A Vingança de Hermione Granger
13 Capítulo 13
Capítulo 13
Vermelho é a sua cor
Que merda era aquela?! Como Draco ousava trazer uma garota para a sala deles? Como ele ousava transar com outra no mesmo dia em que se beijaram? E por que sentia seu coração tão apertado?
Permaneceu estática onde estava, observando a performance de Romilda. O que deveria fazer? Gritar para saírem da sua sala? Fazer um escândalo? Ir para o seu quarto silenciosamente? Apenas assistir?
Ela engoliu em seco, e fechou os olhos por alguns instantes, inspirando profundamente. Estava com vontade de bater na bela face de Draco Malfoy. Mas por que faria isso? Eles não tinham nada... agora bastava convencer seu maldito coração traidor disso. Não poderia sentir nada por ele, não poderia. Eram incompatíveis e isso poderia estragar os seus planos.
Era isso, sairia por onde entrou, iria fingir que nada aconteceu. Agiria com classe, e se manteria longe de Draco, além de nunca mais se sentar no seu adorável sofá. Ao virar o corpo para trás, trombou com alguém. Sentiu mãos fortes em seus braços, evitando a previsível queda.
Estava tão perdida em pensamentos que não notou estar acompanhada. Ao erguer o olhar, sentiu sua respiração parar por alguns instantes. Ela entreabriu os lábios, sem saber o que dizer, ele não estava com Romilda?
— Você está bem? – Draco perguntou com preocupação, ainda estava com as mãos em seus ombros; mas ao que ergueu o olhar, sua face ficou ainda mais pálida.
— MAS O QUE PENSAM QUE ESTÃO FAZENDO AQUI? – A voz grave do sonserino fez o casal cair do sofá.
Um grito estridente escapou pelos lábios de Romilda, Hermione notou que a garota estava mais vermelha do que nunca, enquanto recolhia suas vestes no chão.
— Calma, Draquinho. Você me deu a senha, lembra? – Ela ficou surpresa ao reconhecer Blaise, que colocava suas calças um tanto atrapalhado.
Por Morgana, sentiu-se culpada por tirar conclusões precipitadas.
— O QUÊ? – Ele esbravejou, ameaçando avançar no amigo; contudo, ao perceber que o loiro estava próximo de perder o controle, cautelosamente a grifinória segurou em seu ombro.
— Não vale a pena. – Disse baixinho, próximo ao seu ouvido. Suas palavras pareceram surtir efeito, já que ele tratou de respirar fundo e manter a calma que restara.
— Saia daqui agora, Zabini! – Draco sibilou, as palavras saíram em um tom de voz tão intimidador que fez Blaise arregalar os olhos.
O moreno segurou Romilda pelo braço e a arrastou para fora da sala, sabia que quando Malfoy ficava irritado, não havia muito o que se fazer. Depois trataria de se resolver com o amigo.
Draco jogou os cabelos loiros para trás com uma das mãos, voltando o olhar para o Hermione, notou-a rubra e parecia tão... culpada?! Arqueou uma das sobrancelhas, não entendendo a sua reação.
— Eu vou cuidar de Zabini, isso não vai se repetir. – Assegurou, a garota somente assentiu em concordância, desviando o olhar para os próprios pés. – Você está bem, Hermione?
— Sim, eu só... só pensei que era você, e... – Ela balbuciou, mas logo se arrependeu profundamente. Tratou de mordiscar o lábio inferior, forçando-se a ficar em silêncio.
— Eu não faria isso com você, Hermione. – Foi inevitável não sorrir, ele apostaria toda a sua fortuna que ela ficou com ciúmes ao imaginar ser ele naquele sofá.
— Sim, você tem o seu quarto para isso. – Disse, voltando o olhar ao dele, observou que ele sorria divertido com o seu pequeno constrangimento. Aquilo a fez querer esmurrar sua pele de porcelana. – E pare de rir de mim!
— Desculpe, é divertido vê-la com ciúmes... – Ele aproximou a mão de sua face, deslizando suavemente os dedos até o seu pescoço.
— Ciúmes? Por que eu teria ciúmes de você? – Perguntou cruzando os braços, arqueando uma das sobrancelhas, desafiando-o.
— Eu não sei, Hermione. Diga-me você... – Sua voz rouca saiu quase em um sussurro.
Perigosamente, aproximou o corpo do dela; ela caminhou para trás, na medida em que ele avançava, a morena mal percebia que fazia exatamente o que ele desejava. Tão breve sentiu a parede fria em suas costas, as mãos de Draco enlaçaram sua cintura, aproximando vagarosamente os corpos.
Os lábios cada vez mais próximos, tão deliciosamente próximos. Ele roçou suavemente os lábios nos dela, voltando o olhar ao de Hermione, fitou os castanhos com uma intensidade que fez suas pernas tremerem. Sem uma palavra, o loiro prendeu o lábio inferior dela entre os dentes e o mordiscou lentamente.
Ela permaneceu com os olhos fechados e os lábios entreabertos, tão suscetível ao seu toque. Malicioso como era, ele aproveitou-se levemente da sua vulnerabilidade, deslizando os lábios rosados pelo seu pescoço, depositando um suave beijo que a fez arrepiar-se.
— Draco... combinamos de não repetir... – Falou em meio a um suspiro, aos poucos recobrando sua sensatez.
— Mudei de ideia, Hermione. – A voz saiu rouca, ele voltou a aproximar os lábios, beijando-a em um selo demorado. Ele teve o ímpeto de pedir passagem com a sua língua, mas se conteve. Iria deixa-la com vontade de mais, com vontade dele.
Com os lábios de Hermione junto aos seus, Draco Malfoy chegou a uma constatação do que já sabia: desejava a petulante Hermione Granger como nunca desejou nada antes.
— Você ainda será minha. Guarde as minhas palavras. – Completou, afastando os corpos dolorosamente.
Hermione voltou a abrir os olhos, desconcertada com as suas palavras, aquilo foi tão excitante que não desejou que se afastasse.
Ele teve a audácia de piscar para ela, antes de afastar. A garota somente o observou ir até o seu quarto, enquanto permanecia escorada na parede.
Você ainda será minha.
As palavras ecoavam em sua mente. Então foi tomada por uma súbita raiva, quem ele pensava que era? Ela não era um objeto para pertencer a alguém. Contudo, somente Morgana sabia o quanto Draco Malfoy a atraia.
A garota suspirou, deixando seus pensamentos para traz. Não poderia perder tempo com seus estúpidos sentimentos, tinha uma festa a realizar, e uma doce vingança a idealizar.
(...)
As risadas da prima ecoaram pelo seu quarto, Hermione franziu uma das sobrancelhas, não entendendo tanto divertimento. Ao voltar o olhar para as demais amigas, percebeu que todas tentavam segurar o riso.
As quatro estavam em seu quarto. Naquela altura, Gina e Luna já haviam se reconciliado, nada que um punhado de sapos de chocolates não resolvesse, além da dezena de cartas.
— Eu falei algo de errado? – Perguntou sem entender.
— Hermione, querida... – Pâmela parou de rir aos poucos. – Quem planeja uma festa clandestina e conta para a diretora? – Nunca pensou que a prima seguiria as regras, mesmo as quebrando, e não pôde deixar de rir com aquilo.
— Mas é claro! Eu não colocaria o meu cargo de monitora-chefe em risco. – Falou naturalmente, as meninas entreolharam-se e voltaram a rir, recebendo um revirar de olhos de Hermione.
Após o ataque de risos das amigas, começaram a planejar a festa. O local seria a sala precisa, e entraram em comum acordo de que ninguém, além delas, saberia que a diretora estava a par da festa. A ideia de uma festa na surdina atiçava muito mais a curiosidade dos alunos.
— Precisamos fazer o levantamento dos convidados, serão de todas as casas, certo? – Luna perguntou enquanto preparava o pergaminho e a pena de repetição automática.
— Até a Sonserina? – Gina perguntou com preocupação, atraindo um olhar curioso de Hermione, o que sua amiga escondia? De todo modo, ela era a última pessoa do mundo que poderia julgar, já que não falou para ninguém sobre Draco Malfoy.
— Claro! – Thereza falou em tom defensivo. – Os sonserinos são os melhores, não entendo o porquê de tanta rivalidade...
— Sim, vamos convidar todos do sétimo ano. – Gina estava pronta para retrucar Thereza, quando Pâmela as interrompeu:
— Exatamente, e alguns do sexto e quinto ano. – Completou. – Os convites serão limitados, e vamos deixar que a notícia da festa se espalhe por Hogwarts.
— Perfeito! Enfeitiçaremos os convites para serem lidos somente pelos seus receptores. – Thereza continuou, atraindo os olhares curiosos das amigas. – Eu e Pâmela cuidamos dos convites em poucos minutos, só precisamos montar a lista.
— E quando será a festa? – Perguntou Hermione com curiosidade, tinham tanto para fazer, imaginava que a festa seria em um mês ou mais.
— Nesse sábado, é claro. – Pâmela respondeu prontamente, recebendo um sorriso sugestivo de Thereza, e olhares surpresos das demais.
— Como assim sábado? Sábado é daqui há quatro dias, como querem que eu planeje uma festa em quatro dias? – Hermione despejou as palavras com uma rapidez impressionante, tamanho seu nervosismo. Não tinha chance de a festa ser em quatro dias.
— Hermione, esqueceu com quem está lidando? – Thereza disse com calma, esboçando um meio sorriso. – Eu e Pâmela já fizemos isso várias vezes, dará tudo certo. E podem deixar que eu cuido do álcool, fiz amizades interessantes com alguns sonserinos, eles são realmente bons em contrabandear firewhisky’s. – Completou com malícia.
— Bebidas com álcool? Mas a Minerva disse que...
— Hermione, uma festa sem bebidas alcoólicas não é uma festa. – Pâmela a interrompeu, piscando para ela em seguida.
— Ela está certa. – Gina concordou, segurando a mão de Hermione, que se deu por vencida. Pedia silenciosamente a Merlin para que Minerva não descobrisse.
— E não se esqueçam o real motivo da festa. – Thereza comentou assim que terminou de dividir os afazeres entre as amigas. Ao notar o olhar curioso das garotas, completou: — A ascensão da nossa Mi. – Disse como se fosse óbvio. – Com essa festa, as atenções dos alunos voltarão para Hermione, ela será cada vez mais adorada...
Aquilo fez Hermione engolir em seco, ela não gostava dos holofotes para si, mas estava pronta para encarar o que estava por vir. A popularidade era um meio para alcançar seu objetivo, tornar-se-ia maior que Parvati Patil, a indiana iria se arrepender de todas as palavras ditas naquele banheiro.
— Falta alguém na lista? – Luna perguntou, trazendo a atenção de Hermione para si, ela passou os olhos por cada nome naquele pergaminho extenso.
— Harry Potter e Parvati Patil. – Sentenciou, recebendo um olhar surpreso de Luna, que completou a lista com os nomes dos dois.
(...)
Como esperado, bastou alguns poucos convites serem distribuídos para que a notícia sobre a festa de Hermione Granger se espalhasse rapidamente entre os alunos de Hogwarts. Aqueles que receberam os convites estavam ansiosos pela festa, e os que ainda não haviam recebido, torciam para serem os próximos. Especulavam que aquela seria a maior festa clandestina do ano.
O quinteto passou as horas livres da quinta-feira entregando os convites. Naquela tarde, o sol agraciou os alunos com sua presença, boa parte dos estudantes encontravam-se sentados nas gramas dos jardins da escola de bruxaria.
— Deixa que eu entrego estes. – Hermione selecionou os convites pretendidos, e afastou-se das amigas.
Ao captar o loiro, caminhou em passos firmes em sua direção. Daquela vez, ele estava rodeado por Blaise, Nathaneal e Pansy. Pelo visto ele e Blaise já haviam se entendido, de qualquer modo, Hermione não guardava mágoa do moreno. E por coincidência ou não, os quatro seriam convidados.
Na medida em que se aproximava, foi inevitável analisar Draco Malfoy discretamente, ele estava com uma camisa branca, os primeiros botões em aberto e os cabelos adoravelmente desalinhados. Droga, os pensamentos impuros em sua mente estavam-na matando aos poucos.
— Olá, Malfoy! – Hermione falou, atraindo a atenção do loiro, que mal notou-a se aproximar.
Naquela altura, todos que estavam no jardim a olhavam atentamente, especulando em cochichos o porquê Hermione Granger estava prestes a convidar Draco Malfoy para a sua festa.
— Granger. – Cumprimentou com um sorriso repleto de malicia, fitando-a intensamente.
Mas se ele pensava que ela iria perder-se em seus olhos cinzentos outra vez, estava muito enganado. A grifinória estava preparada para lidar com aquele joguinho de sedução de Draco Malfoy, e em breve ela deixaria claro que ele estava lidando com uma adversária à altura.
— Estão convidados para a minha festa privada. – Desviou o olhar, entregando os convites para os ali presente, deixando Draco por último. — Não percam os convites, porque não entrarão sem eles. – Completou ao entrega-lo para Draco, demorando-se um pouco mais no processo.
Notou que o sonserino estava surpreso, e ao voltar o olhar para os amigos do loiro, constatou que ele não era o único.
— E por que você está nos convidando? – Pansy interveio, sem entender o motivo de convidá-los.
— Por que não convidaria? – Retrucou, deixando a de cabelos curtos sem fala.
— Pode contar com a minha presença, gata. – Nathanel interveio com o seu melhor sorriso, seria a oportunidade perfeita para se aproximar de Hermione e beijá-la. Precisava ganhar a maldita aposta.
— Com a minha também. – Blaise respondeu, mas ao receber um olhar zangado de Hermione, encolheu-se ao lado de Nate. Hermione não guardava mágoas, mas também não sofria de amnésia, aquele sofá era o seu preferido.
— Estarei te esperando no sábado, loiro. – Hermione falou diretamente para Draco, que a olhou com surpresa.
Esboçou um meio sorriso com a expressão de Draco, e sem mais postergar, afastou-se do grupo de sonserinos. Há poucos metros de onde estava, notou Parvati praticamente no colo de Harry que, por sua vez, estava com o olhar fixo nela. Hermione sustentou o olhar, com um sorriso nos lábios vermelhos, caminhou em passos lentos até a sua próxima vítima.
— Olá, Potter. – Forçou seu melhor sorriso falso para o garoto, assim que se postou em frente ao casal.
— O que você está fazendo aqui? –Parvati interveio, pondo-se a frente de Harry, como se quisesse proteger o que é seu. A cena patética obrigou Hermione a mordiscar o lábio inferior, reprimindo o iminente riso.
Hermione voltou o olhar à garota, observando-a de cima a baixo, somente para ignorá-la prontamente em seguida. Voltando sua atenção ao garoto que um dia teve o seu coração.
— Você está convidado para a minha festa particular, você e a sua namoradinha. – Adocicou seu tom de voz, estendendo os convites para Harry.
Parvati entreabriu os lábios, ameaçando falar algo, mas o namorado afastou o corpo da sua frente; e, hesitante, aceitou os convites.
— O que isso quer dizer, Hermione? – Perguntou com certa descrença, fitando-a. Ele ainda não entendia o jogo da garota, mas sabia que planejava algo.
— Uma trégua. – Respondeu sem hesitação, ela notou que ele sorriu com a perspectiva de uma trégua, mas o sorriso logo se desfez.
— Por que isso não me soa verdadeiro? – Estava descrente que ela estivesse sendo sincera, embora tudo o que mais quisesse fosse a chance de uma reaproximação.
— Porque talvez não seja, ou talvez seja. – Ela deu de ombros. – Você vai ter que confiar em mim, Potter. Confiar como um dia eu confiei em você, não me decepcione novamente. – As palavras sinceras saíram duras, fazendo-o vacilar em sua pose.
Ele entreabriu os lábios, mas as palavras não saíram, estava sem reação. Sem se despedir deu meia volta e com a cabeça erguida deixou o jardim, na medida em que se afastava os burburinhos e olhares a perseguiam.
Não me decepcione novamente...
As palavras martelaram na mente de Harry. Não tinha como não ir à festa, não tinha como não confiar nela. Por mais remota que fosse a chance de estar sincera, ele tinha que tentar.
— Isso foi ridículo. – Parvati o retirou de seus devaneios, aproximando o corpo junto ao seu novamente. – Nós não vamos na festa dela! – Completou com o tom de voz autoritário. – Aposto que ela...
— Por favor, Parvati. Fica quieta! – Harry disse de maneira rude, fazendo-a arregalar os olhos com a grosseria. E sem se despedir, ele se afastou.
Estava atônita, sem saber o que falar ou como agir, apenas observava Harry se afastar. Deixando-a sozinha, notou que as pessoas ali presentem a observavam, cochichando e rindo entre si. Sentia lágrimas de raiva prestes a estragar sua maquiagem, mas se conteve. Não iria parecer fraca na frente de todos, jamais. Tinha uma reputação a zelar.
— Tenta ficar tranquila, irmãzinha. – Padma a tranquilizou enquanto se aproximava da irmã, segurando em sua mão e a apertando suavemente; mas Parvati repeliu o toque.
— O que foi aquilo? – Lilá perguntou quando se juntou as duas, Elisa vinha ao seu encalço.
— Granger planeja algo. – Respondeu baixo, normalizando sua respiração aos poucos, não iria surtar na frente de todos.
Com um aceno nas mãos, afastou um grupo de alunos do primeiro ano de um dos bancos e sentou-se com as amigas.
— E o que pretende fazer contra a Granger? – Padma perguntou, voltando o olhar para os alunos, que já não prestavam mais atenção no grupo de garotas.
— Por enquanto, nada. Vou esperar ela dar as cartas. – Respondeu, tentando manter a altivez. – Além disso, antes tenho um acerto de contas com outra pessoa. – Um sorriso malicioso formou-se em seus lábios.
— Posso saber quem? – Perguntou com curiosidade.
— Veronica Evans, ou você pensou que aquela traição ficaria impune?
(...)
Só faltava uma pessoa para entregar o convite, não precisou procurar muito para encontrá-la. Ela estava sozinha próxima às roseiras, com um livro em seu colo, a leitura parecia interessante, pois mal a viu se aproximar.
— Olá! – Hermione cumprimentou, sentando-se ao seu lado.
— Oi, Granger. – Veronica respondeu, arqueando uma das sobrancelhas, estranhando a aproximação repentina de Hermione Granger, afinal nunca haviam se falado.
— Já deve saber da minha festa, não é? Está convidada. – Com um sorriso amigável, estendeu o convite com o seu nome.
— E por que você está me convidando? – Aceitou o convite com desconfiança.
— Por que não convidaria? – Deu de ombros, voltando o olhar para as roseiras, estavam particularmente belas.
— Talvez porque você nunca falou comigo, ou quem sabe porque até pouco tempo eu era amiga de Parvati. – A palavra amiga parecia tão errado para a de cabelos rosas.
— Falou certo, você era amiga dela. – Hermione respondeu docilmente, voltando o olhar para ela.
— Entendi... – Veronica segurou o riso, estava tão claro. – Sem rodeios, o que você quer? – Perguntou direta.
— Você é rápida. – Não pode deixar de esboçar um meio sorriso, ela era inteligente. – Nós duas temos algo em comum, nosso desapreço por Parvati. Junte-se a mim.
Demorou alguns segundos para Veronica processar aquelas palavras, mas logo deixou que uma risada escapasse pelos seus lábios. Deixando Hermione desconfortável ao seu lado, não era exatamente essa a reação que esperava.
— Não. – Sentenciou, assim que conseguiu parar de rir. – Não quero me juntar a ninguém, não quero me vingar de ninguém, quero paz.
— Não vou insistir. – Respondeu com calma, levantando-se do banco. – Mas se mudar de ideia, o convite para juntar-se a mim está em pé. E não se esqueça que ao meu lado você pode ter privilégios. – Ela não sabe o motivo de ter falado tais palavras, mas não poderia deixar de tentar persuadir a garota, antes de afastar.
— Cuidado, Granger. – O tom de voz frio da garota chamou sua atenção, fazendo-a parar de andar e virar para trás. – Está se tornando igual a ela. – Completou mediante o olhar indagador da morena.
Hermione esboçou um pequeno sorriso para ela e voltou a andar. Sua visão estava embaçada com as lágrimas, mas se forçou a não as deixar escapar. As palavras de Veronica a atingiram como uma facada, poderia ela se tornar igual à Parvati? Esse era o preço que pagaria? Não, aquilo era besteira. Tratou de convencer a si mesma, e com um sorriso nos lábios caminhou em direção à próxima aula.
(...)
Sábado chegou, e para a surpresa de Hermione, conseguiram fazer tudo a tempo. As amigas americanas realmente sabiam como fazer uma festa acontecer, mas não negaria, estava nervosa.
Um sorriso formou-se em seus lábios com a imagem refletida no espelho. O vestido de renda vermelho ajustou-se bem ao seu corpo, os saltos pretos deixaram-na mais alta, e a maquiagem ressaltava seus olhos e lábios proeminentes. Escutou a voz de Gina ao longe, chamando-a pela milésima vez. Pôs cuidadosamente uma mecha do cabelo para trás, antes de sair do quarto.
Sua mãe sempre esteve certa, vermelho era a sua cor.
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