A Vingança.
2 Capítulo 2 - Cortes.
Notas iniciais
– Menina acorde! – Minha bochecha esquentou com uma mão. – Acorde logo!
Abri os olhos lentamente com a visão um pouco fora de foco.
– Ate que fim! O brinquedinho dormiu muito dessa vez. – Continuou Aracne.
– Não achou que ia perder a diversão de hoje hein?
Meu corpo latejava ainda das picadas, e alguns fios soltos estavam presos a mim.
– Meus filhos fizeram um ótimo trabalho não foi? Não se preocupe, sei que gostou, mas hoje é só por conta da Medusa. – E deu um sorrisinho.
– E então? Acordou? – A voz da Medusa veio da escuridão.
– Claro toda sua.
Estremeci com isso.
Ela veio se aproximando até tocar em meu rosto.
– Que peninha, um rosto tão belo, e cabelos lindos, numa filha de Atena. – Fez uma cara de nojo. – Cujo final não vai ser tão belo assim.
– E aquele Percy? – Levantei a cabeça me direcionando à Aracne. – Por onde ele anda?
– Ah não se preocupe. O filho de Poseidon está totalmente desnorteado... Graças a uns amiguinhos que eu mandei.
– Percy... – Sussurrei involuntariamente ao ouvir aquilo. Ele não podia estar mal, em mais perigo por minha causa.
– Oh Annie, não verá mais seu namorado, mas se quiser podemos fazer uma transmissão ao vivo pra ele também...
– Não!
Ela já estava perto de mim e colocou a espada em meu pescoço.
– Já falei para não me interromper! E é claro que transmitiremos a ele. O melhor, é que estarei sem meus óculos, quero saborear a reação de todos, então caso queira permanecer viva, deixe seus olhinhos bem fechados. Aracne?
– Sim?
– Podemos começar?
– Claro. Deixe-me só pegar a caixa. – Ela disse indo na escuridão. – Aqui está. Em 3,2,1...
– Olá novamente Atena, olá Percy. Gostando de procurar sua amada?
Pude ver Percy em uma mata, montando acampamento. Suas roupas estavam esfarrapadas, e alguns cortes pelo corpo e no rosto, além que em uma de suas pernas havia uma tala. Senti-me pior ainda por ele estar assim.
– Annabeth. – Ele se aproximou um pouco.
– Percy! – Eu gritei, voltando a me debater.
– Oh não querida, comporte-se. Sei que nele não terá o mesmo efeito, mas em você sim, então...
E em um movimento rápido, levou suas mãos para a cabeça para retirar o pano. Só dei uma olhada rápida na visão pra Atena e fechei os olhos.
– E então Percy, se divertindo com meus amigos?
– Quando eu te encontrar, irá voltar para o tártaro em segundos!
– Uuh que medo, até parece que chegará aqui! Surpreende-me ainda estar vivo, principalmente agora nesse estado. E você Atena?
Atena não falou nada, mas eu sabia que ela encarava a Medusa.
– Bom... Como vocês sabem, terá um evento amanha. Cinco dias de Annabeth conosco.
Senti sua respiração chegar mais perto de meu rosto, e pressionei as pálpebras mais fortes.
– Me surpreende ela também ainda estar viva. – Disse Aracne, e senti meu estômago roncar novamente. Além de meu corpo estar fraco e dolorido. Acreditem, elas não me deram nenhum alimento.
– Não por muito tempo. – E sua lâmina desligou sobre minha barriga, me fazendo soltar um grito de dor.
– Annie! – A voz de Percy ecoou na caverna.
Outro corte em minha cocha, esse mais forte, depois em meu braço. E a única coisa que eu fazia era gritar, além de chorar novamente. Claro, não dava pra se soltar. Era novamente uma situação agoniante.
– Não se preocupe filho de Poseidon. Essa garotinha sabe resistir...
– Annie aguenta mais um pouco. – Disse Percy ignorando Aracne falar. – Me desculpe, mas eu vou te achar!
Nisso, alguma coisa surgiu da floresta, pude escutar o som, mas não deu pra identificar porque permaneci com os olhos fechados obviamente.
– Que triste. – Zombou Arance. – A transmissão com o heroizinho caiu.
E juntas elas riram. O estranho foi que eu não escutar a voz de Atena, em momento algum.
Permaneci como estava, apenas com os soluços das dores, agora maiores, em meu corpo. Torcendo pra que Percy ficasse bem, pra que ele conseguisse sobreviver, e que de algum modo, nós nos salvássemos. Seria realmente muito difícil.
– Durma querida. Durma que amanha será um grande dia.
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