A Vingança
13 Liberdade.
Notas iniciais
–Porque está me olhando desse jeito? -Ryo pergunta e Seiji começa a piscar freneticamente.
–Não precisa fazer isso. Sou eu, estou aqui na sua frente.
Shinji e Ren continuam com os olhos arregalados sem dizer nada, apenas encarando a cena.
–Seiji, você não precisa fazer isso, não precisa me vingar. Você está fazendo mal pra mim, está me prendendo aqui com você.
–Mas... Porque? Porque eu estou te fazendo mal?
–Porque aqui não é mais o meu lugar, irmão. -Ryo responde com um sorriso acolhedor e Seiji começa a chorar.
–Você não pode ficar aqui comigo? Porque? Eu sinto tanto a sua falta Ryo.
–Eu sei, eu também sinto muito a sua falta Seiji, mas você tem que entender. Eu morri, não foi minha culpa, não foi sua culpa, não foi culpa de ninguém. Foi um acidente, eu não estou bravo. Você tambêm não tem que estar.
Ryo coloca uma das mãos nos ombros de Seiji, que para de chorar automaticamente.
–Porque eu não posso te sentir? Ryo, o que está acontecendo?
–Você sabe Seiji, eu não sou humano mais...
–Não... Não diga isso.
–É a verdade, irmão. Você tem que aceitar.
–Seiji... Ryo se foi, mas veja só. Ele está bem, e não está bravo. Pode ver? Ele quer que você pare, quer que você não machuque mais ninguém. -Entro na conversa.
–Oh céus... Eu matei a Miya... EU... EU NÃO ACREDITO. -Seiji grita e começa a balançar a cabeça freneticamente.
–Eu sei, eu sei... Mas eu te perdôo. Sou seu irmão, certo? Eu te amo pra sempre. Nada vai nos separar, nem a morte! Eu sempre vou estar com você. Nos seus pensamentos... E bem aqui. -Ryo diz e aponta pro local onde fica o coração de Seiji, que volta a chorar.
–Irmão, promete pra mim que vai ficar bem e não vai fazer mal a mais ninguém?
–Certo... Eu prometo. Eu te prometo, Ryo.
Os dois dão uma espécie de abraço improvisado já que Seiji está amarrado e além disso não consegue sentir o irmão. Depois do abraço, Ryo caminha na direção de Ren e Shinji.
–Eu senti saudades de vocês dois.
–Também sentimos a sua falta, sorriso.
Ren chama o Ryo pelo apelido que ele e Shinji deram pro Ryo e ele dá um sorriso enorme.
–Vocês se lembram!
–Claro que lembramos. Nunca vamos esquecer o nosso sorriso.
Shinji diz e dessa vez Ryo se vira pra mim. Eu me ajoelho na frente dele e ele fica me encarando.
–Você conseguiu, Hiroshi.
–Correção... Nós conseguimos. Oh céus, eu senti tanto a sua falta.
–Não deveria, eu sempre estive com você. Não se lembra?
Quando ele diz isso eu congelo por um momento e começo a me lembrar. Quantas vezes já senti presenças ao meu redor, quantas vezes que em momentos de tristeza eu sentia aquele apoio vindo de não sei aonde, uma força que tentava sempre me deixar feliz. Aquela vozinha que nunca me deixou fazer nada de muito errado, aquela voz que me xingava toda vez que eu acendia um cigarro ou abria uma garrafa de bebida.
–S-Sempre... Foi v-você? -Eu pergunto com dificuldade.
–Sim, sempre fui e sempre serei, porque você também é meu irmão, Hiroshi. Sempre foi e sempre será. Eu te amo.
–Eu também te amo, te amo muito irmão.
Eu respondo e ele levanta a mão direita, eu levanto a minha mão esquerda e a encosto levemente na mãozinha dele. Eu consigo senti-lo, suas mãos estão super geladas, o que me lembra que ele não é mais humano. Ryo pressiona com força a mão dele contra a minha e depois de alguns minutos ele some, foi como se meu corpo tivesse o absorvido.
Percebo que estou chorando então começo a secar as lágrimas, eu não vou mais chorar.
Seiji abaixa a cabeça e quando eu estava prestes a me levantar do chão escutamos um barulho de sirene e Ren corre lá pra fora. Eu e Shinji o seguimos e vemos 3 viaturas de Polícia e mais uma ambulância entrando na propriedade.
Os veículos param e os políciais descem das viaturas, eram 6 no total. Elizabeth, Erin e Mina descem de umas das viaturas e se juntam a mim, Shinji e Ren.
–Olá rapazes, tem alguém ferido? Alguém desaparecido? -Um dos políciais pergunta enquanto as meninas verificam se eu e os outros dois estávamos muito machucados.
–Não senhor, estamos todos aqui. Seiji está amarrado lá dentro, mas meu amigo aqui precisa de ajuda. -Digo e aponto pro Shinji. O polícial o ajuda a se locomover até a ambulância e os outros entram na casa para prenderem o Seiji.
–Você está bem, Hiroshi? Ele te machucou?
Erin pergunta e eu balanço a cabeça negativamente.
–Não, mas eu ainda tenho aquela ferida nas costas... Olha pra mim?
Pergunto e ela dá a volta pra olhar as minhas costas.
–Er... Hiroshi, não tem nada aqui.
–Como assim?
–Nenhum corte, nada. Tudo normal, só essa coisa estranha e grudenta espalhada na sua pele. O que é isso?
Ryo... Ele curou meu machucado.
–Depois eu explico, prometo.
Vejo os políciais saindo de casa com o Seiji, ele não estava mais amarrado e sim algemado. Os políciais o colocam e uma das viaturas e um deles se aproxima de nós.
–Peguem suas coisas, crianças. Eu vou levá-los pra delegacia. Lá vocês vão dar um depoimento e depois vão poder voltar pra casa, certo?
–Certo senhor.
Respondemos e os outros saem pra pegar as coisas mas eu não me movo do lugar.
–Er... Senhor polícial?
–Ah que horrível, Senhor polícial não. Me chama de Bobby.
–Certo, er... Bobby, então... Seiji matou uma das nossas amigas, a Miya. O corpo dela está lá na casa. Tem como levá-la?
–Claro rapaz, vamos pedir pro pessoal da ambulância levá-la. Dêem um enterro digno pra amiga de vocês, certo?
–Certo, muito obrigado.
Quando me viro pra ir pegar minhas coisas vejo Erin vindo com a minha bolsa e a dela. Eu a ajudo com as bolsas e ela sorri.
–Obrigada.
–De nada... Vamos embora desse lugar.
Coloco as bolsas em uma das viaturas, mas antes de fechar a porta do porta-malas eu abro minha bolsa, pego todos os maços reserva de cigarros e ando até o lago.
Erin me segue e nós dois ficamos alí parados, encarando a água.
–O que você vai fazer?
–Vou me livrar de tudo o que me faz mal.
Respondo, jogo os maços no lago e fico os vendo afundar cada vez mais.
–Olha... Em relação ao que houve...
–Eu sei, Hiroshi. Só vamos fingir que nunca aconteceu, certo?
–Certo.
–Agora vamos voltar, devem estar nos esperando.
Quando voltamos pra perto das viaturas percebemos que todos já estavam prontos pra ir. Eu entro em uma delas aonde Shinji, Ren e dois políciais estavam e a Erin entra na outra, aonde estavam as meninas.
Os veículos começam a andar e em poucos minutos já estamos na rodovia. Assim que chegamos na estrada eu me viro pros rapazes.
–Hey, tem problema se eu dormir até lá?
–Claro que não, Hiroshi. Pode dormir, a gente fica de boa aqui. Né Shinji?
Shinji não responde, provavelmente já está dormindo.
–Ah corrigindo, eu fico de boa. Pode dormir.
–Certo, qualquer coisa pode me acordar.
Me viro pro lado e fico observando as árvores pelo caminho até ficar bastante sonolento.
Acabou, finalmente. Ainda não consigo acreditar que estamos livres, agora só nos resta tentarmos esquecer isso e seguir nossas vidas... Da melhor maneira possível.
Continua... (?)
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