A Vingança
14 13.
Notas iniciais
Quarta feira. Uma hora, trinta e três minutos e quinze segundos. Marc, Ana e José dirigiam-se para o estacionamento. Liz ainda dormia profundamente.
Claro que eles estavam totalmente preparados. Até Marcos. Ele não portava uma arma, mas portava um rádio de emergência e um estilete (o estilete ele trouxera de casa; os policiais não solicitaram este tipo de "arma").
Ana e José combinaram de entrarem primeiro. Eles entrariam silenciosa e vagarosamente, para que Liz não os percebesse. Se tudo desse certo, Marc nem precisaria entrar – e isto o colocava fora de risco.
Puseram o plano em ação.
Ana foi na frente. José acompanhava atrás. E Marc, que não devia estar ali, mas estava. O plano original era vasculhar todo o estacionamento, mas não foi necessário: a cabeça de Liz foi logo percebida na janela da casinha de administração.
Ana, infelizmente, pisou em uma pedrinha. Fez barulho. Acordou Liz, que olhou pela janela e se levantou rapidamente. Procurando a arma pela mesa, Ana e José entraram na casa, apontando armas.
– Parada! Mãos para cima! – gritou José.
Foi o que Liz fez. Levantou as mãos. José pegou a arma em cima da mesa, antes que Liz fizesse isso. “Vai que ela tenta algo”. Ela iria tentar, já tinha um plano em mente: pegaria a faca na gaveta e tentaria atacar alguém. Era um plano que podia dar errado, pois a polícia estava armada e ela estava sozinha. Mas poderia dar certo.
Marc ficou na porta da casinha, preparado para qualquer coisa. Liz notou sua presença.
– Liz, você está presa por homicídio, tentativa do mesmo e roubo. Saia devagar, com as mãos para cima, e vá em direção ao carro. Agora. – pronunciou Ana.
Liz começou a andar de lado, chegando mais perto da mesa. Enquanto ela se movia, os policiais a vigiavam. Se ela conseguisse pegar a faca, era só ir à porta e pegar o moleque como refém. Foi chegando mais perto da mesa. Um pouco mais. Mais. Parecia que a distância não acabava nunca.
– Ande logo com isso. – disse José.
Foi o momento. Em questão de segundos, Liz pegou a faca e pulou em cima de Marcos. Como os policiais deixaram a passagem livre, foi fácil alcançar a porta.
Liz apontava a faca para o pescoço de Marcos. Ana e José se assustaram com a agilidade de Liz. Mas Ana estava com muito medo. Ela gostava do moleque. Eu sabia que ele ia atrapalhar!
– Largue as armas – ordenou Liz.
Ninguém fez nenhum movimento.
Liz aproximou a faca do pescoço de Marc.
– Não ouviram? Larguem agora, ou eu mato o garoto!
José largou a arma no chão. Liz sorriu. Ana não se moveu. Olhava para Liz com rancor nos olhos.
– Largue sua arma, policial!
– Não vou te obedecer. — Ana rangeu os dentes
– Ah, não vai? – Liz olhou com um olhar desafiador para Ana, que fez o mesmo.
– Ana, o que está fazendo? Marc está em perigo, largue a arma – sussurrou José. Mas Ana o ignorou.
Marc olhou com piedade para Ana. Ela queria que ele morresse? Então ela não gostava dele? Naquele momento de desespero, qualquer movimento que ele fizesse seria o seu fim. Marc se lembrou de sua mãe. Lembrou-se de Bia. Lembrou-se de Gui e de Carla. E lágrimas rolaram pela sua bochecha corada.
– Eu não vou obedecer mesmo! E é melhor largar o moleque!
Liz apenas riu. Um riso demoníaco. Mas parou de rir quando sentiu sua perna sendo furada. Ana acertou em cheio a perna de Liz. Liz caiu, com dor. Largou o pescoço de Marc, fazendo um corte em seu ombro esquerdo quando sua mão caiu.
Marc reclamou da dor, mas respirou fundo e tentou estancar o sangue; Liz estava agoniando e chorando de dor. E berrava, enquanto apertava fortemente a perna.
– Sua vaca! Olhe só o que você fez!
– Você merece mais do que isso! – gritou Ana em resposta.
Liz não podia ficar ali. “Serei presa? Não mesmo”. Com sua perna direita, deu um chute que derrubou Ana no chão. Liz conseguiu sair correndo, porém mancando.
– Corre atrás dela, José!
– Certo!
José saiu correndo em sua espreita.Ana levantou-se e foi atrás.
Marc seguiu os três. Segurava o ombro fortemente, e murmurava alguns “Ais!” de vez em quando.
Liz estava com a perna machucada, então não foi muito longe. Caiu depois de correr uns quatorze metros. José, Ana e Marc alcançaram-na sem esforços.
– Não acredito... Não posso ser presa agora... AI, QUE DOR! – berrava Liz – Eu ainda não... Ai! Eu ainda não... Completei minha... AI, MINHA PERNA! Não completei minha vingança... Ai! VADIA, EU TÔ PERDENDO MUITO SANGUE!
Entre reclamações e dores, Liz começou a chorar. Não conseguira se vingar de todos. Sua missão não estava completa. E ela seria presa. Conseguiram pegá-la. Entre dores, sangue, tristeza, ódio, Liz rolava no chão, urrando, e apertando a perna.
Marc olhou nos olhos de Liz. Ele tinha vontade de esmurrar, bater, torturar Liz pelo o que ela fez com a vida dele e com seus amigos. Mas o que Marc fez foi dizer:
– Vingança é algo ridículo.
– Você não sabe o que passei com aqueles idiotas! Todos sofreram porque merecem!
– Você não é capaz de perdoar?
Liz parou. Lembrou-se da criança na feira. Aquela menina que se desculpou ao esbarrar em Liz. “Desculpa”. Foi o que aquela garotinha disse. Aquela cena, junto com o impacto da frase de Marc, fez Liz chorar. Chorar feito uma criancinha.
José ajudou Liz a se levantar. Apoiando um braço em José e o outro em Ana, foram até o carro.
E com isso, encerrava-se o caso “Liz”.
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