A Vida de Annabeth Chase
50 Chegada ao acampamento
Notas iniciais
Ok, aparecer no meio da fogueira com certeza não foi a decisão mais inteligente que tomamos. Todos olhavam abismados em nossa direção, sem contar que uns três campistas chegaram a cair do tronco onde estavam sentados de tanto susto, se bem que o Percy estava chamando muito mais atenção que eu, já que ele fez questão de brilhar.
Ri baixinho, que ideia idiota essa do Percy de brilhar, daqui a pouco vai ser chamado de Tinker Bell ou então vai aparecer alguém gritando “voa voa purpurina”... Acho que até ser chamado de Edward Cullen entraria nesta lista.
O primeiro a se recuperar foi o Quíron.
_ Pessoal quero que recebam uns visitantes, o deus Perseu Jackson e ... – Falou ele e então se virou na minha direção, seus olhos se arregalaram. Finalmente fui reconhecida.
_ Annie? – Perguntou ele. Sorri lhe abraçando.
_ Bem deixe que eu mesma me apresento. Sou Annie, fui campista de longa dada e agora retorno por causa de uma punição dada pelos deuses – Falei ainda abraçada ao Quíron. Ouviu-se um murmúrio por dentre os campistas.
_ Punição? – Perguntou o Quíron um tanto quanto confuso
_ Zeus não avisou que viríamos? – Perguntei a ele que negou com a cabeça, olhei para o Percy e ele deu de ombros.
_ Neste caso colocarei vocês a par do que ocorreu – Falou o Percy, mas eu o interrompi antes que continuasse, eu o amo, mas quando se trata de falar besteiras com certeza ele é o maior.
_ Alguns de vocês chegaram a conhecer o antigo diretor deste acampamento, o senhor D, pois bem, assim como o antigo diretor, eu e o Percy fomos punidos com 10 anos de trabalho aqui no acampamento – Falei e o Percy assentiu. Quíron nos olhava com a sobrancelha levantada, obviamente com dúvida quanto ao que se tratava o castigo.
_ Por quê? – Perguntou uma das filhas de Afrodite
_ Hã? – Perguntou Percy confuso
_ Por que foram punidos? – Perguntou novamente de uma forma mais clara
_ Nada muito relevante – Respondeu o Percy sorrindo. Juro que vi 20 meninas se derretendo com o calor do sorriso do Percy, deu até vontade de mandá-lo parar de sorrir. Engoli seco o ciúme. Por um momento quase gritei para o céu que ele é meu, mas sabendo que é lá que se encontra o Olimpo preferi manter silêncio.
_ Não tem como ser relevante, afinal os deuses puniram vocês – Falou o Quíron novamente atraindo minha atenção.
Sorri ao Quíron dando de ombros, não poderia contar o que se passava, afinal isso iria levar a outros questionamentos inconvenientes.
_ Deuses são voláteis, ficam bravos sem motivos – Respondi sorrindo ouviu-se trovões e luzes cortando os céus. _ Viu o que eu disse – Completei rindo.
_ Então isso nada tem a ver com o fato de você ter sumido por anos, não ter mandado notícia, ter apagado seu rastro – Falou ele ironicamente. E juro que senti magoa em sua voz, acho que lhe magoei.
_ Nada a ver – Respondi dando de ombros e sorrindo angelicalmente.
_ Pois bem, como eu vinha dizendo ambos estarão no comando das atividades do acampamento. Percy cuidará das aulas no lago e Annie cuidará das aulas de grego antigo e de história dos semi-deuses, ambos juntos estarão nas aulas de batalha. – Falou Quíron e um murmúrio novamente se espalhou
_ Aula de batalha com uma semi-deusa comum? Com o deus menor até vai, mas não vou me rebaixar a ouvir uma mera semi-deusa – Ouvi uma voz vinda dos campistas. Deus menor? Eles não sabiam que o Percy é um deus olimpiano?
Olhei para o Percy e ele balançou a cabeça negativamente respondendo minha pergunta mental. “Preferi não espalhar até ter você ao meu lado”, a voz dele surgiu em minha mente.
_ Quem disse isso? – Perguntei em voz alta e vi uma menina se levantando, seus cabelos escuros, olhos profundos, obviamente Perséfone. Mas parece que o ego se desenvolveu por conta própria.
_ O que te faz pensar ser melhor do que eu? – Perguntei e a garota riu, vi Quíron olhar feio pra garota que não recuou, mas nada respondeu.
_ Essa é Marcela, filha única de Perséfone, se tornará uma deusa menor assim que completar seus 20 anos – Falou Quíron e a menina sorriu orgulhosa.
_ E você de quem é filha? – Perguntou ela ignorantemente
_ Atena – Respondi sorrindo e ouvi ela rindo novamente
_ Não serei obrigada a ouvir e respeitar alguém que é uma semi-deusa, ainda por cima filha de Atena – Falou ela ironicamente.
_ A partir do momento que eu sou a responsável, sim você terá que me ouvir – Respondi
_ Ótimo, proponho uma batalha – Falou ele e eu sorri. Quíron deu um passo a frente, mas eu levantei minha mão impedindo seu movimento.
_ Aceito e ainda permitirei que escolha a arma na qual eu usarei em batalha – Falei
Marcela sorriu ainda mais com essa afirmação.
_ Lutará com uma adaga – Falou ela, obviamente não havia encontrado muitos lutadores de adaga pelo acampamento.
Quíron revirou os olhos para a menina, eu sabia que ela era inocente apenas pela escolha de minha arma.
Percy riu ao meu lado.
_ Mamãe – Ouvi a voz de Mel saindo de trás dos campistas. Sorri e me abaixei.
Ela veio correndo na minha direção e pulou no meu colo. Sorri abraçando-lhe.
_ Oi linda – Respondi beijando sua bochecha. Olhei para frente e vi Alex andando com a mão no bolso e um sorriso sincero na minha direção.
_ Não ganho um abraço do meu filho então? – Perguntei ao Alex e ele riu me abraçando
_ Filhos? – Gaguejou Quíron
_ Sim – Respondi sorrindo para ele
_ Sou Melody, mas todos me chamam de Mel – Falou minha filha
_ Sou Alex e como sabem sou filho de Poseidon e Atena, mas quem me criou no mundo mortal foi Annie, então, considero ela como minha mãe – Falou ele sorrindo para mim.
_ Se Mel é um semi-deus e acabou no acampamento meio sangue, o pai dela deve ser ou um semi-deus ou um deus. Quem é o pai dela? – Perguntou Quíron, um tanto quanto bravo, acho que por eu não ter apresentado minha filha antes.
_ Não acho conveniente apresentar o pai dela as pessoas no momento – Respondi, ouvi Percy rindo.
Mel olhou para o lado e foi para o colo do Percy, onde se aconchegou e deitou.
_ De qualquer forma tenho uma batalha a vencer – Falei indo na direção de Marcela.
_ Nova regra, a batalha só termina quando uma de nós estiver morta – Falou ela cheia de marra.
_ Certeza que assim deseja? – Perguntei esperando que ela não fosse tão trouxa.
_ Sim – Respondeu ela. Que idiota.
_ Pois bem, assim será – Respondi sacando minha adaga.
Ela deu o primeiro ataque, muito obvio, desviei. Revidei acertando o punho de minha adaga em sua nuca.
Ela cambaleou, mas não caiu e voltou a me atacar.Novamente desviei e desta vez acertei um a nuca de forma que ela caiu. Eu a imobilizei por trás e segurei minha adaga contra o seu pescoço. Quando eu estava a ponto de mata-la uma voz surgiu em minha mente pedindo que eu não lhe matasse.
Soltei-lhe e me virei, ela de maneira idiota planejava me atacar pelas costas.
_ Impossível – Falou ela e do nada, seus joelhos se dobraram, eu muito bem sabia que Perséfone havia interrompido a filha e ao forçá-la a se ajoelhar foi uma maneira de pedir perdão pelos erros de sua filha
_ Em clemência a sua mãe, não pretendo sentencia-la a morte, porém, toda e qualquer ação que por mim for tomada como desavença poderá acarretar em uma punição devidamente ministrada a você, espero que tenha entendido – Respondi firme ao som de trovões.
Uma voz fluiu pelos ares, rapidamente atribui a voz a Perséfone.
_ Agradeço a compreensão para com minha filha, apesar de minha sei o quanto foi tola ao desafia-la a uma batalha. Este fato não se repetira.
_ Pois bem, como sabe não volto com minha palavra, qualquer outra ação que me for desrespeitosa terá punição – Respondi firme
_ Sim minha filha, sei disso, seu avô esta lhe mandando um beijo – Falou ela rindo, ri juntamente a ela
_ Mande outro a ele – Respondi
_ Agora que tudo esta esclarecido preciso voltar, tchau – Disse Perséfone com a voz já sumindo.
Aos poucos a feição assustada foi sumindo do rosto de todos. Virei na direção do Percy e peguei a Mel no colo.
_ Como bem disse Perséfone, agora que esta esclarecido, vou dormir e se ninguém mais se opõe ao fato de que eu serei a professora, espero todos amanhã cedo logo após o café – Falei andando na direção das cabanas.
Entrei na cabana de Atena e coloquei Mel em uma das camas. Deitei ao lado dela e permaneci até que minha pequena pegasse realmente no sono.
Fale com o autor