A Vilã Revelada

9 Ajuda do Submundo


Notas iniciais
Yo gente o/ Demorei sim, mas ja adiantei alguns capítulos, vou postar eles a cada semana. Dedico esse capitulo ao Charsers-san que foi o primeiro a comentar e ainda favoritou *3* Voce com certeza deve ser um enviado dos céus. Agora a história cada vez mais vai ficar parecida com o jogo. Aproveitem a leitura!

Resta pouco mais de um mês até o cristal perder a energia mágica. Eu e Elena estamos ao Sul do Templo do Fogo, o local escolhido por ela. Apenas há, ao fundo, o som dos nossos soldados trabalhando na construção do Castelo. Li como o ritual deveria ser realizado. Fizemos tudo como o livro especificou.

Esperamos alguns dias até um anoitecer de Lua Cheia. Nos afastamos dos soldados, pois era exigido que ficássemos sozinhas. Havia poucas nuvens no céu. O local possuía um tom arroxeado. Eu e Elena demos as mãos, em sua mão direita estava seu cetro e na minha, meu cristal. Fechamos os olhos. Recitamos juntas em voz alta as palavras do livro.

Unimos nossos energias

Somamos forças e poder

Uma na outra encontramos auxilio

Para invocarmos o ser celestial”

Nesse momento abrimos os olhos e pudemos ver o cetro e o cristal brilhando intensamente. Separamo-nos, deixando cerca de um metro de distancia entre nós. Já respirávamos pesado, um ritual ancestral demandava muita energia. Levantamos nossas mãos para o céu e voltamos a conjurar a magia.

“Ó poderosa Lua

Solitária nos céus

Única testemunha de nossa união

Dê-nos agora sua benção”

Mal pude acreditar no que estava diante de meus olhos. Uma forte coluna de luz esbranquiçada atingiu o solo na nossa frente. Pude sentir a enorme energia se movimentando. Logo passamos para a última parte do ritual.

Ó solo onde estamos

Torne-se, neste momento, sagrado

Conceda-nos seu vasto saber

Selando este rito celestial”

Grandes pedras arredondadas flutuaram do solo e entraram na coluna de luz. Abaixamos nossas armas, que ainda brilhavam, para contemplarmos a conclusão do ritual. Tudo estava como no livro, agora restava aguardar a criação da arma celestial.

Algo está estranho, talvez errado. Ao ver a formação da arma, dentro da coluna de luz, senti a alma dentro de mim ficar irritada, incomodada. Uma forte dor invadiu meu corpo, minha cabeça latejava. Respirava com muita dificuldade. Sentia queimar por dentro. Fiquei com minhas pernas fracas e tremia violentamente. Ate que o cristal em minha mão começou a soltar novamente a luz negra. Isto de certa forma aliviou minha dor, porém ainda sentia um grande incômodo.

No mesmo momento a coluna de luz à nossa frente se tornou escura, acinzentada. Vi que a arma continuou a ser formada dentro daquela luz negra. A dor em meu corpo cessou e senti meu ar voltando aos meus pulmões . O cetro de Elena parou de brilhar e ela estava atônita.

O cristal continuou a brilhar intensamente, cada vez mais. Só cessou quando a coluna de luz se dissipou. Pude ver as armas flutuando à nossa frente, negras, com pedras preciosas encrustadas. Eu sabia o que era aquilo. Bom, não eu Cazeaje, e sim o lado Haro de meu novo corpo, este sabia o que havia acontecido.

— Não pode ser! Por que não funcionou? – Elena estava furiosa.

— Deu certo. – respondi com satisfação.

— COMO ASSIM? Por acaso essas coisas são as lanças do Guardião Eterno? – ela começou a gritar, desesperada.

— Não. São os Chakrans de Kamiki. – ela me encarou, ainda furiosa. – Uma poderosa Feiticeira do Submundo. Creio que a invocamos.

— Mas não fizemos nada de errado. Como isso aconteceu? – seu ódio deu lugar à indignação.

— Não sei, mas acho que não podemos invocar uma criatura celestial com poderes de demônios – disse mostrando meu cristal.

Elena parecia não entender, ou não aceitar, o fato de o ritual não ter saído como ela desejou. Encarou profundamente os Chakrans com ódio. Se pudesse, colocaria fogo neles até sobrar somente cinzas.

“Foi culpa deste maldito corpo de demônio.” Elena pensou. Como poderia pensar algo assim? Não pude acreditar, fizemos tudo isso por nada? Elena não vai aceitar essas armas? Como pode por a culpa em Lass? Espera. Eu li os pensamentos dela?

Senti uma forte tontura, e sentei-me no chão. Minha cabeça parecia rodar. Minha visão ficou levemente turva e pude ver Elena ao fundo, como um borrão, ainda olhando os Chakrans.

— Elena.... – falei com desespero. “O que está acontecendo?”

Ela veio rapidamente ao meu encontro. Seu olhar ainda era serio, com uma leve expressão de preocupação. Ajoelhou-se a minha frente, me encarou por alguns segundos e finalmente falou.

— Esse ritual tem algumas consequências – sua voz não possuía emoção nenhuma. – sem contar que drena muita energia.

— Eu ouvi.....seus pensamentos... – disse ofegante.

— Eu sei. Esse é um dos requisitos. Podemos, além disso, podemos ver o que a outra vê. Até mesmo se a nossa ligação for muito forte, podemos sentir o que a outra sente.

— Como?......Por que?

— É um ritual de união. Tanto entre nós duas, quanto entre o Guardião Eterno. – como ela podia falar normalmente algo tão serio? – Se bem que, não conseguimos invocar ele.

Após isso Elena pensou por alguns minutos. Eu continuava ofegante e com a visão turva. “União?” Como assim? Por que ela não me avisou? E Lass? Ela não pode saber da mente independente dele. Já tenho um em minha mente, agora terei mais outra? Minha cabeça latejava. Até que Elena se levantou, me tirando do transe em que estava, pegou seu cetro e começou a passa-lo, de um lado para o outro, acima dos Chackrans. “O que ela está analisando?”.

Por fim voltou e novamente se ajoelhou a minha frente. Apontou seu cetro para mim. Este começou a brilhar fracamente. “O que está fazendo?” Não conseguiria reagir. Ela fechou rapidamente os olhos e abriu um leve sorriso. Abaixou seu cetro e depois de infindáveis instantes começou a falar.

— Já sei o que aconteceu. – falou com orgulho. Apenas a olhei, esperando ela continuar a falar – Somente deuses possuem o poder suficiente para realizar o ritual sozinhos. Por isso é necessário dois magos poderosos. Porém, esse poder de seu novo corpo entrou em conflito com o poder celestial, como você mesmo disse. Bom, resumindo, você quase gastou todo o poder demoníaco para fazer aquelas armas. Eu não ajudei em quase nada. Agora você está sofrendo as dores de ter realizado um ritual divino com esses poderes. Entendeu?

— Hm – gemi. Minha cabeça latejava e tudo rodava à minha volta. A voz de Elena foi se afastando, minha visão ficou turva. Tudo ficou escuro.

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Acordei num susto. Sentei-me, ainda com certa tontura, me acostumando com a luz do dia. Olhei em volta, os soldados passavam por mim, totalmente focados, levando enormes pedras arroxeadas. Eles também estavam roxos. Por quê? Continuei olhando, tentando me lembrar do que havia acontecido.

— Finalmente acordou.

— Elena? – virei e a vi sentando ao meu lado. – O que aconteceu?

— Você desmaiou. Mas também usou quase toda sua energia. Tinha que descansar. – falou séria porém sorrindo.

— Quanto tempo eu dormi?

— Umas 16 horas.

Como pode? Eu não durmo. Lass também não dormia. Devo ter realmente esgotado minhas forças. Eu ainda não controlo essa energia obscura. Acho que devo parar de usá-la, afinal, tenho que proteger este corpo. Como isso pôde acontecer? Não posso derrotar Astaroth sem meus poderes. Não posso apenas observar meu exército em uma batalha, sem fazer nada. Pelo menos tenho Elena para me ajudar, ainda mais agora que ela está mais forte. Espere! Ela aceitou Kamiki?

— Cadê os Chackrans? – perguntei, minha voz ainda estava fraca.

— Eu treinei com eles.– ela correu e logo voltou com as armas em mãos — Veja.

Elena parou em minha frente e após alguns segundos vi a luz negra emanar das armas e cobrir seu corpo. Esta bloqueou minha visão por certos minutos. Ouvi-a soltar gritos de dor e logo depois respirar ofegante. Quando a névoa se dissipou pude ver que ela se transformou em um ser alto, de pele roxa azulada, com grandes olhos brilhantes. Possui também dois grandes chifres, um rabo e duas asas brancas, tão claras e contrastantes com seu corpo que pareciam ter luz própria.

— Como se sente? – disse encarando sua nova forma.

— Forte, poderosa. – sua voz era grossa e rouca.

— Consegue voar? – falei apontando para suas asas, ela encarou-as por algum tempo, como se não tivesse percebido que estavam ali. Depois de analisa-las bem, mexer seu corpo, respondeu com uma expressão séria.

— Não. – fez uma longa pausa, pensando — Creio que são resquícios do ser celestial que tentamos invocar.

— Quais são seus poderes? – perguntei curiosa.

Ela começou a fazer movimentos circulares à frente com as armas. Depois passou a se teleportar pequenas distancias. Falou que conseguia conjurar os elementos da natureza, devido aos orbes cravados nos Chakrans. Mas o que mais me impressionou é que ela consegue convocar nossos soldados, trazendo-os para perto dela, não importando onde estivessem. Depois de me mostrar suas novas habilidades, Elena soltou os Chakrans e novamente a luz negra a envolveu, fazendo-a voltar a sua forma normal.

Finalmente me senti melhor e consegui levantar. Fui em direção às novas armas. Ao me aproximar, pude sentir o enorme fluxo magico que provinha dos objetos. Tão negros que pareciam cintilar. Elena se aproximou apenas me observando. Por instinto direcionei meu braço aos Chakrans, gostaria de sentir todo esse poder pelo meu corpo.

— Não mexeria se fosse você – Elena falou apreensiva. Isso me tirou de minha hipnose e me fez olha-la com dúvida. – Você ainda está fraca para empunhá-los. Sem contar que eles são meus. – essa ultima frase saiu de forma autoritária.

Passei a encara-la, sem reação. Ela tinha razão, não poderia lidar com tal poder neste momento. Mas como ela poderia agir comigo desta forma? Eu lhe trouxe este poder, se não fosse por mim ela ainda estaria ensinando crianças em uma Academia. Senti um ódio se apoderar de mim. Apesar de aliadas, ela me deve respeito.

Levantei-me, encarando seus olhos profundamente. Senti as chamas azuis me rodeando. Apesar de estar no corpo de um garoto, eu ainda era mais alta que Elena. Aproximei-me dela, lentamente. A mesma me encarava, séria, porém apreensiva.

— Não – falei com o tom de voz baixo e ameaçador – eles são meus. Tudo o que você tem pertence a mim. – Seus olhos estavam arregalados, não me contive, soltei uma risada, isso era divertido. Mudei minha expressão, agora estava orgulhosa. Passei a me afastar lentamente, ainda encarando Elena. – Não haja assim....se não quiser um demônio em sua mente.

Ao dizer isso me virei. Sei que ela estava apavorada. Prezo tê-la como aliada, mas não posso ser desrespeitada. Com as chamas azuis ainda me rodeando fiz um portal. Chamei algumas dezenas dos soldados que estavam por perto. Estes atravessaram primeiro. Antes de ir embora, olhei para traz, vi Elena ainda me encarando, atônita. Passei pelo portal e antes de fecha-lo pude ouvir:

— Farei minhas obrigações!

Palavras de Elena. Sei que esta maguinha é orgulhosa demais para pedir desculpas, mas aceitarei esta frase. É bom mesmo que ela faça a parte dela no acordo, protegendo o Templo e meu exército. Subitamente lembro-me de meu cristal. Olho para ele e vejo pequenas rachaduras se formando. “Não tenho tempo a perder!”.

Observei a Ponte Infernal, já escura devido a noite. Andei até chegar ao limite da estreita passagem, que era cercada por um abismo escuro, fracamente iluminados pela Lua. A fundo vejo uma espécie de portal, parece girar constantemente. “Como pode haver em Ernas uma passagem tão próxima a Hades?”

Apenas de estar neste local percebo como se o tempo corresse de forma diferente. Posso sentir o poder obscuro se movimentando em meu corpo. O sangue Haro parece ferver, reconhecendo a energia do local. Repentinamente uma forte tristeza invade minha alma. Minhas pernas bambeiam e lagrimas escorrem de meus olhos, sem que eu pudesse contê-las. “O que está acontecendo?”

Quando vejo já estou ajoelhada. Não consigo controlar meu corpo. Fico ofegante. Começo a tremer violentamente. A dor aumenta, e posso ver as chamas azuis, mais intensas, me envolvendo. Coloco as mãos no chão para conseguir apoio. Arrepios percorrem meu corpo. “Eu estou apavorada? Por quê?”.

“Não gosto desse local” disse Lass

“Não ouse! Se quiser sair vivo daqui pare de me atrapalhar” se pudesse eu gritaria mentalmente.

Após alguns minutos a dor diminui. Os arrepios param e minha respiração quase volta ao normal. Ainda com lagrimas em meus olhos consigo retomar o controle de meu corpo. Não possuo forças para me levantar, mesmo assim abro lentamente um Portal, e com muito esforço me sento. Nele posso ver Gadosen sentado em uma sala, aparentemente sozinho. Ele já está me encarando.

— O que deseja, mortal? – sua voz é imponente.

— Sou Cazeaje. – uso todas as minhas forças para não parecer desesperada.

— Veio cobrar minha dívida, não é? – ele se aproxima do portal.

— Preciso que lidere meu exército. Venha ao meu Castelo a oeste da Ponte Infernal, meus soldados o guiarão.

— Demorarei alguns dias para chegar.

— Apenas venha. – falei já desfazendo o Portal.

A fraqueza toma conta de meu corpo e eu acabo deitando, fitando o céu. “Se continuar assim, não vou sair deste local”. Não consegui parar as lagrimas e as chamas continuam em volta de meu corpo. Não sei quanto tempo se passa, mas vejo que o dia começa a amanhecer e me lembro das palavras de Lass.

Com muito esforço consigo me sentar novamente, em direção ao horizonte. Olho fixamente o céu, me concentrando nos tons alaranjados e roxos que cortam a escuridão. Respiro profundamente buscando tranquilidade.

“Lass, me obedeça e se concentre no nascer do Sol. Se acalme”

Ele não me responde, porém após vários minutos sinto meu corpo parar de tremer. As lagrimas diminuem, assim como as chamas. Continuo desse jeito e depois de mais algum tempo sinto as forças retornando ao corpo. Lentamente consigo levantar e já me viro para sair deste local.

Comecei a lenta caminhada em direção a onde seria meu Castelo. Deixo alguns soldados na Ponte para esperar Gadosen. Também chamo mentalmente outros, do Templo do Fogo, para me acompanharem. Ando a passos pesados, ainda cambaleando. Creio que, neste ritmo, em alguns dias os soldados me alcançarão.

Conforme me afasto sinto o calor diminuir. Estranhamente vejo a paisagem se tornar arroxeada novamente. O clima quente e céu avermelhado dá lugar ao frio e escuridão. Mesmo de dia o local é fechado e sombrio. Após uma semana de viagem avistei montanhas, perfeitas para construir meu novo lar.

Paramos neste local, eu e meus soldados. Todos nós descansamos após a longa viajem. Eles ficavam parados, imóveis e inexpressivos, isso tornava o lugar mais sombrio. Percebi que alguns começaram a mudar de cor, antes vermelha, agora era roxa como as pedras. “Deve ser uma maneira de se camuflar”.

Com a pouca magia que resta no cristal fortaleci os soldados para que pudessem construir meu Castelo. Dezenas, talvez centenas, trabalhavam arduamente, sem parar nem descansar, dia e noite, e mais chegavam a cada dia. Apenas em duas semanas meu Castelo já estava pronto. Sentei-me em meu trono no último andar. Só me restava aguardar Gadosen.

Aproveitei meu tempo livre para treinar técnicas com minhas adagas. Percebi que o corpo de Lass é muito rápido. Ele consegue ser imperceptível, até mesmo, pode ficar invisível. Sua habilidade permite dar golpes únicos e precisos.

“Lass você parece um verdadeiro ninja”

“O que é isso?” disse Lass

“Quando eu morava em um Reino, li sobre os Ninjas. Um lutador habilidoso que pode se infiltrar em locais sem ser visto. Você é um deles” ele não respondeu. “Eu me lembro também que eles usavam kunais, sem contar que podemos misturar seu sangue Haro com essas habilidades”

“Vamos ver no que vai dar”

Com as pedras do local mandei meus soldados fazerem kunais para mim. Continuei treinando até conseguir utilizar totalmente as habilidades deste corpo. Acabei criando técnicas magicas com o poder obscuro de Lass, que se misturavam com seus golpes. A cada dia me tornava mais ágil e mais forte.

Após uma semana comecei a me preocupar se Gadosen realmente viria. Até que me lembrei que o tempo em Ernas passa mais rápido do que em Hades. Estava satisfeita, tudo ocorria conforme o plano. Já imaginava ansiosa o momento de enfrentar Astaroth e arrastá-lo ao Submundo como ele fez comigo.

— Cazeaje, é urgente. – falou Elena mentalmente.

— Fale, o que aconteceu? – respondi.

— A Grand Chase pode se tornar uma pedra em nosso caminho.

Rapidamente abri um Portal para que ela viesse ao meu Castelo. Elena o atravessou, apenas com seu cetro em mãos. Sentei-me em meu trono e ela ficou à minha frente. Quando vi, estava retirando a gema de seu cetro e apontando em minha direção. Esta brilhou levemente.

— Preciso que veja isto.

Notas finais
Agradeço a quem leu até aqui. O proximo capitulo vai ser recheado de batalhas e emoçoes. Não esqueçam de comentar, nem que for um oi, ficarei muito agradecida. Bjoss até a proxima o/