Notas iniciais
SORRY SORRY SORRY, eu prometi postar esse cap acho que faz mais de vinte dias ;w; acho que eu tive tempo mas não disposição para escrever... PORÉM! Tá aqui, boa leitura!

Era uma manhã tranquila na ilha. Pássaros cantam, flores crescem... (N/A: dou um biscoito pra quem sacar essa referência) A primavera com certeza era a melhor época do ano. Mas não para todo mundo.

Já fazia pouco mais de um mês desde aquele... "acidente". Herbert, depois do ocorrido, realmente destruiu tudo que havia construído para aquele plano que falhou miseravelmente. O urso simplesmente desistiu. Claro, ele tinha ferido alguém que ele se importava por uma raiva que ele não conseguiu controlar. E agora ele se culpa por Jessica estar em coma.

Herbert foi uma ou duas vezes visitar Jessica no hospital. Mas não aguentava vê-la naquele estado. Ele sente falta da animação dela, do jeito que ela era tão positiva com as coisas ruins do mundo.

O urso realmente se arrependeu de ter seguido o plano mesmo sabendo que Jessica nunca ia aceitar que os pinguins seriam controlados. Mas o que ele podia fazer? Herbert queria poder. E vingança também. Vingança do que?

Dos pinguins, óbvio. Mas o que exatamente os pinguins fizeram para Herbert? Bom, os pinguins estavam vivendo suas vidas. Trabalhando, cuidando da família, se divertindo por aí.

Eles não fazem mal a ninguém, ma verdade. E era verdade. Eles estavam vivendo. Simplesmente isso. E o que há de errado em aproveitar a vida?

Herbert se irritava com a felicidade dos pinguins. O urso é praticamente um "se eu não sou feliz, ninguém mais vai ser" da vida.

Mas os pinguins não tinham culpa da infelicidade do urso. Ele tinha. Era Herbert que não soube aproveitar as chances. Ou pensam que os pinguins foram rudes com o urso quando ele chegou na ilha? Não. Alguns tentaram ser gentis com Herbert mas ele ignorou. Simplesmente não se importou e foi rude com eles, pois estava muito mal humorado. Então os pinguins o trataram do mesmo jeito. Pagar na mesma moeda, saca?

E tudo isso meio que fez Herbert desenvolver um ódio irracional dos pinguins.

~*~*~

Gary, quase todos os dias, visitava Jessica. O doutor lhe informou que a pinguim respondia a alguns estímulos, então não estava em coma profundo. Claro que era uma boa notícia. Mesmo assim, ela parecia estar num sono profundo e eterno. Cada dia sem ela era sem sentido.

Rookie nunca esteve tão sentimental antes. Ele queria tanto que Jessica despertasse logo para ele poder abraçá-la de novo! Então os dois poderiam fazer vários jogos e brincadeiras, piadas, como antes! Ou então sair por aí para comer uma pizza! Resumindo: se divertir com ela. Rookie considerava Jessica como uma irmã mais nova que ele nunca teve. E, caramba, esse pinguim gosta mesmo dela.

E Dot não estava diferente de Rookie. A pinguim sentia muita falta de Jessica. Dot foi a primeira agente que Jessica conheceu quando entrou para a EPF. No primeiro dia de Jessica na agência, Dot queria ser sua mentora. E foi. Ela via algo especial em nela. As duas logo se tornaram melhores amigas — e se viam como irmãs, ou, mais profundamente, como mãe e filha. É, Dot realmente era como uma mãe para muitos agentes.

Cara do Foguete estava, bem... tentando não se preocupar com Jessica. Afinal, ela traiu a EPF! Mesmo assim, ele não conseguia mais ficar bravo com ela. Na verdade, Cara do Foguete se sentia culpado. A última coisa que ele fez foi bater nela! Dot tinha lhe avisado para controlar melhor sua raiva, que ele ia acabar machucando alguém, mas não... ele tinha o pavio curto demais.

~*~*~

Como toda quarta-feira Gary tinha tempo livre, ele ia visitar Jessica. E sempre trazia um livro diferente para ler para ela. Gary sabia que, como Jessica não estava em coma profundo, ela poderia ouvir e até entender vozes familiares. O doutor até disse que isso a ajudaria a se recuperar mais rápido. Gary também sabia que Jessica adora livros, então...

O livro da vez era "O Pequeno Príncipe", um livro infantil, claro, mas Jessica disse a Gary que o livro tinha ótimas lições de vida, por isso estava na lista de seus livros favoritos.

Gary então, sentado confortavelmente em uma cadeira ao lado da cama onde estava Jessica, começou a ler, com uma voz calma e terna, de onde havia parado outro dia:

– "O pequeno príncipe escalou uma grande montanha. As únicas montanhas que conhecera eram os três vulcões que batiam no joelho. O vulcão extinto servia-lhe de tamborete. "De uma montanha tão alta como esta", pensava ele, "verei todo o planeta e todos os homens..." Mas só viu pedras pontudas, como agulhas.

– Bom dia! – disse ele ao léu.

– Bom dia... bom dia... bom dia... – respondeu o eco.

– Quem és tu? – perguntou o principezinho.

– Quem és tu... quem és tu... quem és tu... – respondeu o eco.

– Sejam meus amigos, eu estou só... – disse ele.

– Estou só... estou só... estou só... – respondeu o eco.

"Que planeta engraçado!", pensou então. "É completamente seco, pontudo e salgado. E os homens não têm imaginação. Repetem o que a gente diz... No meu planeta eu tinha uma flor..." – Gary parou de ler quando ouviu um murmúrio. Olhou para o lado, para Jessica, de onde veio o murmúrio.

– "E era sempre ela que falava primeiro..."

Seu coração quase parou quando ouviu sua amada, com uma voz fraca, completar a frase que ele estava lendo.

Gary entrou em choque quando viu a pinguim abrir os olhos lentamente; parecia meio confusa. Ela piscou várias vezes e cobriu os olhos, como se estivesse tentando se acostumar com a claridade do lugar.

Depois foi ele quem piscou, pensando que era uma alucinação. Mas não. Ela estava ali. Acordada.

– J-Jessica...? – perguntou incrédulo.

A pinguim não respondeu. Ela apenas olhou para Gary como se estava tentando o reconhecer. Algo na expressão dela não indicava coisa boa.

– A-ah! – Gary se levantou da cadeira desajeitadamente – Santa sardinha, eu preciso chamar a enfermeira!

O pinguim então abriu a porta e saiu do quarto, tropeçando mas nunca caindo, e viu uma enfermeira passando por ali.

– E-enfermeira! Ela...! Ela...! – Gary tentava desesperadamente explicar o que acontecia.

A enfermeira colocou uma nadadeira no ombro (N/A: pinguim tem ombro?!) de Gary, e calmamente disse:

– Gary, mantenha a calma, respire – ela deu um sorriso – E diga o que aconteceu.

Gary não sabe como mas conseguiu se acalmar.

– E-ela... acordou... – foi o que ele conseguiu dizer.

E soube que foi suficiente pois a enfermeira ficou em choque, e rapidamente mudou de expressão, tentando não parecer muito alegre. Foi ela quem cuidou de Jessica, sempre checando se ela estava bem, desde que a pinguim veio. A enfermeira não se conformava que uma pinguim tão jovem estava num estado tão lamentável.

A enfermeira e Gary foram em direção ao quarto. Jessica ainda estava lá, calada, na mesma posição, apenas analisando o quarto.

A enfermeira correu para ficar ao lado de Jessica e começou a fazer algumas perguntas, tipo nome, idade, profissão, etc.

Gary deu um suspiro de alívio ao ver que ela pôde responder as perguntas corretamente.

O pinguim então pegou de seu bolso o telefone espião e digitou o número de Dot. Ele supôs que ela estava com Rookie e Cara do Foguete. Dot atendeu.

– Dot? – Gary disse quase que desesperadamente.

Dot parece que percebeu.

– G? Você tá bem?

– E-eu... é que... – ele respirou fundo. – Dot, ela acordou.

Gary ouviu um grito meio abafado. Então ouviu Dot conversando com outras duas vozes, provavelmente Rookie e Cara do Foguete. A conversa parou e Dot respondeu:

– Já estamos indo.

Gary desligou o telefone e colocou de volta ao bolso. Ele então olhou para Jessica e depois para a enfermeira, que tinha parado de fazer perguntas e estava com uma expressão de preocupação.

A enfermeira então olhou para Gary com um sorriso tentando disfarçar.

– Ela não se lembra de você.

~*~*~

Era realmente como se o mundo estivesse acabando. Aquela que você ama leva uma pancada no seu lugar, fica em coma, e, quando acorda, não se lembra de você. Que ótimo.

Gary estava no canto do quarto, sendo consolado pelo Cara do Foguete, que Jessica também não lembra.

Jessica parece ter perdido a memória dos últimos seis meses, ou até mais. A pinguim apenas se lembra de Dot e Rookie, que conhece faz anos.

A enfermeira explicou antes que as chances de ela ter perdido a memória eram grandes, mas também eram grandes as chances de que, com o tempo, ela recuperasse as memórias.

Dot e Rookie estavam em volta de Jessica, conversando animadamente com a pinguim.

– Você não sabe o quanto eu sofri tendo que esperar você acordar, Jay! – Rookie disse dando mais um abraço em Jessica.

A pinguim riu com a afeição do pinguim.

– E eu tive que aguentar ele perguntando toda hora se você acordou... – Dot riu. – E foi ótimo finalmente dizer que sim.

– Aw, vocês são uns amores! – Jessica deu um sorriso caloroso. – Não é à toa que são meus melhores amigos.

Os três pinguins continuaram conversando. Rookie contava animadamente tudo que aconteceu enquanto Jessica estava em coma. Jessica prestou atenção em tudo que o pinguim dizia.

Até que a enfermeira veio dizer que o horário de visita acabou.

– Mas ainda tá cedo! – Rookie suspirou tristemente.

– Rook, é quase noite, e a Jay tem que descansar agora. – Dot disse gentilmente.

– Tá... – ele respondeu, logo dando um último abraço em Jessica. – Te vejo amanhã, Jay!

Jessica sorriu e abraçou de volta.

– Claro que sim!

– Até amanhã, Jay – Dot sorriu e colocou uma nadadeira no ombro de Jessica.

– Até!

Jessica assistiu os pinguins saírem pela porta, menos um. Gary parou e olhou para Jessica.

– E-eu... hm... – ele tentava dizer – Eu cuidei dos seus puffles, caso esteja interessada...

– Dos meus puffles? Como... como o senhor entrou no meu iglu? – Jessica perguntou inocentemente.

– Hey, n-não me chame de senhor, eu não sou tão velho – Gary riu nervosamente – E eu, t-talvez... tenha uma cópia da chave do seu iglu...?

Jessica parecia espantada.

– Por que o senh-você teria uma cópia da chave do meu iglu? – ela perguntou.

Gary congelou. Ai, como as coisas são difíceis...

– É u-uma história engraçada... – Gary tentava esconder o nervosismo – Eu, hm, nós, estamos... an, namorando...?

Agora sim ela parecia espantada. Gary ficou com medo de que talvez ela risse e nunca mais falasse com ele.

– E-eu e você... – ela apontou lentamente – Estamos namorando...?

– S-sim...

Então ela riu. Mas não de um jeito ruim.

– Isso – ela dizia entre os risos – É com certeza uma coisa estranha. Não por eu e você estarmos... namorando... mas sim por eu não lembrar de nada.

Não foi uma reação tão ruim quanto Gary achou que seria.

– Deve ser mais estranho para você, não? – ela deu um sorriso nervoso.

– É, u-um pouco... – ele respondeu.

A enfermeira entrou no quarto e ficou surpresa ao ver Gary.

– Gary? O horário de visita já acabou, seus amigos já foram embora.

– S-sim, eu sei... – ele disse meio desesperado – Só mais um minuto, por favor?

A enfermeira pensou por alguns segundos e aceitou a proposta.

– Só mais um minuto!

– O-ok... – Gary se voltou para Jessica – Tudo... tudo bem para você se eu... voltar amanhã...?

Jessica riu e deu um sorriso caloroso.

– Claro que sim. Quero conhecer — de novo — o pinguim por quem eu me apaixonei.

Gary corou e riu nervosamente.

– Certo... – ele sorriu, pegou uma nadadeira da pinguim e deu um beijo – Até amanhã, Jessica.

Ela deu uma risadinha.

– Até amanhã, Gary.

~*~*~

A noite não foi nada fácil. Jessica tentava dormir mas sua mente não deixava.

Ela rolava de um lado para outro na cama, tentando encontrar uma posição confortável para descansar. Mas tantas coisas para pensar...

Jessica ficou olhando para a janela, vendo a neve cair. Estava tão distraída que não percebeu alguém entrar pela porta.

– Agente Jay? Hm, Jessica?

A pinguim se assustou ao ouvir seu nome e olhou em direção a voz. Era a Tia Arctic. Ou a Diretoria. Mas estava com suas roupas normais.

Ela olhava para Jessica com um olhar firme. Parecia mais a Diretoria que a própria Tia Arctic no momento.

– Tia... Arctic? O que faz aqui? – perguntou confusa.

– Bem, logo que recebi a notícia que minha agente que estava em coma acordou, eu tinha que vir visitá-la. – ela deu um sorriso. – Mas creio que o que eu vim dizer não seja agradável.

– C-como assim? – Jessica perguntou preocupada.

– Eu... queria que fosse diferente, Jay, mas são as regras. – Tia Arctic suspirou tristemente – Você foi demitida.

Jessica entrou em choque.

– O que? M-mas por que?

– Você não lembra... E acho que ninguém quis te contar uma coisa dessas – ela disse. – Bem, eu vou tentar explicar. Uns dois meses atrás, Herbert sequestrou Dot, Rookie, Gary e Cara do Foguete, para um plano que eu realmente não sei dos detalhes e prefiro não saber. Pelo que me contaram, o urso tinha uma cúmplice, e era você.

Jessica parecia assustada.

– Mas você não sabia que Herbert queria... controlar os pinguins da ilha, e quando soube, recusou ajudá-lo e imediatamente atacou Herbert e foi libertar os agentes. – Tia Arctic suspirou – Mas Herbert ficou descontrolado e extremamente agressivo por algum motivo e foi bater em Gary. Mas você não permitiu. Você empurrou Gary e levou um soco no lugar dele. E foi assim que acabou em coma...

Jessica estava sem palavras. Isso tudo realmente aconteceu?

– I-isso é bem complicado... – Jessica riu nervosa.

– Sim. – Tia Arctic respondeu – E por isso eu tive que demiti-la. Jay, você é uma das minhas melhores agentes, e perder alguém como você é muito ruim para a agência. O que você fez — ser cúmplice de um inimigo — foi errado sim. Mas você provou que faria de tudo para proteger os pinguins da ilha. Além de que Herbert não pretende tentar dominar a ilha por um bom tempo...

– Por que...? – Jessica perguntou lentamente.

– Ele mesmo veio me ver pessoalmente para esclarecer as coisas... Herbert te considera uma amiga. Talvez até melhor amiga, pelo jeito que ele falou de você... Ele ficou muito abalado ao saber que você estava em coma. Ele disse que você o ajudou a ver lado bom das coisas. – Tia Arctic riu – O que é algo que eu nunca imaginei daquele urso. Você mudou ele, para algo menos malvado. Nenhum pinguim nunca fez isso.

O quarto ficou em silêncio por um momento. Jessica ainda estava processando tudo isso.

– Herbert disse que, por enquanto, não pensa em dominar a ilha. Tudo por medo de te ferir de novo. Ele te considera muito. – Tia Arctic sorriu – E, por isso, eu te darei uma segunda chance. Você poderá voltar a agência quando achar que estiver pronta.

Jessica deu um sorriso.

– Isso é sério?

– Sim, isso é muito sério. – Tia Arctic sorriu também. – Mas por enquanto você tem que descansar.

– C-certo! Descansar... – ela riu.

– Te vejo outro dia, agente Jay. Boa noite. – Tia Arctic saiu do quarto acenando e fechou a porta.

Notas finais
Sobre o capítulo anterior: acho que ninguém percebeu mas foi inspirado em uma fanfic do CP que eu li no fanfiction.net, o nome é "You Will Find Him". OMG, esse já é o penúltimo capítulo :o o próximo provavelmente será postado nos primeiros dias de janeiro (ou antes, depende). Comentem o que acharam! Até mais!