A Vida numa Morte, A Morte numa Vida

Não quero abrir os olhos. Deixe me continuar num sono eterno, o que não seria muito diferente de minha vida. Como posso chamar isso de vida? Não há nada em mim, a não ser, a morte de meus olhos.

Nunca fui feliz, pois não sei o que é sorrir. Nunca foi triste, pois não sei o que chorar.

Como você pode ser algo se nem pode ver o ser diante do espelho.

O que é ser e não ser?

Não existem cinco sentidos. Pelo menos, não para mim. Não posso descordar, tenho a audição, o olfato, o tacto, paladar. Contudo, há também a escuridão. A mesma sessão de quando esta dormindo, a imensidão da ausência de luz, o preto.

Preciso da luz em mim. Preciso meu Senhor, por favor! Mas não há nada para dar em troca.

Necessito da música em minha vida, pois é a melodia que me acalma.

Necessito das flores em minha vida, pois não há maior prazer que o cheiro das rosas.

Necessito do sabor em minha vida, pois não sobrou nada mais para degustar.

Necessito sentir em minha vida, pois quem irá beijar meu amor?

Não sei nem ao menos a cor de seus olhos. Das janelas de sua alma. Nem ao menos dos meus. Como posso saber quem eu sou, se nada vejo nem mesmo com os olhos aberto?Quem é esta pessoa que vejo diante de meu espelho? O nada.

Ainda tento me convencer que não é possível ter tudo, mas o Senhor tiraste aquilo que é mais precioso para mim. Que filho merece que o pai ou a mãe não possa o conhecer? Não por escolha, porém por uma maldição. Um assombração sem cura. Uma jornada sem esperança.

Isto termina aqui. No meu sonho e pesadelo. No vento batendo em meus dentes a mostra e na lágrima quente que escorre pelo meu rosto.

A vida numa morte, a morte numa vida

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