A Vingança de Herbert
7 Capítulo VI
Notas iniciais
No iglu de Jessica...
Jessica já estava quase pronta, usando uma roupa mais formal para a ocasião: uma blusa lilás sem estampa. Agora faltava apenas decidir de qual jeito vai deixar seu cabelo.
– Rabo de cavalo? Trança? De lado? Solto? – Jessica perguntava a si mesma em frente ao espelho. – Ugh, como isso pode ser tão difícil?
Ela pensou um pouco e finalmente se decidiu.
– Já sei! – ela disse animadamente – Uma trança de lado! É simples, porém bonito.
Então Jessica arrumou seu cabelo, mas tinha que decidir mais uma coisa: qual boina usaria. Ela estava em dúvida se usava a boina preta, a marrom, a azul ou a roxa. Depois de cinco minutos, acabou escolhendo a marrom. Seus puffles escolheram, na verdade.
Agora ela estava pronta! Ah, quase pronta. Faltava seu óculos, mas ela não o achava em lugar nenhum.
– Cadê ele? CADÊ ELE? DANIEL, VOCÊ VIU MEU ÓCULOS?
Até que Charlie, o puffle vermelho de Jessica, apareceu usando os óculos.
– Charlie! – ela pegou os óculos do puffle e colocou em si mesma – Ainda bem que estava com você, eu achei que eu tinha perdido de novo e... – Jessica foi interrompida por alguém tocando a campainha.
– Gary. – ela sorriu ao pensar nele. – Já estou indo!
Jessica correu para a porta, quase caindo, e abriu-a. Gary estava sorrindo para ela. Ele estava como sempre, apenas sem o jaleco.
– Você está... linda. – Gary disse analizando-a.
– Você acha? – ela respondeu corada – Você também não está nada mal. Bem, vamos?
– Vamos!
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Enquanto isso, com Herbert...
O urso polar estava em sua caverna, terminando alguns ajustes de sua invenção para seu grande plano: um tipo de controlador de pinguins, já que o plano para controlar puffles havia sido estragado... por pinguins.
Com o controlador de pinguins, não há nada que possa interferir nesse seu novo plano. [...Ou será que há?...]
– É, parece que que vai funcionar. – disse o urso enquanto se sentava no sofá para um descanso. – Klutzy, tenho um pressentimento de que a Jessye não vai aceitar muito bem essa ideia de controlar pinguins e tal.
– Click, click-clicky? (Ah, você acha?) – Klutzy responde ironicamente.
– Mas e se ela se voltar contra mim quando souber?
– Clicky, click click-click. (Fácil, não fale para ela.)
– Hmm, você está certo... Então ela só saberá quando ser tarde demais para impedir. – disse Herbert.
– Click click? (Vai controlar ela também?)
– Não, só se eu não tiver mais opções. – respondeu Herbert – Caso ela se revolte, apenas irei trancá-la naquela gaiola que eu roubei semana passada.
– Click click clicky click. (Cabem uns sete pinguins naquela gaiola, e ainda sobra espaço.)
– Sim, sim, eu sei disso. – disse Herbert revirando os olhos – Agora, deixe-me descansar antes que eu te jogue da montanha.
É... parece que Herbert quer descansar e não vai lhes explicar o plano inteiro. Então, deixem que eu explico:
Como vocês já leram, é um controlador de pinguins. Bem, como o último plano com os puffles não deu certo, Herbert teve que mudar sua estratégia, mas não totalmente. Agora seria um controlador de mente para pinguins. Mas não será necessário capacetes, só uma antena e um computador modificado já bastava. Sim, Herbert testou o controlador em um pinguim distraído e deu muito certo. O pinguim obedeceu todas as ordens dadas, e depois nem se lembrou do que havia acontecido. Mas ainda faltava algumas ferramentas e peças que só havia em um lugar: EPF. Como o plano era controlar todos os pinguins da ilha, seria preciso uma antena bem maior e avançada do que a que ele tinha atualmente para poder alcançar um alvo maior. E então, Herbert só precisaria que todos os pinguins da ilha estivessem reunidos em um só lugar para funcionar. Bem, agora vocês entendem porque Jessica é tão importante para o plano, não? Okay, meu trabalho aqui está feito. Herbert já está acordando...
Depois de quase uma hora dormindo, Herbert finalmente acorda. O urso se espreguiça e boceja lentamente, e então se levanta.
Herbert tenta ver onde está Klutzy, mas não o acha.
– Hmm, ele deve ter ido dar uma volta.
Então Herbert vai em busca de comida. Ele estava com muita fome.
– Uma pizza vegetariana seria muito bom agora... – ele procura algo em uma cabeceira, e finalmente acha: vinte moedas.
– É, parece que vai dar para comprar uma pizza.
Herbert então sai de sua caverna e começa a descer a grande montanha. De lá de cima já é possível ver a Pizzaria e os vários pinguins andando para lá e para cá. Parecem formigas coloridas, ou um pote enorme de jujubas geneticamente modificadas que aprenderam a andar.
Quando finalmente chega na parte mais baixa da ilha, Herbert tem que lidar com os olhares de desprezo e medo, vindo dos pinguins.
– Criaturas repugnantes... – resmunga baixinho – O quê?! Nunca viram um urso polar na vida?! Ugh, esses pinguins são tão irritantes...
Finalmente Herbert chega na Pizzaria e pede uma pizza vegetariana grande. O atendente ficou realmente assustado e surpreso. Herbert normalmente rouba pizzas, e nunca paga. Dessa vez, ele pagou logo quando fez o pedido.
Na verdade, fora Jessica que deu-lhe o dinheiro. Ela sabia que ele precisaria.
Enquanto esperava a pizza ficar pronta, Herbert começou a pensar em uma coisa que lhe incomodava: seu passado. Herbert se lembra muito bem de quando era julgado por seus amigos e familiares por ser tão incomum dos outros ursos polares; não sabia nadar, não gostava do frio e era vegetariano. Chegou um dia em que ele não aguentou mais e fugiu para longe, sem rumo certo. Ele só queria um lugar quente e ensolarado, onde não tenha ninguém que lhe julgue. Foi meio que um erro parar no Club Penguin. Bem, aqui os pinguins não o julgam por suas manias incomuns, mas sim por ele ser mal. Aliás, essa ilha é congelante, muito mais fria do que seu antigo lar.
Ah, sua pizza finalmente ficou pronta.
Herbert então pegou a pizza, deixou o local e foi andando solitariamente em direção a sua caverna.
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Os dois foram caminhando lado a lado. Durante o trajeto, Gary e Jessica conversaram sobre coisas que nerds e geeks gostam (N.A: Ah, vocês devem imaginar que essa conversa nerd-geek durou muito. Mas não vou escrevê-la não, é muita coisa :v).
– E então, alguma nova invenção? – perguntou Jessica.
– Bem, não exatamente. – respondeu Gary – Não consigo me concentrar pois não consigo tirar uma certa pinguim da cabeça.
– Ah, que coisa – Jessica riu – Adoro ver suas novas invenções. (N.A: tu é sonsa mesmo viu menina?)
Finalmente chegaram ao museu. Esse museu era realmente enorme, e tinha várias coisas coisas que interessavam os dois pinguins e eles correram para poder ver (N.A: tipo eu quando vejo comida :') fico até emocionada).
Gary e Jessica passaram o resto do dia no museu e se divertiram muito. Mas como tudo que é bom dura pouco, a noite chega e o museu teve que fechar.
Então, Gary convidou Jessica para acompanhá-lo até o Café. Jessica não gosta de café — coisa que Gary achou um absurdo — então pediu um chocolate-quente. E os dois ficaram lá, novamente, conversando.
– Sim, a Festa dos Puffles é legal, mas o Halloween é ainda melhor. – disse Jessica.
– Concordo, o Halloween é uma das melhores festas que há no Club Penguin! – respondeu Gary – É, Jessica... Posso fazer algumas perguntas? É que você já sabe tanto sobre mim, e eu sei pouquíssimo sobre você.
– Oh, claro. – respondeu ela ao tomar um gole do chocolate-quente – O que gostaria de saber?
– Quantos anos você tem?
– Dezenove. Daqui a alguns meses farei vinte anos. Ah, tô ficando velha. – respondeu ela rindo.
– Hm... – Gary tentava pensar em outra pergunta – Você é daqui mesmo?
– Oh, não, sou latina. – ela respondeu Bem, pelo menos é o que minha mãe dizia, até ela...
Jessica não conseguia terminar aquela frase. Na verdade, ela não queria terminar a frase. Jessica tentou disfarçar, mas a tristeza era um pouco visível em seu rosto. E é claro que Gary percebeu.
– O que há de errado? – ele perguntou preocupado – Foi algo que eu falei?
– Não, não foi o que você falou... Foi o que eu falei. – Jessica respondeu.
– Mas o que há de errado em ser latina? Latinas são incríveis! – Gary disse, fazendo Jessica rir. É incrível como Gary a faz rir mesmo após ela lembrar de uma coisa tão triste.
– Não, não é isso – Jessica tenta forçar um sorriso – É que a minha mãe se foi há uns nove anos, acho.
– Oh, sinto muito por isso – Gary respondeu com uma certa tristeza na voz – Eu não deveria ter perguntado.
– Hey, tudo bem, você não sabia. – Jessica disse suavemente – Agora, vamos falar sobre outras coisas.
E os dois permaneceram no Café por mais uma hora e meia, conversando, até que já era bem tarde e os dois tiveram que ir.
Jessica e Gary se despediram e foram embora. Cada um em um caminho diferente, caminhando lentamente, até não ser mais possível se enxergar quase nada no meio daquela nevasca. O caminho solitário era também demasiado silencioso, quase morto.
Enquanto a neve ainda caía, dava-se para enxergar algumas silhuetas distintas. Mas nada passara de escuridão — dentro e fora. E eu não estou falando da noite.
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