A Vingança de Hermione Granger
32 Capítulo 32
Notas iniciais
Capítulo 32
Pesadelo real
“Assassina”.
Torpor: a palavra que a melhor definia naquele momento. O choque foi tamanho que a deixou em estado de puro torpor. Todos falaram juntos, tantos gritos, então tudo foi desfeito. Não escutava mais nada, não sentia mais nada.
Era como se estivesse dentro de um pesadelo desfocado, nada fazia sentido, as situações não passaram de flashes. O corpo inerte, caído à sua frente, a sua varinha. Nada poderia ser real, mas se era só um sonho por que ainda não havia acordado?
Sentiu mãos em seus braços, deixou-se ser conduzida. Alguém chamou pelo seu nome, mas não conseguiu prestar atenção o suficiente para reconhecer.
Nada fazia sentido.
Parvati Patil realmente estava morta?
Morta... certo que queria que ela desaparecesse, mas não era cruel o suficiente para desejar a sua morte. Não seria capaz de algo assim.
Ainda assim, culpavam-na. Hermione era inteligente o suficiente para ligar os pontos rapidamente, para saber que foi uma armadilha. Alguém queria que Parvati Patil morresse, e quem melhor do que Hermione Granger para pôr a culpa? Todos sabiam das desavenças das duas, de todos os alunos de Hogwarts, era Hermione quem tinha mais motivos.
Como pôde ter sido tão tola? Deveria ter percebido os sinais, sua varinha não simplesmente desapareceria, Draco não mandaria um bilhete ridículo como aquele. Mas era tarde. Ela estava presa em um pesadelo real.
— Srta. Granger...
— Srta. Granger! – Foi somente quando sentiu o toque firme em seu ombro que pareceu voltar para a realidade.
Voltou os olhos ainda confusa para o homem de vestes negras a sua frente. Reconheceu ser um auror. Haviam mais deles. Quanto tempo já havia se passado? Há quantas horas estava sentada em estado de choque?
— O feitiço veio da sua varinha, você precisa nos acompanhar para prestar o seu depoimento, ficará detida na Seção de Aurores até...
— Mas isso é um absurdo! – Minerva interveio, suas feições abatidas denunciaram o cansaço. – Ela é somente uma aluna, não pode ser retirada dos domínios de Hogwarts, isso é...
Novamente, Hermione escolheu abstrair. Sabia o que se sucederia, também sabia que tinha seus direitos, mas ainda estava tão abalada. Sentiu os braços de uma auror segurarem nos seus, guiando-a até a saída. Os demais aurores vieram logo atrás, e enquanto caminhava até a saída, sentiu todos aqueles olhares sobre si.
Todos os participantes da festa ainda aguardavam no Salão Principal, estavam prestando depoimentos. A ciência de que aqueles depoimentos a prejudicariam a fez estremecer, todos iriam criar aumentar os fatos e criar falsas verdades, principalmente depois do seu discurso.
Se não estivesse tão atordoada, teria erguido o queixo e passado pelo meio deles com classe. Mas nem ao menos se lembrou como chegou até o Departamento de Aurores, seu corpo movia-se, mas sua mente estava longe.
— Srta. Granger, você afirma ter lançado o feitiço que causou a queda de Parvati Patil...
Estava sentada na sala fechada, apenas ela e dois dos Aurores que a conduziram. O homem aparentava estar na meia idade, enquanto a mulher aparentava não ter mais de vinte e cinco anos, era ela quem estava com o bloco de anotações, enquanto o homem fazia as perguntas.
— Claro que não, eu não estava com a minha varinha e recebi um bilhete encantado...
— Onde está o bilhete? – A indagação imediata cortou sua linha de raciocínio.
— Era encantado e se desfez. No bilhete meu namorado, quer dizer... ex-namorado, me pediu para encontra-lo no Salão vazio ao lado...
— Quem é o seu ex-namorado?
— Draco Malfoy.
— E por que ele teria motivos para enganá-la?
O quê? Estavam realmente colocando palavras na boca dela? Isso era um absurdo!
— Claro que não. Obviamente fui enganada, não foi ele quem me mandou o bilhete. Como estava falando...
— O feitiço deu positivo para embriaguez, confessa ter consumido álcool em uma festa escolar?
— Sim, todos consumiram.
— Tinha motivos para atentar contra a vida de Parvati Patil?
Hermione entreabriu os lábios completamente atordoada com as perguntas, que espécime de auror era aquele?
Ainda estava tentando formular uma resposta, quando a porta foi aberta com certo estrondo. Ficou surpresa ao ver a elegante mulher adentrar no recinto com as feições duras.
— Sra. Malfoy, sua entrada não foi permita. – O homem falou com o tom de voz alto, claramente alterado pela interrupção.
— O que não é permitido é interrogar uma estudante sem a presença do seu tutor ou advogado mágico. Esperava que soubesse disso, Sr. Patil. Além disso, você como tio da vítima não deveria estar a cargo da investigação.
— Sra. Malfoy, isso é um...
— Não quero ouvir suas desculpas, Patil. Vou representar a Srta. Granger...
— Você não é parente dela. – Interrompeu-a com desdém.
— Não preciso ter parentesco para representa-la oficialmente, tenho meu selo de Advogada Bruxa ainda vigente, ou se esqueceu? – Retorquiu com um meio sorriso irônico, e sem mais voltou a atenção para Hermione. – Venha comigo, Srta. Granger.
Imediatamente, Hermione se levantou e caminhou em direção à Narcisa. Ainda estava surpresa pela atitude da mais velha, sabia da sua altivez, mas não fazia ideia de que era Advogada.
— Você não pode leva-la... – Patil tentou retorquir.
— Não só posso, como vou. Além disso, entrarei com um processo contra o Senhor e este Departamento, as Leis servem para serem seguidas, Sr. Patil. E, claro, já protocolei o pedido para troca de Auror responsável pelo caso. Passar bem. – Esbarrou no ombro do homem ao passar por ele, conduzindo Hermione gentilmente ao seu lado.
— O que está havendo? Não vou precisar prestar depoimento? – Hermione perguntou em voz baixa, somente para Narcisa ouvir.
— Claro que vai, mas formalmente, enviarão a carta em até 48 horas e você irá prestar depoimento. Hermione, querida, vou precisar que me conte em detalhes o que aconteceu. – Narcisa continuou a guia-la cortesmente, passando com a cabeça erguida pelos aurores.
— Claro. Eu não sabia que era Advogada. – Confessou, acompanhando narcisa para fora do Departamento de Aurores.
— Oh, eu era. Isso foi há muito tempo, é verdade. Antes de me casar e ter Draco, mas, modesta a parte, era muito boa. Não se preocupe, sei exatamente o que fazer no seu caso. – Disse a última frase com o intuito de a tranquilizar, mas Hermione não estava realmente preocupada com isso, confiava na competência de Narcisa.
— Eu sei que é. Você conhecia aquele Auror? – Pelo modo como se trataram pareciam se conhecer.
— Steve Patil, eu já o encarei algumas vezes quando atuava nas minhas defesas. Ele sempre foi patético, pensando poder burlar as Leis só porque é um Auror. – Riu sarcástica, e pelo brilho em seu olhar, lembrava-se com animação os poucos anos atuantes naquela profissão.
– Você está abrindo uma exceção ao me defender, não é?
Hermione não precisava perguntar o porquê dela ter parado de atuar, sabia que foi por causa da tradição da família Malfoy em que as mulheres não trabalhavam. Ela escolheu Lucius em detrimento ao trabalho, se a perguntasse se havia arrependimentos, Narcisa responderia que não, já que dessa união nasceu seu bem mais precioso.
Contudo, somente naqueles minutos em que a viu na ativa. Hermione sabia que a paixão ainda estava em seu ser, e que ela deveria ser retomada.
— Sim. Draco me mandou uma carta urgente, vim imediatamente. Mas não pense que faço isso somente por ele, realmente gosto de você, Hermione. – Poucas vezes via um sorriso genuíno na matriarca dos Malfoy, aquela era uma delas.
Quebrando a barreira fria e impenetrável que Narcisa tentava transmitir ao mundo, Hermione a parou e a abraçou. Não percebeu a carga que carregava consigo até o momento em que Narcisa a tirou daquele interrogatório. Ela era a principal suspeita de um crime que não cometeu.
— Obrigada, obrigada por tudo...
Narcisa retribuiu a abraço com carinho materno, sabia que aquela situação era demais para uma jovem. Aparatou-as em Hogsmead, no Três Vassouras. Separou uma mesa afastada e reservada para as duas, pedindo um chá calmante para a garota.
— Você deverá voltar o quanto antes para Hogwarts, não poderá sair dos domínios do castelo, já que é a principal suspeita... – Iniciou cautelosamente, assim que Hermione mostrou-se muito mais calma e centrada. – Antes de mais nada quero que saiba que Parvati Patil não está morta, ela foi levada em estado grave para o St. Mungus, induzida ao coma. Não sei seu estado atual, acredito que não deva ser dos melhores. Mas você será investigada por tentativa de assassinato, ela ainda vive, e... que Salazar nos ajude, ela irá se recuperar e prestar seu depoimento.
As palavras de Narcisa fizeram todos os seus músculos relaxarem, permitiu-se jogar a cabeça para trás e soltar o ar que tanto prendia. Ela não estava morta, graças a Merlin... tinha chances de se recuperar e todo aquele pesadelo acabar.
— Nunca estive tão aliviada. – Confessou.
— Hermione, querida, você pode me dar sua versão dos fatos? Ou prefere dormir antes, deve estar exausta.
— Não, estou bem. Eu...
Hermione detalhou tudo que aconteceu naquele baile e antes dele. Desde o primórdio das suas desavenças com Parvati, quando ainda namorava Harry Potter.
— Não se preocupe, Hermione. Você não será sentenciada, provaremos sua inocência. O primeiro depoimento será gravado, você relatará tudo que aconteceu no baile, exatamente como fez agora. Depois, se a situação de Parvati Patil se agravar ou ela não resistir, eles continuarão com a investigação. A arma do crime é a sua, e você foi pega em flagrante, eles irão julgá-la no Tribunal. Mas entrarei com pedido para uso do Veritaserum e das suas memórias, não há como você ser incriminada.
— Sim, mas os jornais irão me massacrar, todos vão me culpar... – Respondeu desanimada, conhecia bem o mundo em que vivia para saber o que a aguardava.
— Não vou iludi-la, pela manhã seu nome estará estampado no Profeta Diário. Rita Skeeter estava na sede do Departamento de Aurores quando cheguei. Porém, talvez isso não dure mais do que alguns dias, Parvati Patil pode se recuperar a qualquer momento.
Hermione nunca imaginou que desejaria tanto que Parvati Patil ficasse bem. Ficou mais alguns minutos com Narcisa, até que ela se levantou e a guiou para o segundo andar dos Três Vassouras.
— Aluguei um quarto para você hoje. Você vai ficar aqui até prestar depoimento, vai ser melhor para a sua saúde mental. – Hermione concordou, voltar para Hogwarts será seu pior pesadelo.
— Este será o seu quarto. – Estendeu as chaves para ela, despedindo-se com um abraço rápido. – Ele está aí, volto amanhã de manhã.
Franziu as sobrancelhas, quem estava ali? Antes que pudesse perguntar, Narcisa já havia se afastado. Quando abriu a porta, seu coração parou por alguns instantes.
Parado, em frente à janela, lá estava ele. Quando Draco se virou em sua direção, sentiu-se subitamente frágil. Toda a aflição que tentou camuflar, as lágrimas que não ousou derramar, tudo desmoronou.
— Hermione... – O sonserino imediatamente a tomou em seus braços, abraçando-a daquele modo que somente ele sabia fazer. – Eu sinto tanto...
Ela ficou alguns instantes em silêncio, aconchegando-se naquele corpo conhecido enquanto suas lágrimas molhavam a camisa branca dele. Hermione precisava desabar, precisava pôr suas lágrimas e angústias para fora, mas somente o faria com alguém que confiasse o suficiente. E Draco era uma dessas poucas pessoas.
— Eu não tentei matá-la, não seria capaz... – Balbuciou, precisava que ele soubesse.
— Eu sei, Hermione. Claro que não foi você. – Sentiu o beijo na sua cabeça, e suspirou aliviada.
Naquele momento difícil, ele estava com ela. Draco não a abandonou, não duvidou, pediu para sua mãe a defender e a esperou naquele quarto.
Nos braços dele, Hermione desabou para então poder se reconstruir.
Depois de um banho demorado, roupas limpas, uma sopa quente e a mente em ordem. Ela falou tudo o que aconteceu para ele, em nenhum momento Draco havia suspeitado dela.
— Você precisa dormir. – Ele sentenciou, alisando sua face com carinho.
— Você vai ficar comigo?
— Para onde mais eu iria?
Não houve beijos, nem sexo. Ultrapassaram o carnal, contentando-se com a confiança e amor. O mais puro dos amores. Draco deitou com Hermione, e nos seus braços ela adormeceu.
(...)
No dia seguinte, Draco teve que voltar para Hogwarts. Hermione permaneceu hospedada nos Três Vassouras pelas próximas quarenta e oito horas, Narcisa a acompanhou no seu depoimento. Uma Auror tomou o lugar de Steve Patil, ela agiu profissionalmente, como era de se esperar de um Auror.
Não foi nenhuma surpresa seu nome estar estampado no Profeta Diário, “Hermione Granger é a principal suspeita de uma tentativa de homicídio.”, o título era acompanhado de palavras tendenciosas induzindo-a à culpa. Havia também depoimentos de estudantes, como o de Lilá Brown, até mesmo seu discurso foi citado, alegando que Hermione estava desequilibrada.
Estava conformada de que os próximos dias seriam um pesadelo, apenas esperava verdadeiramente que não durassem muito.
Após o depoimento, teve que pegar o trem para Hogwarts. Como Narcisa explicara, estava proibida de sair de Hogwarts até terminar os estudos. Depois, se a investigação ainda estivesse em andamento, a restrição se abrangeria para a Londres Bruxa até seu julgamento.
Era injusto passar por tudo aquilo. Não merecia, assim como não merecia os olhares de julgamento quando teve que entrar no Castelo Bruxo. Engoliu em seco, sabia que seria daquele modo. Mas não estava preparada para tombar com Padma Patil assim que colocasse os pés no Salão Principal.
Padma e Parvati eram tão parecidas, e Padma amava tanto a gêmea. Ela estava acompanhada de Lilá e Elisa. Hermione sabia que deveria ignorá-la, procura-la quando estivessem a sós, mas não poderia postergar.
— Padma, eu não fiz nada contra a sua irmã, juro que não fui eu... – Iniciou tentando contato visual, mas Padma baixou a cabeça, visivelmente abalada.
Tentou estender a mão para tocá-la, mas Lilá postou-se à sua frente.
— Não toque nela, assassina. Todos sabem que foi você, quem mais seria? Deveria se envergonhar de voltar para Hogwarts, é uma pena que nossa justiça seja tão falha, deveria estar presa. – Acusou-a com ar de nojo, enquanto Elisa consolava Padma.
— Não... não fui eu! – Hermione se defendeu, mas logo mais palavras puderam ser ouvidas. Um pequeno grupo formava-se ao redor de Padma, como se estivessem a defendendo de Hermione.
Assassina.
Como pôde?
Parvati nunca vai mais acordar por sua culpa.
Sua culpa.
Deveria estar em Azkaban.
— Deixem ela em paz, seus merdas. – Harry gritou furioso, enquanto segurava Hermione pelo braço e a guiava para longe deles.
— Por Merlin, Hermione. Você está bem? – Ron segurou o seu outro braço com sutileza.
— Estou bem, meninos. Obrigada. – Respondeu ainda aturdida com as acusações, talvez nunca estivesse preparada para a crueldade dos hipócritas de Hogwarts, principalmente com acusações tão pesadas.
Recebeu um abraço dos dois ao mesmo tempo, remetendo-a ao passado. Sentiu-me imediatamente melhor, apesar de ainda estar triste.
Eles a acompanharam até o seu Salão Comunal que dividia com Draco, e assim que entrou nele, não pode conter a surpresa. Draco, Gina, Luna, Thereza, Pamela, Neville, Blaise, Nate, Pansy, Veronica, todos estavam ali. Esperando por ela.
Sorriu verdadeiramente, lágrimas de alegria marejaram seus olhos castanhos enquanto recebia o abraço de todos. Um por um, recebendo mensagens de apoio e carinho.
— Estamos com você, Hermione.
— Acreditamos em você.
Demorou um pouco mais nos braços de Draco.
— Minha mãe falou que ocorreu tudo bem, logo tudo isso vai passar. – Sussurrou rente ao seu ouvido, depositando um beijo na sua testa em seguida.
Hermione somente anuiu. Com a presença de todos os seus amigos, sentiu-se muito mais leve e confortada. Sabia que aquele pesadelo ainda iria perdurar, mas não seria mais tão difícil confrontá-lo.
(...)
Quase uma semana já havia se passado desde que Hermione prestou depoimento e voltou para Hogwarts, Parvati Patil ainda estava inconsciente e ela continuava sendo a principal suspeita. Os julgamentos eram constantes, perdeu seu posto de monitora-chefe, embora Minerva tenha permitido continuar no quarto individual para evitar quaisquer contratempos.
Olhou mais uma vez para o quadro à sua frente, foi algo premeditado, já que forjaram para parecer ter sido Hermione quem cometeu aquilo. Nunca acreditou em muitos dos nomes que escreveu ali, mas teve que os colocar para melhor organizar os seus pensamentos. Quantas pessoas Parvati Patil já machucou em Hogwarts? Muitas, certamente. O suficiente para alguém se cansar e tentar contra a sua vida.
Harry Potter. Ex-namorado. Relacionamento tóxico. Clara obsessão por parte da Patil. Ele poderia tê-la jogado das escadas? Poderia, nunca se sabe até que ponto alguém aguenta a pressão, e Parvati o pressionava. Porém, Hermione sabia que ele não seria capaz, além de estar na companhia de Pansy Parkinson na hora do incidente. Riscou o nome dele da lista.
Veronica Hills. Antiga integrante do “clã” de Parvati. Humilhada, teve sua vida íntima exposta de um modo cruel. Seu ano foi torturante por causa dela. Sim, ela tinha motivos, e poderia tê-lo feito. Porém, tornou-se amiga de Hermione, iria traí-la a tal ponto? Duvidava muito. Mas, como não tinha nenhum álibi na hora, seu nome não foi riscado.
Elisa. Sim, ela parecia ser pouco inteligente, mas era humilhada constantemente por Parvati. Veronica já havia confessado que ela era tratada como um cachorrinho, um cachorrinho extremamente fiel. Mas até que ponto poderia aguentar? Poderia estar cansada, e Elisa poderia ser mais inteligente e cruel do que aparentava.
Uma pequena lista de nomes vinha após Elisa, pessoas as quais Parvati humilhou de alguma forma. Porém, era muito pouco provável que fosse algum deles, embora duvidasse do que ressentimento reprimido era capaz de fazer.
Mas no topo da sua lista constavam três nomes. Suas principais suspeitas, e por coincidência todas mulheres e próximas.
Astória Greengrass. Hermione sabia que foi Parvati quem teve a cruel ideia de drogar Draco, Astória foi impulsiva e compactuou com aquilo. Contudo, os resultados foram desastrosos para a sonserina. Além disso, ainda tinha sérias dúvidas sobre a paternidade da criança, sabia que tinha algo a mais. Talvez algum segredo que Parvati sabia. Sim, ela era uma suspeita.
Padma Patil. A irmã boa, arrependida da conivência com as maldades da gêmea. Seria capaz? Julgava que não, Padma era a única pessoa que realmente amava Parvati. Porém, cogitou esse nome após Veronica confessar que Parvati a reprimia constantemente e a humilhava. Além do fato dela estar cercada de diversas pessoas, em pouco tempo tornou-se a “queridinha” de Hogwarts, assumindo o lugar que meses atrás foi da irmã, embora de um modo trágico e mais por pena.
Todavia, não foi esse o motivo determinante para a desconfiança, e sim o fato dela ter se afastado de Veronica e não ter deixado Hermione se aproximar. Ela escondia algo.
E no topo da lista: Lilá Brown. Lilá era a maior responsável pelas acusações contra Hermione, ela foi a dona do maior depoimento contrário à Granger, ela quem deu uma entrevista exclusiva ao Profeta Diário, e foi ela quem a encontrou ao lado do corpo. Coincidências demais. Os motivos de Lilá sobravam, sempre foi a sombra de Parvati Patil, era o seu braço-direito; se Elisa era o cachorrinho, Lilá era o capacho. Porém, Parvati nunca foi grata, sua amizade era de puro interesse. Também, tinha o fato de todas as atenções estarem voltadas para si, Padma tornou-se a “queridinha”, mas era Lilá quem recebia os holofotes. Talvez Lilá estivesse cansada de ser somente o capacho, de ser tratada mal pela sua “melhor-amiga”.
Era difícil montar um quebra-cabeça quando peças faltavam, não tinha ciência se Parvati causou mal significante a mais alguém ou talvez tivesse um amante, embora essa última opção fosse pouco provável, ela era obcecada por Harry. Mas sabia que era só questão de tempo até descobrir quem foi o autor, só esperava que não demorasse muito.
De toda forma, não ficaria parada enquanto era julgada por algo que não cometeu. Tinha o apoio das amigas, Gina e Pamela estavam de olho em Elisa e Lilá, Luna se prontificou a prestar maior atenção na Padma, enquanto Thereza iria observar Astória. Evidente que tinha muita chance de não ser nenhuma delas, mas precisava começar por algum lugar, e não poderia se expor muito.
Cansada, lançou um feitiço ilusório no quadro, desfazendo as palavras contidas nele. Necessitava descansar antes de encarar mais um dia no seu inferno particular.
(...)
— Vou tomar banho. – Ele beijou os seus lábios rapidamente, antes de se levantar nu.
Thereza somente anuiu, estava exausta depois do sexo que tiveram. Espreguiçou o corpo sobre a cama, antes de verificar o horário, já havia passado da sua hora. Era a primeira vez que encontrou o Prof. Murray desde o baile, estava ocupada demais com a situação de Hermione, e também passou mais tempo no Salão da Sonserina para observar Astória. Contudo, a Greengrass estava sempre quieta e isolada.
Mas não era só isso. No baile, Thereza tomou a decisão de se afastar do professor, tinha muitas dúvidas quando estava com ele, não sabia se teriam algum futuro depois de Hogwarts. Temeu que, talvez, ele somente estivesse brincando com o seu coração. Fraca como era, bastou Brendon falar que sentia saudades. Na mesma noite estava em seu quarto.
Seus pensamentos foram interrompidos com a chegada de um bilhete encantado. Curiosa, pegou o bilhete e ao escutar o barulho da água corrente, abriu-o. Sabia estar sendo invasiva e desrespeitando a privacidade do homem, mas estava desconfiada. Afinal, quem mandava bilhetes encantados àquela hora?
As palavras no bilhete a fizeram arregalar os olhos de surpresa. Então ligou os pontos, as vezes em que os viu conversando, o modo até mesmo rude em que ele a tratou na semana retrasada. Beauxbatons. Merda!
Como pode ser tão cega? Como não percebeu antes? Pensou que eram somente dúvidas referente à aula, não... sentiu as lágrimas em seus olhos, mas ele não as merecia.
— Thereza? – A voz grave e urgente, o bilhete ainda na mão de Thereza.
A sonserina voltou os olhos ainda chocados para ele, mas logo o choque deu lugar à fúria. Imediatamente levantou-se e ainda nua buscou suas roupas pelo chão. Enquanto se vestia com pressa, ele pegou o bilhete jogado sobre a cama.
— Espera, Thereza... – Ao perceber que ela estava caminhando em direção à porta, Murray a interceptou. – Por favor, me escute...
— Não quero ouvir sua voz, saia da frente. – Falou autoritária, embora seu coração estivesse partido.
— Eu amo você, Thereza. Astória foi um erro, um deslize...
— Para! – Gritou, tentando passar por ele outra vez. Mas ele segurou os ombros da garota e a encurralou contra a parede.
— Você precisa manter isso em segredo. Eu serei expulso, será um escândalo, seremos prejudicados. – Fitou-a intensamente, falando cada palavra pausadamente, tentando a manipular.
Thereza soltou uma risada de escárnio, irônica.
— Seremos? No plural? Não, meu bem, você será! Você quem se envolve com alunas, e engravidou uma delas! – Acusou, por pouco não cuspiu em sua cara. Tentou se soltar novamente, mas ele somente a apertou ainda mais contra a parede.
— Não me teste, Srta. Rouge. Você vai manter isso em segredo, entendeu bem? – Proferiu cada palavra próximo ao seu rosto, fazendo questão de pressioná-la ainda mais, machucando os seus ombros.
Thereza ficou surpresa com o tom ameaçador, assim como sua postura. Era outro homem aquele a encurralando, estava mostrando sua verdadeira face. O Murray que conheceu era uma mentira.
— Quem é você? – Indagou ressentida, permitindo que uma lágrima traiçoeira escapasse.
Murray diminuiu o aperto, deslizando o dedo pela sua face, limpando a lágrima. O toque fez seu estômago embrulhar, sentiu tanto nojo dele.
— Não torne as coisas mais difíceis do que já são, somos tão bons juntos... – O tom manipulador estava lá outra vez.
Juntou as peças outra vez, lembrou-se do bilhete encantado e da saída antecipada dele na festa. E se ele tivesse algo a ver com Parvati? Provavelmente ela sabia o verdadeiro pai do filho de Astória e estava os chantageando. E se foi ele? Talvez Astória e Brendon juntos?
— Foi você, não foi? Você quem tentou matar a Parvati.
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