A Vingança de Hera
4 Hera Apaixonada
Notas iniciais
Suspirei e deitei na ama. Eu estava muito cansada de brigar com Zeus. Como eu tinha sido inocente, séculos antes, quando me casei com Zeus e pensei que ele pudesse ser totalmente leal a mim!
A minha cabeça estava quase explodindo, por tudo o que aconteceu com Zeus, com as nossas brigas que duram séculos (literalmente), todos os filhos dele que estão soltos por aí, todas as mulheres com as quais ele já dormiu, e agora, Benjamin... Com isso tudo, a minha cabeça estava à mil por hora. Até que senti a vibração do celular. Peguei rápido e olhei o visor, e vi um "oi" na tela da mensagem.
Sorri. Só podia ser ele.
"Oi. É o Benjamin?", respondi.
"Sim.", ele escreveu. "Estava com saudades... Quando a gente pode se ver de novo?"
Não! Ele não estava me convidando pra vê-lo mais uma vez?! Ah, eu estava tão, mas tão feliz! E eu não deveria estar, eu só o estava usando para castigar Zeus, eu não deveria estar feliz por ele pedir isso. Eu deveria apenas me sentir orgulhosa, como um pescador quando o peixe morde a isca, e não... apenas feliz. Apenas com saudades, apenas com vontade de vê-lo de novo.
"A gente pode se ver de novo logo." Escrevi.
Lembrei dos conselhos de Deméter para não parecer desesperada, e só por isso não perguntei quando ele estava livre. Não podia parecer empolgada. Ele não podia pensar que eu estava empolgada.
"Quando você está livre?", ele escreveu.
Ele era rápido! Mal eu pensei em mandar outra mensagem perguntando a mesma coisa, o celular já vibrou com a mensagem dele.
"Eu estou livre amanhã, no final da tarde. Se você estiver livre também...", escrevi.
Lembrei que Quíron havia comentado alguma vez que o expediente dele na Academia Yancy acabava às cinco, então resolvi usar isso ao meu favor, porque os horários de Benjamin deveriam ser os mesmos dos de Quíron.
"Cinco e meia, seis horas. Mais ou menos esse horário.", respondi.
"Nossa, que coincidência!", ele escreveu. "Meu horário na Academia acaba às cinco!"
"Nossa!", respondi. "Que coincidência!"
"Pois é.", respondeu ele. "O que você acha de nos encontrármos às vinte para as seis na mesma cafeteria que nos vimos?"
"Pode ser.", respondi. Eu deveria fingir que tanto fazia para mim. Eu só deveria me mostrar apaixonada depois, quando ele já tivesse tentado algumas coisas para me conquistar, já estivesse apaixonado.
E eu deveria me envolver com ele por um tempo, para que Zeus visse que eu estava meio distante. E eu também deveria fazer alguma magia para que a minha barriga permanecesse igual, mesmo grávida. Isso já seria um pouco mais difícil.
Mas ainda era cedo para pensar nisso.
"Então, estarei lá." Ele respondeu, me acordando de meu pequeno devaneio.
"Vejo você amanhã às vinte para as seis, então." Coloquei isso com uma carinha piscando.
Eu estava feliz. Eu iria esperar ansiosamente pelas vinte para as seis.
Droga!
Eu não deveria estar apaixonada!
Provavelmente nem ele estava apaixonado também! Eu não posso me apaixonar tão rápido assim, eu preciso me controlar.
Eu deveria chamar Deméter.
E rápido.
Fui para o lago e joguei uma moeda para mandar uma mensagem de Íris (sim, as mensagens de Íris também funcionavam com deuses).
Vi a imagem de Deméter sentada numa mesa, com roupas e botas de couro, seus cabelos negros jogados para o lado analisando uma folha de papel, que provavelmente seria algo ligado à vingança. Quando ela finalmente percebeu a minha presença, colocou o papel na mesa e logo se levantou.
— HERA! — ela gritou. — Eu estava ocupada! O que você precisa? Aquele Benjamin já ligou?
— Ele mandou mensagem. — Olhei em volta para ver se havia outro deus presente para ouvir nossa conversa sobre Benjamin. — Deméter, preciso que você venha aqui. É um assunto urgente e secreto, e não posso falar aqui, senão corre o risco de algum deus aparecer por aqui. Você pode vir aqui no Olimpo?
Deméter ficou me olhando com uma expressão sarcástica.
— Quer dizer que a nossa Hera tem um assunto urgente e secreto para discutir, hã?! Suponho que eu já saiba sobre o que se trata... Já estou indo, Hera. Me espere no seu quarto.
— Tudo bem.
O rosto de Deméter foi ficando enevoado até desaparecer totalmente. Quando isso aconteceu, virei de costas e subi as escadas que levavam ao meu quarto, e torci para que Zeus não estivesse lá.
Quando abri a porta, vi que eu estava certa. Ele não estava lá. Mas, por precaução, tranquei a porta.
Sentei na cama e peguei o celular. Vi que Benjamin não tinha mandado nenhuma mensagem. Coloquei o telefone em um dos bolsos internos do meu vestido e deitei, esperando Deméter chegar. Fechei os olhos. Eu precisava descansar a cabeça, porque com todas aquelas coisas não estava dando mais!
Alguns minutos depois de eu ter feito isso, Deméter apareceu.
— AMIGAAA! — ela gritou, me ajudando a levantar da cama. — Estou SUPER curiosa! Que assunto seria tão urgente assim?! Com certeza é Benjamin, mas quero saber o que aconteceu! Estou me corroendo de curiosidade!
— Tudo bem, tudo bem. Deixe-me contar. — eu disse. Deméter me olhava com expectativa. — Benjamin me mandou uma mensagem. Dizendo que estava com saudades, e me convidou para sair. Vai ser amanhã, às vinte para as seis.
— Isso é ótimo, Hera! — ela disse, sorrindo. — Mas o que é tão urgente para você me chamar assim, na pressa? Isso que você me contou nós já esperávamos.
— É que... eu estou feliz por ele ter feito isso. Eu fico esperando ansiosamente o horário que nós vamos nos encontrar, e fico esperando o celular vibrar, e o coração vibra junto pensando que é uma mensagem dele... Acho que estou me apaixonando por Benjamin. E eu não posso me apaixonar!
— Na verdade, você pode, sim. Mas é mais seguro para Benjamin você não fazer isso. — disse Deméter. — Conheço vingança. Melhor do que ninguém. E sei o que a vingança é capaz de fazer as pessoas fazerem. E você também sabe. Se Zeus descobrir, quem vai ser afetado será Benjamin. Então... Não deixe que ele descubra. Deixe que ele descubra no tempo certo, quando o "filho perdido" chegar no Acampamento.
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