A Vingança de Hermione Granger
15 Capítulo 15
Notas iniciais
Capítulo 15
A festa – Parte II
Ele se espantou ao ouvir aquela voz novamente, não era possível, ela tinha ido embora. O que estava fazendo ali novamente? Ao voltar o olhar para a dona da voz, constatou ser quem temia, não escondeu a surpresa ao vê-la.
— Astória?!
— Surpreso em me ver, Draquinho? — Ele observou que ela pintou os cabelos, antes negros, de loiro. Ademais, estava exatamente a mesma com quem se relacionou um ano atrás, a começar pelo sorriso irônico nos lábios da garota.
— Por que voltou? – Sua voz saiu cortante, fria, recuperando-se da surpresa inicial ao vê-la.
— Oh, nem um “quanto tempo”? Você já foi mais educado, Draquinho... – A loira teceu suas palavras com uma visível ironia, deixando escapar uma risada em seguida.
— Estou sem paciência para joguinhos e dissimulações, Astória. – Suavizou seu tom de voz, suspirando em seguida, não queria uma inimizade com ela.
— Estava com saudades. Saudades de Hogwarts, da minha amada Sonserina, de você. — Ela frisou, voltando a sorrir, antes de beber um gole da bebida que trazia consigo.
Ele engoliu em seco, tais palavras o fizeram sentir-se terrivelmente culpado. O passado estava voltando para atormentá-lo, Astória pretendia algo, ele sabia disso.
— Astória, por favor, vamos deixar o passado para trás... — Tentou uma abordagem diferente, novamente tentaria se desculpar, mas ela o interrompeu.
— O passado para trás? – Perguntou amarga, fitando-o intensamente. – Eu passei três meses naquela clínica por sua culpa, Draco! – Acusou, aproximando-se perigosamente dele.
— Astória, foi para o seu bem. – Sua voz saiu fraca, já passou por aquilo tantas vezes, pensou que tudo tivesse ficado para trás.
— Eu sei, agora eu sei. – Disse docilmente, aproximando os lábios do rosto de Draco, depositando um suave beijo.
O sonserino ficou sem reação por alguns milésimos de segundos, ela mudou sua postura tão rapidamente que mal conseguira assimilar.
Tinha algo errado, ele sabia disso.
— O que você realmente quer, Astória? – Estava cansado demais para trata-la com frieza, nem ao menos o queria.
Ela aproximou a mão de seu rosto, alisando-o suavemente.
— Eu quero você, Draco. – Sussurrou, antes de aproximar os lábios dos dele, e os selar suavemente.
Ele deu um passo para trás, esgueirando-se dela.
— Nós somos passado, você sabe disso. – E antes que ela tivesse a chance de responde-lo, continuou a andar.
Astória o pegou de surpresa, se pudesse mudar o passado, mudaria. Nunca teria se envolvido com ela, tampouco ter feito o que fez. Mas, infelizmente, o que estava feito não poderia ser mudado, e ele tinha que arcar com as consequências.
Enquanto fugia de sua consciência em busca de mais álcool, uma cena o fez apertar os punhos de raiva. Merlin estava de brincadeira com ele, só podia ser.
(...)
— O que quer que eu faça? – Perguntou em rendição.
— Beije-me, Potter.
— Por quê? – Perguntou quase em um sussurro, desconcertado, ela estava tão perigosamente perto. E por Merlin, como ele a queria...
Um meio sorriso malicioso formou-se nos lábios da grifinória, como resposta à sua pergunta, ela aproximou os lábios do seu pescoço, embrenhando no vão do pescoço dele. Depositou um beijo, suave, mas o suficiente para fazê-lo estremecer.
— Não vou pedir de novo, Potter. – Disse em um sussurro, rente aos lábios dele, roçando-os.
Harry não pôde mais resistir. Já que ela tanto queria, ela teria. Embrenhou seus dedos entre os cabelos dela, tomando os seus lábios vermelhos em seguida. Sua língua pediu passagem, ela permitiu, retribuiu ao beijo. A princípio era calmo, mas logo se intensificou.
Ele beijava-a como se fosse a primeira vez, deliciando-se nos lábios que tanto teve ao seu dispor. Enquanto ela beijava-o sem tanto ânimo; negaria se perguntassem, mas sentia-se suja na medida em que permitia o aprofundar do beijo. Ela afastou os lábios dos dele, mas Harry levou sua boca até o pescoço da ex-namorada.
Enquanto sentia os lábios em seu pescoço, notou com satisfação que um amontoado de pessoas os observavam. A música alta ainda tocava, mas os cochichos eram cada vez mais altos.
— Eu preciso de você. – Disse em meio aos beijos. – Vamos para outro lugar.
Vamos para outro lugar? Aquilo era demais.
— Pare. – Pôs sua máscara de frieza, repousando as mãos no tórax dele para afastá-lo. – Não vou para lugar algum com você, eu queria um beijo e tive um. – Completou mediante o desentendimento no olhar de Harry.
— Mas...
— Mas nada, Potter. – Forçou um sorriso. – Até mais. Divirta-se. – Despediu-se depositando um beijo em sua bochecha, deixando-o sozinho e confuso.
Nem tão sozinho assim, na verdade. Percebeu ter uma plateia animada o observando. Maldita Granger, era tudo uma farsa. Ela não queria um beijo, ela queria fazer com Parvati o que fizeram com ela.
Merlin, ele tem uma namorada. Nunca traiu Parvati antes. Nada era mantido em segredo em Hogwarts, a notícia do seu beijo com Hermione iria se espalhar, Parvati saberia. Iriam terminar, sabia disso. E o pior é que pouco se importava, porque gostou de beijar Hermione mais do que pretendia, mas isso também não importava; porque a única coisa que Hermione queria era fazê-lo sofrer.
Mas ele não deixaria que isso acontecesse, ele não permitiria que Hermione estragasse a sua vida, e nem seria feito de bobo novamente.
(...)
Hermione bebeu outro gole da cerveja amanteigada, sentia-se suja, mas valeu a pena. Constatou isso ao ver a foto em suas mãos, mandaria o seu pequeno presente para Parvati no dia seguinte. Fez o mesmo que fizeram com ela, mas ainda não era o suficiente. Não era Parvati quem queria fazer sofrer, embora ela merecesse, era Harry.
Ia ao encontro das amigas quando sentiu alguém segurar em seu braço, sem força, mas o susto a fez tombar contra o tórax do homem. Ao erguer o olhar, surpreendeu-se ao avistar Draco, suas feições indecifráveis a fizeram suspirar nervosa. Será que ele viu? E por que isso a fez sentir-se tão mal?
— Dra-draco... – Sua voz tremeu, entregando seu nervosismo.
— É deprimente ver que você deu mais uma chance para aquele babaca, Granger. – Ele arrastou o seu sobrenome, soltando-a em seguida. – Pensei que você fosse melhor, vejo que me enganei. – Completou.
Hermione entreabriu os lábios para responde-lo, mas foi inútil. Com aquele maldito ar de arrogância, ele deu a meia volta e deixou-a sozinha, com as palavras entaladas em sua garganta. Quem era ele para julgá-la?
— Hermione, você está bem? O que foi aquele beijo com o Potter? – Sentiu as mãos amigáveis de Pamela em seus ombros, ela apenas acenou em concordância; voltando a atenção para a prima, embora seus pensamentos estivessem longe.
(...)
Estava na hora. Ele iria ganhar a aposta e já sabia como fazer para vencer, e só por isso, Nate abandonou os lábios apetitosos com os quais se deliciava, para ir ao encontro dos amigos.
Nate surpreendeu Draco e Blaise, repousando os braços nos ombros dos amigos. — Sentiram minha falta? – Perguntou com um sorriso maroto.
— Onde estava? Você sumiu a festa toda. – Blaise perguntou, mesmo sabendo a resposta, e mediante o ar maroto do amigo, completou: – Isso aí, meu garoto. Foram quantas?
Draco bufou e revirou os olhos com o rumo que a conversa tomaria, além da volta de Astória, ainda estava de mau humor com o beijo de Hermione com o babacão número um. Sua noite não poderia ser pior.
— Alguém está de mau humor. – Nate brincou, em meio às risadas. – Mas não se preocupe, vou ganhar a minha aposta para deixa-lo feliz.
Ledo engano para Draco, sua noite realmente tinha como ficar pior.
— Essa eu quero ver! – Blaise se juntou ao amigo nas risadas, mas dessa vez, ria de Nate. O moreno apostava parte da sua fortuna contra o amigo, o que a Granger iria querer com Nate? Em sua concepção, se ela fosse ficar com algum sonserino, ele era o mais bonito e humilde.
— Era só o que me faltava... – Draco revirou os olhos, deixando-se ser levado por Blaise, ao encalço de Nate.
Hermione, que no momento estava sozinha e perdida em seus pensamentos, mal notou quando Nate se aproximou.
— Oi, Granger. – Ele a cumprimentou, chamando a sua atenção.
— Oi. – Sorriu, mas franziu as sobrancelhas ao ver Blaise e Draco há poucos metros de distância, Blaise nem ao menos disfarçava estar olhando diretamente para eles, enquanto Draco parecia entediado. – O que você quer? – Completou desconfiada.
— Vou falar a verdade. Draco disse que eu não conseguiria ganhar um beijo seu, então apostamos. Sei que não gosta dele, então que tal você me beijar, e ele perder a aposta? – Nate esboçou o seu melhor sorriso, tentando persuadi-la com aquelas palavras.
Hermione, por sua vez, ficou sem reação. Uma aposta? Sério isso? Ela voltou o olhar para os amigos de Nate, e quando seus olhos cruzaram com os de Draco, ele arqueou uma das sobrancelhas.
Ela tomou aquilo como um desafio, além do mais, seria uma boa oportunidade para fazê-lo pagar pela ofensa. E, por Merlin, como ele ousou apostar algo relacionado a ela? Draco merecia uma lição.
— Não coloca essa língua na minha boca, entendeu bem? – Vociferou para Nate.
— Obrigada, Hermionezinha. – E antes que ela se arrependesse, aproximou os lábios dos dela, apenas os encostou, não se demorando no selar dos lábios.
Eles não tinham especificado como seria o beijo. Ponto para Nate, que ganhou a aposta sem fazer esforço algum.
Assim que ela se afastou de Nate, novamente voltou o olhar para Draco, arqueando uma das sobrancelhas. Claramente o desafiando, antes de se afastar dos sonserinos.
— Nate, seu filho da mãe, aquilo nem foi um beijo de verdade! – Draco esbravejou, enquanto se aproximava do garoto de cabelos castanhos, segurando-se para não avançar contra ele. A verdade é que, por mais que tenha sido somente um selar, não gostou em nada dos lábios do amigo na sua garota.
— Um beijo é um beijo, vocês não especificaram o uso de línguas. – Blaise intervém a favor de Nate.
Draco deu de ombros, pouco se importava com essa aposta ridícula. Hermione claramente o desafiou com aquele olhar, punindo-o por fazer apostas em seu nome.
Talvez ele tivesse sido precipitado, afinal. Não a viu com o Potter pelo restante da noite, não era difícil concluir que eles não estavam juntos realmente. Mas o que foi aquele beijo? Estaria ela fazendo-os pagar na mesma moeda? Ou será que ela ainda nutria sentimentos pelo cicatriz?
De qualquer jeito, com Potter ou sem Potter, Hermione seria sua até o final daquela noite. Sem joguinhos e interrupções.
(...)
Outra dose de firewhisky, tragou tudo de uma só vez, antes de pegar mais uma. O prudente seria voltar para a Torre da Grifinória, Rony havia sumido com Luna, Dino e Simas estavam com outras garotas.
Percebeu alguns olhares direcionados para si, seguidos de risadinhas, ele suspirou cansado de tudo aquilo.
— Não acha que já bebeu demais, Potter? – Uma voz conhecida se fez presente, voltou os olhos avermelhados para a garota ao seu lado.
Ótimo, a única coisa que faltava para Harry era a companhia desagradável de sonserinos.
— O que você quer, Parkinson? – Sua voz saiu fria, não forçou simpatia para a de cabelos curtos. A sonserina não disfarçou em soltar uma risada de sua fala, fazendo-o revirar os olhos.
Carma, aquilo era carma. Só podia ser.
— Você é mesmo patético, Potter. – Voltou os olhos negros aos dele, o sorriso irônico presente em seus lábios. – Trai a Granger com a Parvati, e depois trai a Parvati com a Granger, fica chorando miséria em copos de firewhisky, encenando um falso arrependimento.
Ele ficou estático por alguns segundos. Falso arrependimento? Quem ela pensava que era para falar assim com ele?
— Você não sabe nada sobre mim. – Vociferou, tragando um gole do álcool em seu copo.
— Sou uma boa observadora, Potter. – Sua voz saiu irritantemente divertida, a sonserina literalmente ria dele. – Você quer ter tudo, mas vai acabar sem nada. Cuidado, garoto de ouro. – Deu de ombros, e antes que Harry respondesse, ela pegou o copo de suas mãos, e tragou o restante da bebida do grifinório.
Harry somente a observou se afastar. Definitivamente, aquilo era demais para ele, levantou-se com a dignidade que lhe restara e saiu da festa sem despedidas.
(...)
Antes de regurgitar mais uma vez, Gina Weasley deixou escapar uma risada sem humor. Era tão patética... desde quando tinha amores platônicos? Mais especificamente, desde o quinto ano nutria sentimentos não correspondidos por ele. Na verdade, o sonserino nem ao menos sabia de sua existia, nunca a notou. De toda forma, mesmo se fosse correspondido, não poderiam se envolver. Seria loucura, eram incompatíveis.
Sentiu as mãos de Thereza em seus cabelos, segurando-os. Por Merlin, por que se sentia tão enjoada? Regurgitou outra vez dentro da privada.
Não deveria ter bebido tanto. Mas após ver o garoto por quem tem sentimentos com sua melhor amiga... somente queria esquecer a cena, afundando-se no álcool. Péssima ideia.
Por que tinha que ser justo a Hermione?
— O que está acontecendo? – Pensando em Hermione, para o seu desgosto, ela apareceu.
— Gina bebeu demais. – Escutou a voz de Pâmela, enquanto ela ajudava-a a lavar o rosto.
— Vamos levá-la para o meu quarto. – A ruiva sentiu as mãos de Hermione em seus braços, mas logo se desvencilhou.
— Solta o meu braço sua vadia. – Vociferou, o álcool subiu em sua cabeça, estava com raiva e tão magoada. Por que ela?
— Gina, o que houve? – Hermione perguntou assustada com a reação da amiga, estava perplexa com a ofensa.
— Efeito da bebida. Não liga, Mi. – Thereza interveio, visivelmente surpresa com a incômoda situação instalada entre elas.
— Com tantos homens no mundo por que justamente ele? – A ruiva amaciou o tom de voz, as lágrimas subiram aos seus olhos e não demorou a serem derramadas.
— Eu... não sei do que está falando. – Hermione balbuciou, ainda atônita.
— Por Morgana, Hermione! Nem os sonserinos você não deixa livre. – Disse entre soluços, ainda atordoada do álcool.
— Eu... – Hermione tentou em vão explicar. Nunca imaginou que Gina gostasse de Draco, se soubesse não teria deixado ele se aproximar tanto. Mas... justamente Draco? – Eu não sabia que você gostava do Malfoy. – Completou desolada. Teria que se afastar definitivamente dele, sabia disso... e aquilo doeu.
— Malfoy? – Gina perguntou sem entender. – Quem falou da doninha albina? Estou falando do Nate...
— Nathaniel? – Hermione suspirou aliviada, compreendendo o mal-entendido. – Aquele beijo não foi sério, Gina. Eu não gosto dele, nós não nos beijamos de verdade. Ele apostou com o Draco que me beijaria, e eu queria dar uma “lição”, ou algo assim, no Malfoy...
— Então aquilo foi uma brincadeira? – Gina estava tonta com as informações, Hermione acenou positivamente, com um sorriso nos lábios. Então a vergonha a tomou por completo, como pôde acusar sua melhor amiga de tal maneira? – Ah, Mi! Sou tão idiota, desculpa. Por favor, desculpe-me. – Novamente, deixou que as lágrimas escapassem dos seus olhos.
— Tudo bem, só não me ofenda novamente. – A morena perdoou a mais nova, não guardaria ressentimentos de uma das suas melhores amigas, principalmente por algo sem importância ao seu ver.
Aproximou-se da ruiva e a aninhou em um abraço, deixou que Gina chorasse sobre o seu ombro. Em seguida, Pamela e Thereza juntaram-se ao abraço, fazendo comentários divertidos que arrancaram um sorriso da ruiva.
— É engraçado como vocês estão se multiplicando... – Em meio ao abraço, Gina comentou, rindo alto em seguida.
— Parece que ela ainda não está tão bem... – Pamela segurou a risada, ajudando Gina a manter-se em pé. – Eu vou levar ela para a Torre da Grifinória.
Pamela se despediu das demais, e com esforço, caminhou com Gina pelo salão ainda tumultuado.
— Eu fui uma vadia com a Hermione... eu vou pedir desculpas e declarar o meu amor por ela. – Gina falou sentindo-se tonta, as luzes coloridas não estavam ajudando. – E por você, e por Nate, e por todo mundo, vou declarar o meu amor por todo mundo...
— Sim, querida. Você vai. – Pamela concordou, deixando escapar uma risada, a amiga estava visivelmente bêbada.
Próximo à saída, tombaram com Blaise Zabini e Draco Malfoy, por sorte, Nate não estava com eles.
— Você! – Para o desespero de Pamela, Gina soltou-se dela e apontou a mão para Draco.
— O que tem eu, Weasley? – O loiro perguntou sem entender, arqueando uma das sobrancelhas, a ruiva estava claramente alcoolizada.
— Você tem muita sorte, muita sorte... – Ela balbuciou as palavras, rindo em seguida. – E você! – Apontou para Blaise, aproximando-se do moreno em seguida. – Você tem uma luz aqui dentro, ó. – Ela encostou a mão em seu peito, fazendo Blaise arquear uma das sobrancelhas, do que ela estava falando? E por ela estava olhando tão fixamente para ele? – Deixe a luz sair... – Ela disse pausadamente.
— Sim, ruivinha. Vou deixar a luz sair... – Ele concordou, iria começar a rir, mas sentiu os lábios da ruiva em seu rosto. Ela estava bêbada, mas até que gostou de sentir os lábios da pequena ruiva em sua bochecha.
— Isso. Deixe ela sair, você tem muita luz, Zabini... – Balbuciou, depositando outro beijo molhado em seu rosto. Entretanto, o segundo beijo não foi assim tão bom.
— Por Morgana, Ginevra! – Entre os risos, Pamela segurou nos ombros da amiga e a afastou dos sonserinos. – Ela está bêbada, desculpem. – Desculpou-se, poupando a ruiva de passar mais vergonha.
— É, definitivamente, acho que já está bom para mim. Vou para o meu salão comunal. – Draco comentou assim que as grifinórias saíram de vista.
— Você está vendo, Draco? Está vendo a luz exalando do meu corpo? – Blaise perguntou com seriedade, olhando para os próprios braços, procurando sinais de sua luz própria.
— Por Salazar... – Draco revirou os olhos, arrastando Zabini para a saída, já teve demais por uma noite.
(...)
Hermione e Thereza ficaram com o trabalho sujo após a festa, mas com a ajuda de suas varinhas, limparam tudo em trinta minutos. Hermione nunca agradeceu tanto o fato de ser uma bruxa, e aos feitiços de limpeza rápida.
Despediu-se da amiga, e caminhou sozinha para o salão dos monitores-chefes. Suspirou aliviada ao constatar que deu tudo certo, sem brigas, sem escândalos, e nem foi pega pelo contrabando do álcool.
Olhou mais uma vez para a foto que trazia em suas mãos; antes que sentisse vergonha de si mesma a guardou, improvisando um bolso na lateral do seu vestido com a sua varinha.
Franziu as sobrancelhas ao ver a sombra de alguém agachado no final de um dos corredores, iria passar reto, mas ao escutar um soluço, compadeceu-se por quem quer que estivesse ali.
Cautelosamente aproximou-se, e ficou surpresa ao ver Neville sentado com as mãos sobre o rosto. Mal o vira em sua festa, sem alarde, sentou-se ao lado dele e repousou a mão em seu ombro.
— O que aconteceu? – Perguntou baixinho, não queria assustá-lo.
Neville, que já havia notado sua aproximação, voltou os olhos vermelhos para Hermione. O garoto esboçou um sorriso triste, suspirando longamente e limpando as lágrimas com as costas das mãos.
— Não quero falar sobre isso, Mione. – Respondeu com a voz baixa, visivelmente triste.
Hermione não o forçou, abraçou o amigo de longa data e ficou alguns minutos ao seu lado, em silêncio. Assim que Neville se recompôs, ele agradeceu a companhia e despediu-se de Hermione com outro abraço.
Ela suspirou cansada, antes de continuar o seu caminho, esperando que o amigo ficasse bem, seja lá o que ele tivesse.
Assim que passou pelo retrato que dá acesso à sala dos monitores-chefes, estranhou o fato das luzes ainda estarem acesas. E ao que pousou os olhos sobre um dos sofás, prendeu a respiração por alguns segundos.
Draco estava tão à vontade, enquanto lia um livro. Iria passar despercebida por ele, mas se perdeu no tempo enquanto contemplava aquela visão. Os cabelos desalinhados, a falta de camisa... Por Merlin, ela poderia se perder facilmente naquele tórax bem definido, os anos de quadribol o fizeram bem. Por que ele tinha que ser tão atraente? Só tornava tudo mais difícil, com certeza.
— Quer um babador, Hermione? – A voz visivelmente divertida de Draco, a fez desviar o olhar imediatamente, sentiu as suas bochechas corarem.
Seu plano de passar despercebida por ele tinha ido por água abaixo, ergueu o queixo, antes de voltar o olhar ao dele.
— Seja só um pouco mais convencido, Malfoy. Boa noite. – Respondeu, forçando uma frieza que sabia não querer ter com ele.
Contudo, o sonserino foi um babaca a julgando na festa, e ainda tinha a aposta idiota. Ele, definitivamente, não merecia a sua atenção. Não naquele momento, pelo menos. Então, sem mais palavras, caminhou a passos duros até o seu quarto.
Pelo menos, essa era a sua intenção, se Draco não se precipitasse, e intervisse no seu caminho.
— Não esqueça do seu livro. – Estendeu para ela o livro que pegou na biblioteca, “Orgulho e Preconceito”, Hermione arqueou uma das sobrancelhas.
— Você estava lendo o meu livro? – Estendeu a mão para pegar o livro, mas ao que fez, a foto que carregava consigo caiu sobre o chão.
— Você esqueceu no sofá... – Respondeu, enquanto abaixava o corpo e pegava a foto. Draco franziu os lábios ao observar, novamente, a cena de Hermione e Harry aos beijos. – O que pretende com isso? – Estendeu a foto para ela, suas feições tornaram-se mais duras.
— E-eu... eu não lhe devo satisfações. – Culpou-se por tremer em sua resposta, pegou a foto e a guardou imediatamente.
Tentou, novamente, passar por ele em direção ao seu quarto. Mas a mão do loiro em seu braço a impediu de continuar o seu caminho. Hermione fechou os olhos por alguns instantes, tentando recuperar sua sanidade, conseguiria facilmente se ele não estivesse tão próximo.
— Se isso é uma espécie de vingança contra ele, está passando vergonha, Hermione. – Ele falou cautelosamente, mesmo as palavras fossem dolorosamente sinceras.
Mas não eram as palavras que importavam para Hermione, o que fez tremer as suas pernas, foram os dedos deles embrenhando-se em seus cachos, e os lábios deslizando em seu pescoço.
— Essa “vingança” é só o começo, Malfoy... – Forçou sua mente a formular uma resposta, ela suspirou ao que ele mordeu sem força o seu pescoço.
— Eu posso ajudar você com isso, Hermione. – Ela compreendeu as palavras, mas não as assimilou, mal teve tempo.
Antes que pudesse falar algo, Draco virou o seu corpo para de frente ao dele, e a encurralou contra a parede fria, pressionando suavemente os corpos. Seus olhos encontraram os cinzas tempestuosos dele, via desejo nele, os dela não deveriam estar muito diferentes.
— É a mais linda criatura que já vi.— Sentiu os dedos dele deslizarem pelo seu rosto, fazendo-a fechar os olhos por breves instantes, mas assim que assimilou as palavras dele, sorriu.
— Por que está citando Jane Austen? – Perguntou, mas ao sentir o polegar de Draco em seus lábios, fez silêncio novamente.
— Não estraga o clima, amor. – Amor?!
E antes que pudesse falar algo, sentiu os lábios macios dele sobre os seus. E por Morgana, como sentiu saudades.
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