A Vingança é um Prato que se Come Cru
6 Tempestades
Notas iniciais
Uma fila se formava na tal porta dos VIP's, que por trás dela se chegava a garagem. Um segurança olha para os dois, mas tira o olhar, e Gustavo percebia que algo estranho estava por acontecer.
– Kirito: E essa agora, que porra é essa! Meu... Isso não acontece nunca, deve estar acontecendo algum problema.
– Morre-Arth: Eles foram mais rápidos, e estão aqui por nossa presença. Essa é a única saída desse clube?
– Kirito: Na verdade, sim. Ao menos se formos para a garagem.
– Morre-Arth: Qual é a parede mais tênue para a rua?
– Kirito: Ora, eu não sei. Pergunta pros seguranças, quem sabe eles vão te responder.
– Marlon: Olha, moleque, você já tá por um fio aqui.
– Morre-Arth: Não será nosso fim, eu garanto. Kirito. Fique na fila e vá até seu carro. Eu irei abrir um buraco nessa joça e abrir uma saída para essa cilada. É melhor estar na quadra seguinte, entendeu. Ou senão irá entrar para minha lista negra, e como vê com Arthur jamais será perdoado.
– Kirito: Tranquilo.
– Marlon: Mas com tanta gente e segurança aqui?
– Morre-Arth: Eu sei dar um jeito, diferente de você.
Os dois saem da companhia de Kirito e correm pelos diversos sectores daquele imenso clube, cheio de atrativos, de pessoas, de segurança, que parecia não ter fim. Morre-Arth focava nas paredes, grossas e finas, procurava por janelas que denunciassem a presença da rua no outro lado que eram bem ausentes naquele local. Minutos se passavam e nada, e isso já incomodava o garoto. De repente, num cinema próprio daquele lugar, ele percebe pelo som de motos estar bem perto de uma possível saída. Mais perto ainda seria um banheiro construído bem no extremo noroeste daquele campo, um tanto saltado para fora. Seria o meio perfeito de sair dali, se não fosse por uma coisa. Mesmo com boné, Gustavo é reconhecido por seu porte físico por um dos homens e estes se comunicam com um alguém. Ele corre para tentar abordá-los, um tanto oscilante.
– Segurança: Hey! Vocês! Parem, preciso fazer uma inspeção.
M-A vira e dá um tiro bem na perna do homem, que cai. As pessoas ao redor se assustam e meninas gritam apavoradas, acompanhadas de um homem franzino. Sangrando, ele vê a face morta de Gustavo Ferreira após deixar seu boné cair no chão, rindo. Marlon vai correndo ao banheiro preparar os explosivos, enquanto no centro das atenções Morre-Arth começa a se sentir poderoso.
– Morre-Arth: Quem diria, não é mesmo? Eu, um terrorista, bem junto a vós hoje. Quem sabe todos aqui não podem ser mortos como este cara?
– Segurança: Por favor, não me mate. Tenho mulher e um filho que precisa de um pai. Eu já não tive pai, e não quero ver meu filho sem um.
– Morre-Arth: Arthur já estava cheio de pretendentes e não teve problema nenhum em desejar a minha.
– Segurança: Morre-Arth, não temos nada a ver com isso. Só queremos a segurança de nossa cidade.
– Morre-Arth: Uma cidade que defende Arthur sem ver seus crimes, não é mesmo?
Gustavo aumenta o tom.
– Morre-Arth: DENDROVIANOS, PAREM E BEM. COMO É BOM PROTEGER ARTHUR, NÃO É MESMO? UM HIPÓCRITA MENTIROSO, ARROGANTE E CORRUPTO; QUE SUPOSTAMENTE FEZ BEM A VOCÊS, CONSTRUINDO UM VILAREJO QUE MAIS TARDE SERIA O QUE VOCÊS VIVEM HOJE. DENDRÓVIA DEKAN, A CIDADE PRODÍGIO, CRESCEU EM SEIS ANOS E HOJE ESTÁ EM PÉ, MAIS FIRME DO QUE NUNCA. É ISSO O QUE O SITE DE SEU GOVERNO DIZ. E AINDA TRATAM ARTHUR COMO UM HERÓI. MALDITOS VASSALOS, EU VOS DIGO. ENQUANTO ARTHUR VIVER, ESTÁ CIDADE JAMAIS PROVARÁ DA PAZ, ESCUTEM O QUE EU DIGO! POIS JAMAIS PERDOAREI O QUE ELE FEZ! E AI DE QUEM TENTAR ME IMPEDIR.
Uma explosão ocorre e todos os civis fogem para procurar abrigo. Ele se vira rindo como um louco, até ser atingido de raspão no ombro por um trio de seguranças.
– Segurança #2: Pare, agora mesmo! Não irá ficar em pune.
– Morre-Arth: E ainda cometem os mesmos erros.
M-A engatilha sua arma na mira deles, até que nota-se na mira de outras.
– Mega: Belo discurso, devia ser palestrante.
– João Batista: O Vinícius teve tanto trabalho e quem dera que veio parar justamente nas nossas mãos.
– Morre-Arth: Trabalham para Vinícius Aquiles. Que encantadora surpresa.
– João Batista: Então você o conhece, que legal. Mãos na cabeça. E vocês, vão pegar o cúmplice dele.
Na mesma hora Marlon aparece para alertar que de fato o plano deu certo. Neste instante se depara com a situação e pega uma granada e mira contra os seguranças, causando uma explosão que causa danos na estrutura do prédio. Felizmente nada desmorona, mas cai na mira de Batista.
– João Batista: Nem precisou. Já era, acabou, perderam.
– Morre-Arth: Não cairei sem a minha vingança.
– Mega: Que poético. Já pensou em largar esse intento besta e virar poeta, Morre-Arth? Só que na cadeia, pois fora disso já eram-se as chances.
– Morre-Arth: Senhores. Se é um tiroteio que querem, é um que terão.
Mais seguranças "brotam" e retiram o outro ferido do local, enquanto os demais apontam contra os dois.
– João Batista: Opa. Por essa vocês não esperavam.
– Marlon: Malditos. Nem a cadeia nos segura. Se nos prenderem o Grito da Justiça irá começar uma tremenda violência contra sua cidadezinha, sabiam? Irão se dar mal nessa tentativa idiota de se tornarem heróis.
A dupla de policiais ri.
– João Batista: Que seja.
Ele caminha destemerosamente em direção ao terrorista que soa frio, pela mira. Ele olha para Marlon pedindo com os olhos por uma atitude. Ele afirma do mesmo modo que não podia fazer nada, e por fúria ele apenas queria atirar contra o rosto malandro-sorridente de Batista que com algemas caminha em direção a ele. Em sua frente, ele o desarma e prende suas mãos.
– João Batista: O Vinícius vai ter que nos dar um aumento.
Pensando consigo que Arthur estaria rindo, protegido por uma fortaleza, apenas assistindo sua desgraça, e vendo cada homem daquele salão como um amigo de seu pior inimigo, ele tem um instinto forte e enlouquece.
– Morre-Arth: ARTHUR NÃO GANHARÁ DESTA! NÃO GANHARÁ!
Com as duas mãos, ele soca as costas de Batista que cai de dor. Tiros se disparam e ele rola no chão, correndo para se abrigar no banheiro e com Marlon eles conseguem fugir daquele lugar. Mega teve sua arma travada e por isso não conseguiu atirar.
– João Batista: Mega! O que aconteceu aqui?
– Mega: Travou o cano, que droga.
O batalhão corre atrás deles, que fogem como nunca indo em direção a outra quadra. Morre-Arth estava louco, rosnando até e sem pensar em nada, fora sua vingança. Kirito poderia não estar lá, e na fúria ele poderia quebrar uma janela e roubar qualquer carro. Uma viatura aciona sua sirene e ameaça pegá-los, mas com um explosivo é explodida por Marlon antes que os homens desçam. Naquelas chamas, ele entra num beco e vê um carro preto com Kirito dentro. De repente, uma moto chega e dela rapidamente sai um homem bem vestido, de jaqueta preta, olhos verdes, armado, com o nome de Vinícius Aquiles.
– Kirito: Vinícius!?
– Vinícius: Kirito? Você está envolvido nisso?
– Kirito: Eu não, cara. Eu tava aqui curtindo, dai ouvi um boato de que Morre-Arth estava lá no NoiaTown e fui embora. E é o que pretendo fazer agora.
– Morre-Arth: E o nosso acordo, Kirito?
– Kirito: Quer saber. Eu fui obrigado sim a ajudá-los, como refém. Só que agora que está aqui, não preciso dar meu carro como de fuga pra eles. Com licença.
Descaradamente, Kazimuruto se retira com seu carro deixando os dois desamparados e na mira da justiça.
– Morre-Arth: Cretino!
M-A aponta contra o carro, mas com um tiro de Vin a arma cai para trás.
– Vinícius: Até que enfim essa palhaçada vai acabar.
– Morre-Arth: Jamais acabará até que Arthur ainda esteja vivo. E vocês. Como podem dizer que não são meros empregados de Arthur L. Neto sendo que o protegem de minhas garras em todas as minhas investidas neste lugar? Isso é nojento, e saiba que mesmo preso, jamais impedirá a minha vingança.
– Vinícius: É mesmo? Saiba que se não for eu, meus homens estão prontos e cada vez mais presentes para acabar com vocês, mesmo que fujam de mim. Vão pagar pelas mortes que causaram, seus idiotas.
Vinícius abaixa a cabeça e a balança como sinal de reprovação.
– Vinícius: Não consigo acreditar que tudo isso por uma garota.
– Marlon: Mesmo se cairmos não polparemos você e sua cidade de uma desgraça.
Marlon o aponta sua pistola, e uma multidão de policiais e os seguranças do Noia aparecem fazem o mesmo contra ele.
– Vinícius: Fim da linha, otários.
– Morre-Arth: Me derrotar não será tão fácil, Vinícius. Se me impedir de realizar minha vingança agora, irá pagar algo tao caro que irá se arrepender deste feito momentâneo para o resto de sua vida.
– Vinícius: Que seja; não tenho medo dessa sua cara feia. Sabe o que é pior. Arthur nem estava em Dendróvia Dekan. Nem se escapasse de mim e de meus homens iria conseguir encontrá-lo e concluir sua investida, nem tivesse conseguido percorrer nosso município inteiro sem ser notado.
– Morre-Arth: Como saber se isso é verdade?
– Vinícius: Verdade ou não eu não sei, só sei que eu procurei, o Luciano também, e muitos outros por todos os cantos. Parentes, amigos e vizinhos não localizaram seu desafeto, Gustavo. É uma pena para você ter feito tudo isso em vão, e agora ser preso e humilhado como recompensa por toda a desgraça que nos fez passar.
– Morre-Arth: Não pode estar falando sério.
– Vinícius: Eu estou. Mas jamais terá como comprovar já que irá passar o resto da sua vida na cadeia. HOMENS! PRENDAM ESTES INFELIZES!
Seguindo seu instinto, Morre-Arth avança em Aquiles e o atordoa, e logo em seguida vai para trás dele tentando o agarrar e usá-lo como escudo humano contra sua própria tropa. Infelizmente para ele, a habilidade física do policial o faz subjugá-lo, quase o derrubando com um contra-ataque.
– Vinícius: Ia se esconder atrás de mim? Típico de garoto mimado que se escondia quando pequeno atrás da saia da mãe quando fazia cagada com os outros, como você.
– Morre-Arth: ISSO NÃO IRÁ ACABAR ASSIM! NÃO IRÁ!
– Vinícius: E Marlon...
Vin aponta sua arma pessoal contra Rodriguez, que é obrigado a se render antes que pudesse vingar seu amigo.
– Vinícius: Acabou pra você também. Lembranças para o Grito da Justiça.
Marlon esboça uma risada cínica.
– João Batista: Viu, Vinícius. Mesmo errando, nós acertamos. Tá entregue, e foi mais fácil do que pensa.
– Vinícius: Isso só não os demite pelo fato de não ter cumprido minhas ordens.
– Mega: Não cumprimos, mas veja que foi muito melhor.
– João Batista: Mesmo por que, fui eu que desviei do caminho pois queria alertar Levine sobre tudo o que tive acesso a respeito do caso antes de adentrá-lo, porém fomos assaltados justamente por esses idiotas e perdemos nosso carro nisso, fazendo-nos depender justamente do próprio Levine que nos levou pro NoiaTown, aonde já estava indo, e é onde estávamos até agora. Está é a verdade, e como Mega disse, o que resultou foi melhor do que esperava. Não pode nos condenar por isso.
– Vinícius: Poder até poderia, mas não é o caso, pois pela sorte de vocês a carniça tá aqui nas minhas mãos e isso é o que interessa. Agora quero que tirem-nos de minha presença.
– João Batista: Vamos, Mega.
M-A olhava com seu olhar negro aquela cena. Sem saída nenhuma a vista, e com muito ódio usa seu corpo contra os dois policiais na esperança de conseguir tempo para se libertar, mas é abatido com um soco e cai no frio asfalto antes disso. De seus olhos saiam lágrimas enquanto era pego brutalmente por Batista, e viaturas surgiam para servir de seu transporte. Todos aplaudem o feito, e Aquiles se engrandece. O que não contavam era que na distração das atenções vindas para a derrota de Morre-Arth, Marlon aproveita para atacar com tiros em João e Aquiles, e mesmo sem acertá-los consegue dar um rápido espaço de tempo para Gustavo se soltar enquanto corria na direção do primeiro carro que via pela frente.
– Marlon: Vamos embora!
M-A obedece e corre, porém, neste tempo as bolças com armamentos acabam por ser deixas para trás afim de favorecer a velocidade da fuga. Infelizmente para eles, o esquadrão da polícia inicia uma sequência de balas que faziam da tarefa de se manter vivo um grande fardo. Nessa, Gustavo que estava mais perto é atingido por algumas no antebraço, nas coxas, e uma nas costas, e sentia cada vez mais dificuldades em prosseguir. Porém, seu desejo de se vingar era maior que a dor e conseguia lutar para resistir. Com brutalidade, Marlon arromba a porta de um carro e com sangue nas mãos fazem a ligação direta. O veículo deformando-se acelera a todo favor.
– Vinícius: Esse infeliz não pode ter tanta sorte. Não comigo aqui. Continuem atirando!
Aquiles se junta ao grupo de atiradores, que com tantos tiros contra o veículo consegue o tirar do bom-funcionamento antes que saísse de vista, perdendo a direção e batendo em um poste formando uma condensada fumaça que saia do capô.
– Vinícius: Eu falei! Homens, vamos pegar aqueles patifes!
Todos correm para prender a dupla, que com o estado do carro poderia estar morta. Os vidros traseiros estavam quebrados, e as portas do carro fechadas. Quando dois policiais as abrem, anunciam uma surpresa dessagrável. Eles haviam fugido.
– Policiais #23 e #14: Eles não estão aqui!
– Vinícius: Mas o quê!? Isso não é...
olhando para a rua de cruzamento com a esquina, percebe entre carros, comércio e maltrapilhos dois homens correndo, e um sendo arrastado pelo outro. Uma trilha de sangue também podia ser vista até lá, e bem rápidos derrubam um motobói frente a uma pizzaria e roubam sua moto, com um deles tendo dificuldade em se levantar.
– Vinícius: Sortudos de merda.
– Policial #45: Devemos atirar?
– Vinícius: Não, podem acertar os civis. Droga.
Rapidamente, Aquiles pega seu telefone e toma contato com a academia.
– Vinícius: Alô, central. Morre-Arth e Marlon fugiram de minha presença, e tomaram rumo da rua Sequoriaís, próxima da NoiaTown, para a rua Taparinga, em direção a avenida Bico-Tico. Zona norte. Preciso de reforços, mandem mais carros, alertem todas as viaturas. É de extrema urgência e necessidade de ser aprova de erros, pois quaisquer cometido poderá custar caro para toda Dendróvia Dekan. Homens armados, perigosos e violentos. Por sorte, um deles aparentemente está ferido. Imediatamente! Alertar todas as viaturas! Façam o seu melhor.
Ele desliga o telefone.
– Policial #23: E agora, superintendente Vinícius?
– Vinícius: Não acredito que fugiram. Eles estavam em minhas mãos, e as chances deles fugirem eram de uma em um milhão.
Aquiles suspira, enquanto todos eram visto pelos cidadãos apavorados.
– Vinícius: Não queria tornar das ruas um cenário de guerra, mas já vi que será preciso. Alertei a todos os homens, e como sei que mais da metade das tropas estão aqui tenho certeza que não iremos falhar, felizmente. É só uma questão de tempo, e vocês não podem se acomodar pois o jogo continua. Vão para seus respectivos carros e os persigam. Não podemos deixar Morre-Arth livre circulando por Dendróvia Dekan. Ele tem que ser detido, e não permitirei que isto não aconteça hoje.
Como Vinícius disse, mais da metade das tropas estavam circulando pelas ruas da região norte indo para o local passado pelo superintendente, afim de capturar a dupla. Ele mesmo junto com Batista Pita e Victor Geeare vão para seus carros, deixando inclusive a dupla ir com outra dupla de policiais, e saiam daquela arapuca para prender os terrorista que em teoria não poderiam estar longe. E não estavam. Dirigindo com os braços raspados pela pressão mais o fogo que teve a bala após o tiro que passou por eles, estava Marlon com Morre-Arth em suas costas ainda mais ferido. Ele estava resistindo firme a uma dor gritante que passará com o tiroteio anterior, porém um novo se ameaçava formar quando uma viatura surge vindo em direção à moto forçando-os a mudar de pista. Forrá um milagre eles terem escapado das garras de Vinícius, porém, voltar a selva do trânsito poderia ser um risco ainda maior. Carros de civis atrapalhavam a livre circulação da dupla, e as condições penosas de Gustavo com cinco balas alojadas no corpo eram um fardo grandioso que dava a seu amigo, que tinha que salvar não só a si mesmo quanto a ele. Mais carros da polícia emergiam por todos os cantos, mas sem o GPS era difícil formular uma rota tendo que somente confiar na intuição para realizar a única coisa que podiam fazer: uma evasão dos meios urbanos. Porém naquelas condições pareciam-se impossíveis. Um dos carros que surge por trás dá um tiro que acerta na pintura vermelha da moto, e furando um sinaleiro Marlon corre em uma rua comercial sendo visto por um público de homens que estavam num bar, e logo que passa pelo mesmo uma dupla de carros faz o mesmo. Preocupado ele acelera, e corre ao perceber dois carros surgindo das ruas laterais, conseguindo escapar das mesmas e seus tiros. A impetuosidade da polícia mostrava que eles não tinham problema nenhum em matá-los, não só porquê não tiveram em um caso oposto, mas também porque valia tudo para a segurança de Dendróvia Dekan. Na mente de Gustavo apenas palavras rancorosas, de ódio e rispidez alimentavam um instinto selvagem de vingança contra todos, mas algemado não podia pegar sua arma para contra-atacar os homens da lei que os perseguem. Em tentativa desesperada de fuga, Rodriguez inclina a moto para um mini-shopping que lá tinha que o invadindo, quase atropela duas adolescentes que deixam suas compras cair para serem pisoteadas pelos pneus de três motos da academia de polícia, que iam a toda pegar os inimigos da nação. Ignorando as pessoas e lojas, Marlon sobe na escada rolante desesperando seu companheiro e rapidamente a usa como impulso até que os dois pairam no cair e pela gravidade caem fazendo ambos gritarem, e M-A culpar Arthur L. Neto por isso. Por um canteiro e um andar a menos, eles conseguem despistar as motos, e saem quebrando os vidros conseguindo tempo para fugir. Assim eles prosseguem, e correm pelas ruas a toda em busca de um meio de fuga. Passassem-se minutos em pura adrenalina, e angústia, já que caso eles se rendessem, seriam presos, fichados, e até presumivelmente mortos dependendo do como; coisa que aconteceria sem sombra de dúvidas caso resistissem como estavam fazendo. Passando por baixo de um viaduto, Rodriguez nota uma placa dizendo que em poucos metros estava a saída para aquela região, e em pouco tempo uma aparente ponte passando por cima de uma área de mata virgem, deixa ali ao acesso da população para poderem contemplar o verde. Infelizmente, eles enfim foram pegos quando bem nela um conjunto de carros fechavam a passagem, prontos para atirar. Por trás também vinham como sempre mais, e Rodriguez então não pensa duas vezes. Com o automóvel ele se joga para fora da pista, assustando seu companheiro, e entre rochas e gravetos perde a direção e caem rolando em alta-velocidade pela terra e lama até pararem em cima de uma moita, parando. A polícia parava os carros e iam a sua procura, e eles continuavam a fugir até se perderem, já no início da noite. Mesmo ferido, Morre-Arth foi valente e depois de minutos eles param por atrás de um pedregulho enfim crentes de que não estavam sendo perseguidos. Nessa em um surto de raiva Ferreira se rebela contra a situação e diz querer fazer algo ainda maior para contra-atacar, mas Rodriguez diz que a megametrópole provou estar mais forte e seria loucura revidar, pois ainda estavam em uma posição de xeque, e tinham que dar um jeito de se retirar independente que Arthur estivesse lá ou não. Explodindo de raiva, M-A culpa novamente Marlon por suas desgraças e esse se retira, dizendo que ia confirmar com sua agente de campo se o que Aquiles disse era ou não uma verdade. Nisso, Gustavo se fecha em seus pensamentos.
Incessantemente ligações são feitas para Manulua, que não atendia. Na última tentativa, atônita, ela o "dá a misericórdia" e Marlon logo a pergunta o resultado da invasão à última casa de Arthur. Ela responde que não deu em nada, que quase foi pega pela polícia, mas passou ilesa. Também complementa que ela estava abandonada por completo, e a prova disso era o mugo presente em um sanduíche abominável na geladeira que a deu nojo. O rapaz havia desaparecido. Um tanto desconcertado, Rodriguez então se obriga a passar uma nova missão: ele informa a condição dos dois, a qual ela nem acredita terem sobrevivido, e pede ajuda por um pouco amais de dinheiro para ela vir com um carro qualquer, e os levar de Dendróvia à Wikaner, que é aceita. O local exato ainda era precário, sem muitos dados que em breve seriam obtidos, todavia ele pede para ela se dirigir à zona norte, que até lá ele terminava de orientá-la até seu destino. Concordando ela desliga. Terminada a ligação ele volta a companhia de Gustavo informando o plano alternativo, e ele inicialmente se recusa a sair da cidade com muita fúria, mas é contido por fatos passos um por um por Rodriguez. Ele não conseguia empurrar o fato de "Arthur e os Dendrovianos" terem vencido, e sentia como se eles estivessem sentados, o assistindo, e rindo de toda a desgraça passa em seu plano mental. Marlon ao saber disso logo o corrige, re-dizendo que isso era "maluquice", o que servia apenas para afastar mais o amigo, que friamente se cala ignorando o parceiro. Mesmo assim, Rodriguez ordena que subissem para a zona urbana novamente, coisa que mesmo com dificuldades é feita solo por Ferreira, e depois de tempos de uma caminhada eles chegam a uma rua próxima a que estavam, mas que era mais calma e livre de qualquer preocupação por hora. A luz da lua era clara, e a noite bela. Mal chegando lá, Rodriguez levanta-se chamando Morre-Arth que se nega, para a busca de pontos de referência úteis para localizá-los. Caminhando então solitário pelas ruas quase desérticas com suas vestes um tanto sujas, mesmo tanto se passar por um civil em seus gestos, e armado para uma eventual surpresa, ele passa por gatos e latões de lixo, postes, e muito mais outros componentes que companhavam um cenário moderno para aquela região. Depois de muitos comércios fechados que foram passos, a presença de uma ronda de polícia faz com que Marlon esquifa-se a dentro de uma padaria. Antes que pudesse pegar seu revólver e anunciar um suposto assalto, ele percebe não ter sido reconhecido e discretamente se direciona a geladeira, até ter uma ideia. No caixa, ele faz de jovem de outras bandas que queria achar um meio de trazer seus amigos o encontrarem e o levar para sua casa bem na zona leste — caminho de onde a moça vinha vendo. O rapaz mesmo não sabe, mas seu superior o auxilia informando passo-a-passo e bons meios de encontrá-lo, usando como meio a única ligação de tal região com a norte, e o destino final a rua da padaria. Anotando em um papel, ele agradece e se retira, embora algo nele era familiar, mas ninguém soube dizer o que era. Com estas informações ele informa Manuela, que se melhor direciona para encontrá-los, e assim volta para a presença do amigo tendo uma surpresa. Em uma poça de sangue bem vermelho, o rapaz se levantava um pouco com dores, mas sem as balas que o perfuraram. Parecia que ele queria brincar com a sorte, e era impressionante ele ter feito isso mesmo algemado. Mesmo acudido, Gustavo pede para que Marlon não se apiede, pois já havia passado por isso antes. Ele parecia irritado, como se guardasse um desgosto profundo dentre de si, obviamente da situação de derrota que lhe foi proposta. Aceitando o fato do amigo estar perturbado, Rodriguez aceita o fato e deita novamente na grama, um tanto afastado da rua, olhando para o céu afim de economizar bateria do celular, só a espera de sua agente de campo em um pleno silêncio. Uns vinte e cinco minutos depois, ela chega com um Pálio prata, se dirigindo a dupla que logo se levanta.
– Marlon: Manulua; graciosa como sempre.
– Manulua: Marlon. Belas instruções, hein. Se fosse alguém diferente de mim já teria se perdido desde a primeira quadra.
– Marlon: Não exagere, Manuela. Eu achei que as instruções foram até melhores do que eu esperava. Agora olhe para isso, que belo carro, hein.
– Morre-Arth: Digo o mesmo, nos será bem útil para meus planos. Só espero que não seja obra de um furto.
– Manulua: Não um explicito, pois sabia que vocês me queriam longe dos olhares negros dos tiras. Tive que usar uma de minhas identidades falsas e pôr a cara a tapa pra conseguir alugar isso ai, e cada segundo que esperei naquela maldita fila lhes serão acrescentados na conta, já fiquem cientes.
– Marlon: Que planos têm em mente, Gustavo?
– Morre-Arth: Os de sempre, Marlon. Vingança. Que não podem ser contidos. Vamos entrar neste carro, enquanto eu dirijo para ela.
– Manulua: Nem vêm que neste direito sou eu. Eu que dei duro pra consegui-lo, então acho que o direito de dirigi-lo é só meu. Não concordam?
– Morre-Arth: Como quiser.
Eles vão até o carro, e com a chave Emanuela destrava a porta do copiloto e dos bancos traseiros, e os três entram com ela no espaço do motorista, Morre-Arth ao lado, e Marlon se segurando nos fundos, indignado com sua posição. A garota começa a dirigir.
– Marlon: Até onde estou sabendo nós íamos sair dessa porcaria de cidade e voltar pra Wikaner! Não entrar em um novo plano, Gustavo. Eu não mando nada por aqui!? Pô. Sacanagem isso, hein.
– Morre-Arth: Se pretende voltar a Wikaner sugiro fazer isto a pé, ou roubar um carro civil há alguns metros afrente. Não irá diluir meus desejos como se fossem naftalina na água, saiba bem disso.
– Marlon: E o fato de sermos caçados a cada esquina e nenhum morador vai com a nossa cara!? E o fato que estamos quase sem dinheiro agora e perdermos praticamente todos os nossa armação e adicionais!? E o fato de ter sido baleado cinco vezes hoje e quase nós dois termos morrido ou irmos parar na cadeia!? E o fato de que você tá vendo que Arthur não está em Dendróvia Dekan!? Você não liga pra isso não ou nem percebe!?
– Morre-Arth: QUER CALAR A BOCA!!
Os dois o olham assustados.
– Manulua: Pelo visto esse time em que estavam não era muito bem alinhado.
– Morre-Arth: Graças a interrupções e desvios de Marlon, não, Emanuela. Mas agora já chega. Escutem o plano ou saiam do meu caminho para que eu o faça. Nós esperamos até a manhã para o parecer ameaçar começar, descobrindo detalhes sobre ela como horário e localização, o que imagino não ser difícil, e nos infiltramos na guarda como policiais, antes que tudo comece. Na hora que Luciano se apresentar eu me apresento e deixo esse chupinha do Arthur na minha mira, enquanto Manulua dá seu jeito de tirar os demais policiais da zona, e Marlon mira em Vinícius que deve estar preparado junto a qualquer outro que possa me impedir ao seu redor. Tenho certeza que o prédio que for escolhido terá uma segurança extremamente reforçada.
– Marlon: Muito bom o plano, meus parabéns. Só esqueceu de um detalhe, dois na realidade. Como pretende estar disposto a agir com os seus ferimentos, e como iremos conseguir nos infiltrar na polícia e ainda nos manter camuflados até o evento. Isso é doideira!
– Morre-Arth: Iremos atacar uma dessas mil viaturas que rondeiam por ai. Não será difícil, e assim elas nos serão útil. E Marlon. Sabe muito bem que eu sei me virar muito bem baleado. Já teve muitas experiências comigo anteriores.
– Marlon: Eu meio que perdi meu tempo falando com você naquela floresta. Você só escuta a você mesmo, cara!
– Morre-Arth: Somente em mim eu posso confiar. Você nos meteu depois do museu em mais duas frias. Uma no NoiaTown Club, agora lugar asqueroso, e outra nos jogando contra aquela mini-floresta. Nesse momento sim eu achei que estávamos correndo perigo.
– Marlon: E como esperava que agisse naquela condição. Quer saber, isso aqui já chegou ao ponto do ridículo. Você têm que engolir que seu inimigo não está aqui e viemos para cá atoa. Eu não confio mais nessa história de missão pois vi com os meus olhos que o fim ela não dá certo, e muito menos é palpável. É só uma conversa de "eu tenho que matar o Arthur, e por isso vamos fazer tudo o que for possível para realizar isso". Vinícius disse isso, as casas segundo a Manulua estão abandonadas, e nenhum vizinho ou parente. Cara! Eu respeitava suas intenções, mas agora você provou pra única pessoa que fazIA isso que elas não valem mais nada.
– Morre-Arth: Emanuela. Ligue para nossos agentes em Galarza e certifiquem que os parentes realmente desconhecem sobre seu paradeiro. Vinícius, assim como Luciano e muitos outros destas redondezas fariam de tudo para proteger seu amado herói de nossas garras, e você sabe disso. Isso não passa de uma maquinação. Segundo os registros que obtive, Arthur só tem duas casas, mas posso ter sido encanado. Os governadores da cidade são nossa chave para a vitória. Não vim aqui para sair derrotado, mas você está desistindo fácil. Está me intrigando ainda mais se trabalha ou não para L. Neto, e sabia bem que traição para mim é algo imperdoável.
– Marlon: O quê!? Não seja idiota, cara. Fácil? Quase fomos mortos, e por muito pouco sobrevivemos. É um sinal de que continuar com isso não vale a pena e irmos embora.
– Manulua: Vocês precisam se decidir, tomar suas posições e descomplicar essa maldita situação, droga. Eu concordo que sobreviver a uma chuva de balas como tiveram é algo raríssimo, mas, o que Gustavo propõem tem nexo e pode ser feito. Não há por quê desistir, a menos que tiver medo, ai tá explicado.
– Marlon: Concordo, Manulua. Mas está claro que Arthur não está aqui em Dendróvia! Eu percebi pelo tom de voz do Vinícius que era verdade. O risco que nos submeteríamos não vale o ganho, e mesmo porque, uma hora o bendito aparece, e nesse tempo se inseminarmos mais agentes de campo aqui, não será difícil pegá-lo. Já sabemos sua casa mesmo.
Morre-Arth tenta guardar sua raiva perante o que ocorria para si. Porém, deixar a missão em fracasso para ele era inaceitável, e depois de muito esforço interno ele conclui que nem mesmo seu colega de longa data poderia alterar suas pretensões.
– Morre-Arth: MARLON! Cala essa tua boca antes que eu a cale! Você só me atrapalhou muito hoje, não percebe! Como posso dar ouvidos a alguém que somente está errado! Se não tivesse o ouvido nada teria chegado a isso. Eu teria atacado de supetão e todos não teriam tempo de esconder Arthur de mim! Idiota! Você tem a culpa de tudo o que nos aconteceu hoje. Se é contra isso, rala peito. Você é desprezível tão quão é arrogante, e suas teorias são nitidamente mesclamentos de desejos de ostentação e vaidade como se ainda tivesse quinze anos, e mais nada. Se quiser que minha raiva não se recaia sobre você, ou me obedece ou desaparece.
– Marlon: Então esse é o devido respeito que tenho por ter aguentado e ainda por cima bancado você todos esses anos. Você fala tanto, se faz de voz da razão, mas na vida cotidiana mesmo você não passa de um preguiçoso que fica só pensando todo o dia em maneiras de morte pra acabar com esse idiota que falando a verdade, não vemos há muito tempo mesmo. Fala mais do que faz, Gustavo! E as operações todas da Corporação são agenciadas a grande parte por mim, entendeu! Por mim! Mas quer saber. Eu não quero lhe impedir de nada. Quase morri hoje por sua causa, e só aprendi que eu não tenho nada haver com a Natália. Eu gostava da Julie, sim, mas hoje percebo que não foi o Arthur que a afastou de mim. Foi você e a sua companhia! Você é um inferno, um cara que vive no ócio e sempre se acha a voz da razão. Se enxergue, homem!
– Manulua: Vocês são insuportáveis. QUEREM FAZER O FAVOR DE SE DECIDIREM LOGO!
– Marlon: Já estou cansado de ser desrespeitado por conta da instabilidade de meu colega!
– Manulua: E dai? Não venha com esse papinho de que não é reconhecido. Se tá em desacordos com a missão então saia você, pois tudo mundo é dispensável.
– Morre-Arth: Emanuela, você falou tudo. Pelo visto posso contar com você para a operação.
– Marlon: Sério? Manulua, logo você que viu as duas casas e sabe bem que não há como Arthur estar nessa cidade. Vai trabalhar nessa doideira?
– Manulua: Marlon. Eu estou sendo paga pra ficar até o final nessa parada, e sair daqui com um desfecho final. Vai me pagar pra sair?
– Morre-Arth: Chega. Cheguei a uma decisão. Pare esse carro.
A moça obedece, e quando o carro é enfim estaciona na rua Ferreira joga Marlon dele com extrema força, e fecha a porta a travando. Este por sua vez olha para M-A, não acreditando no que via.
– Morre-Arth: Encheu minha paciência, Marlon. Pode voltar para sua casa agora, e eu me viro como estou. Afinal, isso só prova ser problema meu. Acabou de comprovar que sente alguma coisa por Arthur que o faz defendê-lo, e isso para mim é inaceitável. Não o quero ver de novo, e boa viagem de volta.
– Marlon: Que merda essa, Gustavo!! E Manulua... Qualé!?
– Manulua: Você estar fora, então pelo menos não nos atrapalha.
– Marlon: Quer saber, tudo bem. Até mais, e obrigado por tudo.
– Morre-Arth: Igualmente. Passar bem.
Não acreditando no que via, ele contempla a arrancada da nova dupla o deixando solitário a mercê da polícia apenas com um revólver no bolço. Marlon então levanta-se e anda como se nada tivesse acontecido, embora por dentro caminhe com um extremo sentimento de revolta contra o amigo. Tantos anos em vão o ajudando, mas nada importava mais, e ele sabia que o desejo de Morre-Arth de vingança irá os levar a ruína. A partir de agora era ele e sua própria vida, tentando conformar-se de que todo o trabalho com M-A foi em vão. O mesmo continuava no carro, com pouco choque com Rodriguez. Sua visão era mais fria, apenas encarando o ex-parceiro como um soldado sucumbido pelos adversários. Além do que, aquilo para ele era não-substancioso e irrelevante, já que no momento ele tinha que se preparar para o ataque final à Dendróvia Dekan.
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