A Vingança

2 Capítulo dois.


Aproximei-me da bruxa morta e chutei sua cabeça para o lado vendo-a ir e depois voltar em direção ao meu pé. Mais uma para minha coleção – pensei comigo mesma e olhei em volta procurando pelo meu irmão, ele provavelmente tinha ido até a floresta ver se tinha mais alguma bruxa que pudéssemos matar.

— Parabéns. — um barulho de palma interrompeu meus pensamentos e olhei na direção da pessoa que as proferia. — Mais uma vez vocês conseguiram.

— Megan. — sorri falsamente para menina de cabelos negros até a cintura que me olhava com uma mão repousando na altura do quadril. — Como vai querida?

— Ótima.

— Sabe o que eu acho?

— O que? — falei calma tentando esconder na minha voz a vontade que tinha de dar um tiro nela.

— Que está na hora de você sumir dessa cidade.

— Megan. — ouvi a voz do meu irmão por entre as arvores. — Amor é você que está ai?

— Sou eu sim querido. — ela falou e se virou para as árvores de onde meu irmão saia de mãos abanando. Ele deu um beijo na bochecha dela e continuou caminhado na minha direção.

— Não tinha mais nenhuma bruxa na floresta, pelo jeito ela estava sozinha. — ele falou enquanto olhava o corpo da bruxa ao meu lado. Assenti e sorri entrando na minha casa.

Pude ouvir a voz da minha infeliz cunhada começar a tagarelar sobre coisas fúteis de uma garota de quinze anos que fugia de casa para namorar. Diferente do que muitos pensam eu e Jake somos queridos em toda a região por manter as bruxas longe de seus lares e famílias, mas essas pessoas não inclui Megan que é filha do prefeito. Uma menininha mimada que acha que todos que não iguais a eles devem morrer em sacrifício, eu ainda desconfio que ela seja uma bruxa que sabe disfarçar muito bem quando assume sua forma humana.

Joguei minha arma sobre a mesa de madeira e fui em direção ao nosso fogão a lenha, agora deveria ser por volta de 11h30min da manhã e como não somos de ferro precisaríamos comer alguma coisa. Peguei um pouco de batatas e um belo pedaço de um carneiro que Jake tinha matado hoje pela manha. Descasquei as batatas e coloquei o carneiro para cozinhar com um pouco de água e especiarias, fiz o mesmo com as batatas. Enquanto os dois cozinhavam eu arrumava nossa mesa.

Prato para dois e uma cadeira extra para que a minha linda, ou devo dizer horrorosa cunhada pudesse nos observar comer. Dei uma bela mexida no carneiro quando ouvi um barulho estranho, peguei minha arma e sai olhando tudo.

— Jake! — gritei e ninguém me respondeu. — Jake! Cadê você?!

Ele apareceu por entre as árvores com um olhar confuso e eu suspirei de alegria vendo que ele estava bem, o deixei plantado ali e fui para o fundo da casa onde encontrei uma garota e um garoto, ambos abraçados um ao outro com os olhares apavorados. A garota era ruiva de pele pálida e olhos azuis como um lindo lago cristalino e o garoto com o mesmo tom pele só que com cabelos negros e meio compridos ao ponto de esconder os olhos tão azuis quanto o da garota.

— Qual o nome de vocês? — perguntei com a arma ainda apontada para eles.

— Eu sou Tyler e essa é minha irmã Cassy, nós estamos fugindo das bruxas. — a voz do garoto estava trêmula. Abaixei minha arma, não iria ferir alguém que estava com tanto medo.

— Tudo bem, vem comigo. Posso oferecer abrigo e alimento por hoje. — Cassy sorriu em agradecimento e puxou o irmão que resistia quanto à proposta, guiei os dois para dentro da casa e voltei para o fogão deixando a arma ao meu lado. O carneiro estava com um cheiro incrível e as batatas prontas para serem amassadas. Terminei de preparar a refeição e servi a mesma para todos que comeram tudo.

— Jake, não poderemos fazer a ronda juntos hoje. — falei enquanto tirava os pratos. — Temos hóspedes essa noite e alguém tem que ficar de olho neles.

— Deixe de ser desconfiada Ali, faremos a ronda juntos! — o fuzilei. Não deixaria estranhos sozinhos na minha casa, eu era boa mais tudo tinha um limite.

— Eu fico e você vai fazer a ronda. — falei firme. Ele me olhou repreensivo e eu dei de ombros.

Sabe aquela história de bruxas saberem se disfarçar muito bem até o ponto de parecerem inofensivas, então com essa historia aprendi a ser desconfiada ou devo dizer cautelosa, mas meu irmão não via mal em ninguém. Ele nem sabia que sua namorada queria que eu sumisse da cidade para que ela pudesse mata-lo.

— Você é paranoica. — meu irmão falou e se levantou da mesa indo em direção à escada de madeira que levava ao segundo andar que era onde ficavam nossas camas e nosso pequeno guarda-roupa. Quando era criança o mundo era um lugar legal, até os meus quatro anos quando tudo foi tomado por bruxas e voltamos a viver como se estivéssemos um pouco mais a frente da idade média, uma época em que a humanidade ainda estava em evolução. A cidade em que vivíamos era uma das mais ricas da região o que nos dava um pouco de conforto, mas nada como antes.

Limpei toda bagunça que tinha feito e fiquei limpando as armas que nos usávamos em nosso serviço, com o dinheiro que recebíamos todos mês da cidade/vilarejo dava para manter nossa alimentação e moradia, não era uma grande quantia mais eu e meu irmão modéstia parte éramos ótimos caçadores e sabíamos onde encontrar alimento no meio da floresta.

Ficamos em silencio um bom tempo até que meu irmão avisou que iria fazer a ronda e eu acabei adormecendo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.