A Vingança de Hera
22 Tentando Dar Um Fim
Notas iniciais
Hera estava deitada no chão, ao lado da cama. Ela gemia, e gritava, como se sua vida dependesse disso. Quer dizer, como se ela dependesse dito. Porque, naquele momento, ela não estava se importando tanto com a própria vida.
E foi quando Nêmesis abriu a porta do quarto da deusa.
Nêmesis corre na direção de Hera. Vendo a roupa de cama suja de sangue, Nêmesis começa a ficar preocupada.
— Hera! O que diabos você fez?!
Hera chora ainda mais, enquanto Nêmesis tenta fazer alguma coisa para melhorar a dor da outra. Mas parecia que não havia nada a fazer. Nêmesis queria que Hera falasse, mas isso não parecia possível. Pelo menos não naquele momento. Nêmesis estala os dedos, chamando o robô. Quando este aparece, começa a reclamar.
— Acabou de reclamar de mim, me mandar embora, e agora, me chama de volta! Parece que não consegue viver sem mim por muito tempo, não?
— Cale a boca, seu robô idiota! — grita Nêmesis, se afastando um pouco de Hera. Ela não queria que, além de estar chorando por algum motivo, ainda estivesse com o ouvido machucado. — Quero que você pegue o material de pronto-socorro. Hera não está bem, e se você der um pio vou quebrar sua cabeça tão rápido que não dará tempo nem de você falar a palavra "pare"!
O robô, amedrontado, sai do quarto à procura do que Nêmesis mandou, enquanto Hera gemia com a cabeça no colo da amiga.
— O que você fez, Hera? Por quê?!
O queixo e os lábios de Hera começam a tremer, e ela começa a tentar falar.
— Eu queria... tentar dar um fim nisso. Nisso tudo. — diz Hera. — Por que não pode acabar para mim? Milênios casada com um homem que vive me traindo, e todos sabem disso. Quando eu me apaixono, posso fazer com que tenham guerras e trazer tudo de ruim para todo lugar, e... Estou presa aqui, você me ignorando, escondendo algo de mim... Eu perdi tudo, e não posso nem tentar recuperar. — Hera chora mais. — E eu não posso dar um fim nisso, não posso fazer com que acabe. Porque eu tenho a porra de uma imortalidade, e não posso... excluí-la. Eu quero ser normal, eu quero que tudo acabe quando for para acabar! Eu quero dar um fim nisso tudo!
Nêmesis fica encarando Hera. O sangue escorrendo pelos fios claros dela, as lágrimas escorrendo pelo rosto e a dor transbordando dos olhos, quase palpável de tão perceptível. Nêmesis queria acabar com o sofrimento de Hera, mas não sabia como, se a outra queria morrer, se ela queria que tudo acabasse. Como mostrar a ela que ainda tinham motivos para ficar? Será que Nêmesis poderia criar motivos para ela ficar, se não houvessem?
— Hera... Eu estou aqui. Se eu alguma vez menti para você... Eu juro que foi para o seu próprio bem. Mas eu estou aqui, está me ouvindo? E eu não vou te deixar, e nem vou pensar em fazê-lo. Eu estou aqui, Hera, e nada vai fazer com que eu vá embora.
Hera abraça Nêmesis, enquanto o robô entra no quarto, sem falar nada, ainda amedrontado, e entrega o material de pronto-socorro para a deusa da vingança.
Nêmesis começa a limpar o enorme corte na cabeça de Hera, e esta deixa que a outra o faça. Hera precisava daquilo, precisava que alguém cuidasse dela, mesmo que não soubesse disso. Hera precisava de alguém que estivesse ali, de alguém que estivesse ali e não fosse sair. Nêmesis se levanta do chão, para guardar o material de pronto-socorro e Hera segura o braço dela.
— Não vá. — o rosto de Hera ainda está com as lágrimas marcadas e ela ainda está com dificuldades de respirar. — Por favor, fique aqui.
Nêmesis olha para baixo, para o corpo de Hera jogado no chão, e para a maleta com o material de pronto-socorro em suas mãos, e estala os dedos, chamando o robô para levar as coisas para o lugar. Depois da saída do robô falante, Nêmesis senta novamente no chão e acaricia o cabelo de Hera.
— Eu estou aqui, Hera... Eu estou aqui.
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