Tudo o que sentia por ela era sincero e o forçava a levantar-se diariamente para servi-la.

Tinha cerca de três anos a mais que a princesa. Sua mãe trabalhava no palácio havia muito tempo quando descobriu estar grávida. George nasceu e foi criado pela rainha como um filho. Quando Sara nasceu, quis que George a tivesse como uma irmã mais nova.

Foi aí que aconteceu. Ali estava ela, entre as diversas almofadas brancas, de olhos bem abertos encarando o mundo. George se aproximou e fitou seus olhos claros. Prometeu a si mesmo jamais permitir que ela se machucasse.

Agora, já crescidos, seu amor por Sara cada vez mais aumentava. Só a moça era quem não percebia. Fazia tudo o que lhe ordenava, como se não se importasse com nada.

— Tive uma ideia. Mas vou precisar de você. – disse a loira.

George mal havia se sentado, teve de se levantar para ouvir o que a princesa tinha a dizer. Sara levantou-se também e pegou a sombrinha de renda sobre a mesinha ao lado da porta.

— O que tenho de fazer para alegrar-te?

— Você vai espionar a tal violinista. O que quer que descobrir virá me dizer.

George saiu do quarto decepcionado. Não gostava de espionar a vida alheia, mas faria qualquer coisa por sua amada.

Saiu do palácio e seguiu a trilha até o vilarejo. O sol ia desaparecendo e a escuridão do céu começava a surgir. Em meio aos arbustos que tentava atravessar, pôde ver claramente uma moça alta, de cabelos escuros e vestido preto caminhando. Na tentativa de não ser percebido pela mesma, escondeu-se atrás de uma árvore, ainda assim a observando.

Agora pôde observar que a moça estava de olhos vendados. Numa mão carregava uma caixa pequena no formato de um violino e na outra um arco. ”Deve ser a tal Violinista Cega”.
Conforme caminhava pela trilha, a seguia se escondendo atrás das árvores e arbustos, tentando não fazer barulho.

A violinista caminhou até a bifurcação, onde seguiu pela direita. George saiu dos arbustos e resolveu segui-la silenciosamente. De qualquer forma, estava de olhos cobertos, não poderia vê-lo.

Caminharam por um bom tempo através da trilha, chegando à casa da moça. Um rapaz, aparentemente um pouco mais velho que ela, a aguardava sentado nas escadarias do casebre com um livro em mãos. Abraçaram-se e entraram em casa. George sabia exatamente quem era o rapaz.

Deu meia volta e correu até o palácio. Abriu os portões e atravessou os imensos corredores, finalmente chegando ao quarto de Sara, já sem fôlego.

A loira o fitou por alguns instantes, finalmente pronunciando-se:

— Se correu tanto é porque tem algo a me dizer.

— Eu...segui...a...violinista...cega – disse em meio a arfadas para conseguir tomar o fôlego.

Sara fez sinal para que continuasse. George se apoiou na parede do quarto e escorreu até chão, onde sentou-se. Finalmente recuperado, deu continuidade:

— Ela mora com Damon Peterson, aquele rapaz que te traz flores vez ou outra.

— Sabe se eles possuem algum grau de parentesco?

— Não, senhorita.

— Então terá de descobrir. Enquanto isso, terei de usar meus métodos de sedução para conseguir algumas informações do garoto.

— Vocês não têm a mesma idade?

— Calado George! Se temos ou não a mesma idade, o que importa é que ele é um ninguém! É pobre e vive isolado, vai continuar assim! Agora só precisarei dele para saber mais sobre essa tal de violinista cega. Passar bem, agora necessito do meu sono de beleza.

George fechou as cortinas e colocou Sara para dormir. Saiu do ambiente fechando as portas do quarto.

— Eu não devia estar fazendo isso, mas tudo farei para alegrar meu raio de sol, Sara. "