A Vingança de Herbert
11 Capítulo X
Notas iniciais
Três semanas se passaram. Jessica, quase todos os dias, ia para a caverna de Herbert visitá-lo e fazê-lo se divertir de alguma forma. E até que estava funcionando bem. Herbert está se soltando cada vez mais.
Os dois se aproximaram muito. O urso e a pinguim eram como melhores amigos a muito tempo, quase inseparáveis, rindo de tudo, fazendo brincadeiras. Klutzy até estava ficando com um pouco de ciúme.
Rookie e Dot, que estavam acostumados com a companhia diária da pinguim, ficaram bastante preocupados, mesmo com Jessica sempre dizendo que estava tudo bem.
Alguns outros agentes acharam estranho a falta da presença de Jessica. Naquelas semanas, na verdade, ela só foi umas cinco vezes à EPF, para encontrar um certo pinguim.
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O plano já havia começado na madrugada. E Jessica não sabia de nada, inocente.
A primeira coisa que Herbert fez foi instalar uma antena em um lugar onde tenha muitos pinguins: o Centro, obviamente.
O resto foi fácil. Herbert apenas teria que comandar os pinguins por um computador, e ele pode fazer isso de dentro de sua caverna. Com as várias câmeras escondidas que ele tem na ilha, é fácil saber o que acontece sem precisar ver pessoalmente.
Mas não era só isso que Herbert precisava. Na verdade, não era só o que ele queria.
Nessa madrugada, Herbert "sequestrou" alguns agentes. Dot, Gary, Cara do Foguete, Rookie estavam presos naquela grande jaula que Herbert tinha. E isso para, bem... para eles verem tudo de camarote. Herbert gosta de provocar.
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Jessica acordou um pouco mais tarde que o normal. Olhou para o canto do quarto, onde ficam as caminhas de seus puffles, e eles ainda estavam dormindo. Estranho.
A pinguim não quis levantar; por algum motivo estava desanimada demais para isso. Então apenas ficou deitada na cama olhando para o teto do iglu, pensando na vida.
Ok, ela agora era... namorada de Gary. E isso complica as coisas, e bastante.
Caso algum agente descobrir que ela traiu a EPF e se aliou a Herbert, Jessica não seria só demitida mas banida da ilha também.
Oh, e tem o Rookie, Dot, Cara do Foguete. Eles ficariam muito decepcionados. Rookie ficaria tão triste. Dot ficaria sem reação. A pior reação seria do Cara do Foguete, sem dúvidas. Ele partiria para a violência caso puder.
E o Gary. Quando ele descobrir, ele... vai acabar com o namoro que praticamente acabou de começar? Nunca mais vai falar com Jessica? Vai encontrar outra pinguim pra substituí-la?
Ah, ela não quer nem pensar nas consequências. Aliás, ela nunca pensou. Céus, o que foi que ela fez?
Jessica gosta de Herbert. Ela realmente gosta. Mas ele é do mal, querendo ou não. A pinguim queria tanto que ele esquecesse essa coisa toda de dominar a ilha!
Os dois poderiam sempre se ver, como melhores amigos, sem precisar esconder de ninguém.
Jessica respirou fundo, se levantou e foi trocar de roupa. Ela tomou sua decisão final. Ela vai desistir.
Ela quer paz. Apenas isso. Mas já é tarde demais.
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Na caverna de Herbert....
O urso estava sentado em uma cadeira em frente a uma grande tela de computador. Na tela, era possível ver vários cantos da ilha onde Herbert instalou câmeras escondidas. Ele olhava atentamente cada lugar diferente da ilha.
– DESISTA, HERBERT! VOCÊ NÃO VAI SE SAFAR DESSA! – disse Cara do Foguete socando as grades da jaula violentamente.
– É o que vamos ver, pinguim tolo. E você não pode me ameaçar aí dentro – Herbert disse indiferente sem se virar para olhar o pinguim quase explodindo de raiva.
Herbert apertou um botão vermelho, que ativou a antena que estava no centro.
– Em questão de minutos, ninguém mais poderá me deter! – o urso deu uma risada maléfica.
– George, acalme-se – Dot disse colocando a nadadeira no ombro dele. – Não vai adiantar de nada ficar nervoso, você sabe disso.
Cara do Foguete respirou fundo, tirou os óculos escuros e olhou Dot nos olhos. Ele hesitou um pouco.
– Eu me sinto tão impotente aqui... – ele disse a abraçando.
– Eu sei, eu sei – Dot acariciava as costas dele suavemente – Mas ficar com raiva não vai nos tirar daqui. Aliás, tenho certeza de que a Diretoria já alertou os outros agentes sobre o nosso sumiço.
– Espero... – respondeu Cara do Foguete já calmo mas sem querer se separar de Dot.
Gary estava extremamente desconfortável e nervoso dentro daquela jaula. Ele ainda tem claustrofobia. Mas Rookie tentava o confortar.
– Calma, cara – disse o pinguim verde – Nós vamos sair daqui logo.
– Eu estou com um mau pressentimento, Rookie – Gary disse nervosamente.
– Mau pressentimento?
– Sim. Acho que algo... muito ruim vai acontecer. – Gary respondeu.
– Pior do que ser "refém" de um urso polar? – Rookie riu.
Rookie ia dizer mais uma coisa mas foi interrompido pelo caranguejo andando desesperado até Herbert e chamando a atenção dos agentes.
– Clic cliiick! (Ela está aquiii!) – Klutzy "disse".
Herbert se assustou.
– Ela quem...? – Rookie sussurrou.
– Você tem certeza?! – perguntou o urso nervoso.
– Click! (Absoluta!)
– Droga! Não era para ela estar aqui! Não ainda!
– Click clicky click cliiic! (Ela vai entrar a qualquer momeeento!)
– Hmm... Herbert está com medo de alguém – Rookie sussurrou para os outros pinguins.
– Será que isso é possível? – Gary perguntou.
– Nada é impossível quando se trata de Herbert, meu caro – Dot disse.
– Pouco me importa quem seja, eu só quero que... – Cara do Foguete foi interrompido pelo barulho da porta da caverna sendo aberta violentamente.
E quem entrou pela porta surpreendeu cada um dos quatro pinguins, que ficaram felizes achando que era o resgate. Que pena...
– Herbert! – Jessica disse nervosamente entrando e se direcionando ao urso, sem perceber a presença dos outros pinguins enjaulados.
– Tá uma confusão lá na EPF, alguns dos mais importantes agentes sumiram! Estão todos te procurando agora mesmo, e...
Jessica finalmente olhou para o lado e viu os quatro pinguins na jaula olhando para ela incrédulos.
Ela olhou para Herbert, que estava com um sorriso nervoso, olhou para os pinguins, e depois para Herbert de novo.
– O que foi qUE VOCÊ FEZ?! – Jessica gritou.
– É o plano, oras! – Herbert respondeu em defesa.
– Mas você não pensou em me avisar nem nada?!?! TÁ FICANDO LOUCO?!?! – a pinguim perdeu totalmente a calma.
– C-como assim te avisar, Jay? Que plano é esse...? – Rookie ousou dizer.
Jessica olhou para Rookie com um olhar culpado de "me desculpe". Gary, Dot e Cara do Foguete a olhavam confusos. Claro que Herbert ia aproveitar da situação.
– Bem, parece que vocês estão bem perdidos, então permitam-me esclarecer... – Herbert disse com um sorriso sínico.
– Herbert, não ouse... – ela disse em um tom ameaçador.
– A agente Jay, ou como eu prefiro chamar, Jessye, é minha aliada. – Herbert disse ignorando totalmente o comentário de Jessica.
Essa frase chocou os quatro pinguins enjaulados.
– Não pode ser... – Dot disse colocando a nadadeira em seu bico.
Jessica cruzou os braços e olhou para os pinguins com um olhar totalmente... diferente. Aquele olhar inocente que ela costumava ter não estava mais lá. Apenas era possível se ver a raiva e o nervosismo.
– É... – Jessica começou nervosamente – Eu... isso... é verdade. – a pinguim abaixou a cabeça para não ter que lidar com os olhares dos agentes. Principalmente o olhar mortal do Cara do Foguete.
– Sua...! – Cara do Foguete disse voltando a socar as grades da jaula – TRAIDORA! Isso que você é!
Jessica se afastou assustada com a agressividade do pinguim.
– Jessica... como você pôde...? – Gary disse ainda tentando acreditar.
– E-eu... – Jessica ia dizer mas foi interrompida por Herbert.
– Ok, ok, chega de drama. Temos que controlar os pinguins. – o urso disse puxando-a pela nadadeira até o computador.
Mas Jessica não se mexeu, fazendo Herbert parar.
– Controlar... pinguins? – ela perguntou lentamente.
– Sim, sim, agora vamos. – Herbert disse impaciente.
– Não. – Jessica respondeu.
– Não?! Nós fizemos um trato! – Herbert disse ficando mais impaciente.
– Eu só aceitei porque você me prometeu que não machucaria nenhum pinguim! – ela disse com raiva.
– Mas eu vou controlar, não machucar os pinguins! – Herbert disse se defendendo.
– Mas você vai obrigá-los a fazer coisas que eles não querem! E ainda sequestrou agentes?! Para que?! Provocar?! Isso é errado! – Jessica disse enfrentando Herbert.
– Ah, e você só pensou nisso agora?! Achei que estivesse claro desde o começo! – disse o urso – Você aceitou por conta própria, e apenas por estar com raiva de ser desprezada naquela agência!
– Se eu soubesse o que você realmente queria, nunca teria aceitado, por nada!
– Mas agora é tarde demais para isso! Você vai me ajudar, como você prometeu! Isso é uma ordem! – Herbert disse perdendo a paciência.
– Pois saiba que ninguém manda em mim! – a pinguim então derrubou Herbert no chão com uma rasteira e foi correndo em direção a jaula.
O urso grunhiu de dor. Ele está velho demais para isso.
Jessica procurava desesperadamente mas não achava a chave para abrir o cadeado.
– Eu sabia que você não ia deixar Herbert fazer nada de mal aos pinguins. – Rookie disse sorrindo para a pinguim.
– Eu nunca deixarei pinguim nenhum se machucar, não importa o que aconteça. – ela respondeu tentando sorrir.
Jessica não achou a chave e viu que Herbert já estava levantando, então decidiu quebrar o cadeado.
Respirou fundo e tentou se acalmar. Faz tempo que ela não fazia isso.
Ela então deu um golpe rápido e preciso no cadeado, que quebrou na hora, abrindo a jaula.
– Ai! – a pinguim disse sacudindo a nadadeira dolorida. Mas mais dor ainda estava por vir.
O primeiro pinguim a sair da jaula foi Cara do Foguete, totalmente tomado pela raiva. O pinguim foi em direção a Jessica e a segurou pela gola da roupa, levantando-a.
– DEPOIS DE TUDO ISSO, VOCÊ AINDA TEM CORAGEM DE DIZER QUE VAI PROTEGER OS PINGUINS?! ELES ESTÃO EM PERIGO POR CULPA SUA! – Cara do Foguete gritou dando um soco no rosto de Jessica e derrubando-a no chão.
– GEORGE! – Dot repreendeu-o.
Dot correu e segurou-o para impedi-lo de bater mais em Jessica.
– Jay! – Rookie e Gary disseram preocupados ao mesmo tempo.
– Mas que droga... – Jessica disse passando a nadadeira onde Cara do Foguete havia lhe batido. A pinguim ia levantar, quando foi pega pelo pescoço por Herbert.
– Se ficarem quietos, a pinguim não se machuca!
– Herbert! Me solta! – Jessica disse se sacudindo tentando se livrar das garras do urso.
Os outros quatro agentes se assustaram. Herbert não costuma ameaçar pinguim nenhum desse jeito.
– Solta ela, seu urso imundo! – Dot disse com raiva.
– Eu não tenho escolha. – ele disse.
O urso então começou a procurar algo em uma gaveta.
– Eu sei que ele está por aqui...
E finalmente achou. O protótipo do controlador de pinguins: um capacete, igual ao dos puffles. Herbert teve a ideia de não usar capacetes mas guardou esse.
– Você vai me obedecer... – ele disse colocando o capacete na pinguim.
– N-não! Herbert, pare! – Jessica se sacudia desesperadamente. Mas já era tarde demais.
Herbert colocou Jessica no chão e apertou um botão que fica na parte de trás do capacete.
Jessica deu um grito rápido de dor, mas logo calou-se. Os olhos da pinguim ficaram vermelhos. Os quatro pinguins olharam aterrorizados.
Ela não existe mais. Jessica é como um robô, sem emoção, feita apenas para receber ordens.
– Jessye, prenda-os de volta. E certifique-se que eles não vão sair.
– Sim, mestre. – disse uma voz robótica misturada a voz de Jessica.
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