A Vilã Revelada

3 Treinamento Sem Fim


Notas iniciais
Espero que se surpreendam com esse capitulo. Obrigado a todos que estão lendo a historia. Boa leitura!

No horizonte posso ver as muralhas de Serdin. O dia está quente e o sol está a pico. Enquanto me aproximo do Reino, várias memorias me assombram. Começo a reparar em minhas roupas e aparência. Até o presente momento, só me importei em vencer batalhas, e, vendo-me agora, minhas roupas denunciam isso. Uso um vestido longo púrpura, de mangas compridas e um razoável decote. Este um dia já foi uma vestimenta real, porém agora está com muitos rasgos e bem sujo.

Paro em uma fonte d’água. Banho-me para tentar apagar as marcas das batalhas que enfrentei. Lavo minha roupa, mesmo assim seu aspecto continua deplorável. Quando saio da água percebo que meu corpo ainda possui muitos hematomas e arranhões. “Será que consigo me curar?”

Não sei bem como fazer, porém me esforço muito, fechando os olhos para me concentrar. Logo vejo que luz está irradiando de meus ferimentos e eles se curam, porém continuo com hematomas. “Talvez meus poderes não sejam somente destrutivos”.

Com esta aparência não posso andar pelo Reino. Chamaria muita atenção indevida das pessoas, talvez causando suspeitas. Decido que vou entrar nas cidades à noite, para que ninguém note a mim nem minha aparência. Sigo meu caminho em direção ao Reino.

Naquela mesma noite chego aos portões da muralha. Vejo que o Reino é próspero, porém percebe-se que ainda está muito desolado. Faz tantos anos que vim aqui, nesta época eu ainda era humana. Desde então a aparência de Serdin mudou muito, tudo devido à guerra contra Canaban que eu provoquei. Sinto uma grande dor em meu peito. Nem mesmo posso explicar as minhas amigas Princesa Anyu de Canaban e Princesa Enna de Serdin que tudo que fiz foi contra minha vontade. Vejo que estou prestes a chorar e resolvo mudar meus pensamentos, focando apenas ao local que devo ir.

Sei onde fica e vou flutuando furtivamente para meu destino. Aproximo-me das muralhas do Castelo de Serdin com cautela, não quero chamar a atenção dos guardas do local. Enfim chego a um prédio, sua aparência é rustica, em algumas janelas vejo uma fraca luz. É tarde da noite, e a luz da lua me dá certeza de que cheguei ao local certo. Entalhado acima da porta de entrada vejo símbolos muito conhecidos por séculos.

Subo hesitante os poucos degraus e bato na porta. Vejo a luz acendendo e a porta, rangendo, se abre. Fico nervosa, sinto meu corpo tremer. Um senhor idoso me olha de cima a baixo. Preciso dizer algo, penso um pouco.

— Olá senhor, pode me ajudar? – digo num tom de voz calmo e baixo.

— Minha jovem, o que faz na rua há esta hora? Está ferida! O que lhe trouxe aqui? – disse o idoso parecendo estar muito preocupado.

— Vim de um local muito distante e passei por varias criaturas muito poderosas. Fiz tudo isso por que quero me aprofundar no estudo da magia em sua renomada escola. – disse quase chorando. “Talvez chorando ele me deixe entrar”.

O velho ficou comovido com minhas palavras. Fez um gesto para que eu entrasse e, calmamente, fechou a porta atrás de mim. Colocou a mão em meu ombro esquerdo e me conduziu naquele local.

— Venha, te levarei para seus aposentos. Você deve ser realmente apaixonada por magia, enfrentando tantos perigos somente para chegar aqui! – disse ele ainda preocupado – Qual seu nome minha jovem?

Fiquei apreensiva, não poderia revelar meu verdadeiro nome, porém no impulso acabei dizendo:

— Ca....Karina senhor. – depois de tantos anos acabei me acostumando com o nome imposto a mim “Cazeaje” e isso quase custou meu disfarce.

Andamos alguns minutos através de vários corredores e escadas. Fiquei perdida com aquele labirinto escuro, até que paramos em frente a uma porta feita de madeira com entalhes em cor dourada. O velho abriu a porta e me vi em um pequeno cômodo. Apenas uma cama simples e um armário, ambos feitos de madeira rústica. Ele entrou e abriu o armário, revelando varias peças de roupas dentro.

— Pode se acomodar e usar as roupas que estão aqui. De manhã mandarei uma de minhas professoras te acordar e te guiar por esta Academia. Se não precisar mais de mim, lhe deixarei em paz para descansar. – disse ele com um tom amável.

Agradeci e ele saiu. Deitei na cama. Como sempre não dormi, apenas meu corpo descansava enquanto minha mente vagava em pensamentos. Após algumas horas senti meu corpo totalmente descansado e não aguentava mais ficar deitada. Levantei, peguei o candelabro que iluminava fracamente o ambiente e me dirigi ao armário.

Ao abrir a porta vi dúzias de roupas, todos em tom roxo. “Academia Violeta, o que mais poderia esperar?” Sorri. Peguei um em minhas mãos, ele era bem trabalhado, com faixas douradas e tinha detalhes de pedras vermelhas que lembravam rubis, achei muito bonito. “Graças aos Deuses esta não é a Academia Verde Limão” Abri um sorriso largo. Pelo menos eu gosto da cor roxa. Joguei o vestido na cama e olhei no fundo do armário, havia vários sapatos lá. Fazia tantos anos que eu andava descalça, não me sentiria bem com algo apertando meus pés. Resolvi ignorar os sapatos e colocar o vestido.

Vasculhei cada gaveta do armário, vi todas as roupas e analisei bem todos os sapatos. Como eu não tinha mais nada pra fazer resolvi ir ate a janela e olhar a vista. A luz avermelhada do sol da manhã enchia o quarto. Poucos minutos depois ouvi um bater na porta. Abri a porta e encontrei uma mulher, baixa, com cabelos brancos trançados, seus olhos e roupas eram violetas, seu vestido possuía desenhos de estrelas amarelas.

— Olá, sou Elena, veterana da Guilda dos Magos Violetas. Sou professora na Academia. Fui informada de que você chegou de madrugada, e minha função é orienta-la por hoje. – ela parou, talvez esperando uma resposta, como eu não me pronunciei e ela continuou a falar. – Serre me contou que você se chama Karina. Você dormiu bem esta noite?

— Sim, obrigado. “Então o velho de ontem se chama Serre”.

— Venha comigo, vou lhe mostrar o jardim desta Academia. Lá faremos um teste para ver como são seus poderes e assim poderemos começar a ensiná-la. – seu tom de voz parecia amigável, porém, sinto que tinha algo mais por trás desta jovem.

Passamos novamente por muitos corredores e escadas, vários alunos vestidos com tons de roxos passavam por nós. Tomei cuidado para não flutuar naquele local, não queria chamar atenção indevida. Chegamos a uma porta nos fundos do local que levava a um jardim espaçoso, cheio de grama verde e ao fundo podia ver crianças mostrando suas habilidades a seus mestres. Segui Elena até o centro do local, longe de todos os outros aprendizes. “Talvez ela tenha medo que eu machuque as crianças”.

— Fique ai parada que eu vou me afastar um pouco. – sim, definitivamente ela tem medo de se machucar, sinto certa graça nisto. Ela parou há cerca de 10 metros e voltou a falar – Agora vamos testar suas habilidades. Consegue criar uma esfera de energia em minha direção?

— Sim, mas não quero machuca-la. – falei apreensiva.

— Não se preocupe, sei me proteger. Jogue com o máximo de poder que você conseguir.

—ESFERA ENERGÉTICA! – ela rapidamente chegou à maga que se abaixou para não ser atingida em cheio.

Sua expressão mudou, ficou mais seria. Ela materializou um cetro que possuía uma grande gema em sua extremidade. Olhou firmemente em minha direção. Não consegui entender sua expressão e fiquei preocupada.

— Vamos, jogue uma rajada de fogo em minha direção – disse ela confiante, segurando firmemente seu cetro.

Não hesitei e uma forte rajada foi em sua direção, porém foi absorvida pelo cetro. E assim foi a manhã toda, ela me mandando jogar rajadas, esferas, bolas de todos os elementos, que por fim eram sugados pelo seu cetro que a protegia de meus ataques. Após este teste fomos almoçar no refeitório e logo ela me levou para outra parte da Academia. Paramos em frente a uma grande porta, cheia de belas decorações que lembravam todos os tipos de golpes mágicos.

Ao abrir a porta vi um enorme salão. No fundo grandes janelas eram responsáveis pela iluminação do local. Penduradas nas paredes havia os mais diferentes objetos mágicos, cetros, cajados e outras ferramentas dos mais variados tamanhos, formatos e cores. No centro do local havia grandes cúpulas de vidro que abrigavam, cada uma, uma arma magica diferente. Pelo seu aspecto percebia-se que eram muito antigas e deviam ser motivo de orgulho para a Academia.

— Vamos arrumar alguma arma que lhe sirva. Venha comigo. – ela andou para dentro do salão. – Esses equipamentos servem pra fortalecer sua magia e ajudar a controla-la. Temos de achar algum que combine com você, se não combinar com seus poderes ele ficará acinzentado.

E assim se passou a tarde toda. No fim, não conseguimos achar nenhum equipamento que não acabasse com a aparência acinzentada e nos cobrindo completamente com sua fumaça. Quando Elena me levou de volta ao meu quarto o céu já estava escuro e era possível ver o cansaço em seu rosto. Ao chegar a meus aposentos ela me disse de forma breve que o dia de hoje foi muito produtivo e que no dia seguinte iriamos continuar com o treinamento.

Mais uma noite se passou, eu me perdi em pensamentos enquanto meu corpo descansava e quando não aguentava mais ficar na cama, olhei pela janela. Vi os muros e edifícios do Castelo de Serdin e prestei atenção na movimentação dos guardas em cima dos muros. O céu se tornou avermelhado e depois alaranjado e enfim ouvi a batida na porta. Ao abrir a porta vi Elena novamente, com um sorriso ela disse:

— Hoje vamos conhecer a biblioteca. Lá você aprenderá novas magias e feitiços. Venha comigo.

Percorremos outros corredores e escadarias. Vários alunos passaram por nós. Enfim chegamos à enorme entrada da Biblioteca. Havia inúmeras estantes lotadas de livros. Varias mesas onde alunos se recostavam para estudar. Não era possivel ver o fim do local, somente mais estantes e mais livros. Elena me guiou ate uma mesa próxima e sentei-me. Ela trouxe uma pilha de livros para mim, sentou-se e falou:

— Eu me encarreguei totalmente de sua instrução. Normalmente os alunos possuem vários instrutores, porém depois de muito argumentar com Serre ele permitiu. – falou ela um pouco magoada com Serre — Faremos assim: de manhã aprenderemos as técnicas nos livros e de tarde treinaremos no jardim. Fiz um cronograma, cada dia aprenderemos um estilo de magia diferente.

— Entendi, faz anos que você está nesta escola, por que ainda não é a diretora? – disse provocando suas emoções.

— Bom, creio que certas pessoas que estão no comando não sabem valorizar as pessoas. – disse ela bem irritada e evidentemente se referindo a Serre, diretor da Academia – bom, hoje gostaria de saber mais sobre você e também vou lhe contar mais sobre esta Academia e este Reino. Diga-me, seu nome é Karina, você tem sobrenome?

— Prefiro ser chamada só de Karina – nunca poderia revelar que sou Karina Erudon, senão todos saberiam que fui eu que causei tantos sofrimentos em Vermécia.

— De onde você veio?

— De uma aldeia de camponeses, além da Terra de Prata.

— Não sei se alguém já lhe disse, mas estamos em Vermécia. Este continente abriga dois Reinos, Serdin e Canaban. Eles estão se recuperando de uma guerra que nos assolou por 5 anos.

Enquanto ela falava da historia dos Reinos eu assentia com a cabeça. Sei exatamente tudo o que aconteceu, eu estava por trás de tudo. Esforço-me para não demonstrar nenhuma reação, porém estou muito triste, meu peito se aperta diante das palavras da maga.

— Por enquanto estamos em paz, mas há rumores de que o mal está retornando, obra de Cazeaje. As más línguas dizem que ela possui fortes aliados, como o poderoso Dragão Gorgos Vermelho e ate mesmo o Lendário Samurai Gaicoz. Sem contar que ela invocou poderosos monstros, como Orcs e Harpias na Floresta Élfica, terríveis Drillmons no Vale do Juramento, um monstro no Pântano Esquecido que todos andam chamando de Elizabeth e um Lich no Cemitério. E isso é só o que sabemos, ela pode ter causado muito mais caos nos Reinos, tanto no de Serdin quanto de Canaban.

— Ó Deuses, quanta destruição! – disse fingindo-me surpresa.

— Sim. Mas não precisa se preocupar, os Reinos estão tomando providências. Já chamaram muitos guerreiros renomados de toda a Vermécia e, pelo que sei, eles já estão passando por testes. Pretendem criar um grupo de elite para erradicar toda a maldade. Até mesmo uma aluna prodígio desta Academia foi convocada, ela se chama Arme.

— Ela deve ser realmente forte para ter sido convocada. – disse com real admiração.

— Ah sim, ela é! – senti certa ironia em seu tom de voz e rapidamente ela mudou de assunto — Bom, vamos nos concentrar em seus estudos. Por hoje você se aprofundará no estudo das diferentes magias e suas utilidades. Amanhã teremos o treinamento pratico.

Durante o dia inteiro fiquei fascinada ao aprender sobre os tipos de magia: branca — usada para curas, fortalecimento e proteção — e negra — usada de forma ofensiva. Também existem os três elementos principais: fogo, gelo e raio.

Há varias formas de canalizar os poderes, através de equipamentos mágicos. Os frequentemente usados são: cetro para magos iniciantes, cajados para magos poderosos, potes para os que são primariamente ofensivos, e raramente vemos os magos peritos nos três elementos usando suas lâmpadas.

Foi um dia de muito aprendizado. Fiquei muito feliz lendo os livros e ouvindo Elena falar sobre a magia e a Academia. Nem percebi o tempo passar. Há muitos anos não me sentia realmente satisfeita como me senti neste dia. No fim da tarde perguntei a ela:

— Elena, gostaria de fazer uma pergunta, se me permitir.

— Claro, você não me perguntou nada até agora, pode falar – disse ela entusiasmada.

— Você é perita em que tipo de magia?

— Eu me familiarizo mais com os três elementos, principalmente o fogo. Porém me sinto mais a vontade usando meu cetro, sei que não é o melhor equipamento para esse fim, mas ao usa-lo me sinto confortável. – disse ela sorrindo.

— Entendi, obrigada por responder. Pode me dizer por que não consegui usar nenhum equipamento ontem e por que todos ficaram cinza?

— Bom, esses artefatos servem para aumentar o poder dos magos, canalizando-os. Raramente há magos que possuem tanto poder, que quando canalizado se torna demais para o equipamento suportar. Creio que isso aconteceu, mas não se preocupe isso só mostra o quão forte você é. – disse com um tom de orgulho na voz, porém sentia algo estranho, parecia que no fundo ela estava triste. “Será que ela inveja meus poderes?”

Acenei com a cabeça mostrando que entendi sua explicação.

— Vamos para seus aposentos, já está tarde e você precisa descansar. Farei um treinamento puxado com você amanhã. — disse retirando os livros da mesa para guarda-los.

O mesmo caminho da noite anterior foi feito ate meus aposentos. Já deitada em minha cama, um pensamento de prendeu em minha mente. “Sinto algo estranho em Elena”. Ela é amigável, uma ótima instrutora, porém há momentos que ela exala uma energia ruim, cheia de inveja e ganância. Sinto que não poderei ficar muito tempo nesta Academia, porém gostaria de tê-la ao meu lado por toda a jornada que terei de enfrentar.

Notas finais
Hmm... Onde posso aprender magia? Espero q o capitulo nao tenha ficado mt obvio. Estou torcendo pra que tenham gostado e lembrem-se de comentar. Ate a proxima!