A Vilã Revelada
10 Pedras no Caminho
Notas iniciais
A gema que Elena segurava brilhou com uma luz fraca. Imagens começaram a ser projetadas na esfera. Arbustos, árvores, o Sol iluminando o ambiente.
— Que local é esse? Não consigo identificar. – falei estreitando os olhos para poder enxergar melhor. As imagens mostradas eram minúsculas.
Elena fez um movimento expansivo com os braços e as imagens tomaram conta de toda a sala onde estávamos. Levantei-me de meu trono, surpresa. Era como se estivéssemos naquele ambiente. Mas percebi que as projeções eram levemente falhas, os sons eram abafados e não era possível sentir o calor do Sol, ou o vento soprando, nem passar as mãos nas flores.
— Esta é a Terra de Prata – respondeu.
Ao dizer isso pude reconhecer. A ilha fica na fronteira de Vermécia. Canaban possuía muitos contatos com esse local devido aos exércitos, sempre trocando informações sobre armamentos e técnicas de combate. Tudo parecia normal, até eu ver Elena mexendo em sua gema, fazendo a paisagem “correr” para os lados.
Destruição. Pude ver partes das densas Florestas destruídas. Logo após isso foi possível ver um enorme edifício. Estava em ruinas. Varias partes destroçadas de armaduras são vistas, espalhadas ao redor desta enorme construção.
— Este era o local de treinamento dos Cavaleiros de Prata – Elena falou, sua voz era séria.
Sim, já ouvi falar destes guerreiros. Poderosos, destemidos, sempre prontos a proteger os cidadãos. Recusaram-se a apoiar Canaban na Guerra de Vermécia, uma atitude nobre e corajosa. Mas, pelo que vejo, devem estar todos mortos neste momento.
— Como isso aconteceu? – perguntei curiosa.
— Logo mostrarei, mas creio que foi no mês passado. Essas imagens que vemos são em tempo real, ou seja, este lugar permanece desabitado. Mas não era isso que eu gostaria de lhe mostrar. – assim ela novamente mexeu na gema em suas mãos e a imagem voltou a “correr”.
Voltamos para a Floresta e pude ver um grupo de jovens acampados. Estava amanhecendo e eles estavam reunidos em volta de uma pequena fogueira. Um garoto de cabelos alaranjados se aproximava com frutas em suas mãos. Uma menina loira, uma elfa? Sim, ela estava lá preparando o alimento.
Essa cena estava acontecendo e eu e Elena estávamos “dentro” dela, mas os garotos não pareciam nos ver. Essa magia é impressionante. Logo vejo uma garota ruiva sentada próxima da fogueira, conversando com um garoto, também ruivo, e uma jovem de cabelos roxos.
— Esses são os membros da Grand Chase. – a voz de Elena me tirou de meus pensamentos – Essas imagens são de algumas semanas atrás. Pude ver varias de suas batalhas e analisar cada um deles. — Ela andou para perto dos jovens e os apresentou. –Esta elfa, Lire, perita em longa distancia, usa arco e flechas para lutar. Este garoto é um elfo Druida, Ryan, tem uma transformação corporal, basicamente se torna um lobo. Esta ruiva é a Elesis, líder do grupo, espadachim. Aqui temos a Arme, maga, foi minha aluna na Academia. O garoto ruivo é o mais novo integrante do grupo, Jin, era um Cavaleiro de Prata. E este que chega ao fundo.....
Não consegui mais ouvir a voz de Elena. Sim, era ele. Andando bem na minha frente. Aproximei-me, senti o coração palpitar forte em meu peito. Ele está vivo! Vejo que cresceu desde que nos vimos. Fico parada em frente a sua imagem projetada, encarando profundamente seus olhos azulados. Ronan é você! Minha mente é invadida por perguntas. Como se juntou a este grupo? Ele veio me caçar? Não o culpo. O som de sua voz me faz despertar de meu transe.
— Então vejo que se juntou a nós, seja bem vindo Jin! – sua voz saiu abafada e entrecortada.
Repentinamente senti que tudo paralisou, como se o tempo parasse de correr. Olho em volta assustada. Vejo que o fogo não se move, as plantas estão paradas, até mesmo os jovens estão paralisados. Por fim vejo Elena parada próxima a mim.
— Você ouviu o que eu falei? – perguntou com irritação.
— Claro!
—Uh – ela fez uma careta — Por que está encarando ele desse jeito? – perguntou ainda irritada.
— Esse é Ronan Erudon, já o conheço. Só não imaginei que ele estaria aqui.
— De onde o conhece?
— E-Eu.... – abaixei minha cabeça em pesar, não gosto de relembrar meu passado – possui o corpo dele anos atrás......Usei ele para causar a Guerra de Vermecia. Sem contar que somos parentes.
Elena ficou impressionada, porém logo desfez sua expressão de espanto, creio que lembrou-se de minha historia. Logo voltou a falar. Realmente o assunto em questão deve ser de suma importância.
— Esse é o grupo que deseja te derrotar. Há poucos dias eles batalharam contra Victor, o traidor dos Cavaleiros da Terra de Prata. Preciso que veja esta batalha.
As imagens sumiram e reapareceram. Um cenário formado de pedras escuras, e um grande edifício ao fundo. Todos os guerreiros desta Grand Chase estavam parados, encarando um enorme ser, Victor. Este possuía o dobro do tamanho de um humano, muito forte, trajava uma armadura. O jovem ruivo, Jin, conversava com o Victor, enquanto os outros observavam em formação de batalha.
— Vou passar partes luta para você analisar, mas preste muita atenção nas conversas. – alertou Elena. Assenti.
Neste momento os sons ficaram mais altos. Fortes ventos zuniam incessantemente, apesar de não ser possível senti-os. Jin estava frente a frente com Victor, encarando-o com punhos cerrados.
— Maldito! Como você pode nos trair? Eu não vou mais chama-lo de líder! – gritou Jin furioso – Esse é o motivo pelo qual você traiu os Cavaleiros de Prata e colocou a Terra de Prata em perigo? Para ser possuído por uma energia maligna? Vou puni-lo, em nome dos Verdadeiros Cavaleiros de Prata!
— Você me faz rir, criança... – zombou Victor — Venha, vou lhe dar umas boas palmadas como lição!
— Argh! Você vai se arrepender do que fez! Terei minha vingança em nome de todos os outros! – esbravejou Jin.
Neste momento Victor ficou em posição de batalha. Varias flechas iam ao seu encontro e cravavam em sua armadura. A maga pedia forças aos espíritos da natureza. A ruiva rapidamente começou a desferir golpes, que eram absorvidos pela armadura, causando arranhões quase invisíveis.
— BENÇÃO DIVINA! – Ronan exclamou.
Uma luz azulada os envolveu. Elesis recuou e, antes mesmo de Victor conseguir ataca-la, foi surpreendido pelos golpes de Ryan. A armadura começou a apresentar vários arranhões. Quando o traidor iria atacar o druida, este também recuou dando lugar a Ronan.
O mesmo empunhou firmemente seu gladio e realizou golpes certeiros. Victor estava visivelmente irritado por não ter conseguido acertar nenhum dos guerreiros. Quando Ronan recuou, rapidamente foi atacado com inúmeros socos em suas costas. O inimigo se movimentou tão rápido que não foi possível acompanhar com os olhos.
— CURAR! – Arme conjurou em Ronan.
— CORTE PROFUNDO! – rapidamente Elesis atacou Victor com toda sua força. Logo recuou e outro veio atacá-lo.
— DRAGÃO CELESTE!
— RAJADA DE FLECHAS!
— LAMINAS GÊMEAS!
Os guerreiros começaram a atacar em uma velocidade surpreendente. Esta estratégia de ataque e recuo, alternando entre si, impediu que eles fossem golpeados pelo adversário. Este já estava com sua armadura danificada e ofegante devido a forças dos ataques recebidos. Por fim Victor começou a desferir socos no ar, e destes foram gerados grandes esferas negras, que perseguiram os jovens.
Ao ter contato com a esfera, todos os guerreiros ficaram ofegantes e visivelmente esgotados. Pelo jeito esta magia sugava suas energias. Porém, antes de ser atingida a maga soltou um Relâmpago que fez o inimigo cair ao chão. O corpo de Victor ficou inerte por alguns segundos. Todos da Grand Chase ajoelharam, exaustos, haviam dado tudo de si nesta luta.
Para surpresa de todos, Victor se levanta lentamente. Começa a juntar energia, seus ferimentos se curam por completo. Uma forte luz branca começa a irradiar, cegando todos por alguns segundos. O traidor grita fortemente. Logo a luz se dissipa e é possível ver que surgiram grandes asas negras em suas costas, e agora este segura um martelo em mãos.
— Não acredito.... ele se recuperou...– fala a maga, ofegante.
— Uff... Droga... Sem perder o ritmo! Com toda a força!– Jin incentiva seus companheiros.
E a luta recomeçou. Arme ficou ao fundo, recebendo forças dos espíritos da natureza e Jin ficou próximo a ela, reunindo seu ki, ele sabia que esta seria a única forma de derrotar Victor.
— Vamos fazê-lo ficar zonzo! – gritou Elesis.
Ao ouvir isso, os guerreiros se reorganizaram. Ficaram em volta de Victor, Elesis a sua frente, Ryan a sua direita, Ronan em suas costas e Arme a sua esquerda. Eles voltaram a desferir poderosos golpes no adversário, dois de cada vez para confundi-lo. Lire, que estava próxima de Jin, ao fundo, também atacava com suas inúmeras flechas.
— ESPADA FLAMEJANTE!
— FURIA DO TITÃ!
A sequencia de golpes foi dada instantaneamente. Victor parou o ataque de Elesis com seu martelo, mas foi atingido por Ryan. A maga aproveitou que o inimigo foi levantado ao ar e desferiu um golpe, junto com a arqueira.
— ANTIGRAVIDADE!
— RAJADA DE FLECHAS!
O traidor caiu ao chão e teve o corpo atingido pelas flechas. Enquanto se levantava retirou-as de seu corpo e armadura como se não lhe causassem dor. Victor levantou voo, girou seu martelo no ar, o que gerou um forte tornado. Arme rapidamente conjura um Escudo Magico em Jin, para que este não perdesse sua concentração. Ao serem atingidos, todos da Grand Chase foram empurrados.
Todos parecem fracos e exaustos devido à força do golpe. Victor anda lentamente, com seu martelo em mãos. Aproxima-se de Ronan e gira sua arma lateralmente visando atingi-lo. Ao ver isso Ronan fala num sussurro.
— Congelar!
No mesmo momento um floco de neve sai de seu corpo e atinge a arma do adversário. Este é paralisado, a centímetros de distancia do Arcano, e uma grossa camada de gelo o encobre. Vendo a oportunidade, todos os jovens correm – ou devo dizer mancam – até Victor.
— Agora! – gritou Elesis.
Todos o atacam ao mesmo tempo. Este conflito de poder gera fortes luzes multicoloridas, que dançam como chamas enquanto suas vozes se misturam ao gritarem os nomes de suas habilidades. O único alienado a essa batalha era Jin, que ainda reunia todo o seu ki para derrotar o traidor.
Todos exaustos passam a se apoiar em suas armas, ofegantes, apenas esperando para ver se seus esforços foram bem sucedidos. Porém o inacreditável ocorre novamente. Victor se levanta com muita dificuldade diante de todos. Grita fortemente. A mesma luz branca passa a envolvê-lo curando todas as suas feridas.
— Mas que droga... Ah... Se recuperou de novo?! – Lire disse indignada — Ele é imortal?! É essa energia maligna que o fortalece assim?
— Ahhh... Não consigo... – falou Jin, frustrado — Se eu tivesse um pouco mais de poder...
— Acho que peguei sua ideia... – exclamou Elesis — Aquele poder que derrotou a Rainha Negra... Quer o resto das nossas forças para usá-lo?
— Boa ideia! – falou Arme — Jin tome o resto de todos os nossos poderes... Se os Cavaleiros de Prata sabem controlar o ki, use nossa energia!
— Ah... Obrigado... – agora com a permissão, Jin reuniu as forças restantes de seus companheiros. Todos foram para os lados, deixando o caminho livre entre ele e o oponente — Victor... Tome isso, o verdadeiro e mais forte poder dos Cavaleiros de Prata! FIM DOS DIAS!
O corpo de Victor é atingido pela poderosa esfera alaranjada. Gritos de dor ecoam pelo ambiente. Este cai exausto, com sua armadura totalmente destruída. Vários cortes percorrem seu corpo e muito sangue cobre o chão.
—Não! Senhor da Escuridão... Me dê suas forças... – Victor geme em desespero.
— Você não pode nem mesmo se aguentar de pé dessa vez... Você já não me é mais útil... – uma voz onipresente e rouca é ouvida.
— Ugh… Por favor...
— Ferramentas desnecessárias devem ser descartadas... Inútil! – Após dizer isso uma forte luz encobre o corpo de Victor, o fazendo desaparecer.
— Ahh.. Isso... Não era... Cazeaje...? – fala Elesis intrigada.
— O que? – pergunta Jin confuso — Aquela voz? Era Cazeaje?
— Quem... Não... – responde a elfa — Aquele não era o poder de Cazeaje... Lembrava, porém não parecia ser o mesmo... Sinto que é uma força ainda maior.
As imagens congelaram, e foram desaparecendo lentamente. Um silêncio tomou conta do ambiente. Traição, batalhas, Grand Chase, “Senhor da Escuridão”. Alguns minutos foram necessários para conseguir digerir todas estas informações. Elena se aproximou de mim e me trazendo de volta a realidade.
— Acham que você causou a destruição da Terra de Prata. – fez uma breve pausa – Esses jovens são realmente poderosos.
— Sim. Você sabe quem deu forças ao Victor?
— Da forma que você fala, parece que já sabe quem foi. – disse Elena em dúvida.
— Sei. Esta voz, a forma de falar..... Só pode ser ele, Astaroth! – Elena concordou, talvez já esperasse uma resposta parecida. – Você sabe de onde ele estava falando?
— A energia era muito forte e estava camuflada. Não tenho certeza absoluta. – olhei-a esperando que continuasse a falar – Pelas minhas pesquisas, pode estar em Xênia.
— A Terra dos Deuses? – perguntei atônita.
Elena apenas assentiu. Aquele maldito! Como pode ter invadido o domínio divino? E ainda se aproveita da ignorância de humanos tolos, se escondendo atrás de meu nome. Faz com que eu seja caçada em seu lugar enquanto ele debocha dos deuses.
— Obrigado pela informação. – falei a Elena, claramente estava irritada – Gostaria que descobrisse quais são as intenções dele em Xênia.
— Mas ainda preciso que saiba de mais uma coisa – Elena estava apreensiva.
— O que? – ótimo, mais noticias ruins.
— A Grand Chase descobriu sua localização e está viajando para Ellia.
“Aqueles vermes!” Como descobriram? Um ódio imenso tomou conta de meu corpo. Senti as chamas azuis me rodearem novamente. Essas crianças não vão atrapalhar meus planos.
— Onde eles estão neste momento? – perguntei irada.
— Estão num navio. Veja. — A gema nas mãos de Elena voltou a brilhar e mostrou os guerreiros andando pelo navio.
— Preciso que afunde a embarcação e projete minha imagem para eles. Consegue fazer isso?
— Sim. – ela pensou um pouco e logo voltou a falar – Mas você sabe que a Arme conseguirá salva-los, com a proteção do espirito da agua.
Assenti. Logo voltei a encarar as imagens dos jovens. Elena murmurou algumas palavras e uma gigantesca onda se formou ao fundo. Pude ouvir suas vozes falhas e entrecortadas.
— O que é isso? – gritou a maga.
— Uma onda gigante! – exclamou Elesis.
Elena fez um sinal com a cabeça, me dirigi para a ponta do barco, encarando os jovens frente a frente. Uma sensação estranha tomou conta de meu corpo, como uma dualidade, ao mesmo tempo em que suas imagens ainda eram falhas, eu conseguia sentir levemente a brisa e o balançar violento do barco. Ri malignamente.
— Cazeaje?! – indagou a ruiva.
— Cazeaje! – exclamou Ronan — Nunca pensei que você teria coragem de se revelar assim. Tome isso! FURIA DE CANABAN!
Logo ele parte para cima de minha ilusão e a ataca com sua lâmina. Consigo sentir levemente o vento que é dissipado junto com a enorme força do golpe, porém não me movo. Não posso ser atingida.
— Era só uma ilusão? – o jovem Erudon questiona, confuso.
— Esse será o seu túmulo. – falei de forma ameaçadora — Procurem por tudo o que quiserem no fundo do mar! – logo após dizer isso dou outra risada maligna.
Ver estes rostos confusos me acalma. Posso sentir a onda atingindo o barco. Elena desfaz a ilusão e ouço, ao fundo, o desespero e a confusão nas vozes deles. Ando novamente em direção ao trono. Sento-me nele e começo a repensar sobre meus planos.
A raiva que eu sentia desta Grand Chase diminuiu, assim as chamas em meu corpo também sumiram. Elena se aproxima, recolocando a gema em seu cetro. Ela para diante do trono, apenas esperando para que eu conseguisse colocar minha cabeça no lugar. Após vários minutos eu finalmente reorganizo minhas ideias.
— Pegue todas as informações que conseguir de Astaroth e traga para mim. Também quero saber tudo sobre esses pirralhos – falei séria – e prepare os soldados, eles não vão demorar em vir ao nosso encontro.
— Fique com isso. – Elena materializou sua pequena bolsa, retirou uma gema e entregou a mim – Nela você poderá ver tudo o que a Grand Chase fez até agora. Vou pesquisar mais sobre Astaroth.
Dito isso eu abri um Portal para o Castelo dela e esta o atravessou rapidamente. Com a gema eu poderia analisar o estilo de batalha de todos os jovens e ver o quão poderosos eles são. Comecei a movimentar levemente os dedos na esfera e pequenas imagens eram mostradas. Estranhamente eram logo após a luta contra Victor.
Com muito custo consegui expandir as imagens pelo ambiente. “Elena, por que não me ensinou a usar essa porcaria antes de ir embora?”. As projeções estavam lá, mas faltava o som. Se ao menos eu pudesse usar meus poderes não estaria passando essa vergonha. Joguei a gema na parede, estava com muita raiva. Quando fiz isso passei a ouvir os sons.
“Ótima maneira de resolver as coisas” zombou Lass.
“Shh! Preciso ver o que se passa”
Havia dois jovens batalhando, Jin e um garoto de cabelos arroxeados. Os outros membros da Grand Chase estavam ao fundo observando em uma espécie de clareira na floresta.
— Mas já caiu Jin? Eu nem me aqueci.
— Se você gosta de chutes, Azin, que tal um desses?
— DRAGÃO CRESCENTE! – Jin sobe ao ar, dá uma pirueta com o bastão junto ao seu pé. Mira o golpe um pouco para trás, tentando prever os movimentos de Azin. Este por sua vez dá dois passos para o lado e desvia facilmente.
— A luta não se resume em frente e trás Jin. Por mais que não use, os lados existem.
— Ora seu!...DRAGÃO CRESCENTE! DRAGÃO CRESCENTE! DRAGÃO CRESCENTE! – Uma série de chutes poderosos foram dados em sequência, porém Azin desviou de todos muito rapidamente. Após o termino da sequência, o monge começa a juntar energia.
— Ahh! – gritava.
— Você não pode lutar calado? – retrucou Azin irritado.
— IMPACTO – um feixe de energia canalizado foi disparado, o guerreiro tenta bloquear e voa longe com o choque. Ele cai, mas rapidamente se levanta.
“Eles estão treinando entre si?” Lass parece confuso.
“Acho que estão batalhando de verdade. Não me atrapalhe Lass, quero analisar a luta deles”
Jin começa a correr e ameaça atacar com o bastão, mas na verdade dá uma cambalhota para trás de seu oponente visando suas costas.
— IMPULSO DE ASURA!- o ruivo gira seu bastão para cima, tentando erguer Azin do chão.
— TEMPESTADE CAÓTICA!
Uma esfera de água foi formada em volta do seu corpo, Azin saiu ileso porém Jin levou todo o dano de seu golpe.
— Suas tentativas são tão patéticas – falou com arrogância – Eu nunca dei um nome a um golpe, o que achou desse Jin, foi bom?
O ruivo estava caído pois o impacto do golpe foi muito forte, sem contar que já estava debilitado por ter lutado antes contra Victor. Com muito esforço ele se levanta.
— Nada mal o nome, mas precisará mais do que isso pra me derrotar. – falou com ironia.
— Você fala demais.
“Este tal de Azin não parece ser membro da Grand Chase”
“Desde que Elena foi embora você não para de falar”
“Se falasse com ela aqui ela ouviria. Vi o que você falou sobre o Ronan hoje. Sente algo por ele?”
“Não seja ridículo Lass. Quando se possui o corpo de alguém, é possível sentir todas as experiências da pessoa. Os segredos e vontades mais íntimos ficam expostos. Qualquer um sentiria uma ligação especial. – fiz uma pausa para pensar melhor — Até mesmo eu e você temos esta ligação. Poderá sentir depois que eu deixar seu corpo”
“Entendo. Por que esses jovens estão se juntando, mesmo após batalhar?”
“Ótimo, perdi toda a luta.”
Pego a gema do chão e começo a mexer nela, tentando rever a batalha. As imagens somem, o som desaparece, continuo passando os dedos por ela. As imagens congelam, se expandem, voltam, a paisagem começa a “correr”. Fico com raiva, os sons voltam, as imagens ficam destorcidas, passam rapidamente, expandem, congelam, ficam mudas e nada de conseguir rever a batalha.
— Que esfera ridícula! – grito com raiva – Se não funcionar vou manda-la ao Submundo para ser devorada pelos Dragões!
“Esse vai ser um longo dia”
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