A Vida Secreta de Rachel

20 A noite de sábado


Notas iniciais
A todos uma boa leitura!

– Tenham uma boa viagem! Mande um beijo para meus pais! – Grito enquanto aceno para o carro que logo desaparece no fim da rua.

Aquele era o final de semana da festa no chalé, e como previsto Allan levara as crianças. Algo que me causou certa surpresa, afinal, Allan nunca fora o pais mais presente. Mesmo assim, dedicou – finalmente – um tempo para estar com seus filhos.

Mesmo não trabalhando mais para Gina, eu resolvi não contar nada para Allan, porque eu não queria ouvir seu discurso machista que provavelmente diria “Eu te avisei.” Mas acho que o motivo de sustentar a mentira do trabalho fora o desanimo que estava sentindo de encontrar todos meus familiares naquele chalé. Já havia se passado quase uma semana desde que tudo aconteceu, mesmo com os dias que se sucederam ainda sentia algo incomodar meu peito, quase como uma ferida. Mas eu iria cicatriza-la.

Gina me ligou há dois dias, perguntando-me se tivera mudado de ideia sobre o emprego, suas palavras me pareceram sinceras “ Você tem talento, Rachel” mesmo assim resolvi negar sua nova oferta. Eu não queria ver ou pensar em Frankie. Eu não seria refém daquele sentimento.

Não iria.

Respiro fundo.

Aquela manhã de sábado estava no mínimo agradável, o sol apontara logo nas primeiras horas da manhã, o dia era quente.

Perfeito para ser aproveitado. Penso.

Mas o que eu faria? Afinal de contas, minhas raras experiências de ter um fim de semana reservado inteiramente para mim resumiu-se em uma taça de vinho e um bom livro na sala de leitura.

Nada muito animador. Eu sei. Mas o que podia se esperar da antiga Rachel?

Solto um riso com meu pensamento seguindo para dentro da casa.

Ao cruzar a porta de entrada sinto uma vibração no bolso do meu pijama, por um momento o barulho me causa estranha – afinal, desde que adquiri aquele aparelho foi poucas pessoas que me ligaram.

Apanhei o celular e olhei na tela:

Gavin.

Abro um sorriso.

– Espero que você não tenha se esquecido. – começou ele.

Esquecer? Mas o que exatamente eu não poderia esquecer? Penso confusa.

– Bom dia, Gavin – digo em tom risonho – o que exatamente não posso esquecer?

– Está brincando? Hoje é meu aniversário! – ele exclamou empolgado – e você fora convidada para festa mais badalada da cidade essa noite.

Solto um riso.

Gavin era um solteirão empolgado com a vida noturna. Mesmo com idades semelhantes, nossa vida sempre era bem distinta.

Gavin vivia na noite, em bares, boates – mesmo que com sua vida estável – ele não dispensara uma diversão.

– É mesmo – comecei me sentindo mal por ter me esquecido – está ficando velho.

Rimos.

– Sim, Rachel. Mas logo será você.

– É. Estamos ficando velhos. – corrijo.

– Então, você vem?

Por um momento penso em negar, na verdade, não sei se me habituaria em uma balada – boate, ou sei lá o nome usado nos dias de hoje – sempre me senti deslocada nesse meio, mesmo ainda na juventude, sempre tive certeza que não pertencia há esse mundo.

O melhor a fazer é inventar qualquer desculpa, poderia dizer que tinha as crianças – Gavin não precisava saber que estava sozinha em casa – e obviamente não iria insistir. E também poderia usar a desculpa de Allan, Gavin sabia o quanto Allan detestava saídas noturnas, ainda mais em ambientes como balada.

Mas a velha Rachel inventaria desculpas, a nova Rachel não.

– Sim, claro. Mande-me o endereço. – Anuncio determinada.

– Ah, que ótimo! Claro. Mandarei por mensagem de texto – antes de desligar continuou – estou muito feliz. Minha Rachel está de volta.

Aquelas palavras me causaram um sorriso.

Sim, Rachel estava renascida. Penso.

– Até logo, querido.

– Até, ruiva.

Desligamos.

Eu iria aproveitar minha noite de sábado depois de muito tempo. Aquele era o momento de espairecer minha mente. Penso com um sorriso.

A mensagem chegara instantes depois, lá se encontrava o endereço e o horário: 22h30min.

Respiro fundo.

Acho que preciso escolher meu melhor vestido. Penso animada.

O dia sucedeu-se lento, passei grande parte do dia assistindo televisão – algo que nunca acontecera antes — no almoço pizza e refrigerante – algo que normalmente condenaria.

O restante do dia fora preguiçoso, li páginas de um livro, dormi, acordei, dormi novamente. E então o relógio despertou.

Lá fora o céu já estava negro. Havia escurecido.

Depois de um banho, caminho de volta para meu quarto, envolvida na toalha caminho para closet e escolho um vestido de paetê na cor preta, ele era justo ao meu corpo e cairia super bem com meu salto meia pata da mesma cor. A roupa ficou maravilhosa em meu corpo – valorizou até mesmo meu busto que não era muito aparente.

Sentia-me bem, e sem querer parecer convencida, me sentia gostosa.

Com o cabelo solto, passo uma maquiagem forte – apropriada para noite – nos lábios um batom vermelho.

Deixo minha casa pontualmente às 21h38min, o taxi que pedir alguns minutos atrás.

O motorista era o Carlito, descendente de amexicanos, ele era muito simpático pai de duas lindas filhas.

Entro o endereço em suas mãos.

Ele sorri.

– Vai se divertir, senhora Sadie.

Abro um sorriso.

– Sempre é bom se divertir, Carlito.

A viagem fora de aproximadamente vinte minutos, e quando Carlito parou estávamos em frente de uma grande boate gay.

Respiro fundo.

Parece que agora eu pertencia aquele mundo. Solto um sorriso pagando a corrida para ele.

Pulo do carro e vou para fila que se formara no lugar, havia uma diversidade de pessoas, a sua maioria se encontravam em pequenos grupos. Falantes, pareciam animados com o começo da noite.

Respiro fundo.

Aquela sensação da minha adolescência começara a aparecer.

Sentia-me deslocada.

Você não pertence a esse lugar, Rachel. Penso.

Sacudo a cabeça me livrando de qualquer pensamento pessimista. Aquela noite eu me jogaria.

Sinto alguém se chocar contra meu ombro, a batida me faz ir alguns passos pra trás, penso que iria cair, quando ergo os olhos, uma mulher de pernas longas e camisa branca com gola em v sorria para Amim. Seu cabelo era curto e negro, seus olhos eram levemente amendoados e estreitos – mas não era ocidental. Seu rosto era levemente quadrado, seu sorriso era largo e seus dentes brancos. Ela era bonita.

– Me desculpa – ela gritou enquanto era arrastada para dentro da boate por outra mulher que parecia empolgada entrar.

Dou de ombros.

O segurança do local – com cara de poucos amigos – pedira meu nome e logo depois de conferir a lista, libera minha entrada.

Por um momento eu me lembro da primeira vez que estive em uma boate como essa, a ansiedade para noite e a frustração no final dela.

Solto um riso negando em silencio.

Aquele tempo havia passado, Rachel. Penso.

Sigo para dentro da boate, a primeira visão que tenho assim que entro pelo corredor é uma pegação generalizada, homens com homens e mulheres com outras mulheres. Era tudo muito quente, gemidos, muitos gemidos.

Sinto meu rosto corar.

As pessoas envolviam-se freneticamente com a batida na pista de dança, corpos eletrizados dançavam, se divertiam.

Eu, Rachel Sadie me sentia perdida na multidão de corpos em euforia.

Aonde encontraria Gavin? Aquilo ali estava cheio demais, e provavelmente nunca acharia a porta de saída.

Respiro fundo e tento relaxar.

Sigo para bar da boate e me sento.

Por um momento eu me sinto perdida e acho uma péssima ideia ter aceitado o convite.

– Vai querer alguma coisa? – Ergo meu olhar.

A mulher loira de seios fartos me encara enquanto masca seu chiclete, por um instante penso em dizer que queria ir embora dali.

Mas apenas digo:

– Um Martini, por favor.

A mulher assentiu se afastando, apanho meu celular na bolsa, desbloqueio a tela e digito uma mensagem.

Estou aqui. Cadê você?

Envio-a para Gavin.

A mensagem chega ao mesmo instante.

Olha para cima.

Ergo meu olhar e posso notar Gavin no camarote, mesmo com a pouca luz do ambiente posso notar seu corpo esguio movimentar-se ao ritmo da musica. Ele gesticulava com mão para me ajuntar-se a ele.

Espero a mulher voltar com meu drinque e viro em um gole só.

Aquela noite eu iria me entregar para diversão.

Caminho para o camarote desviando-se da multidão frenética.

Gavin me recebe com um abraço afetuoso, ele vestia uma camisa de neon na cor verde chamativa.

Certamente ele já tivera bebido alguns drinques há mais, já que me segurou pela cintura saltitante da mesma forma que fizera na juventude.

– Pessoal essa aqui é a minha ruiva sexy, Rachel! – Ele falava para um grupo de pessoas que estavam sentadas no sofá.

Havia homens e mulheres, entre elas tinha a garota que esbarrará em mim lá fora. Caminho em direção àquelas pessoas com um leve sorriso.

– Esse aqui é o Matias – Gavin refere-se a um homem barbudo e sem camisa, ele me lembrou homens que faziam danças sensuais – ele é o enrustido do grupo.

Gavin ri alto.

Cumprimento Matias com um beijo no rosto.

– Bia, Malu e Cassandra – disse ele referindo-se a um grupo de três garotas que estavam ocupadas entre si em uma pegada que parecia quente.

Respiro fundo.

Passando por mais um casal que Gavin não apresentara chegou à vez da mulher de olhos estreitos e largo sorriso.

– Essa é a...

– Nina, muito prazer – a mulher levantou-se me cumprimentando com um beijo no rosto, seu cheiro era agradável, fresco – me desculpa pelo esbarrão. – Ela sussurra em meu ouvido.

Arrepio-me.

– Sem problema – Anuncio – o prazer é meu.

Afasto-me sem jeito.

– E essa é a Surry – ele referiu-se a uma garota com olhos azuis e cabelo colorido que me cumprimentou amigável – e por ultimo mais não menos importante, Martim – ele apontara para um rapaz de cabelo encaracolada – ele é o tímido do grupo.

Martim me cumprimenta e então me sento na em uma das poltronas.

Gavin se afasta quando começara a tocar uma música, ele dançara como nos tempos da escola – Gavin ainda tinha a juventude em cada passo.

– Quer beber algo, Rachel? – Nina me encara intensamente, seu olhar me penetra de uma maneira que me deixa completamente sem jeito.

– Ah, sim. – Concordo ajeitando-me contra a poltrona.

Nina levanta e segui para um pequeno bar montado no camarote, volta pouco depois com dois drinques, me entrega um deles.

– Você conhece Gavin há quanto tempo? – Seu olhar era observador.

– Ah, desde os tempos do colégio.

Nina sorri.

– Ele falou sobre você — Nina ajeitasse tirando um maço de cigarro do bolso – Se importa? – Ela indaga se referindo ao cigarro.

Nego.

– Fique a vontade.

Nina acende o fumo sem tirar os olhos de mim.

Engulo a seco.

– Olha só quem chegou – todos viram o olhar na direção de Gavin – a DJ mais sexy da cidade.

Naquele instante sinto um embrulho subir pelo estomago, minhas mãos se tornam tremulas e minha única vontade é fugir dali.

Aquilo estava mesmo acontecendo? Só podia ser um pesadelo. Penso com os lábios entre abertos.

Todos ali se animaram com a chegada da recém-convidada.

Engulo a seco e tento a todo custo desviar o olhar.

Mas já era tarde demais, Frankie me encarara surpresa.

Notas finais
Essa noite ainda muita coisa vai rolar, hein. Rachel precisa segurar o coração. kkk Até o próximo capitulo pessoal!