A Vingança de Allison Castellan
5 4. I "love" Camp Half-Blood
Notas iniciais

Na vingança, assim como na vida, cada ação tem uma reação equivalente e oposta. No fim, o culpado sempre cai. Passo as noites em claro, passo o dia vendo olhares de pena, de medo, e de perdão, mas não das pessoas que eu gostaria. Não subestimo o poder da culpa, ela leva as pessoas á locais singulares.
Culpa é uma angústia poderosa. Você pode tentar dar as costas para ela, mas é quando aparece atrás de você e te come vivo. Algumas pessoas lutam para entender sua própria culpa. Relutantes ou incapazes de justificar seus jogos. Outros fogem da sua culpa. Largando sua moral até que não haja mais nenhuma. Mas eu fui em direção a minha culpa. Eu me alimentava dela. Eu precisava. Meu irmão morreu sem nunca saber se algum dia eu iria acreditar em sua inocência. Para mim, culpa é um dos faróis que ainda iluminam o meu caminho.
Com tudo que tinha acontecido comigo, eu não me importei em ser julgada como “aquela que destrói a natureza”. O mundo já está destruído de qualquer maneira. Adentrei a floresta e acendi um cigarro, demorou um tempo até achar uma árvore que não era uma ninfa irritante. Joguei o cigarro no chão e escalei a árvore com a pequena mochila que eu fiz na hora. Amanhã a noite seria o caça a bandeira, aproveitando que seria campistas x caçadoras quero mostrar minha cara ali mesmo, por enquanto vou ter que esperar.
A árvore era realmente grande, mas quando a sua sobrevivência depende de você mesmo, escalar árvores para de ser uma brincadeira de criança e passa a ser um tipo de esconderijo. Quando cheguei ao topo, abri espaço entre as folhas e observei o acampamento. Quem visse assim iria achar aquele lugar maravilhoso. Aconchegante, amigável, um verdadeiro lugar para se chamar de lar. Mas então conhecemos os moradores desse lugar, daqui de cima eram somente alguns pontinhos, como formiguinhas, mas chegando de perto podemos ver como eles são traiçoeiros, mentirosos, metidos, irritantes, sempre dando uns de coitados “ ah sou um semideus que dó de mim L”
ARGH VOCÊS SÃO UNS @#%! @#%!%¨&*$7 !!!
Desculpa subiu a cabeça. Despertando do meu momento “odeio o acampamento meio-sangue” olhei para o fim da colina, onde alguns campistas levavam a cria de Poseidon para a enfermaria. Ah, isso seria bem engraçado.
Desci com cuidado a árvore e logo me arrependi de ter apagado aquele cigarro. Mas cigarro é uma coisa que eu tenho de sobra, acendi mais um outro com o isqueiro. Isso sim é uma coisa engraçada, é uma piada interna na verdade o meu isqueiro é um daqueles que encontramos em qualquer lugar, todo branco e escrito “I Love NY”. A verdade é que eu odeio essa cidade, o barulho, o cheiro, as pessoas, sendo mortais ou não. Egoístas, só querem saber do próprio nariz! Desculpe, subiu a cabeça de novo. Realmente não sei como vou aguentar ver a cara da Thalia ou da Annabeth sem querer matá-las. Até que não seria uma má ideia...
Quando percebi, já estava perto da enfermaria. Coloquei uma capa só por segurança, e me escondi embaixo de uma janela. Olhei para dentro e vi que Percy já estava acordado.
– Já disse eu não to louco! – ele repetia.
– Então você tá querendo me dizer Cabeça de Alga que você pediu carona pra uma garota completamente estranha, e quando vocês chegaram aqui ela te jogou uma magia bizarra e você saiu rolando? – disse uma voz. Quase engasguei, era Annabeth.
Por um momento percebi o quanto sentia falta dela, nós duas tínhamos muito em comum, e foi ela principalmente que cuidava de mim. Mas então eu senti um grande ódio por ela. Respirei fundo para não dar uma de louca e chegar pulando encima dela com uma faca na mão.
– Já disse Sabidinha ela tinha uma aparência inocente, por mais que ela fumasse e tivesse um monte de bebidas no carro. – Blérg, Cabeça de Alga? Sabidinha? Que tipo de apelidos românticos ridículos são esses? Tive vontade de vomitar.
– E agora? Ela te usou para chegar aqui. – falou Annabeth.
– Acho que não. Pareceu que ela já tinha vindo aqui, quando subimos a colina eu ouvi ela dizer que aqui tinha mudado. E além do mais, ela sabia tudo sobre mim, e sobre a guerra.
– Ela te disse qual era o nome dela? – uma outra voz perguntou. Quíron apareceu na porta da enfermaria. Ele provavelmente já desconfia que seja eu. Esse bunda de cavalo irritante.
– Obviamente o sobrenome é falso, já que ela demorou um tempo para responder. Mas o nome tenho certeza que é de verdade ela respondeu sem querer.
– Direito ao ponto. – pediu Annabeth. Coitada ela ta acostumada a saber de tudo.
– Alisson. O nome dela é Alisson. – Percy respondeu, tremendo ao dizer meu nome.
Quíron nada disse, só saiu galpando da enfermaria. Annabeth pareceu não se importar, provavelmente achava que eu estava morta. Mas alguém mais no fundo da enfermaria que deveria estar escutando a conversa deixou algo cair só com a citação do meu nome. Todos viraram a cabeça até eu, algum filho de Apolo, o garoto era alto e tinha cabelo escuro, mas quando ele se virou eu logo o reconheci e pareceu que eu perdi completamente o ar. Como eu poderia ter me esquecido dele? Ele é a última pessoa que eu quero culpar pela morte de Luke.
Ele olhou para Annabeth com os olhos arregalados, tentando transmitir alguma mensagem só com o olhar.
– Nate... – chamou Annabeth confusa. Ele saiu correndo em direção a Casa Grande.
Nate. Eu o conhecia. Nate. Nate. Nate. Nate Harvelle. Filho de Apolo. Meu melhor amigo de infância. Aquele que eu gostava de passar o tempo. Aquele que eu mais senti falta.
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