A Vida Secreta de Rachel
13 A namorada
Notas iniciais
Não sabia exatamente o que faria quando estivesse frente a frente com Frankie, talvez um pedido de desculpas fosse uma boa maneira de começar. Ou apenas poderia abraça-la e dizer que senti saudades. Não! Definitivamente não. Já era péssimo está ali, agindo como uma colegial, cortando os carros, atravessando os faróis vermelhos para me encontrar com alguém que sobre a vida tão pouco sabia. Penso.
Mas não importa, naquele momento a única coisa desejara era estar com Frankie, poder olhar em seus olhos esverdeados e dizer que ela revirou minha vida, que mexeu comigo de uma forma nunca antes imaginada.
Aperto meus dedos contra o volante e me pergunto se aquilo não era insano demais, quer dizer, só tínhamos nos encontrado uma vez, talvez, o que de fato me fizera sentir um desejo incontrolado fora ter experimentado algo nunca antes imaginado.
Uma mulher.
Estive em sua casa uma única vez, mas fora suficiente para decorar o caminho com perfeição. Meia hora depois estava com meu carro estacionado em frente a ela.
Naquele momento me sinto a maior das imbecis, o que estava fazendo ali? Eu tinha perdido completamente a consciência dos meus atos. Eu precisava da minha sensatez de novo, mas talvez, eu pudesse recupera-la mais tarde.
Pulo do carro travando a porta, por um momento meus olhos correm pela fachada de sua casa, era como quase todas daquele lugar, uma grade de metal media, gramado verde, uma cadeira de balanço velha na varanda, uma pintura de um pêssego que perdera a vida já algum tempo.
Enquanto caminho em direção a sua casa as lembranças da noite que tivera ali vem à tona, e um golpe de quentura invade meu corpo sem permissão, sinto minhas pernas bambearem e naquele momento eu tenho certeza.
Precisava vê-la novamente.
Fito sua porta por alguns instantes, desvio olhar para uma pequena moldura com um espelho pendurado em uma das paredes. Olho meu reflexo e só então percebo quão péssima estou – roupa de corrida, cabelo preso em um coque desordenado, minha pele estava mais pálida do que o habitual – suspiro, e rapidamente solto meu cabelo ruivo a fim de deixa-lo mais apresentável.
Respiro fundo e aperto sua campainha sentindo minha mão tremula.
– Calma Rachel! Se recomponha! – Murmuro entre dentes.
Silencio.
Nenhuma manifestação que tivera alguém na casa, certamente fora um erro vim até ali, obvio que Frankie não estaria em casa em uma manhã de sábado, provavelmente estivesse em alguma rave ou algo do gênero que jovens costumavam frequentar.
Recuo alguns passos para trás.
Certamente fora um erro. Concluo.
Quando giro meus calcanhares ouço um barulho vim da fechadura da porta, fico com meu corpo imóvel esperando a pessoa por trás da porta se revelasse.
Sinto um formigamento estranho na barriga – me sinto de volta nos tempos de colegial – enquanto meus olhos percorrem a figura que aparecera em minha frente. Com uma camisa flanela na cor bege com alguns botões abertos, cabelo revolto e incrivelmente sexy, rosto amassado e as longas pernas de fora.
Frankie me encarava.
Meu peito palpita rápido demais. E naquele instante eu não sei o que fazer.
Seu semblante parece surpreso ao me olhar, como se já não fosse de se esperar, eu havia ido sem me despedir. Eu havia dito adeus, e agora voltara ali.
– Rachel. Nossa – Começou Frankie surpresa – Eu pensei que... – por um instante parou, percebo seu olhar para dentro da casa e logo encostar a porta atrás de si saindo – Eu pensei que não fosse vê-la novamente.
Sinto-me estranha, era obvio que aquilo fora um erro, ir ao seu encontro sem avisar, e pela sua reação ao sair ao invés de me convidar para entrar, me fez ter certeza que ela não estava sozinha.
– É. Eu sei. – Afirmo desviando a atenção da porta de volta para Francesca.
Por algum tempo nossa conversa se resumiu ao silencio, parecia que nenhuma de nós tinha algo a dizer, ou pelo menos não queria tomar a iniciativa.
Por fim, fora Frankie que começou.
– O bilhete que me deixou...
– Esquece o bilhete – Interrompi sua fala – desde aquele dia Frankie... – procuro as palavras certas – eu não paro de pensar em você.
As palavras saem de mim tão involuntárias que por um momento eu me pergunto se fora eu mesma que dissera tais palavras.
Percebo um sorriso em seu rosto, mas não é duradouro, logo seu semblante se torna sério.
– Rachel – começou de uma forma sutil – o que tivemos aquela noite fora delicioso, mas...
A abertura da porta interrompera a sua fala, meu olhar desviara para porta e Frankie fizera o mesmo.
Naquele momento sinto meu rosto corar, meu estomago revira e me sinto tonta, completamente envergonhada encaro a mulher que surgira por trás da porta.
Estava apenas com roupas intima, seu corpo parecia ter saído de uma propaganda de lingerie, tinha seio fartos e em pé, sua silhueta era magra e com curvas bem salientes. Cabelos negros na altura do ombro, lábios carnudos e bem delineados, olhos de um tom escuro intimidador, rosto quadrado – mas nada que ofendesse sua feminilidade — sua pele era de um bronzeado dourado, como se acabara de chegar de um dia da praia.
Sem duvidas ela era um mulherão. Pensei, sentindo-me ainda pior.
– Não vai me apresentar sua amiga, Francesca? – Sua voz não me soara receptiva, seu olhar sobre mim era severo.
Ela me metralhara com o olhar. Pensei.
Frankie volta a olhar para mim e novamente para mulher morena de traços fortes.
Eu sabia exatamente o que estava acontecendo, mas parecia que algo dentro de mim não quisera aceitar. Como se fosse mais fácil acreditar que aquela mulher sensual encostada no batente da porta fosse irmã de Francesca.
– Estella, essa é Rachel – olhou para mim, e era como se seus olhos se desculpasse por algo – Rachel essa é Estella – Frankie pareceu imóvel, e então disse em um tom quase robotizado – minha namorada.
As palavras de Frankie caíra como uma bomba, não sabia qual era a sensação de levar um tiro, mas eu sabia que o súbito aperto que sentira no peito fosse algo próximo.
Meus olhos intercalaram-se de uma para outra, Frankie, Estella, Estella e Frankie.
Por Cristo, Rachel! Qual era seu problema? Condeno-me.
Sinto-me envergonhada, era humilhante a situação que me colocara, eu tinha procurado-a para quê? Ah, claro. Para descobrir que Frankie tinha Estella sua namorada gostosa. Concluo amargurada.
Olho para Frankie por uma ultima vez, seus olhos parecem arrependidos, talvez, por ter aberto a porta.
– Eu preciso ir – Falei secamente – Prazer em conhecê-la, Estella.
Posso sentir os olhares delas sobre mim.
Saiu em disparada de volta para o carro, naquele momento minha única vontade era entrar naquele veiculo e sumir daquele lugar, esquecer que um dia conhecera Frankie. Esquecer-me de tudo que ela me causara, das sensações, do sexo, absolutamente tudo.
Enquanto arrancara com meu carro dali, posso perceber Frankie me encarar com os olhos atentos. Por um ultimo momento nossos olhares se encontram.
Adeus Frankie. Digo mentalmente.
Dirijo freneticamente querendo fugir dali o mais de presa possível, como se estando longe fosse amenizar a vergonha que sentira por ter me submetido a um papel tão patético.
Paro meu carro em uma das encostas da rua, aperto meus dedos contra o volante e naquele instante tenho certeza que fora um erro desde o principio. Eu não estava pronta para algo assim, e talvez nunca estivesse.
Meu lado idealizador imaginou que Frankie me libertaria da amargura que sentira. Mas aquilo era ilusão, como foi pensar que Frankie me acolheria em seus braços. Como se Frankie fosse de fato minha salvação.
Mas não era.
Frankie fora como uma brisa passageira.
Um devaneio.
Um breve sonho.
Um erro.
Um erro. Repito mais uma vez.
Ao olhar para espelho do carro, posso perceber meus olhos marejados, meu nariz avermelhado denunciando as lagrimas que iriam cair a seguir. À medida que analisara meu reflexo contra o espelho uma única certeza fica evidente.
Eu estava apaixonada por Frankie.
Fale com o autor