A Vilã Revelada

5 A Outra Dimensão


Notas iniciais
Quando a historia avançar mais tudo fará sentido, prometo. Agora aproveitem a nova Dimensao.

Olho em volta. Tudo escuro, com um tom azulado. Vejo poucas nuvens no céu que dão destaque e uma grande e esbranquiçada Lua. Tudo está calmo, um silêncio toma conta do lugar, é um silencio apavorante. O chão é feito de rochas, mas parece que tudo foi ou está sendo despedaçado lentamente. Densa neblina se estende, me impedindo de ver a paisagem ao longe. Percebo certas formas suspensas por entre a névoa, como correntes. No horizonte há fracos pontos de luz em tom roxo azulado, ao vê-los sinto arrepios em meu corpo.

Porém algo em mim está mudado. Olho para meu corpo, ele está diferente. É possível enxerga-lo, porém sei que ele não é mais um corpo físico. Do meu lado se encontra um cristal, tem forma triangular e está flutuando em uma espécie de pedestal feito de rochas. Ele brilha no mesmo tom roxo azulado que vi antes. Sinto uma ligação com ele, tal como se ele e eu fossemos um só.

Sinto presenças se movimentando a certa distancia de mim. Começo a flutuar naquela direção, totalmente alerta. Depois de andar alguns minutos vejo nos céus, imensos dragões. Sim, dragões voando ao longe e jogando rajadas de fogo em direção ao chão. Fico curiosa. Vou rapidamente naquela direção.

Ando por algum tempo, mas quanto tempo, exatamente, não consigo dizer. O tempo se move de forma diferente neste local. A lua fica imóvel no céu, somente há uma leve brisa do vento que movimenta lentamente as nuvens. Quanto mais me aproximo vejo com mais frequência os dragões voando e atacando o chão, com seus horripilantes rugidos furiosos e o insistente bater de suas enormes asas.

Começo a ouvir vozes, gritos e ordens sendo dadas. Lembro-me da Guerra de Vermécia que eu provoquei, no mesmo momento me falta o ar e fico ofegante. Presto atenção nos sons que chegam aos meus ouvidos, ouço barulhos de tiros, mais gritos. A densa neblina que me impede de ver o ocorrido começa a se dissipar. Uma luz alaranjada brilha fortemente, são as chamas jogadas pelos dragões que dançam freneticamente ao serem estapeadas pelo forte vento lançado pelas asas das criaturas voadoras.

Começo a ver as formas das criaturas que lutam contra os dragões. Humanos. Aproximo-me, começo a sentir o calor do fogo, o incessante barulho de tiros. Há tantos gritos ao meu redor que não consigo entender o que é dito, o vento forte me empurra para o centro da batalha. Estou há poucos metros, posso ver os imensos dragões que se revezam entre atacar os humanos do chão e do céu. “Mas essas criaturas não são humanas!”

Estou há cerca de trinta metros da batalha, me segurando para o vento forte não me levar longe e desviando das labaredas ardentes. Vejo que os “humanos” possuem características únicas. Sua pele tem um tom rosado, a grande maioria possui olhos vermelhos que parecem brilhar de acordo com a fúria que estão sentindo. A maioria tem cabelos castanhos, porém os que dão ordens a eles possuem cabelos louros.

Estes seres humanoides lutam com determinação, porém os dragões estão se sobrepondo contra eles. Vários soldados são atingidos pelas chamas, alguns caem durante a batalha pelo forte vento, outros são esmagados pelas gigantescas patas ou abocanhados pelos dragões. Sinto meu coração acelerar. Destaca-se no meio dos soldados um ser grande, o dobro da altura dos outros, creio que seja o General. Ele também entra na guerra, prova de que seu exército está em apuros. Ele empunha uma espada, quase de seu próprio tamanho, e sem hesitação atinge os dragões com golpes certeiros.

Ele faz um movimento com o braço e logo vários meteoros caem, pegando de surpresa os dragões, forçando vários a pousar. Um deles pousa cerca de 20 metros a minha frente. Vejo que sua pele escamosa tem varias falhas, muito sangue escorre. Suas asas possuem muitas perfurações de balas, ele anda cambaleante, certamente está cansado. “Os soldados não estão em tanta desvantagem assim” pensei. O General desaparece do campo de batalha e segundos depois reaparece ao lado do Dragão que está a minha frente.

Ele crava sua espada no chão e profere palavras impossíveis de se entender, sua voz é alta e bem grossa. Olho para cima. Os poucos dragões que ainda voavam estavam agora nos rodeando nos céus. Sinto um frio na barriga, um arrepio na espinha. O General termina de falar e em poucos instantes, o Dragão cambaleante à nossa frente é petrificado. Ele vai triunfante em direção à criatura, quando ele começa a golpeá-lo com sua lamina ouço barulhos acima de nós. Neste momento não pensei, agi por instinto.

— ESCUDO MÁGICO! – conjuro em nós dois uma das magias de proteção que aprendi com Elena. No mesmo momento uma coluna de fogo cai em nós.

Concentro-me para não deixar que o escudo acabe, mas o fogo é poderoso. Sinto minhas forças saindo de meu corpo e no último instante sou abraçada pelo calor das chamas. Não consegui manter o escudo por tempo suficiente. Ate que em um instante o alaranjado em volta de mim some. Com a visão turva e sentindo meu corpo arder. Vejo que o General olha em minha direção. Escuridão.

—------

Recobro os sentidos. Meu corpo ainda arde. Ouço em volta barulhos, assemelham-se a pessoas conversando, andando, não sei ao certo. Minha cabeça dói. Abro lentamente os olhos. Uma luz forte invade minha visão. Vejo vultos se movendo. A luz diminui de intensidade e minha visão se torna mais nítida. Me encontro deitada em uma cama.

Estou em uma sala, com paredes claras e varias camas ao lado da minha, cerca de dez. Vários outros seres estão deitados nestas camas. Creio que são os soldados que eu vi lutando contra os dragões. Todos possuem cabelos castanhos e estão dormindo. Enfaixados em varias partes do corpo e com sangue em suas roupas, seus lençóis e manchando suas ataduras. Tento me mover, porém sinto fortes dores em todas as partes de meu corpo, solto um grito de dor e logo volto a posição que estava.

Uma garota se aproxima de minha cama. Ela possui as mesmas características dos homens, porém seus cabelos são compridos e ela usa um vestido com um avental manchado de vermelho. Ela olha em meu rosto, possui um olhar calmo, porém preocupado.

— Consegue me ouvir? – diz ela calmamente.

— Sim – minha voz sai falha, como em um sussurro.

— Tudo bem, não tente falar nem se mexer, você ainda está muito fraca. Você teve varias queimaduras pelo corpo e acabou desmaiando. Vamos cuidar de você e em poucos dias já estará curada. – logo após isso ela se afastou de mim.

O quarto era iluminado pela luz fria que provinha das janelas. Percebi que em certos períodos havia uma luz forte e esbranquiçada e em outros uma luz fraca e azulada. Como não consigo distinguir as horas e nem períodos diurnos e noturnos, adotei a fase com luz mais clara como “dia” e a mais escura como “noite”. Passaram-se cerca de três dias e a jovem garota me alimentava com líquidos, a maioria com gosto terrível e trocava frequentemente minhas ataduras. Por fim, a dor diminuiu e, com muito custo, consegui sentar em minha cama.

Estava perdida em pensamentos, lembrando-me da Guerra que presenciei quando algo chamou minha atenção. Atravessando a porta está o General que eu protegi na guerra. Possui cerca de 2 metros, usa mascara e uma armadura larga que cobre todo o seu corpo. Ao se aproximar vejo que ele não está armado de sua espada e percebo que possui asas em suas costas. Ele anda lentamente em minha direção, seu porte impõe respeito. Ate que para ao lado de minha cama, fico apreensiva.

— Fiquei impressionado pelo que fez por mim. – sua voz era baixa e grave – me chamo Gadosen e sou o Comandante do Exercito. Qual é seu nome?

— Cazeaje. – minha voz soou baixa e fraca.

— Cazeaje! Estou em divida contigo. Você salvou minha vida. Posso saber quais foram suas intenções ao fazer isso?

— Não queria morrer. – não havia realmente intenções ocultas por trás de meus atos.

— Entendo. Sei que você não é um Haro. Diga-me de onde veio e como acabou neste local. – disse de forma autoritária. Estava fraca demais para contestar, então comecei a explicar.

— Eu era uma humana, vivia em Vermécia. Fui literalmente jogada neste local, porém ainda não sei onde estou. – digo pausadamente, ainda sinto-me bem fraca.

— Vermecia? – diz ele pensativo – Deve ficar em Ernas. Pois bem, ao me salvar você tomou partido na batalha. Como você nem deve saber do que se trata vou explicar a situação. – ele faz uma breve pausa esperando minha resposta, eu faço um sinal afirmativo com a cabeça e ele continua a falar – Estamos em Hades. É neste local que a alma dos mortos vem para serem julgadas. Se elas forem boas, tem a permissão de se tornarem Haros. Nós Haros mantemos a ordem do Submundo. E há um grupo de Elite, chamado de Caçadores de Recompensa. Eles são responsáveis por impedir que os espíritos ruins saiam de Hades e, quando saem, os Caçadores vão atrás deles em qualquer dimensão que eles estejam.

No momento que ouvi a palavra “dimensão” lembrei-me de Astaroth. “Ele consegue abrir Fendas Dimensionais” pensei. Agora tudo fazia sentido, fui jogada neste local através de uma Fenda Dimensional criada por ele. Repentinamente uma fúria toma conta de mim. “Aquele maldito me jogou no Submundo” somente conseguia pensar em me vingar de Astaroth.

— Tempos atrás — continuou Gadosen – os Dragões, que eram aliados dos Caçadores, se rebelaram. Eles queriam ser independentes e iniciaram uma guerra contra os Haros. Seu líder, Berkas, conseguiu escapar de Hades, mas os outros continuaram na batalha. Você chegou numa destas batalhas e como me protegeu conseguimos vencer. Os poucos dragões que sobreviveram voltaram aos seus ninhos e, com certeza, logo voltarão para outra batalha.

O assunto é serio, mas não posso continuar nesta guerra. Gadosen se retira dizendo que, quando eu estiver completamente curada voltaremos a conversar sobre o assunto. Cerca de sete dias depois meu corpo voltou ao seu perfeito estado. Fui convocada por Gadosen ao Quartel General. Atravesso algumas ruas da pequena vila. As casas são feitas de rochas escuras, todas com aparência semelhante. Ate que entro em uma destas casas e sou guiada à sala onde Gadosen se encontra.

Atravesso a porta e olho o local. Há uma janela na parede a minha frente, uma mesa no canto direito da sala, cheia de papeis, Gadosen parado perto da porta, provavelmente me aguardando, e percebo que na parede oposta à mesa está encostado um Haro. Sua postura é arrogante, parece ter em torno de 20 anos e está distraído ao limpar suas armas de fogo, seus cabelos são loiros e sua franja cobre um de seus olhos. O outro olho, vermelho como rubis, está olhando em direção à sua arma e demonstram frieza e amargura.

Gadosen anda em direção ao garoto, vira de costas para ele e começa a falar comigo. Sua voz é seria e sua postura autoritária.

— Cazeaje, temos assuntos a tratar. Receio que minha conversa contigo no hospital não foi clara, pois você não estava em sua plena consciência – ao falar esta frase virou-se levemente em direção ao garoto, este nem se moveu, havia rispidez em sua voz – então vamos retomar o assunto. Pode me dizer por que estava no campo de batalha?

— Fui lançada a este mundo. Não sabia onde estava e comecei a andar, vi dragões voando e atacando e fiquei curiosa. Ao chegar perto da guerra, fiquei observando, paralisada.

— E porque você me salvou? – perguntou Gadosen

— Vi o Dragão ferido pousando poucos metros a minha frente e logo você veio ataca-lo. Porém percebi que dragões estavam voando acima de nós, você não havia notado e, por instinto, nos protegi do ataque. – disse de forma seria quase indiferente.

— Agora você pretende nos ajudar na guerra contra os dragões? Seu poder certamente seria muito valioso.

— Me desculpe, mas já me envolvi em guerras antes e não pretendo passar por isso novamente. Nunca quis tomar lado algum na Guerra de vocês e minha única intenção é sair do Submundo. – disse de forma confiante.

— Criaturas que estão em Hades nunca poderão sair. Se você tentar sair os Caçadores irão a sua procura para te trazer de volta. – disse Gadosen, o garoto encostado na parede só ouvia, não parecia se importar com o assunto.

— Você havia me dito que aqui são trazidas almas dos que morreram. Porém eu não morri, fui trazida por um ser que creio que não pertence a este local. E sinceramente só quero poder voltar. – disse em um tom suplicante. Gadosen olhou levemente para o garoto que continuou com sua expressão fria.

— Peço que se retire. – disse Gadosen — Logo a chamarei novamente.

Esperei do lado de fora da sala. A porta fechada me impedia de ouvir a conversa. Longos minutos se passaram. Raramente Gadosen se exaltava na conversa e eu podia ouvir alguns de seus gritos raivosos. Ate que por fim fui chamada novamente para entrar. Desta vez Gadosen estava de cabeça baixa e apontou para o garoto. Este havia guardado suas armas de fogo, estava de braços cruzados ainda encostado na parede e seu olhar exalava ódio.

— Me diga a verdade – sua voz era baixa, grave e causava arrepios – você não pertence ao Hades?

— Não! – disse com confiança

— Entendo. – sua expressão mudou, estava agora com um sorriso orgulhoso nos lábios — Sei que você não é desta dimensão. Por não ter morrido, sua alma não está sendo julgada e por isso seu corpo está entre o espectro e a carne. Logo, por ser um espectro, se voltar para Ernas não terá um corpo lá e, se ficar, devido ao seu corpo ser, em parte, físico não sobreviverá muito tempo, pois ele irá se decompor e você será extinta – aquilo me arrepiou, não quero morrer, ainda preciso me vingar de Astaroth que me jogou neste fim de mundo.

— Não há alguma coisa que posso fazer? Desejo trazer para cá o maldito que fez isto comigo. – disse enfurecida

O garoto olhou para Gadosen, este imediatamente se retirou da sala, com a cabeça abaixada e fechou a porta. Fiquei impressionada, um General com o poder como o dele sendo subordinado a esta criança. O jovem se aproximou de mim com um olhar serio, não parecia ter emoção alguma.

— Vou esclarecer as coisas. Sou Lupus Wild, líder da tribo dos Haros. O que lhe aconteceu nunca ocorreu aqui no Hades, porém, estamos no meio de uma guerra. Sua situação é a ultima coisa com que preciso me preocupar. – ele fez uma pausa, senti meu coração acelerar. “Passei por tantas coisas para acabar presa no Submundo?” Uma fúria tomou conta de meu corpo, inúmeros pensamentos de dor e vingança invadiram minha mente. Até que Lupus voltou a falar, me tirando do meu transe.

— Porém — disse ele com desgosto – consigo sentir que você tem um grande poder, que seria muito útil na guerra, sem contar que você mencionou que possui experiência em batalhas. Se você concordar em apoiar os Haros, estou disposto a encontrar um modo de voltar a sua dimensão para vingar-se do ser que te trouxe para cá. – nesta ultima frase havia ódio em sua voz, ele também tem sede de vingança, posso sentir.

— E se eu concordar e você não conseguir encontrar um jeito de eu sair daqui?- disse séria.

Ele me olhou nos olhos. Encarou-me como se eu o tivesse desafiado. Senti medo. Um ser que, mesmo tão jovem já lidera um povo e um exército, com certeza ele não tolera ser desafiado. Em um reflexo, vi sua mão direita ir de encontro a uma de suas armas que estava guardada em seu cinto. Meu coração disparou. Minha respiração ficou ofegante. “Vou morrer aqui e agora”. Institivamente inclinei levemente meu corpo para trás.

— Dou-lhe minha palavra que você sairá do Hades. Apenas não nos decepcione, senão eu mesmo matarei você. – suas palavras baixas e aterrorizantes entraram por meus ouvidos e ressoaram em meus ossos. Fiquei apavorada. Sabia que ele estava falando muito serio e se não houvesse uma guerra com certeza já teria me matado.

— Entendo – disse e abri um sorriso presunçoso – quais são minhas instruções?

Notas finais
>Sinceramente essa é a parte da historia q eu mais gosto, espero q gostem tbm. >Duvidas? Sugestoes? Quer mostrar sua indignaçao com a historia? Comente! Sabe gente, é meio frustrante escrever uma historia com tanta dedicação e nao receber nenhum comentario. Voces podem até achar que a historia está ruim, mas comentem, me digam que está ruim. Eu vou continuar postando aqui, mas fiquei desanimada.