A Vingança Das Gárgulas
5 o inicio, o fim e o meio.
Notas iniciais
Londres, finalmente chegamos nesta cidade maravilhosa.
- E agora aonde iremos afinal. Londres é enorme, e agora com os milhares de imigrantes chegando nesta cidade estamos perdidos e sozinhos. – Eu disse já pessimista.
- Pare de ser pessimista, veja as oportunidades com milhares de estrangeiros vindo para cá, quem desconfiara de gárgulas entrando aqui. – disse Dorotéia – Não estamos sozinhos vamos eu os levarei ao conforto merecido.
Entre ruas sujas e cheias de pessoas de diferentes nacionalidades, fomos para perto do rio onde estava o palácio westminster onde Dorotéia disse :
- Eu vou entrar aqui e já volto, não entrem comigo e não falem com ninguém.
-não somos crianças – disse Adelaide.
Dorotéia entrou no grande palácio e muito belo sinal e mesmo com as roupas esfarrapadas os seguranças a deixaram entrar.
- o que ela foi fazer mãe? – eu disse para minha mãe que estava sentada no chão brincando com os pombos, ela tinha os olhos de esmeraldas e um cabelo curto que não chegava em seus ombros.
- ela foi falar com uma antiga amiga nossa – ela fez uma pausa um pouco longa- a rainha Ana I.
Como assim a rainha Ana I é uma amiga da família, eu não podia acreditar naquelas palavras
- então a rainha é uma de nós? – eu perguntei.
- não só temos um acordo com a família real desde os primórdios da monarquia. Eles não nos caçam e nós não os matamos. – minha mãe disse com um tom de felicidade por estar segura naquela ilha cidade – alguns lordes e duques são gárgulas, mas não todos. – e com um to irônico encerou a frase dizendo – temos até bispos e padres conosco.
Eu fiquei pensando como o mundo é estranho, pois a igreja quer nossa cabeça, mas alguns estão se sacrificando para nos ajudar.
- E você Adelaide, conte- nos mais um pouco de sua historia.
- Eu sou de Paris, e me tornei uma gárgula a 40 anos, apenas. Meus pais foram mortos pelos caçadores e Fernandes me ajudou desde então, até o dia que eu fui embora de sua casa. Fui para Roma buscar vingança e só o que consegui foi ser perseguida até Gaillon onde Fernandes e vocês me ajudaram. – ela deixou duas lagrimas escorrerem pelo seu rosto.
-Parece que todos nós já sofremos por conta dos caçadores. Mas por que eles nos querem mortos?
- Não há um motivo exato, Nicolas, só há apenas a raiva e o ódio de nossa espécie. Eles estão falando que essa é a hora da purificação sem ensinamentos de magia ou monstros que andam a noite e sugam sangue de homens bons.
- Mas até que eles têm um pouco de razão – as duas me encaram feio — afinal se toda a humanidade vira-se gárgula morreriam todos sedentos por sangue. – eu disse com medo da resposta.
- Isso nunca acontecerá, pois só transformamos alguns poucos e isso é mais transmitido por hereditariedade.
Dorotéia chegou com roupas para nós e dizendo.
- vistam-se e vamos entrar a reunião será em breve.
Entramos no palácio e andamos pelos vastos corredores até encontrar uma sala vazia para se vestir, colocamos roupas formais, afinal era um evento importante. A noite caia rápido e a cidade emanava uma energia estranha parecia que todos ali fora sabiam o que estava acontecendo.
O salão principal onde será realizada a reunião estávamos a caminho do grande salão.
O salão principal estava cheio, absurdamente cheio de gárgulas. Elas serviam sangue como se fosse vinho com garrafas dizendo cultivado na Itália ou colhido na Grécia. Todos com roupas pretas parecia que havia morrido a própria rainha, pois só avistava pessoas vestidas de preto.
Sentamos na primeira fila próxima de três cadeiras grandes e folheadas a ouro. Juan meu tio estava lá com Charles, junto a nós.
O silencio encheu o salão. E as três cadeiras foram preenchidas por um homem com os cabelos longos e pele branca, olhos escuros como a noite. Na outra cadeira estava Ana I a rainha e na outra estava um homem com cabelo curto loiro um pouco baixo e com um olhar muito sedutor.
A reunião começou e já com o assunto principal.
- Vamos começar com o assunto, sobre a caça das gárgulas e das bruxas que já matou milhares aqui na Europa e em todo o mundo – disse Ana I – estou aqui com dois representantes de grandes clãs o senhos Stuart – ela se dirigiu ao moreno de cabelos longos- e Davis – ela apontou ao loiro baixo. – Hoje estamos aqui para decidir se iremos apenas protestar ou vamos fazer acontecer.
A rainha estava revoltada, ela defendia nossa causa como se fosse dela e isso era um pouco estranho.
- Eu proporciono em destruir a igreja católica, ou seja, invadir o vaticano e matar todos – disse Stuart.
- Isso não é aceitável. – Davis disse levantando-se – Não podemos invadir o vaticano e matar a todos, o povo ficara com ódio de nós e não queremos isso.
- É se eu aprendi uma coisa em relação ao povo é que ele tem poder e muito. – disse a rainha Ana
- Desculpem meu lado horrível, mas quando tenho um inimigo gosto de acabar com ele em todos os sentidos – Stuart disse – mas, não vou desistir enquanto a igreja estiver viva.
- Ninguém quer a igreja viva, e sim enterrada a sete palmos da terra. Mas isto não significa sair por ai matando todo mundo. – Davis esta ficando estressado.
- Eu quero propor uma coisa, nós mataremos o papa e se houver alguma coisa, todos atacarão.
- Isso não são vocês que decidiram e sim as gárgulas ou os plebeus. – Ana fez uma pausa e disse – Plebeus vocês devem votar e nos dizer qual a escolha certa a tomar afinal não há governo sem povo e vocês são nosso povo secreto.
E por 15 minutos cochichos aumentavam no salão, até que Dorotéia fez o inesperado.
- Chega disso, vocês já sabem o que querem só estão com medo de admitir. – Dorotéia gritou isto em meio ao salão.
- Então nos diga o que eles querem. – Ana perguntou.
- Eles querem matar afinal já estão mortos. Nós já morremos e não admitimos, mas temos inveja dos vivos então os queremos mortos. – Dorotéia fez uma pausa e completou dizendo. – Mate-os e conseguirão a vida que nunca tiveram, mas não serão preenchidos por completos, pois faltar algo que todo humano sente ou sentiu o amor, e como a maioria de nós tem a mente perfeita sabe que devemos extinguir estes valores e a igreja. Então todos aqueles que quiserem ir comigo e destronar aqueles velhos que não fazem nada o dia todo, basta me seguir.
Dorotéia deu um sorriso maléfico para meu tio, como se fosse um sinal e saiu voando pela janela e logo após dela foram centenas de gárgulas. O palácio de wistminster estava expelindo uma grandiosa nuvem negra que infestou os céus e vôo rumo ao sudeste, debaixo é claro de uma grande nuvem cinza e espessa.
A noticia se espalhou e antes mesmo da chegada em Paris, já evacuavam a cidade com medo, pois chamavam da nuvem preta, pois ela quando passava por cima de uma cidade ficava mais escura que a noite e depois de passar só ficavam os corpos sem vida, afinal não podemos vencer uma guerra sem comida, posso ter um coração, mas ainda tenho sede.
Paris a melhor cidade para se viver e se apaixonar. Não hoje.
Os gritos, os choros, caçadores. A morte estava por todo lugar menos do lado das gárgulas afinal elas já estavam mortas.
A nuvem viajava levando terror, a toda Europa, pois juntos as gárgulas eram imbatíveis. E os rumores aumentavam causando pânico no Vaticano. Roma ficava apreensiva a cada instante mais militares infestavam a cidade e os caçadores também iam para a cidade de Deus.
Parecia que o escolhido por Deus, não dava conta sozinho contra as hordas do mal.
Enquanto isso a nuvem crescia ainda mais, engolindo três grandes cidades ao mesmo tempo Torino, Genova e Milano. Outras nuvens gigantes vinham da Rússia, África e America todas se dirigindo para um mesmo lugar. Os sinais telepáticos funcionam e melhor que a internet.
No dia 5 de novembro aconteceu o esperado.
O silencio estava incomodo, as nuvens estavam em espiral encima da cidade do vaticano. O estranho era ter a nuvem, mas não ter nenhuma gárgula, para onde elas foram?
Passaram três horas e já era meio dia, uma fissura na nuvem fez com quem alguns raios de sol batessem na praça de são Pedro. Milhares de soldados saíram de dentro das capelas, eles estavam escondidos todo este tempo.
O sol se foi e o dia voltou a ser noite, e o esperado ocorreu milhares de gárgulas atacaram, algumas na terra outras no ar, todas lutando com espadas.
Espadas contra armas, bruxas uniam. A guerra estava de um lado com padres e militares, bispos e soldados e do outro lado estavam gárgulas e bruxas.
Explosões matavam humanos e gárgula e tiros exatos no coração matavam gárgulas, mas quem conseguiria em meio à confusão atirar exatamente no coração das gárgulas famintas.
A batalha parecia perdida para o lado santo, mas como nada na vida é perfeito algo aconteceu.
Os caçadores apareceram e a os milhares com arcos e flechas, “água benta” entre outros equipamentos.
A batalha estava se igualando e se continuasse assim teríamos que sair daquele lugar, mas para onde ir, pois havia centenas de clãs no mesmo lugar.
- Vamos ir embora antes que mais gárgulas morram. – Stuart disse com muita razão.
E com atos de solidariedade as gárgulas levaram algumas bruxas em seus braços. Estávamos indo para Torino onde já não havia muitas pessoas vivas e dela escolheríamos para onde ir.
Mas antes que todos os clãs estivessem fora da cidade do vaticano algo aconteceu.
Juan apareceu voando nos céus com o papa. Que foi arremessado ao chão com tanta força que pode rachar o chão e esmagar alguns ossos do pobre escolhido por Deus.
50 gárgulas foram perdidas com tiros e flechas no coração. Mas quando isto ocorre uma gárgula não morre e sim volta a “vida” vira um ser humano com poderes fracos que desaparecem com o passar do tempo. Já os que são atingidos por água benta, que na verdade é um acido. Morrem instantaneamente.
A batalha foi perdida, embora conseguimos o que queríamos. O papa morto, o vaticano perdido, a fé desequilibrada, o medo, mas em meio a confusão me vem a pergunta para onde iremos sem ter medo, pois o povo vai descontar toda sua raiva em nós.
O caminho até para Torino foi rápida e sem nenhuma batalha e com um silencio ensurdecedor e todos com cabeças baixas, como se algo que deveria acontecer não aconteceu.
Não foi assim que planejamos esta evolução.
Em Torino estávamos ainda para baixo, apenas esperando nos falarem o que fazer antes dos caçadores e do exercito vir aqui.
A noite caia e com isso as luzes de tochas cresciam ao horizonte.
- Meus caros irmãos e irmãs vamos voltar para nossos antigos lares e fugir da Europa sendo que aqui só poderá voltar daqui a dois séculos ou seja em 1900. Enquanto isso vamos viver nos outros continentes, como Ásia, America e Oceania. Londres poderá ser visitada daqui a 20 anos, pois lá é nossa terra, enquanto houver monarquia.
Antes que tais caçadores chegassem em Torino fomos nos espalhando pelo resto do mundo, com um propósito de viver em paz ou tentar fazer isso.
Eu fui com meus tios e minha mãe para uma terra tropical chamada Brasil. Voamos para a bordo de um navio e ficamos lá até a chegada no porto.
Os dias nauseantes no navio eram horríveis podendo sair de dentro da cabine apenas de noite, parecia que uma nova terra seria melhor para nós, um novo começo longe da Europa sangrenta que destruíam nossas riquezas e nossa felicidade.
Alguns dias dentro daquele navio, tive uma conversa com minha mãe.
- Mãe o que haverá agora, que o papa morreu? Como será nossa vida? – estou apavorado e pensativo.
- Bom o papa morreu, mas como diz o ditado “rei morto, rei posto”. A caçada continuara, a igreja vai mentir sobre a morte do papa com certeza. Mas nessa nova terra poderemos ser um pouco mais livres que antes. Não lhe darei esperança, mas não vou tirar ela de você, afinal cada um se ilude com o que quer. Eu sei que sente falta de Fernandes, embora tenha vivido pouco tempo com ele, mas ele sempre estará vivo dentro de você e na rosa, ele seria o que te daria vida novamente uma segunda chance de largar a vida eterna e ser feliz para sempre com a morte no final.
- É claro que a morte não é uma coisa boa a vida eterna sim, por isto eu o entreguei a morte – disse Dorotéia invadindo o aposento – uma vidente me revelou que você iria se apaixonar então tomei a liberdade de matar seu amor que colocaria nosso plano a perder.
- Como você pode fazer isso com ele? Meu filho. – disse minha mãe com raiva em suas palavras.
- O papa morreu e eu não o matei, então onde eu entro neste plano?
- Temos uma coisa muito maior esta bem. Uma coisa para o futuro uma guerra que poderemos dominar este mundo, quando chegar a hora certa contaremos tudo. – e com um murmuro seguido de um sorriso, terminou a frase dizendo. – O tempo vai mostrar tudo é só esperar.
- Então o papa foi apenas o inicio e que vira agora uma guerra contra o mundo, ela deve estar louca.
- Dorotéia nunca foi louca filho, ela estava falando muito serio, por mais estranho que pareça o que ela pensa acontece, quem diria que mataríamos o papa e agora ela quer uma guerra, então a guerra vai começar quando ela quiser.
-Então ela dita as leis? – eu disse
- Ela tem muita influencia. Bom agora eu vou meditar esta bem preciso pensar.
E assim minha mãe saiu para outro cômodo e eu fiquei pensando, como uma guerra seria feita com apenas milhares de gárgulas. É suicídio.
Fale com o autor