Notas iniciais
Boa leitura!

Setembro, nove anos atrás. Em um colégio de muros altos de uma cidade pacata pouco conhecida chamada Galarza, um drama adolescente acontecia. Primavera, muitas flores abrochavam e despejavam seu perfume em uma colorida pista dentro do colégio que levava os alunos do ensino fundamental e médio para saída do mesmo. Bancos de concreto perto de variados troncos de carvalho era visíveis, todos ocupados por muitos jovens de diferentes sexos e tamanhos. Uns mais gordos, outros com rostos com espinhas; alguns mais belos, provocadores e sarcásticos; e meninas lindíssimas que com aquele uniforme branco e laranja colado, seus shorts pretos os quais assim com as camisetas destacam o nome da academia de ensino (Holyps) que frequentavam, e um charme excêntrico. Não tinha como não se encantar. O local era simplório em infraestrutura, mas para a região continha as melhores tecnologias como lousas virtuais, atividades via internet, e um investimento grandioso da prefeitura do município. Lá que dois jovens de grande futuro estudavam. Um deles era Arthur L. Neto, jovem de dezesseis anos amante das artes e do belo, de uma vida natural, formosa e confortável. Do outro lado, com um significativo excesso de peso em seu físico o indescritível Gustavo Ferreira. Um jovem de mesma idade de olhar profundo, misterioso e forte. Afinado com o ambíguo, e aspirante ao mundo perverso das ruas, com afinidades com armas, e uma habilidade impressionante de manipulação. Dois rivais na luta de um status no meio social, que se recorria em dias em dias. Na mesma classe, ambos se afinavam com as mesmas pessoas afim de um derrubar o outro, e formavam uma bela novela mexicana. Ambos tinham pretendentes, e ambos sabiam disso. Ex-amigos, quase que se odiavam, mas nunca abertamente. Um dia um pequeno fato estava prestes a ser o estopim para uma grandiosa mudança. Passos da cantina de um tênis pretos eram dados, e consumindo um assado de franco um aluno sobe as escadarias rumo a seu destino. De repente, Arthur é abordado.
– Annie: Arthur...
– Arthur: Sim.
– Annie: Eu estava te procurando. Poderia vir aqui um instante, a Natália quer falar com você.
– Arthur: Ohh.. sim claro.

Ele segue a garota, que em um campo aberto se dirige a um grupo de seis garotas bem arrumadas.
– Annie: Pronto, ele está aqui. Agora pode dizer o que acha dele.
– Natália: Eu acho... Você tá louca!?
– Leandra: Nossa, quanta delicadeza.
– Natália: Eu não estou brava com ele, tô brava com você Annie que fica me trazendo pretendentes. Tá me deixando louca! Não quero que venha ninguém aqui! Tô de TPM! Satisfeita!?
– Arthur: Então está bem...
– Julie: Senta aqui com a gente, pra não perder a viagem.
– Natália: Mas...
– Julie: Deixa o Arth sentar. O Arth é do bem. O Arth é legal.

Perdido, ele realiza tal ato e com seu jeito estranhado senta ao lado das moças. Calado e tímido, não inicia muito diálogo, mas não precisava, pois a conversa lá já rolava solta. Alguns comentadores exteriores acontecem, e um dos comentantes era Gustavo. A conversa não podia ser ouvida, mas o status já estava valendo.
– Gustavo: O que aquele infeliz tá aprontando!

Logo, o tema volta a ser o Arthur.
– Isabelle: E então. Fez a tarefa de Matemática?
– Arthur: Sim.
– Isabelle: Que ótimo, então passa pra mim?

Todos riem.
– Arthur: Okay. Mas só por que você é legal.
– Isabelle: Olha... o Arth me acha legal.
– Sam: Passa para mim também, eu também sou legal.
– Natália: Aff! Que dor de cabeça!
– Leandra: Qualquer coisa vai lá na secretária e fala com eles, se for muito forte.
– Natália: Não é tanto, dá pra aguenta.
– Arthur: Não demora muito que passa.
– Natália: Queria ver você na minha pele pra dizer isso.
– Isadora: Toma!

Isadora dá uma risada desenfreada. O garoto nem liga pois no fundo gostava dela, até uma ironia. Logo, uma infeliz ideia passa na cabeça ingênua das jovens.
– Annie: Eu tive uma ideia. Arthur, quem você acha que é a mais bonita!?
– Arthur: Olha. É difícil de...
– Isabelle: Não precisa falar que sou eu se não quiser.
– Leandra: Aff, metida.
– Annie: A que você escolher terá que dar um beijo.
– Arthur: Mas o que!?
– Natália: Ihhh... tô fora.
– Sam: Tá fugindo. Acho que não é a hora ainda de admitir.
– Natália: Meu!
– Annie: Faz assim. Se não tem medo dá uma bituca rápida, tipo de faxada, e pronto.
– Natália: E eu vou ganhar o que com isso!?
– Arthur: Nossa, Natália. Obrigado pela sua consideração.
– Natália: Aff! Já disse!

A moça se levanta com raiva. As demais incentivam a brincadeira.
– Moças: Beija... beija... beija...
– Natália: AFF! Tá bom! Saco! E fica só entre a gente!
– Isadora: Pode deixar que nossa boca é um túmulo.

O jovem se levanta e os dois se olham. Logo, com incetivos alheios eles aproximam os lábios e por fim surge apenas um beijo na bochecha.
– Natália: SATISFEITAS!
– Leandra: Ai sim, hein.

Do lado de fora, um expectador estava se corroendo de ciumes.
– Gustavo: Arthur!

Nove anos depois...

Muito tempo depois em Wikaner... o dia mal começa e todos já estão de pé, com suas maletas e laptops andando rumo a seus serviços, pilotando suas carrocerias enfrentando a mais pura rotina trabalhista de toda a Walker Luie. Toda aquela mega-cidade acordada, rumo a seus objetivos, tomando café e estimulantes para combater o sono e o cansaço para poder obter produtividade. Com em suas bolsas pessoais cartelas de remédios, todos se mostram altamente despertos, fazendo assim a tradicional rotina da vida moderna. Como toda regra há sua exceção, um homem escapa desta disso, mas nem por isso pode se dizer que ele está na moleza. O despertador evidencia-se depois de sua décima quinta "soneca", e o travesseiro é posto com violência sobre um rosto quase que deformado de alguém que estará tentando dormir. Ele tenta tocar no despertador, mas não consegue algo para contemplar. Barba mal-feita, além de um físico mediano, considerando que no momento este estava pelado. Ele vai ao chuveiro e pois a vontade era pouca. O quarto era escuro e bagunçado, com tábuas tampando as janelas e tijolos nas portas. Não havia luxo, muito pelo contrário, era a "cara da riqueza" sendo muito sarcástico. Um minuto se passa se tornando "sete e trinta e quatro", e depois de um resmungo és dito: "é hoje". Parecia algo forçado, mas tinha um fundo de euforia. O autor mostra seus pés descalços com frieiras abomináveis, e colocando suas "Havianas" pretas ele vai até o banheiro e olha para si no espelho rachado, antes passando uma água naquele rosto. Profundas olheiras marcavam a face sombria do homem, que com olhar profundo se encarrava na busca de dele não sai nenhuma gota: conta vencida. Com mal-humor, ele sai do quarto de seu apartamento e vai em direção a cozinha, igualmente desorganizada. Abrindo a geladeira, pega pão e manteiga e usando o prato sujo da janta toma o seu café da manhã. Na parede, um calendário, e o dia em que estava marco com um "x" enorme em vermelho. Terminando de comer, ele vai até o sofá e vê suas convencionais roupas jogadas pelo mesmo. Uma camiseta rasgada vermelha com uma calça camuflada verde. No guarda roupa, meias e uma jaqueta de couro preta sem mangas. Uma bota é posta e por fim uma espécie de pochete, e nela uma calibre trinta e dois! Isto mesmo, uma arma! No espelho, um olhar de carisma com a frase: "vai dar tudo certo". Pegando antes uma bolça verde camuflada típica do exército, ele desce as escadarias e sai do prédio "Old Nipes Stripes" com grande estilo, cabeça erguida, e olhar voltado para o horizonte. O telefone toca, uma mensagem: "Você está vindo para cá?", diz Marlon. Gustavo responde: "como ousa pensar que não!". Quadras andas, ele se encontra em um terminal de ônibus a espera de uma circular. O homem esconde dos demais sua face nas sombras enquanto a aguarda, até um ser andrógino se aproximar dele quase que o reconhecendo. Era magro, usava pouca roupa no corpo, possuía maquiagem extravagante, e um estilo tão tenebroso assustava a muitos que o arrendondava. Este olha, olha o homem e por fim vê que é verdade. O olhar perverso é posto contra com um sorriso torto, e logo são obrigados a se cumprimentar.
– Gustavo: Olá.
– Richard: Oie! Não acredito, não brinca! É TU, M-A!? TU, O MORRE-ARTH!?
– Morre-Arth: "Morre"... Não. Me chamo Fabrício.
– Richard: EU também me chamava Priscila até pouco tempo atrás, mas resolvi mudar de nome. Esse aqui é muito melhor. Você deve se lembrar, sou eu! Marah!
– Morre-Arth: Sim. Quantos anos já tem mesmo?
– Richard: Idade pra mim é coisa de intimidade, mas eu te deixo tentar descobrir se você quiser. Ui.
– Morre-Arth: Não.

O homem fecha-se com frieza.
– Richard: E então, o que faz da vida? Hein!? PEGANDO MUITA GAROTA!? OU é um dos meus, é MULTI-USO!!

Ignorando-o (a), Gustavo permanece o olhar para estação.
– Richard: Que isso. Sua mãe não te criou, não!? Dava mais atenção pro vizinho do que para você!
– Morre-Arth: Richard, Priscilla, Marah, Valéria... Quer saber, não me importo. Se puder parar de mostrar o quanto é desinibido, ótimo. Se não puder, só finja que não me conhece que serve do mesmo jeito. Tenho mais o que dar atenção.
– Richard: AI! Safado! Tudo bem... Mas, se é tão experto por que nunca pegou o Arthur? Aquele bófe! Hein!? Peguei ele uma vez e nunca mais sonho com outra coisa.

M-A o olha quase que endemoniado e o mostra a arma pelo bolço de sua calça.
– Morre-Arth: Não tenho medo de monstros, Marah. Aliás, fazer isso é fazer um favor para humanidade. Suma como o vento, é o melhor que pode fazer pra si mesmo.
– Richard: Tudo bem, credo. Não sei nem por que fui falar com você.
– Morre-Arth: Também não.
– Richard: Só espero que saiba que quem ninguém gosta aqui é você pois eu já sou do mundo!

Richard deixa Gustavo e vai para outro ponto, deixando-o atônito e no intimo irritado. Logo o ônibus chega e nele vai Gustavo, considerando que "Marah" deixa para ir no próximo. O homem revoltado após pagar as taxas, busca por um lugar que lhe é difícil. De repente, uma jovem levanta-se para ir para mãe pedir um copo da água, e aproveitando ele a toma o lugar e quando ela volta mostrando sua barriga de quatro meses, ele a ignora com um sorriso enquanto ela é obrigada ficar em pé como os outros. Alguns não reparam, mas os que olham olham enojados. Já Gustavo, ri por dentro. Meia-hora depois, a circular para e o rapaz apático desce no ponto andando mais um pouco. Na rua frente à "Frergus", um prédio de administração e advocacia, ele digita códigos em uma máquina eletrônica e saga dinheiro, e prossegue. Minutos de pura luta, enfrentando a "selva da cidade grande", ele chega até um armazém pichado e bem isolado do centro maior daquela região, quase que invisível. Pulando a grade e o arame farpado, ele cruza com caixas de madeira até chegar ao portão principal. Batendo com força, logo é recebido por um jovem desordeiro, jeito desengonçado, camisa preta com jaqueta de couro marrom e calças jeans, além de um visível gel no cabelo que com óculos escuros o faziam passar a imagem de "bad boy". Era Marlon Rodriguez, que espera o amigo entrar para fechar as portas. Dentro daquele lugar, armamentos e peças era o que há, além de um carro velho e um outro rapaz pálido e loiro de olhos azuis, mas não necessariamente um modelo chamado de Deodoro Frinergus — apelidado de Ice. Em uma mesa de material barato típica de bares, ele joga a bolça perto de mais duas. Deodoro, que terminava de dar uma de mecânico, enfim sai de debaixo da maquinaria sujo de óleo e vê o rosto cético do hóspede de tal lugar. Olhando para o carro preto simplório, e vendo a variedade de armas, ele decide entregar ao homem cem reais pelo serviço.
– Ice: Ai sim! Hein!
– Marlon: Não devia ter dado tão cedo. Como saber que essa geringonça funciona?
– Ice: Que isso, Marlon! Tu tá duvidando de mim!? Sou o melhor do ramo. Cuido de todos os carros do grupo.
– Marlon: Ok. Eu acredito. Só queria que o carro do Facada-Preta não tivesse morrido e o motor arriado no meio da estrada há dois meses atrás. E ainda queria que eu, você e o Ricardo não tivéssemos que ir lá o salvar.
– Ice: Se não queria, por que foi?
– Marlon: VOU DEIXAR O CARA NA MÃO! Se toca.
– Morre-Arth: Homens! Calem essa boca de merda e me escutem!
– Marlon: Belas palavras.
– Morre-Arth: Ice. Trouxe o que eu te pedi?
– Ice: Claro.

O rapaz entrega uma maleta para Gustavo. Dentro dela, papéis e um GPS.
– Morre-Arth: Excelente.
– Marlon: Eu que fiz algumas pesquisas sobre aquele idiota e aquela cidade dos infernos, no entanto não achei nada de relevante, nenhuma movimentação ou ao menos sinais de vida sobre o Arthur. É como se ele tivesse desaparecido.
– Morre-Arth: Luciano e Vinícius devem ter apagado o histórico dele temendo nos ver de novo. Mas, isso não é um problema.
– Marlon: Como pretende descobrir aonde aquele infeliz está refugiado?
– Morre-Arth: Indo até o banco de dados de Dendróvia, óbvio. AGORA CHEGA DE PESSIMISMO SEU BOSTA! NADA PODE DAR ERRADO! Ice. Pode ligar essa máquina ai?
– Ice: Oxê. Claro!
– Morre-Arth: Qual é a velocidade máxima que ela atinge e qual é seu grau de resistência?
– Ice: Isso aqui é mais forte que um touro, Gustavo. Parece simplório como um Fiat Uno por fora, mas por dentro é mais potente que uma Ferrari.
– Marlon: Por que acho que isso é só poesia?
– Ice: Cala a boca, seu bicha! Isso aqui anda, e anda muito.
– Morre-Arth: Qual é a velocidade?
– Ice: Uns cento e sessenta quilômetros por hora, ou até mais.
– Morre-Arth: Marlon. Temos agentes ou pessoas de confiança lá?
– Marlon: Poderia vir aqui falar comigo um minuto.

0s dois excluem Deodoro se afastando do mesmo e indo para o outro extremo do armazém.
– Marlon: Não temos praticamente ninguém lá! Somente uma pessoa. Estaremos, tipo, sozinhos! Não sei direito sobre como anda a defesa de Dendróvia Dekan, mas parece que melhorou muito depois destes anos.
– Morre-Arth: Não me importo. O único sangue que irá correr será o sangue do Arthur derramado no chão pós duplas facadas e muitos tiros no peito. Estou surpreso por estar sendo medroso, Marlon.
– Marlon: É que, tipo. Sabe que está levando isso longe demais. Já fazem nove anos desde que...
– Morre-Arth: Desde o que? Que Arthur beijou a minha Natália. Quando ele a tirou de mim e maquinou a mente de todos contra o meu jeito de ser. QUE TIROU A MINHA VIDA! Não estou exagerando, Marlon. Não me chamam de "Morre-Arth" atoa.
– Marlon: Tudo bem. Mas sabe que será uma missão arriscada. Eu pedi para a Emanuela ir para lá nos dar suporte, mas...
– Morre-Arth: Marlon. Você tem uma visão muito limitada dos fatos. Desculpe, mas é. Arthur nos traiu! Pensei que era meu amigo no passado, mas agora. Agora! Você sabe muito bem o que ele fez! A morte de Jonathan é um exemplo. Ele deve pagar.
– Marlon: Cara, eu...
– Morre-Arth: Eu sei o que faço! Eu tenho informantes por toda a Walker Luie, e nenhum garoto chamado Arthur L. Neto foi encontrado passando pelos limites de Dendróvia. Ele está lá! Não me questione, só siga o meu plano.
– Marlon: Um plano que está me parecendo extremamente falho.
– Morre-Arth: Nunca ouse me questionar, ouviu bem. Agora vamos prosseguir. Cada segundo que conversamos é um batimento a mais que aquele coração traiçoeiro bate cercado pelas luxurias conquistadas pelos nossos esforços. E para te tranquilizar. "Dendrovianos" são ingênuos, Marlon. Não saberão nem que estive lá antes de lerem os jornais da "Wikatown Juornal". Tudo está a nosso favor. Agiremos em segredo e escondidos, iremos até a grande base de dados do município de Dendróvia: o prédio SC; nos infiltraremos no mesmo e pegaremos dados necessários para saber o que realmente me interessa; aonde Arthur mora, e no mesmo instante ir até sua casa e matá-lo. Durará no máximo dois dias. Pedi para Deodoro desenhar um atalho em um mapa até o prédio que siga por caminhos conhecidos, e por sorte não cruzaremos com ninguém que lembre de nós.
– Marlon: Tudo bem. Não é o melhor dos planos, mas dá pro gasto. Só saiba que há uma boa quantidade de riscos e conta com possibilidades que não sabemos que serão favoráveis o bastante para nosso sucesso. Tem certeza que quer fazer isso?
– Morre-Arth: Absoluta.

Eles voltam para aonde estavam, e Deodoro mostra-se curioso e intrigado com o que não podia ter ouvido.
– Ice: E então? Por que não podia escutar?
– Marlon: Simples, Ice. Essa missão é muito importante para nós em particular, e você cai entre nós não é tão íntimo assim para ouvir uma "D.R" de amizade minha e do Gustavo. Se é que me entende.
– Ice: Entendi. Momento gay.
– Marlon: Isso mesmo. Como você e o Time ou ou Raimundo, por exemplo.
– Ice: Vai te catar!
– Morre-Arth: Ice. Coloque tudo dentro do carro. Quero ir para Dendróvia Dekan agora mesmo!
– Ice: Ok.
– Morre-Arth: Então vamos! Vamos! Trabalhando! Quanto menos tempo perdido melhor.

Assim, todas as armas, maletas, bolças e outras coisas necessárias são colocadas dentro do carro "caseiro", tendo esse adjetivo por ter sido praticamente construído em uma reforma de itens de lixão comandada pelo próprio Deodoro, e sentando no carro apertado, Gustavo, Marlon e Deodoro preparam-se para partir. Dirigindo, "Ice" (Deodoro) coloca a chave na ignição e após um tempo de suspense, o carro liga e funciona para espanto do espírito cético de Marlon. Deste modo com uma alta quantidade de dióxido de carbono saindo pelas traseiras, eles saem do armazém com um controle remoto para abrir e fechar o portão e se dirigem a pista. Gustavo, depois de anos esperando por aquele momento, ergue a cabeça e dá um sorriso amedrontador.
– Morre-Arth: Seus dias estão contados, Arthur. Hoje é o dia do retorno do Morre-Arth! Você não perde por esperar, em breve seu melhor amigo da sua vidinha toda estará indo lhe fazer uma visita, pronto para te fazer arrepender por todo o mal que têm cometido.

Promessa feita, ele mal podia esperar para ela ser cumprida. Infelizmente os ânimos tiveram que esperar. A viagem se inicia nas ruas do bairro em que estavam, um pouco longínquo com a pista que pretendiam ir. Um mapa e um GPS eram instrumentos úteis para o desafio, coordenados por Marlon, mas não eram úteis perante ao pior inimigo do homem moderno: o engarrafamento. Deodoro tinha que ser bom de volante, pois mesmo ainda na manhã os nervos já estavam aflorados, e mesmo buscando levar vantagem era difícil ser o melhor naquela tortuosa selva. Sinaleiros, motos atravessando por onde não deviam, carros acima da velocidade testam os nervos dos três, que eram mais a flor da pele do que outras pessoas. Xingamentos era o que não faltavam, e em um momento de angústia ainda longe da rodovia Wikaner-Própolis (WP-18), pois as cidades de Wikaner e Dendróvia Dekan não eram tão próximas, Marlon encontra um atalho e Ice rapidamente trata de pegá-lo. Uma benção. Haviam menos carros então a direção era direta, motivo de comemoração para todos, menos para Morre-Arth que estava lá quieto, nem ligando muito para o que ocorria, apenas concentrado em sua vingança o que preocupa o amigo. Enfim tomam estrada, e tomando cervejas os três escutam músicas de conspiração, e em quarenta minutos, "O Grito da Justiça" (nome da mafia de autoria de Gustavo e Marlon) iria voltar a deixar sua marca na cidade. Enquanto isso, em Dendróvia Dekan, eram exatamente nove horas da manhã e as coisas iam super bem até então. Prédios, arranha-céus, construções menores, estabelecimentos comerciais, pontos e trailers de lanches renomados a meras comidas de rua. Falando em fastá-food, Snack King, Japan in Box ou Mc' Crepper não era difícil de encontrar pelas ruas da cidade. Pensava em Walker Luie num paraíso do comunismo, pensava na zona sul de Dendróvia Dekan. Lojas de roupas conhecidas como da Haring ou da Ego ou até de grife; bancos importantes como Itaú, Banco de Luie, Walkdesco e Horander para todo o canto; Nupascaber e Inglesas então tinhas duas bem ao lado do Shopping do Barral Silvestre, bem na rua Beija-flor. A cidade era gigante, bem grande mesmo. As coisas cresceram muito por ali desde seis anos, e ainda se tornou sede de empresas e indústrias famosas em seu lado centro-oeste, de calçados e produção em massa de refinaria de joias e de Cuca-Cola, isso mesmo, uma empresa da Cuca-Cola produzia e enviava para as distribuidores a partir de Dendróvia Dekan. Construções bem poderosas tinham sido erguidas lá, e a mais destacável foi uma ponte que ligava a zona leste para a zona oeste da cidade, que antes eram separadas por um lago que continuava lá, só que infelizmente poluído. Mesmo grande, o modernismo era mais forte que a política local que por sua vez era bem organizada. Não havia muita corrupção, embora os noticiários sempre apontassem. Não haviam muitos vereadores, pois o time administrativo era completamente diferente dos demais. Começava pela academia de polícia de Dendróvia Dekan (A.P.D.D), que continha influentes personalidades trabalhando para diminuir a criminalidade da cidade, e esta manobra dava certo, pois só tinha gente rápida no comando. Os cargos nesse setor eram: Avanger — somente empregado; Oficial — superior no comando dos Avangers; Encarregado — administrador, estrategista e regulador de contratos do grupo; e por fim, Magistrado — quem estava no corpo de administração geral do grupo, distribuindo os salários e tratando da investigação brusca. No topo disso, estava Vinícius Aquiles. Seis anos depois se tornou mais hábil com armas e rápido, temido por muitos por seu temperamento e principalmente autoridade. Seu jeito independente era facilmente percebível, e palavras objetivas eram sua marca, além de sua força de imposição. "Marmanjos com ele não tinham vez". Mas como cidade não vive só de polícia, tínhamos os "bons de boca", aqueles que cuidavam das relações externas e internas do município. Era tão bem organizado que mais parecia um país. Os vereadores chamados de "Funcionários da Ordem", mas apelidados por alguns de "Ordenários" (e em críticas, "Ordinários") eram quem cuidavam das relações com os órgãos do "estado de Dendróvia" (corporação que funcionava somente para os limites da mesma, pois o "prefeito" Luciano Oliveira havia conseguido tornar as políticas da cidade independentes das de Walker Luie), tratavam de questões de direito e eram os engarapados de serem os mensageiros da prefeitura para os órgãos públicos. Depois vinham os "Grão-Mestres", que eram um time que cuidavam das finanças e eram de extrema confiança. E por fim os melhores, porém os que tinham com sigo a maior responsabilidade, "o Supremo Conselho". Formado pelos já citados Vinícius e Luciano, último que depois de anos ficou mais experiente e lidava melhor com a burocracia, em outras palavras, "a papelada", juntavam opiniões com o time de "Grão-Mestres" para decidirem o futuro da cidade. Como tudo era transparente, o poder estava neles, mas toda a movimentação tinha que ser avisada. Membros de diversas elites foram escolhidos e alguns eleitos para estarem lá, e ficavam de olho em tudo. Dendróvia Dekan cresceu, e teve seus bons custos. A área da saúde e da educação tinham seus órgãos, gerenciados por ações da "Dendróvia Dekan's Human Defenses" (D.D.H.H), que cuidava de tudo ligado a ética com o ser humano e direitos do mesmo), sob o comando de John Nicrons. José Luiz era o dono das companhias de abastecimento de energia elétrica e com parte em muitos projetos de arquitetura, responsável por muitos dos prédios da prefeitura. Era um paraíso, ou quase. A cidade como todas também tinha seus problemas, e neste exato dia eles estavam prestes a ter uma consequência.

Buzinas de moto passavam pelo centro de Dendróvia, em resposta a provocações do transito. Bate-bocas são ouvidos e assobios de policiais também, estava havendo uma briga. Um filho andava com a mãe chorando e a mesma com um aspecto bravo. Tudo isso próximo do prédio do Supremo Conselho, um marco histórico do período pós-ditadura do município. No trigésimo terceiro andar — departamento de históricos e arquivos — um homem fazia suas pesquisas, irritado, infelizmente. O som era atordoante, e as secretárias atendiam os telefones e conversavam, e o som era típico de um escritório de telemarketing. Tudo referente a processo criminais em questão. Nas pastas ele pesquisava por "J": "Joana G. Plata", "Joana W. Perreira", "Joan E. Sílvio"...; não eram nenhum destes. Fazia horas e nada, de repente uma moça bem jovem com uma pinta perto de suas largas bochechas se aproxima do homem bem-vestido de olhos verdes, e avisa que o documento não estava no sistema. A face de decepção era grande para Luciano Oliveira que é forçado a sair dali e ir ao elevador, e subindo no décimo oitavo andar ele acha a sua sala, e cumprimentando sua funcionária de limpeza (Márcia) e suas funcionárias para organização (Muriel, Vanessa e Lorena), ele entra em sua sala com uma confortável cadeira. Aos lados, fotos marcam lembranças. Ele as olha com nostalgia, mas procede a seus afazeres. Em cima da mesa de madeira, papéis de diversas naturezas. Tudo relativo a um lago, e algumas críticas bem pesadas no meio. Ao mesmo tempo, na briga do lado de fora um rosto familiar aparta a ignorância. Vinícius separa dois homens e os entrega a "oficiais" para os levam para a delegacia, e então entra no prédio. Ele estava igualmente estressado e é atendido pela recepcionista Letícia, que flerta com ele, mas ele não tinha olhos para mais nada a não ser suas obrigações. Subindo até o escritório de Luciano, ele arromba a porta feito um furacão antes ordenando ao executivo que o perseguia Ezequiel que não queria conversa, e pedindo para ele se afastar. Logo, logo. Os dois se olham, face a face, prontos para uma discussão.
– Vinícius: Luciano, precisamos conversar.
– Luciano: Eu já ia te ligar. Estamos tendo problemas com o velho lago de Dendróvia. Os cidadãos reclamam das condições inadequadas em que ele se encontra, mas nem ligam para o fato de que eles mesmos o contaminam.
– Vinícius: É. Esse tipo de pessoa que Dendróvia Dekan menos precisa. Mudando de assunto, vim aqui falar das reformas da rua Fortaleza. Quando irão sair?
– Luciano: Dia nove de Dezembro.
– Vinícius: MAS...
– Luciano: A rua Fortaleza é bem circulada, e estamos fazendo reformas na rua Escorpião e Guarda-sol, então tecnicamente falando, passar pela Avenida Guatemala ficaria impossível para veículos de grande porte que não podem adentrar em espaços públicos. Estamos recebendo remeças de cargas de ferro e aço para nossas siderurgias, e se impedíssemos isso, as indústrias sofreriam complicações até o término das obras, e isso iria implicar em uma variação em nosso PIB.
– Vinícius: E como iremos explicar isso para o pessoal da Boca da Viúva? Não paro de receber ligações deles, nos metendo a boca. Vá aguentar.
– Luciano: Diga ao Calvin para ele vir aqui fazer nosso trabalho, do contrário, não nos atrapalhe.
– Vinícius: E como fazer isso sem virar escândalo? A cidade cresceu, e não podemos carregá-la sozinhos sob essas condições! Em outras cidades não esse nosso sistema de política que estamos trabalhando hoje. Quem sabe uma administração mais ampla seja suficiente para aguentar as pressões nos jogadas por essa metrópole que construímos.
– Luciano: Acabou de responder sua própria pergunta. O Conselho construiu uma metrópole. Ele foi capaz disso. Veja os resultados. Dendróvia Dekan possui um PIB muito maior que muitas outras cidades, além de atualmente sermos uma referência em toda a Walker. É inadmissível queixas e oscilações sobre nossa entidade política. O Conselho é muito melhor que um sistema de política comum.
– Vinícius: Aguentar esses aproveitadores toda hora reclamando também é inadmissível!
– Luciano: É o preço de ser uma mega-potência. Sua pergunta já respondida, então é a vez da minha. Como vamos fazer para acumular o dinheiro necessário para as obras no velho lago?
– Vinícius: Campanhas, para que os que reclamam tenham a chance de agir quanto a isso.
– Luciano: Falei com o Nicrons e ele me deu a mesma ideia. Ainda assim, sabemos que os que criticam nunca fazem, e uma vez com o projeto em mãos quero fazer tudo bem feito.
– Vinícius: Vamos tirar tudo do nosso bolço só porque os bons de boca de plantão não querem pagar pelo que protestam? Isso é um absurdo.

Luciano suspira.
– Luciano: Não digo que iremos arcar com tudo, só digo que a campanha não deve ser o meio em que podemos em embasar. Mas, Vinícius. Eu também odeio essa gente como você, mas meu trabalho vem primeiro.
– Vinícius: Mas como fazer nosso trabalho com pessoas sob nossas costas fazendo de tudo para nos ver fora deste prédio, apoiando espertalhões que com palavras vans conquistam mais e mais votos para uma futura eleição?
– Luciano: Não exagere. Ainda temos uma boa parte da população que nos apoia. Os opositores se localizam na zona norte, como o Calvin por exemplo. Os demais nem veem problemas em nosso governo, justamente pois conseguimos agradar a maioria. Infelizmente nem todos saem ganhando, mas quero fazer o possível. Mas enfim. Prosseguimos com a ideia da campanha?
– Vinícius: Sim. Prosseguimos.
– Luciano: Ok. Comunicarei os moradores em tempo de uma semana. Agora, deixe-me fazer uma ligação.

Luciano disca para um departamento do prédio do Supremo Conselho ligado ao meio-ambiente, chamo de D.D.A.P — Dendróvia Dekan's Ambiental Protect; que possuía sua central no andar quatorze do mesmo, e uma cede nos arredores da zona leste.
– Gilberto: Alô. Aqui é Gilberto Talveria, acionista do D.D.A.P. Com quem eu falo?
– Luciano: Hey, Talveria! Como é que vai essa força!
– Gilberto: Luciano! É você!? Ligou para ver o orçamento daquela história do lago de Dendróvia?
– Luciano: Sim, por favor.
– Gilberto: Vai ficar de seis milhões, quatro mil e trezentos dólares à um bilhão de reais, aproximadamente. O pessoal já foi lá e averiguou todos os metros quadrados.
– Luciano: E quando podem começar?
– Gilberto: Depois de receber pelo menos uns cinquenta mil para os equipamentos, mês que vem nós começamos.
– Luciano: Hmmm... ótimo. Então eu verei aqui com minha equipe e depois nós conversamos.
– Gilberto: Ok. Até mais, Luciano.
– Luciano: Até.

Ele desliga o telefone e olha para Vinícius.
– Luciano: O valor será um tanto salgado, mas dá para seguir com o desafio.
– Vinícius: Ótimo. Pelo menos depois disso a imprensa não terá do que reclamar.
– Luciano: Concordo.

Os dois se espreguiçam, descansando do esforço psicológico que acabaram de passar.
– Luciano: Vinícius, posso lhe fazer uma pergunta?
– Vinícius: Sim.
– Luciano: Como se sairiam sem mim no Conselho?

O governante é pego de surpresa com a pergunta.
– Vinícius: Como!? É claro que seria horrível sem você. Quem sabe cuidar dessas burocracias, lidar com essa gente marante, conciliar a cidade com muitas dessas empresas e estrangeiros do que você. Nem me faça pensar nessa possibilidade, mas por que você pensou nisso?
– Luciano: Por nada. Estava aqui revisando meu currículo e notei que passei mais de ano sem tirar uma só férias em todo o meu tempo de trabalho aqui em Dendróvia. As últimas foram há muito, mas muito tempo mesmo, quando viajei para São Paulo visitar meus pais.
– Vinícius: Eu me lembro.
– Luciano: Desde então tenho ficado só aqui gerindo nossa nação, e confesso que me peguei um tanto cansado quando fui levantar hoje. Temo estar pegando muito duro em minhas responsabilidades.
– Vinícius: Não. Que isso, cara. Se precisar de ajuda sabe meu número. O Conselho existe para que haja compartilhamento e apoio entre os governantes de tudo o que diz respeito a Dekan. Não quero me sentir culpado de te estar matando de tanto serviço.
– Luciano: E não está, fique tranquilo. Só estava refletindo, mas creio ser uma bobagem. Bom, irei voltar para minha boa e velha burocracia.
– Vinícius: Está certo. Irei botar linha nos pessoal da militância aqui da cidade, e qualquer problema me avise, pois estarei sempre disponível. Não vai fazer tudo sozinho.
– Luciano: Fique tranquilo, estou bem. Tanto que se precisar de algo, pode contar comigo também. Boa sorte no trânsito.
– Vinícius: Obrigado. Vou precisar.

Vinícius logo sai do gabinete reflexivo. Quem sabe aquilo que Luciano disse podia ser uma indireta para algo que pretendia fazer. Quem saiba ele realmente podia estar cansado, e estivesse relevando mesmo a possibilidade de uma saída. Essa ideia era perturbadora. Mesmo assim ele anda indo a seus postos, e chega ao térreo mirando sua moto para começar mais um dia de trabalho. De repente algo indesejado o enerva no caminho, forçando-o a ficar retrucar a altura. Era a recepcionista novamente se aproximando, a que flertou mais cedo. Não querendo nada com a jovem, ele prepara um tom bem áspero para falar com ela.
– Letícia: Conseguiu falar com o Luciano?
– Vinícius: Sim.
– Letícia: Parece meio nervoso. Está havendo alguma coisa?
– Vinícius: Nada de mais. Estou tendo problemas, só isso. Como qualquer ser humano.
– Letícia: Se quiser um ombro amigo, sabe aonde procurar.
– Vinícius: Ohh... sim. Está certa. Sempre poderei contar com a ajuda de minha esposa. Ela é ótima e está sempre disponível para me escutar. Vou até ligar para ela agora. Obrigado pela sugestão.

Como um corta-relação, as palavras direitas fazem a jovem de vinte e quatro anos (mesma idade que ele) ficar completamente abismada, enquanto ele sai dando passos largos, focado em seus encargos e preparando-se para o início de mais um dia de trabalho. Mal sabia ele que seria uma dia completamente abastardo.

Notas finais
Continua...